Teogonia de Umbanda - Oxóssi

O conhecimento é uma qualidade de Deus e, Oxóssi é sua divindade unigênita, pois ele é em si mesmo o conhecimento divino que ensina todos a conhecerem a si mesmos, à partir do conhecimento sobre nosso Divino Criador. Olorum gerou em Si o conhecimento sobre tudo o que criou e, porque tem conhecimento sobre toda a Sua criação, então o conhecimento assumiu a condição de uma qualidade Sua, à qual Ele imantou como um dos mistérios da criação, já que gera em Si o conhecimento e é em Si onisciente ou conhecedor de tudo e de todos.

Oxóssi rege sobre o conhecimento e irradia o tempo todo a todos, porque é em si mesmo o conhecimento divino ou a onisciência de Deus. Oxóssi, por ser unigênito na qualidade divina do conhecimento, também gera em Si conhecimentos divinos e aqueles sobre a gênese das coisas de Deus. Por ser a divindade manifestadora do conhecimento divino, Oxóssi está em todas as qualidades de Deus manifestadas pelas Suas outras divindades, assim como todas estão em Oxóssi, que é em si mesmo o conhecimento.

Seu magnetismo expande as faculdades dos seres, aguça o raciocínio e os predispõe a buscar a gênese das coisas (o conhecimento sobre elas). Logo Oxóssi é o estimulador natural dessa busca incessante sobre nossa própria origem divina, e quanto mais sabemos sobre ela maior é o nosso respeito para com a criação e mais sólida é nossa fé em Deus, pois passamos a encontrá-Lo em nós mesmos.

Oxóssi está tanto na natureza como nos conhecimentos sobre a criação, assim como está na fé, porque nos esclarece sobre nossa origem divina e nos ensina a conhecermos Deus racionalmente. Por sua natureza expansiva e seu grau de divindade guardiã dos mistérios da natureza, Oxóssi é descrito nas lendas como um Orixá caçador e ligado às matas (os vegetais). Como divindade ele é o estimulador da busca do conhecimento e, guardião dos segredos medicinais das folhas.

Oxóssi é a divindade doutrinadora que esclarece os seres e a partir do conhecimento vai religando-os ao Pai Maior, o divino Criador. Por isso e porque o conhecimento está em tudo e em todos, assim como está nas outras qualidades divinas, Oxóssi é interpretado como a divindade que atua nos seres aguçando o raciocínio, esclarecendo-os e expandindo as faculdades mentais ligadas ao aprendizado das coisas religiosas, estimulando-os a buscar Deus sem fanatismo ou emotividade, mas com conhecimento e fé.

O magnetismo de Oxóssi expande a capacidade de raciocinar e fortalece o mental do ser, pois o satura com a sua essência e energia vegetal curadora das doenças emocionais e dos desequilíbrios energéticos, que surgem a partir da vivenciação de conceitos errôneos paralisadores da evolução como um todo na vida das pessoas.

Oxóssi polariza e se complementa com Obá, na linha do conhecimento divino.

Oferenda:

Velas brancas, verde e rosa; cerveja, vinho doce e licor de caju; flores do campo e frutas variadas, tudo depositado em bosques e matas.

Água de Oxóssi para lavagem de cabeça (amaci):

Água da fonte com guiné macerada e curtida por três dias.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Obá

Obá é uma divindade cósmica gerada em Deus na Sua qualidade concentradora, que dá consistência e firmeza a tudo o que cria. Ela é o elemento terra que dá sustentação e germina em seu ventre terroso, todas as sementes do conhecimento. Ela é uma divindade unigênita que possui um magnetismo negativo, atrativo e concentrador, que polariza com Oxóssi e atua como concentradora do raciocínio dos seres expandido por ele.

É unigênita porque é em si mesma a qualidade concentradora do divino Criador, qualidade esta associada à verdade já que só o que é verdadeiro tem em si mesmo uma densidade e uma resistência própria, que o eterniza no tempo e na mente dos seres. Obá nas lendas é tida como a Orixá da verdade. Esse é um mistério de Deus corretamente interpretado, pois ela é a divindade que é em si mesma a qualidade divina que esgota os seres cujo raciocínio se desvirtuou, gerando falsos conceitos religiosos paralisadores da evolução e desequilibradores da fé. Obá é circunspecta, de caráter firme e reto, de poucas palavras e de uma profundidade única nas suas vibrações retificadoras do raciocínio dos seres.

Oxóssi é visto como o doutrinador pensante e expansivo. Já Obá é vista e interpretada como a mestra rigorosa, inflexível e irredutível nos seus pontos de vista (conceitos sobre a verdade). Ela não é envolvente mas sim absorvente. Ela não é amorosa mas sim corretiva e não se peja, se tiver de esgotar toda a capacidade de raciocínio de um ser que se emocionou e se desequilibrou mentalmente. Por ser em si a qualidade concentradora do criador Olorum, Obá também gera em si suas hierarquias racionalistas e circunspectas, e sua qualidade que é passada aos seus filhos que a absorvem e tornam-se racionalistas, circunspectos, muito observadores e pouco falantes.

A atuação de Obá é discreta pois ela é tão silenciosa quanto a terra seu elemento, e quem está sendo paralisado nem percebe que está passando por uma descarga emocional muito intensa. Mas algum tempo depois já começa a mudar alguns de seus conceitos errôneos ou abandona a linha de raciocínio desvirtuado e viciado que o estava direcionando.

O campo em que Obá mais atua é o religioso. Como divindade cósmica responsável por paralisar os excessos cometidos pelas pessoas que dominam o conhecimento religioso, uma de suas funções é paralisar os conhecimentos viciados e aquietar os seres antes que cometam erros irreparáveis. O ser que está sendo atuado por Obá começa a desinteressar-se pelo assunto que tanto o atraía e torna-se meio apático, alguns até perdendo sua desvirtuada capacidade de raciocinar. Então quando o ser já foi paralisado e teve seu emocional descarregado dos conceitos falsos, aí ela o conduz ao campo de ação de Oxóssi que começará a atuar no sentido de redirecioná-Io na linha reta do conhecimento.

Obá com seu poderoso magnetismo absorve as energias irradiadas pelos pensamentos dos seres que estão dando mau uso aos seus conhecimentos e os os envia ao seu pólo oposto negativo escuro para descarregá-los neles assim que desencarnarem, quando receberão terríveis choques mentais que chegam a levar alguns ao estado de demência, tornando-os irreconhecíveis.

Seu pólo magnético é tão atrativo quanto à gravidade do planeta Terra. E por isso ela não irradia cores e mostra-se de cor magenta ou terrosa, mas Obá é bicolor pois é terra-vegetal ou a seiva viva onde as sementes germinam, e entre estas sementes está a do conhecimento.

Oferenda:

Coco verde, vinho licoroso tinto, água com hortelã macerada, mel ou açúcar, flores do campo, velas brancas, velas verde escuro e velas magenta, terrosa ou marrom.

Sua oferenda deve ser depositada sobre um tecido de cor magenta ou terrosa. O vinho e a água com hortelã macerada podem ser servidos em taças ou copos de plástico. O coco verde deve ser aberto em uma de suas pontas e o mel deve ser derramado dentro da água em seu interior, assim como deve-se abrir um furo no tecido e um buraco no solo para que pelo menos metade do coco fique dentro da terra. Portanto deve-se levar uma ferramenta para abrir um pequeno buraco na terra assim como uma toalha de mesa já com um corte redondo no meio que se encaixe justo ao redor do coco verde.

Sempre que se for oferendar Obá, deve-se antes levar um pedaço de carne bovina para colocá-la dentro de um pequeno buraco cercado com sete velas pretas e sete velas vermelhas saudando o senhor Exu da Terra. Ele pode receber sua oferenda simbólica próximo da de Obá, mas à esquerda considerando que ela está de frente para nós. Essa oferenda simbólica é feita em sinal de respeito ao trono regente do pólo oposto negativo e oposto ao de nossa amada mãe Obá. A ele não se deve pedir nada mais além de força e proteção, nos trabalhos espirituais justos e retos, pois nos injustos e tortos saibam que o magnetismo cósmico dele começa a atuar e, desestabilizar a terra sob os pés de quem recorre a eles assim que se iniciam.

Ao oferendarmos Obá devemos nos apresentar a ela solicitando seu amparo e proteção nos trabalhos espirituais, que será concedido mas de forma silenciosa e discreta pois assim é a natureza cósmica dessa nossa amada mãe divina da terra. Sempre que se desejar saudá-la nos trabalhos deve-se derramar três vezes um pouco de água na frente do congá e três vezes na frente do templo pronunciando mentalmente ou vocalizando esta saudação mântrica: A-kiro-obá-yê ou Akirôobá-yê (eu saúdo o seu conhecimento senhora da Terra, ou eu saúdo a terra senhora do Conhecimento).

Água de Obá para lavagem de cabeça (amaci):

Água de rio com pétalas de rosa branca e folhas de alecrim, maceradas e curtidas por vinte e quatro horas.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Xangô

Olorum gera tudo em Si e uma de Suas gerações é a Justiça Divina, que dá o devido equilíbrio a tudo o que gera. Essa Sua qualidade equilibradora está em tudo e em todos, e mantém toda a criação divina em equilíbrio e harmonia dando a tudo um ponto de equilíbrio. Olorum gerou nessa Sua qualidade equilibradora de tudo e de todos uma divindade, que é em si mesma o equilíbrio divino que dá sustentação a tudo o que existe, tanto animado quanto inanimado, surgindo o trono da Justiça Divina. Divindade unigênita porque é o Orixá do equilíbrio, da razão e do juízo divino.

Deus é justo e tudo o que gera, gera com equilíbrio, pois tudo atende a uma vontade Sua, às Suas criaturas, espécies e seres. E Xangô o Orixá da justiça, independe de nossa vontade para atuar sobre nós, já que ele é em si mesmo essa qualidade equilibradora do nosso divino Criador.

Xangô por ser unigênito e ter sido gerado em Deus é em si mesmo a Justiça Divina que purifica nossos sentimentos, com sua irradiação incandescente abrasadora e consumidora das emotividades. Mas Xangô como qualidade divina está na própria gênese das coisas, como a força coesiva que dá sustentação à forma que cada agregado assume, e ele está na natureza das coisas como o próprio equilíbrio, pois só assim elas não deixam de ser como são. Ele tanto é o ponto de equilíbrio que dá sustentação à estrutura atômica de um átomo, como é a força que dá estabilidade ao universo e a tudo o que nele existe, seja animado ou inanimado.

Xangô também gera em si a qualidade em que foi gerado, mas ele também gera de si essa sua qualidade equilibradora e, a transmite a tudo e a todos. Quem absorvê-la torna-se racional, ajuizado e ótimo equilibrador, tanto dos que vivem à sua volta como do próprio meio em que vive.

Um juiz é um exemplo bem característico dessa qualidade equilibradora irradiada por Xangô e não importa que o juiz seja um filho de outro Orixá, pois a manifestará naturalmente já que a justiça humana é a concretização da Justiça Divina no plano material. Um juiz não consegue dissociar-se da qualidade da justiça à qual serve com toda a sua capacidade mental e intelectual, mas nunca emotivamente pois é um racionalista nato. Essa qualidade equilibradora está presente em todos os processos divinos (criação e geração). Por isso assim que algo alcança seu ponto de equilíbrio, o processo criador ou gerador é paralisado e o que foi criado ou gerado estabiliza-se e, adquire uma definição só sua que o qualificará dali em diante.

Podemos entender a importância que tem essa qualidade divina, que na Umbanda a vemos nos procedimentos retos, justos e ajuizados dos Caboclos de Xangô. Por isso quando evocamos a presença dele, só o fazemos se for para devolver o equilíbrio e a razão aos seres e procedimentos desequilibrados e emocionados, ou para clamar pela Justiça Divina que atuará em nossa vida anulando demandas cármicas, magias negras e etc., devolvendo-nos a paz, a harmonia e o equilíbrio mental, emocional, racional e até nossa saúde, pois para estarmos saudáveis devemos estar em equilíbrio vibratório também no corpo físico.

Observem que o equilíbrio proporcionado por Xangô não se limita apenas a um aspecto de nossa vida, já que ele como qualidade equilibradora está em todos.

Xangô é o trono de Deus, gerador e irradiador do fator equilibrador, mas o limitamos quando deixamos de recorrer a ele para ajudar-nos em todos os aspectos e só o fazemos para anular demanda ou impor a Justiça Divina na vida dos seres desequilibrados.

Oferenda:

Velas brancas, vermelhas e marrom; cerveja escura, vinho tinto doce e licor de ambrósia; flores diversas, tudo depositado em uma cachoeira, montanha ou pedreira.

Água de Xangô para lavagem de cabeça (amaci):

Água de cachoeira com hortelã macerada, curtida por três dias.

Todos temos no sentido de justiça, os mecanismos mentais necessários para desenvolver uma conduta equilibrada e, para adquirir posturas pessoais sensatas e racionais, anulando nosso instintivismo primitivo e nossa emotividade. O instintivismo primitivo deve ser transmutado lentamente em sensos, senão nós nos tornamos egoístas, possessivos, vingativos, intransigentes e intolerantes com nossos semelhantes e, com nós mesmos. Quanto à emotividade apassionante, ela deve ser refreada pelo senso equilibrador do sentido da justiça, senão nos tornamos pessoas que se sentem injustiçadas a todo instante por nossos semelhantes ou nos sentimos inferiorizados, abandonados, traídos, menosprezados, porque a emotividade não suporta nenhum tipo de contrariedade, levando-nos a ver qualquer ação refreadora dela como ofensa pessoal.

As pessoas instintivas não desenvolveram os sensos de justiça, e a vida delas resume-se a uma permanente busca de satisfação pessoal, ainda que esta se processe à custa dos seus semelhantes. Esta satisfação pessoal deve ser vista de forma abrangente pois uma pessoa instintiva, costuma procurá-la em todos os sentidos da vida e tudo tem de ser para ela e por ela, senão se sentirá preterida ou injustiçada. Em conseqüência torna-se intolerante e mesquinha.

Pessoas instintivistas; no campo profissional buscam os cargos de destaque social, os de chefia e os mais bem remunerados, pois sua satisfação pessoal não aceita nada que seja subalterno; no campo religioso buscam o destaque dentro dos grupos que freqüentam. Se é um religioso quer estar acima de todos e, se é um assistente quer toda a atenção para si, não se importando com mais ninguém. No campo familiar tem de ser o dono da família e, não aceita ser contrariado por ninguém; no campo amoroso não se importa com os sentimentos alheios pois os seus é que devem ser satisfeitos e, não se importam nem um pouco com os das pessoas à sua volta. No campo pessoal querem ser o centro das atenções, querem ser bajulados e, não aceitam nenhum tipo de crítica ou advertência.

Agora vamos às pessoas emotivas. No campo profissional são inseguras, imaturas e dispersivas e não raramente sentem-se perseguidas, humilhadas ou desprezadas pelos colegas, pois suas emotividades as impedem de desenvolverem relacionamentos fraternos. Os únicos que elas conseguem desenvolver são com envolvimentos pessoais e, caso as pessoas relacionadas com elas não lhes dêem a devida atenção logo são evitadas ou repelidas, porque passam a ser vistas como traidores, desleais e etc.; no campo amoroso as pessoas emotivas são dependentes do seu par, são ciumentas, são possessivas e apassionam de tal forma os seus relacionamentos, que se tornam sufocantes ou inconvenientes; no campo familiar as pessoas emotivas são focos de desequilíbrio familiar e, não raro tornam a vida em família um tormento, já que ou são o foco de atenção de todos os outros membros dela, ou tratam a todos como seus adversários.

Há alguns casos em que a emotividade e o instinto se fazem presentes e tornam difíceis os relacionamentos humanos, já que os mecanismos mentais foram avariados e a noção dos sensos é turvada e as pessoas adquirem hábitos, expectativas e posturas desequilibradas.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Iansã

Sempre que a Justiça Divina é ativada, tanto seu pólo passivo quanto seu pólo ativo são ativados, surgindo Iansã regente da lei nos campos da justiça. Iansã é a divindade da lei cuja natureza eólica expande o fogo de Xangô e assim que o ser é purificado de seus vícios, ela entra em sua vida redirecionando-o e conduzindo-o a um outro campo no qual retomará sua evolução.

Uma das qualidades de Deus é o direcionamento que está presente e ativo em tudo o que Ele gera e cria. É nessa Sua qualidade direcionadora de tudo o que existe tanto animado quanto inanimado, que Ele gerou Iansã. Iansã como qualidade de Deus está em tudo e em todos e é a força móvel que direciona a fé (Oxalá), a justiça (Xangô), a evolução (Obaluaê), a geração (Iemanjá), a agregação (Oxum), a lei (Ogum). Ogum é a Lei a via reta, mas Iansã é o próprio sentido de direção da lei, pois ela é um mistério que só entra na vida de um ser caso a direção que esse esteja dando à sua evolução e sua religiosidade, não siga a linha reta traçada pela Lei Maior (Ogum). Por isso ela não depende de nós, para atuar em nossas vidas. Basta errarmos para que sua qualidade divina nos envolva numa de suas espirais, impondo-nos um giro completo e transformador dos nossos sentimentos viciados. Com isso ela nos coloca novamente no caminho reto da vida ou nos lança no Tempo, onde nossa religiosidade desvirtuada será paralisada e esgotada em pouco tempo.

Sua atuação é cósmica ativa, negativa, mobilizadora e emocional, mas não é inconseqüente ou emotiva porque ela é o sentido da lei que não é apenas punidora, mas também direcionadora. Iansã aplica a lei nos campos da justiça e é extremamente ativa. Uma de suas atribuições é colher os seres fora da lei e com um de seus magnetismos alterar todo o seu emocional, mental e consciencial, para só então redirecioná-Io numa outra linha de evolução, que o aquietará e facilitará sua caminhada pela linha reta da evolução.

As energias irradiadas por Iansã densificam o mental diminuindo seu magnetismo e estimulam o emocional, acelerando suas vibrações. Com isso o ser torna-se mais emotivo e é mais facilmente redirecionado, mas quando não é possível reconduzi-Io à linha reta da evolução, então uma de suas intermediárias cósmicas que atuam em seus aspectos negativos, paralisa o ser e o retém em um dos campos de esgotamento mental, emocional e energético, até que ele tenha sido esgotado de seu negativismo e tenha descarregado todo o seu emocional desvirtuado e viciado.

Nossa amada mãe Iansã possui vinte e uma Iansãs regentes de faixas vibratórias que são assim distribuídas: Sete atuam junto aos pólos magnéticos irradiantes e auxiliam os Orixás regentes dos pólos positivos, nos quais entram como aplicadoras da lei segundo os princípios da Justiça Divina, recorrendo aos aspectos positivos da orixá planetária Iansã. Sete atuam junto aos pólos magnéticos absorventes e auxiliam os Orixás regentes dos pólos negativos nos quais entram como aplicadoras da lei segundo seus princípios, recorrendo aos aspectos negativos da Orixá planetária Iansã. Sete atuam nas faixas neutras das dimensões planetárias, onde regidas pelos princípios da lei, ou direcionam os seres para as faixas vibratórias positivas ou os direcionam para as faixas negativas. São vinte e uma Orixás Iansã aplicadoras da lei nas sete linhas de Umbanda.

O fato é que Iansã aplica a Lei nos campos da Justiça Divina e, transforma os seres desequilibrados com suas irradiações espiraladas, que o fazem girar até que tenham descarregado seus emocionais desvirtuados e, suas consciências desordenadas.

Oferenda:

Velas brancas, amarelas e vermelhas; champanhe branca, licor de menta e de anis ou de cereja; rosas e palmas amarelas, tudo depositado no campo aberto, pedreiras, beira-mar, cachoeira e etc.

Água de Iansã para lavagem de cabeça (amaci):

Água de cachoeira, rio, fonte ou chuva com rosas brancas, guiné e alecrim ,macerados e curtidos por sete dias.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Ogum

Ogum é sinônimo de Lei Maior, ordenação divina e retidão por que é unigênito e gerado na qualidade ordenadora do divino Criador. Seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão, a emoção e a ordenação dos processos e dos procedimentos. É o trono regente das milícias celestes guardiãs dos procedimentos dos seres em todos os sentidos.

Ogum não pode ser dissociado da Lei Maior, pois ele é a divindade que a aplica em tudo e a todos. Ele é a ordenação divina em si mesmo, ordena a fé, o amor, o conhecimento, a justiça, a evolução e a geração. Por isso está em todas as outras qualidades divinas. A lei é reta e tudo o que for oposto a ela deve ser anulado por Ogum, pois a lei é ordem em todos os sentidos. Ogum é em si mesmo os atentos olhos da lei sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado.

Ogum é a força que ordena tudo e todos e, tanto está presente na estrutura de um átomo ordenadíssima, como na estrutura do universo divinamente ordenado. Ogum é sinônimo de lei e de ordem porque ele tanto aplica a lei quanto ordena a evolução dos seres, não permitindo que alguém tome uma direção errada. Por isso é chamado de o senhor dos caminhos (das direções).

Seu outro aspecto divino é o de aplicador religioso da Lei Maior e independe de nós para aplicá-la e atuar em nossa vida, pois basta sairmos do caminho reto para sermos tolhidos pelas suas irradiações retas e cortantes. Suas irradiações retas são simbolizadas por suas Sete Lanças, e as cortantes são simbolizadas pelas suas Sete Espadas. Sua proteção legal é simbolizada pelos seus Sete Escudos e etc.

Ogum é em si mesmo a qualidade ordenadora e a divindade aplicadora dos princípios da Lei Maior. Todo Ogum é um aplicador natural da lei e todos agem com a mesma inflexibilidade, rigidez e firmeza, pois não se permitem uma conduta altemativa. Ogum por ser unigênito e ser em si mesmo a ordenação divina, gera em si e gera de si, na sua geração em si gera suas hierarquias, em sua geração de si gera sua qualidade a qual transmite aos seus filhos.

A hierarquia reta de Ogum dentro da Umbanda, é composta por vinte e um Oguns regentes de níveis vibratórios. Sete pólos são positivos, sete pólos são negativos, mas não são opostos aos positivos, sete são tripolares e assentados na faixa neutra que é horizontal. Cada um desses sete Oguns tripolares assentados na faixa neutra ocupa um pólo em sintonia vibratória com uma das sete linhas de força verticais e, são eles que direcionam os seres elementais, encantados, naturais e mesmo os espíritos da dimensão humana da evolução. As hierarquias destes sete Oguns naturais tripolares são gigantescas e, impossíveis de serem quantificadas por causa do imenso número de seres incorporados a elas.

Onde estiver um Ogum lá estarão os olhos da lei, mesmo que seja um Caboclo de Ogum, avesso às condutas liberais dos freqüentadores das tendas de Umbanda, sempre atento ao desenrolar dos trabalhos realizados tanto pelos médiuns, quanto pelos espíritos incorporadores.

Ogum é eólico e polariza com Egunitá, Orixá do fogo e trono consumidor dos vícios e dos desequilíbrios. Quando evocamos Ogum para atuar em nosso favor e nos defender das investidas dos seres desequilibrados, suas hierarquias luminosas ativam seus pares opostos assentados nos pólos magnéticos negativos ativos e cósmicos da irradiação da Justiça Divina, cujos magnetismos são esgotadores dos desequilíbrios, das injustiças e do irracionalismo.

Oferenda:

Velas brancas, azuis e vermelhas; cerveja, vinho tinto licoroso; flores diversas e cravos, depositados nos campos, caminhos, encruzilhadas e etc.

Água de Ogum para lavagem de cabeça (amaci):

Água de rio com folhas de pinheiro, maceradas e curtidas por sete dias.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Egunitá

Como a Justiça Divina é o fogo que purifica os sentimentos desvirtuados, então surge uma divindade cósmica ígnea que é em si mesma o fogo da purificação dos viciados e dos desequilibrados, Egunitá. Ela é unigênita porque foi gerada nessa qualidade cósmica do divino Criador e, tanto a gera em Si como gera de Si. Olorum gera em Si o fogo consumidor que é uma de Suas qualidades pois é cósmico e está espalhado por toda a Sua criação e criaturas, e onde surgir um desequilíbrio, o próprio magnetismo negativo do ser desequilibrado já começa a atrair, condensar e acumular esse fogo, que quando atingir seu ponto de incandescência consumidora, o esgotará e o anulará.

Egunitá é em si esse fogo cósmico, que está em tudo o que existe diluído. Para ela atuar em nossa vida não depende de nós, mas tão somente que nos tornemos irracionais, aprisionados e desequilibrados. Então, temos na Umbanda Egunitá, Orixá cósmica consumidora dos vícios e dos desequilíbrios, purificadora dos meio ambientes religiosos (templos), das casas (moradas) e do íntimo dos seres (sentimentos). Nos rituais ela é evocada para purificar os seres viciados, as magias negras, as injustiças e etc.

Egunitá é muito mais conhecida como uma das qualidades de Iansã, do que como uma divindade do fogo cósmico, porque as lendas a definiram como uma Iansã. Nossa mãe Egunitá é fogo puro e suas irradiações cósmicas absorvem o ar, pois seu magnetismo é negativo e atrai este elemento com o qual se energiza e se irradia até onde houver ar para lhe dar esta sustentação energética e elemental.

Egunitá é Orixá ígnea de magnetismo negativo e seu fogo é cósmico e consumidor, enquanto o de Xangô é universal e abrasador. O fogo de Xangô aquece os seres e torna-os calorosos, ajuizados e sensatos. O fogo de Egunitá consome as eqergias dos seres apaixonados, emocionados, fanatizados ou desequilibrados, reduzindo a chama interior de cada um (sua energia ígnea) a níveis baixíssimos apatizando-os, paralisando-os e anulando seus vícios emocionais e desequilíbrios mentais, sufocando-os.

Egunitá (fogo) é feminina e polariza com Ogum (ar) que é masculino e, lhe dá a sustentação do elemento que precisa de forma passiva e ordenada. Só assim suas irradiações acontecem de forma ordenada e alcançam apenas o objetivo que ela identificou. Observem que a lei e a justiça são inseparáveis e para comentarmos Egunitá, temos de envolver Ogum, Xangô e Iansã, que são os outros três orixás que também se polarizam e criam campos específicos de duas das sete linhas de Umbanda.

Entendam que se em uma linha ar e fogo se polarizam para aplicar a lei (Ogum-Egunitá) e em outra fogo e ar (Xangô-Iansã) se polarizam para aplicar a Justiça, é porque tanto o fogo e o ar quanto a justiça e a lei não são antagônicos e sim complementares. O fogo em verdade não consome ou anula o ar mas tão somente o energiza com seu calor. E o ar não apaga o fogo mas apenas o expande ou o faz refluir. A justiça não anula a lei, mas sim, dota-a de recursos legais para que possa agir com mais desenvoltura. E a lei não anula a justiça, mas sim, dota-a com recursos para que se possa impor, onde injustiças estejam sendo cometidas.

Fogo e ar, justiça e lei, eis aí dois elementos que se complementam e duas linhas de Umbanda que são indissociáveis.

Oferenda:

Sete velas vermelhas, sete velas douradas, sete velas azuis, sete velas amarelas e treze velas brancas; um copo com água, um copo com licor de menta; uma pemba vermelha e uma pemba branca.

As treze velas brancas devem formar duas linhas, uma vertical e outra horizontal, dentro de um losango. Após firmar este ponto de forças de Egunitá no solo, deve-se então colocar dentro do losango um copo com licor de menta e outro com água, uma pemba branca e outra vermelha. Depois deve-se cercar a oferenda com flores de palmas vermelhas para só então se apresentar a ela solicitando que atue em seu favor com seus aspectos (qualidades, atributos e atribuições) positivos, que são os que a Umbanda permite, aceita e a eles recorre.

Sempre que se oferendar à Orixá Egunitá, deve-se oferendar à senhora Pombagira do Fogo com rosas vermelhas, velas vermelhas e champanhe rosé.

Água de Egunitá para lavagem de cabeça (amaci):

Água de fonte com pétalas de rosa cor-de-rosa, folhas de alecrim e de arruda, maceradas e curtidas por três dias.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Obaluayê

Olorum tudo cria e a tudo gera, e na Sua criação está Sua estabilidade, e nos seres está Sua mobilidade ou evolução incessante. Estabilidade e evolução eis a sexta irradiação divina que está em tudo e todos porque é uma qualidade do divino Criador. Essa Sua qualidade, Sua estabilidade, proporciona o meio ideal para os seres viverem e, na Sua mobilidade gera os recursos para os seres evoluírem. Sem estabilidade um ser não evolui, pois tem de tê-la em todos os aspectos de sua vida. Então Olorum gerou nessa Sua qualidade uma divindade dual, ou de dupla qualidade, tornando-a em si mesma essa Sua qualidade estabilizadora e evolutiva. E surgiu Obaluayê, Orixá bielemental por suas duas qualidades divinas que rege a evolução dos seres, mas essa dupla qualidade está na própria gênese, pois sem estabilidade nada se sustenta e sem transmutação tudo fica paralisado.

Obaluayê é esta dupla qualidade que tanto sustenta cada coisa no seu lugar, como conduz cada uma a ele. Ele está no próprio universo pois é a estabilidade que sustenta cada corpo celeste no seu devido lugar, como é o movimento da mecânica celeste que mantém todos os corpos em movimento contínuo. Por isso Obaluayê é passivo na sua qualidade estabilizadora e ativo na sua qualidade mobilizadora.

Obaluayê é o Orixá que atua na Evolução e, seu campo preferencial é aquele que sinaliza as passagens de um nível vibratório ou estágio da evolução para outro. Evoluir é crescer mentalmente, é passar de um estágio para outro, é ascender numa linha de vida de forma contínua e estável. E tudo isso a qualidade dual de Deus proporciona, aos processos genéticos e aos seres. Então surge Obaluayê, divindade unigênita gerada nessa qualidade do divino Criador, que o torna em si mesmo a estabilidade e a mobilidade de tudo o que existe animado ou inanimado. Então vemos surgir o divino trono da evolução que é em si mesmo essa qualidade dual de Deus. Ela é dual porque tanto proporciona a estabilidade quanto o movimento, condições imprescindíveis à evolução da vida.

Obaluayê está em todas as outras qualidades divinas, como a estabilidade ou eternidade de cada uma delas e, como a mobilidade ou atuação delas em tudo o que existe. Por ter sido gerado nessa qualidade dual e por sê-la em si mesmo, também a gera de si fazendo surgir a hierarquia dos tronos da evolução, como gera de si irradiando sua qualidade a tudo e a todos, despertando em cada um essa vontade irresistível de seguir adiante, de alcançar um nível de vida superior, de chegar mais perto de Deus.

Obaluayê na sua irradiação aceleradora da vida dos níveis e dos processos genéticos, desperta tudo isso nos seres. Então ele não é só o Orixá da cura, mas também do bem-estar, da busca de dias melhores, de melhores condições de vida e etc.

Na Umbanda, Obaluayê é evocado como senhor das almas, dos meios aceleradores da evolução delas e, todos sentem uma calma e um bem-estar incrível quando um ser natural de Obaluayê baixa num médium e gira no templo, pois ele traz em si a estabilidade, a calmaria mas também traz a vontade de avançar, de seguir adiante e de ir para mais perto dos tronos de Deus. É certo que por ser uma divindade nos auxilia em todos os sentidos, e se um povo da África o cultuou como o deus da varíola, é por que ele cura os enfermos. Essa natureza medicinal de Obaluayê tem sido muito evocada na Umbanda e, muitos têm sido curados após clamarem por sua interseção em favor dos enfermos.

Obaluayê é também um Orixá curador. E a Linha das Almas ou corrente dos Pretos Velhos é regida por ele, o qual podemos vislumbrar quando conversamos com espíritos dessa corrente. Esses nos transmitem paz, confiança e esperança e, quando os deixamos após consultá-los, temos a impressão de que tudo se transformou e nos sentimos bem. Obaluayê gera de si e os Pretos Velhos são os espíritos que captam diretamente dele suas irradiações, tornando-se também irradiadores dessa qualidade divina que estabiliza e transmuta a vida de quem os consultar.

A própria forma de os Pretos Velhos incorporarem já é um reflexo dessa qualidade dual de Obaluayê, diante da qual todos se curvam aquietam-se e evoluem calmamente. Todo ser natural de Obaluayê incorpora curvado e, o mesmo acontece com os espíritos que atuam sob sua irradiação divina. O peso que parecem carregar não é fruto da idade avançada ou velhice, mas sim, é a ação da qualidade estabilizadora desse Orixá, telúrica na estabilidade e, aquática na mobilidade.

Obaluayê é um Orixá terra-água: Terra, estabilidade; Água, mobilidade. Então vemos os Pretos Velhos caminharem curvados parecendo cansados, mas quando se assentam em seus banquinhos para as consultas aí são vivazes observadores e, sábios sem deixarem de ser simples. Obaluayê é o senhor das passagens de um plano para outro, de uma dimensão para outra e, mesmo do espírito para a carne e vice-versa. É o mistério Obaluayê que reduz o corpo plasmático do espírito, até que esteja configurado o tamanho do corpo carnal alojado no útero materno. Nesta redução, o espírito assume todas as características e feições do seu novo corpo carnal já formado.

Esperamos que os umbandistas deixem de temê-lo e, passem a amá-lo e adorá-lo pelo que realmente ele é, um trono divino que cuida da evolução dos seres, das criaturas e das espécies; e esqueçam as abstrações dos que se apegaram a alguns de seus aspectos negativos e os usam para assustar seus semelhantes.

Oferenda:

Velas brancas; vinho rosê licoroso, água potável; coco fatiado coberto com mel e pipocas; rosas, margaridas e crisântemos, tudo depositado no cruzeiro do cemitério, à beira-mar ou à beira de um lago.

Água de Obaluaê para lavagem de cabeça (amaci):

Água de fonte, rio ou lago, com folhas de louro e manjericão, maceradas e curtidas por três dias.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Nanã Buruquê

Olorum na Sua criação criou Sua qualidade maleável e decantadora, ativando-a contra todos os conceitos errôneos, tirando deles suas estabilidades para a seguir decantá-los e enterrá-los no lodo da ignorância humana acerca das coisas divinas. Essa Sua qualidade dual é Nanã Buruquê, que é dual por que manifesta duas qualidades ao mesmo tempo e, uma vai dando maleabilidade, desfazendo o que está paralisado ou petrificado e, outra vai decantando tudo e todos dos seus vícios, desequilíbrios ou negativismos.

Nanã Buruquê é unigênita pois foi gerada nessa qualidade dual do divino Criador, que a tornou Sua qualidade, aquela que desfaz os excessos e decanta ou enterra os vícios. Nanã Buruquê por ser essa qualidade em si, também a gera de si multiplicando-se nos seus tronos intermediários e repetindo-se na qualidade divina, que lhes transmite pela sua hereditariedade divina. Ela forma com Obaluaê um par natural e são os Orixás responsáveis pela evolução dos seres.

Se Obaluayê é estabilidade e evolução, Nanã Buruquê é maleabilidade e decantação, pois ela é um Orixá água-terra que polariza com ele, dando origem à irradiação da evolução. Nanã Buruquê é cósmica dual e atua por atração magnética sobre os seres cuja evolução está paralisada e, o emocional está desequilibrado. Então ela faz com que a evolução do ser seja retomada, decantando-o de todo o negativismo, afixando-o no seu barro e deixando-o pronto para a atuação de Obaluayê que o remodelará, o estabilizará e o colocará novamente em movimento ou numa nova senda evolutiva. Por essa sua qualidade ela é a divindade ou o mistério de Deus, que atua sobre o espírito que vai reencarnar, pois decanta todos os seus sentimentos, mágoas e conceitos, dilui todos os acúmulos energéticos e o adormece em sua memória, para que Obaluayê reduza-o ao tamanho do feto no útero da mãe que o reconduzirá à luz da carne, onde não se lembrará de nada do que já vivenciou.

Nanã é associada à senilidade, à velhice, que é quando a pessoa começa a se esquecer de muitas coisas que vivenciou na sua vida carnal. Portanto um dos campos de atuação de Nanã é a memória dos seres. E se Oxóssi aguça o raciocínio, ela adormece os conhecimentos do espírito para que eles não interfiram no destino traçado para toda uma encarnação, e em outra linha da vida ela é encontrada na menopausa. No início desta linha está Oxum estimulando a sexualidade feminina; no meio está Yemanjá estimulando a maternidade; e no fim está Nanã paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos. Observem que tudo isso acontece com a maioria dos espíritos, sem que tenham consciência de que está acontecendo, porque como qualidades de Deus , Nanã Buruquê, Obaluayê e todos os demais Orixás realizam o que têm de realizar sem que saibamos que ou como estão atuando sobre nós, sempre visando ao nosso bem-estar e a nossa evolução contínua.

Oferenda:

Velas brancas, roxas e rosa; champagne rosé, calda de ameixa ou de figo; melancia, uva, figo, ameixa e melão, tudo depositado à beira de um lago ou mangue.

Água de Nanã para lavagem de cabeça (amaci):

Água de rio ou lago com crisântemos e guiné, macerados e curtidos por setenta e duas horas.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Yemanjá

Olorum cria e gera em Si mesmo tudo o que existe e tem nessa Sua faculdade criativa e geradora, uma de Suas qualidades através da qual Sua gênese divina vai surgindo e concretizando-se já como o meio e, como os seres que nele vivem. A qualidade genésica do divino Criador é a fonte da vida e das coisas que dão sustentação a ela. Olorum cria e gera em Si mesmo e criou e gerou nessa Sua qualidade, uma divindade criativa e geradora, que é essa Sua qualidade em si mesma. Então surgiu Yemanjá, divindade unigênita gerada na qualidade criativa e geradora de Olorum, que a tornou em si mesma a Sua qualidade criativa e geradora. Ela é unigênita e por isso tanto gera em si, quanto gera de si. Quando gera em si dá origem à sua hierarquia de tronos da criação e, tronos da geração que são divindades que manifestam uma dessas duas naturezas de Yemanjá. Quando gera de si, ela irradia essa sua dupla faculdade e, quem a absorve torna-se criativo e gerador no aspecto da vida a que se dedicar.

A lenda nos diz que Yemanjá é tida como a mãe de todos os Orixás e, ela está relativamente certa já que se algo existe é porque foi gerado. E porque Yemanjá é em si mesma essa qualidade geradora do divino Criador, então ela está na origem de todas as divindades. Mas as coisas de Deus não acontecem assim e, Ele quando começou a gerar já havia ordenado sua geração. Então Ogum já existia e ordenava a geração de Yemanjá. Oxum já existia e agregava o que ela estava gerando e etc.

Yemanjá é a mãe da vida e, como tudo o que existe só existe por que foi gerado, então ela está na geração de tudo o que existe. Ela tem nessa sua qualidade um de seus aspectos mais marcantes, pois atua com intensidade na geração dos seres, das criaturas e das espécies, despertando em cada um e em todos, um amor único pela sua hereditariedade. O amor maternal é uma característica marcante dessa divindade da geração e, quem se coloca de forma reta sob sua irradiação logo começa a vibrar este amor maternal que aflora e se manifesta com intensidade.

Yemanjá por ser em si a geração, está na gênese de tudo como os próprios processos genéticos. E se a qualidade Oxum agrega ou funde o espermatozóide e o óvulo, Yemanjá é o processo genético que inicia a multiplicação celular ordenada por Ogum, comandada por Oxóssi, direcionada por Iansã, equilibrada por Xangô, estabilizada por Obaluayê e cristalizada num novo ser por Oxalá. Um orixá não dispensa a atuação dos outros e, todos são fundamentais e indispensáveis a tudo o que existe.

Yemanjá a nossa mãe da vida é por demais conhecida em alguns de seus aspectos, mas em outros é totalmente desconhecida. Ela por ser em si mesma a qualidade criativa e geradora de Olorum, então gera de si duas hierarquias divinas; uma é regida pelo trono da criatividade que gera em si mesmo essa qualidade e, a irradia de forma neutra a tudo o que vive, tornando todos os seres criaturas e espécies muito criativos e capazes de se adaptarem às condições e meios mais adversos; outra é regida pelo trono da geração que é em si mesmo a qualidade genésica do divino Criador e, gera e irradia essa qualidade a tudo e a todos, concedendo a tudo e a todos a condição de se fundirem com coisas ou seres afins, para multiplicarem-se e repetirem-se. Minerais afins fundem-se e dão origem aos minérios, elementos afins fundem-se e dão origem a novos elementais, energias afins fundem-se e dão origem a novas energias e, cores afins fundem-se e dão origem a novas cores. Seres afins (machos e fêmeas de uma mesma espécie) fundem-se e dão origem a novos seres. Os tronos da geração regem sobre este aspecto da gênese e não só sobre o sexo e, o campo desses tronos é tão vasto na vida dos seres e na criação divina que o definimos melhor se simplesmente dissermos, que os tronos da geração estão na gênese de tudo e de todos, porque são uma das características de Yemanjá que é em si mesma a geração divina.

Portanto criatividade e geração, são os dois lados da gênese divina, e Yemanjá as manifesta em suas duas hierarquias de tronos: os da criatividade e os da geração.

Por ser a divindade da criatividade e da geração, Yemanjá está em todas as outras qualidades divinas mas polariza com o Orixá Omolu e faz surgir a irradiação da geração, que tem nele o recurso de paralisar todo processo criativo ou geracionista que se desvirtuar, se degenerar, se desequilibrar, se emocionar ou se negativar. Yemanjá rege sobre a geração e simboliza a maternidade, o amparo materno a mãe propriamente. Ela se projeta e faz surgir sete pólos magnéticos, ocupados por sete Yemanjás individualizadas que são as regentes dos níveis vibratórios positivos e, são as aplicadoras de seus aspectos todos positivos, pois Yemanjá não possui aspectos negativos ou opostos. Essas sete Yemanjás comandam incontáveis linhas de trabalho dentro da Umbanda. Suas Orixás auxiliares estão espalhadas por todos os níveis vibratórios positivos, nos quais atuam como mães da criação, sempre estimulando nos seres os sentimentos maternais ou paternais.

Oferenda:

Velas brancas, azuis e rosa; champagne, calda de ameixa ou de pêssego, manjar, arroz-doce e melão; rosas e palmas brancas, tudo depositado à beira-mar.

Água de Iemanjá para lavagem de cabeça (amaci):

Água de fonte com pétalas de rosas brancas e erva-cidreira, maceradas e curtidas por sete dias.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Omolu

Deus tanto cria e gera quanto paralisa a criação que não mais atende aos Seus desígnios e, paralisa a geração que não atende à Sua vontade. Essa Sua qualidade paralisante é um recurso para paralisar tudo e todos que estiverem criando ou gerando em sentido contrário (desvirtuado), ao que Ele estabeleceu como correto (virtuoso). E aí surge Omolu, divindade unigênita gerada nessa qualidade de Olorum, que o tornou em si mesmo esse seu recurso paralisador de toda a criação ou geração desvirtuada.

Omolu é o Orixá que rege a morte ou o instante da passagem do plano material para o plano espiritual (desencarne). Omolu, divindade unigênita tanto gera em si como gera de si. Quando gera em si faz surgir sua hierarquia de tronos cósmicos ativos, implacáveis e rigorosíssimos com toda criatividade e geração desvirtuada, desequilibrada, emocionada ou contrária aos sete sentidos da vida. Na religiosidade contrária ao sentido da fé, lá está o Omolu cristalino para paralisá-la e esgotá-la. Conhecimento desvirtuador das verdades, lá está o Omolu vegetal para anulá-lo e esgotar quem o está difundindo.

Omolu como qualidade paralisante também está em todas as outras qualidades e, será ativado assim que seus irradiadores ou os beneficiários delas se excederem ou se omitirem. O Mistério Omolu transcende a tudo o que possamos imaginar e, as lendas o limitaram a alguns de seus aspectos na maioria punitivos, tornando-o temido e evitado por muitos adoradores dos Orixás. Se Omolu rege sobre o cemitério e sobre os espíritos dos mortos, é porque esses espíritos atentaram contra a vida ou algum dos seus sentidos. Logo só deve temê-lo quem assim proceder, pois aí queira ou não será alcançado por sua irradiação paralisadora que atuará sobre seu magnetismo e, o enviará a um meio onde só seus afins desequilibrados vivem.

A cada um segundo seu merecimento é o que diz a lei. Lá o mistério Omolu aplica esse princípio em seu aspecto negativo e o define assim: A cada um segundo seus atos. Se positivos que sejam conduzidos à luz da vida, mas se negativos que sejam arrastados para os sombrios domínios da morte dos sentidos e sentimentos desvirtuadores da vida. Omolu é o guardião divino dos espíritos caídos.

O Orixá Omolu guarda para Olorum, todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e entregaram-se à vivenciação de seus vícios emocionais, mas ele não pune ou castiga ninguém, pois essas ações são atributos da Lei Divina.

Água de Omolu para lavagem de cabeça (amaci):

Água de fonte com pétalas de crisântemo branco, maceradas e curtidas por sete dias.

Pai Rubens Saraceni

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