Os Fundamentos Divinos das Linhas de Umbanda Sagrada

A Umbanda ainda que não evidencie isso à primeira vista, é uma religião muito rica em fundamentos divinos. E se isso acontece é pelo fato de ser nova, não ter sido codificada totalmente, e não tínhamos um indicador seguro que nos auxiliasse na decodificação dos seus mistérios. Quase um século após sua fundação por Zélio Fernandino de Moraes e o senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, espíritos mensageiros têm transmitido-nos algumas chaves mestras que têm aberto vastos campos para decodificarmos seus mistérios, e iniciarmos sua verdadeira codificação, tornando-a tão bem fundamentada, que talvez no futuro outras religiões recorram a estas chaves para interpretarem seus próprios mistérios, a exemplo:

1º- Na Umbanda as linhas de trabalhos espirituais formadas por espíritos incorporadores, têm nomes simbólicos.
2º- Os Guias incorporadores não se apresentam com outros nomes, e somente se identificam por nomes simbólicos.
3º- Todos eles são magos consumados e têm na magia um poderoso recurso, ao qual recorrem para auxiliarem as pessoas que vão aos templos de Umbanda em busca de auxílio.
4º- Um médium umbandista recebe em seus trabalhos vários Guias espirituais, cujas manifestações ou incorporações são tão características, que somente por elas já sabemos a qual linha pertence o espírito incorporado.
5º- As linhas são muito bem definidas, e os espíritos pertencentes a uma linha falam com o mesmo sotaque, dançam e gesticulam mais ou menos do mesmo modo, e realizam trabalhos mágicos com elementos definidos como deles e mais ou menos da mesma forma.
6º- Cada linha está ligada a alguns Orixás e podemos identificar nos seus nomes simbólicos, a qual dos espíritos de uma mesma linha são ligados.
7º- Isso acontece tanto com as linhas da direita quanto com as da esquerda, todas regidas pelos sagrados Orixás.

Com isso temos chaves importantes para avançarmos no estudo dos fundamentos da Umbanda Sagrada, até chegarmos ao âmago do mistério dos seus nomes simbólicos. Mas para chegarmos ao âmago, antes temos que saber qual é o meio ou a diretriz que nos guiará nesta busca, já que temos linhas de Caboclos, Pretos-velhos, Crianças, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Exus, Pombagiras e etc. E esta chave mestra se chama “Fatores de Deus”.

Antes de falarmos sobre fatores ou sobre o que eles significam, precisamos abrir um pouco mais o leque de assuntos desse nosso comentário para fundamentarmos os mistérios da Umbanda Sagrada.

Voltemo-nos para a Bíblia Sagrada e nela leremos algo semelhante a isso:
- E no princípio havia o caos.
- E Deus ordenou que do caos nascesse a luz, e a luz se fez.
- E Deus ordenou tudo, e tudo foi feito segundo suas determinações verbais, e o “verbo divino”, realizados por sua excelência sagrada. Identificou-se nas determinações dadas por Deus, a essência de suas funções ordenadoras e criacionistas.

Assim explicado, o “verbo divino” é uma função, e cada função é uma ação realizadora. Mas se assim é, tem que haver um meio através do qual o verbo realizador faça sua função criadora. E esse meio não pode ser algo comum mas sim extraordinário, divino, já que é através dele que Deus realiza. E se cada verbo é uma função criadora em si mesmo, e muitos são os verbos, então esse meio usado por Deus tem que ter em si, o que cada verbo precisa para se realizar enquanto função divina criadora de ações concretizadoras do seu significado excelso.

Sabemos que a alusão ao verbo divino na Bíblia Sagrada não teve até agora uma explicação satisfatória pelos estudiosos dela, e pelos seus mais renomados intérpretes, relegando-o apenas às falas ou pronunciamentos de Deus. Mas isso também se deve ao fato de seus intérpretes não terem atinado com a chave mestra que abre o mistério do “verbo divino”, mas que agora de posse da Umbanda Sagrada, explica-nos tudo, desde o caos bíblico ao big-bang dos astrônomos, e desde o surgimento da matéria até o estado primordial da criação, tão buscado atualmente pela física quântica.

O verbo divino e seu meio de realizar ações tanto está na concretização da matéria, quanto no mundo rarefeito da física quântica. E está desde a reprodução celular quanto na geração dos corpos celestes.
- O verbo divino é a ação.
- E o meio que ele usa para realizar-se enquanto ação, denominamos de fatores de Deus.

Por fatores, entendam as menores coisas ou partículas criadas por Deus, e elas são vivas e são o meio do verbo divino realizar-se enquanto ação, já que cada fator é uma ação realizadora em si mesmo, e faz o que o verbo que o identifica significa.

- Assim se o verbo acelerar, significa agilizar o movimento de algo, o fator acelerador é o meio usado por Deus para acelerar o movimento ou o deslocamento do que criou e deve evoluir. E o mesmo acontece, ainda que em sentido contrário, com o verbo desacelerar e com o seu fator identificador que é o fator desacelerado.

- Já o verbo movimentar, cujo significado é dar movimento a algo, tem como meio de realizar-se enquanto ação o fator movimentador. O mesmo acontece com verbo paralisar, cuja função é oposta e que tem como meio de se realizar como ação o fator paralisador.

- E o verbo abrir tem como meio de se realizar como ação o fator abridor. Já o verbo fechar, cuja função é oposta ao verbo abrir, tem como meio de se realizar como ação o fator fechador.

- E o verbo trancar, cujo significado é o de prender, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator trancador. E o verbo abrir, cujo significado é o de liberar, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator abridor.

- E o verbo direcionar, cujo significado é dar rumo a algo, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator direcionador. Já o verbo desviar, cujo significado é o de desviar do alvo, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator desviador.

- E o verbo gerar, cujo significado é fazer nascer algo, tem como meio de se realizar enquanto ação realizadora o fator gerador. E o verbo esterilizar, cuja função é oposta, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator esterilizador.

- E o verbo magnetizar, cujo significado e função é dar magnetismo a algo, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator magnetizador. Já o verbo desmagnetizar, cuja função e significado são opostos, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator desmagnetizador. E o verbo cortar, cujo significado e função é partir algo, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator cortador.

Já o verbo unir, cujo significado e função é juntar algo, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator unidor. Muitos são os verbos e cada um é em si a ação que significa e muitos são os meios existentes no que denominamos por fatores de Deus.

Neste comentário, já citamos os verbos:
- Acelerar e Desacelerar;
- Movimentar e Paralisar;
- Abrir e Fechar;
- Trancar e Abrir;
- Direcionar e Desviar;
- Gerar e Esterilizar;
- Magnetizar e Desmagnetizar;
- Cortar e Unir.

São poucos verbos se comparados aos muitos que existem, mas são suficientes para os nossos propósitos. Tomemos como exemplo o verbo trancar e o fator trancador, e vamos transporta-los para uma linha de trabalhos espirituais e mágicos de Umbanda, a dos Exus trancadores, onde temos estes nomes simbólicos:
- Exu Tranca Ruas - ligados a Ogum.
- Exu Tranca Rudo - ligados a Oxalá.
- Exu Tranca Giras - ligados a Oyá.
- Exu Sete Trancas - ligados a Obaluayê.
- Exu Tranca Fogo - ligados a Xangô.
- Exu Tranca Rios - ligados a Oxum.
- Exu Tranca Raios - ligados a Iansã.
- Exu Tranca Matas - ligados a Oxossi.

Se o verbo trancar significa prender, e se o fator trancador é o meio pelo qual ele se realiza enquanto ação, então todo exu que tenha em seu nome simbólico a palavra tranca é um gerador desse fator, e que quando o irradia tranca algo. E se tomarmos o verbo abrir e o fator abridor, temos uma linha de trabalhos espirituais e mágicos de Umbanda, a dos Exus abridores, onde temos estes nomes simbólicos:
- Exu Abre Tudo – ligado a Oxalá.
- Exu Abre Caminhos – ligado a Ogum.
- Exu Abre Portas – ligado a Obaluayê.
- Exu Abre Matas – ligado a Oxossi.
- Exu Abre Tempo – ligado a Oyá.

E se tomarmos o verbo romper, aqui não citado, e o fator através do qual sua ação se realiza, temos estas linhas de trabalhos espirituais e mágicos:
- Ogum Rompe Tudo – ligado a Oxalá.
- Ogum Rompe Matas – ligado a Oxossi.
- Ogum Rompe Nuvens – ligado a Iansã.
- Ogum Rompe Solo – ligado a Omulú.
- Ogum Rompe Águas – ligado a Yemanjá.
- Ogum Rompe Ferro – ligado a Ogum.

E temos linhas de Caboclos e de Exus com estes mesmos nomes:
- Caboclos e Exus Rompe Tudo.
- Caboclos e Exus Rompe Matas.
- Caboclos e Exus Rompe Nuvens.
- Caboclos e Exus Rompe Solo.
- Caboclos e Exus Rompe Águas.
- Caboclos e Exus Rompe Ferro.

Muitos são os verbos e cada um tem um meio ou fator através do qual se realiza enquanto ação. Por isso afirmamos que a Umbanda é riquíssima em fundamentos, e não precisa recorrer aos fundamentos de outras religiões para explicar suas práticas ou os nomes simbólicos dados aos Orixás, que são as divindades realizadoras do verbo divino ou as suas linhas de trabalhos espirituais e mágicos, que são manifestadores espirituais dos mistérios do verbo divino. Se atinarem bem para a riqueza contida no simbolismo da Umbanda Sagrada, poderão dispensar até as interpretações antigas herdadas do culto ancestral aos Orixás praticado em solo africano, porque Deus ao criar uma religião dota-a de seus próprios fundamentos divinos, e espera que seus adeptos os descubram e os apliquem a sua Doutrina e práticas, aperfeiçoando sua concepção do divino existente nos seus mistérios.

Pai Rubens Saraceni

A Hereditariedade e o Caráter Divino dos Orixás

Deus cria, gera a tudo e, tudo foi criado e gerado Nele, que está na origem de tudo o que existe, animado ou inanimado, material ou imaterial, concreto ou abstrato.

A natureza de Deus é formada por seus fatores, aos quais também denominamos de qualidades divinas que se forem individualizadas, darão origem a naturezas distintas umas das outras e caracterizadoras daquilo que se origina neles, os fatores de Deus.

Deus gera em Si e gera de Si, e na geração em Si, Ele se repete e se multiplica por que em Si Ele gera Suas qualidades divinas, fatoradas e naturalizadas como Suas partes divinas, partes essas que O formam e O tornam o que é, o divino Criador de tudo e de todos.

Na geração de Si, Ele se irradia e vai dando origem a tudo o que existe e a todos os seres, criaturas e espécies, cada qual gerado numa de Suas qualidades, que fatora Sua geração divina, mas cuja gênese se desdobrará no seu exterior que é a natureza ou Seu corpo exterior.

Deus gera Sua qualidade ordenadora e surge Ogum, que por ser em si mesmo a ordenação divina, tem de estar em todas as outras qualidades. Então Ogum gera em si suas divindades Ogum, manifestadores da ordenação para as outras qualidades, que qualificarão esses Oguns manifestadores da ordenação, que assumirão a condição de divindades Ogum, manifestadores da ordenação das qualidades das outras divindades, as quais são em si mesmas as qualidades que eles ordenarão a partir de si, pois são a multiplicação e a repetição de Ogum, o ordenador da gênese divina.

Esses Oguns individualizados são em si núcleos geradores que gerarão Ogum coletivos, que atuarão como o mensageiro gerado para ordenar as gerações exteriores ou que acontecerão no citoplasma divino ou no corpo de Deus, que é a natureza. Esses Oguns individualizados por terem sido gerados em Deus como suas qualidades ordenadoras dos processos exteriores, também geram em si a ordenação divina e a geram de si, transmitindo-a a todos os seres ainda inconscientes de si, que forem atraídos por seus poderosos magnetismos mentais, pois são divinos e os ampararão até que tomem consciência de que são filhos naturais de Ogum e, podem desenvolver em si essa qualidade divina.

Na gênese dos seres, os Orixás masculinos que são qualidades de Deus só fatoram seres machos. E os orixás femininos, que são qualidades de Deus só fatoram seres femininos. Por isso um ser macho tem sua ancestralidade em um Orixá masculino e um ser fêmea tem sua ancestralidade num Orixá feminino. Mas tal como acontece com o corpo humano masculino que também herda certas características da mãe, na geração dos seres se um Orixá masculino o imanta com seu fator divino, um Orixá feminino qualificará esse fator e passará à sua natureza íntima algumas características de sua qualidade original e vice-versa, abrandando a sua natureza individual para que ele não seja tão marcante.

Uma divindade que é em si mesma uma qualidade de Deus, tem uma natureza muito marcante que se não for abrandada na sua hereditariedade não só individualizará demais o ser, como o isolará de todos os outros, pois a exteriorizará em todos os sentidos, em todos os momentos e em todas as condições, situações e sentimentos.

Os seres divinos por serem gerados em Deus, desenvolvem uma natureza pura totalmente identificada com o fator que os imantou em sua geração. Já os espíritos gerados por Deus são como a geração do corpo humano que tem características do corpo de ser que o gerou, mas não tem todas e nem a mesma natureza que ele. Um filho de Ogum tem algumas de suas características originais naturais que o distinguirão, mas outras só aflorarão à medida que for evoluindo e criando em si as faculdades e os meios pelos quais elas fluirão ou serão irradiadas.

Com isso em mente e porque Deus gera tudo em duas partes, uma positiva e outra negativa, uma macho e outra fêmea, uma irradiante e outra concentradora, uma passiva e outra ativa, então até as suas divindades foram geradas aos pares formando ondas ou irradiações divinas puras mas bipolarizadas. Num dos pólos está uma divindade masculina e no outro está uma divindade feminina. Uma é de magnetismo irradiante e outra é de magnetismo concentrador, uma é ativa e a outra passiva.

Pai Rubens Saraceni

Os Orixás e a Natureza

Por que a Umbanda cultua, oferenda e reverencia as divindades associadas à natureza terrestre? Se analisarmos as divindades (os Orixás) à partir da natureza, nós os encontraremos nos próprios processos genésicos ou criadores de Deus, o que justifica os cultos nos santuários naturais (rios, mares, pedreiras, tempo e etc.).

Tudo o que há de visível na criação de Deus é a concretização ou materialização do que não podemos ver, pois existe em uma dimensão e realidade anterior ao nosso plano material. Oxum não é as pedras minerais, mas essas são a concretização ou materialização de sua energia total agregadora de coisas úteis às criaturas e à própria criação, em todas as suas dimensões.

Yemanjá não é a água do mar, mas essa é a concretização em nível físico ou material de sua energia fatoraI geradora que desencadeia todos os processos genéticos porque só a água tem este poder.

Poderíamos explicar todos os Orixás à partir desse raciocínio, pois ele é correto e verdadeiro. Os Orixás são as divindades de Deus que concretizam sua criação e dão sustentação a ela o tempo todo, pois são em si os processos criadores de Deus. As energias agregadoras de Oxum estão no processo formador das pedras minerais e estão sendo irradiadas o tempo todo por elas. Portanto, cultuá-la nas cachoeiras pedregosas ou na própria água doce que corre nelas, é o meio mais natural de sintonizá-la vibratória, energética e magneticamente, pois é por meio do material ou físico que chegamos ao imaterial, ou espiritual, ou divino.

Oxum não é o cobre ou as pedras minerais, mas ambos são concretizações de Oxum, Orixá dos minerais. E o mesmo raciocínio se aplica ao culto à Yemanjá realizado à beira mar ou à beira dos rios. Se só a água desencadeia os processos genéticos e sustenta seus desdobramentos posteriores, a água é a concretização física desse seu poder divino geracionista. Nem os índios nativos nem os povos africanos adoravam a natureza em si mas sim as potências associadas aos muitos aspectos dessa natureza viva e capaz de alimentá-los ou de castigá-los com inclemência se lhes fugisse ao controle. Logo tanto é correto um católico evocar santa Bárbara durante uma tempestade, quanto um umbandista evocar Iansã e oferendá-Ia após a passagem da tormenta, pois ambos estão submetidos a um fenômeno climático incontrolável por eles, mas não pelas divindades (a santa ou o Orixá).

Para Deus não importa muito como O cultuam ou às Suas divindades, mas sim importa como fazem isso; com fé.

Pai Rubens Saraceni

O Magnetismo dos Orixás

O assunto é de suma importância dentro do contexto da gênese divina de Umbanda Sagrada, como base para o entendimento do processo de polarização dos Orixás na formação de sua hereditariedade, na sua manifestação nos vários planos da vida e das formas de irradiação e captação vibratória, tanto pelo nosso mental quanto pelos nossos chacras. Também é por meio do magnetismo dos Orixás, que suas ondas vibratórias vão assumindo as mais diversas formas e cores nos níveis vibratórios, pelos quais descem suas irradiações verticais.

Toda a magia simbólica ou magia dos pontos riscados está fundamentada na forma como os Orixás se irradiam por meio dos seus magnetismos. Comentar a respeito do magnetismo é abrir ao conhecimento religioso material, um dos mistérios mais fechados da criação. Portanto manteremo-nos dentro de um limite estreito e bem vigiado pois foi o que nos recomendou o regente do mistério guardião dos símbolos sagrados.

Os símbolos sagrados estão assim tão presentes em tudo, porque assim como o planeta Terra tem o centro gravitacional que dá sustentação à formação da própria matéria que o torna sólido, todas as criações, criaturas e seres, possuem seus centros gravitacionais que dão sustentação à individualização de cada um. Logo o magnetismo está para esses três aspectos como a herança genética está para a hereditariedade.

Um ser será o que herdar de seus pais assim como um planeta será o que conseguirá conter dentro de seu centro gravitacional, o que ele conseguir absorver e gerar. O planeta Terra é como é, porque seu magnetismo absorve energias e amalgamando-as em seu centro neutro, dá formação a muitos tipos de matéria, todas obedecendo a um princípio gerador imutável. Portanto se temos vegetais é por que o magnetismo planetário absorve energias e após amalgamá-las, dá origem ao elemento vegetal que precisa da presença de outros compostos elementares para subsistir, senão após ser irradiado pelo seu centro neutro dilui-se e, perde as qualidades e atributos que o tornam vegetal.

Todo o meio próprio para o desenvolvimento dos vegetais que há na Terra só existe porque o magnetismo planetário através da gravidade, retém dentro do todo planetário as energias que dão sustentação ao elemento vegetal e à sua própria materialização no denso plano da matéria.

Outros planetas não possuem vegetais porque seus magnetismos não absorvem a energia, ou essência vegetal que flui por todo o nosso universo e também nos universos paralelos. Essa energia ou essência está em todos os lugares, mas só se torna elemento vegetal onde existe um magnetismo que a absorva, amalgama e depois a irradie já como energia composta ou elemental.

O magnetismo vegetal de uma semente é o sustentador de sua herança genética e provê o crescimento da planta, pois ele vai se multiplicando em cada célula vegetal e se concentra novamente nas sementes que ela irá gerar.

Magnetismo e gravidade se completam pois são dois dos componentes da gênese. Mas existem outros componentes da gênese tais como a essência, energia, cor, vibração, pulsação, forma, irradiação, atração, repulsão e etc. A gênese de qualquer coisa ou de todas as coisas, tem de possuir no mínimo esses componentes, senão ela não acontecerá.

Em nosso planeta temos sete tipos de magnetismos que dão forma a tudo o que aqui existe tanto na forma animada (vida) quanto na inanimada (matéria). Até o nosso modo de pensar obedece ao magnetismo terrestre que regula até a gênese das idéias que é algo imaterial, mas é energia pulsante que se propaga a partir do magnetismo mental de quem as gerou.

Esperamos que tenham entendido a função do magnetismo na gênese, pois em religião, a fé é algo imaterial mas é pulsante, irradiante, gravitacional, magnético, energético, essencial num ser, vibratório, colorido, atrativo e congregados. Os elementos ou energias elementais são irradiados de modos diferentes, já que existem sete magnetismos e sete padrões vibratórios.

Mostraremos os sete tipos de irradiações, emanadas pelos sete magnetismos por meio de suas vibrações ou pulsações. Temos os sete tipos de magnetismos básicos, que dão origem aos sete símbolos sagrados, que são sete tipos de captação de essências e irradiação de energias elementais. E tanto as captações de essências quanto a irradiação de elementos, cada uma corresponde a um padrão vibratório, pois não toca em nenhum dos outros magnetismos ou energias.

Tudo é tão perfeito que um ser elemental do fogo não sente ou capta os outros elementos, que também estão passando por ele e vice-versa, com todos os outros seres em relação ao elemento fogo ou aos outros. Por isso existe um Orixá ancestral para cada elemento. Ele absorve apenas a essência que o caracteriza e nomina e, irradia já polarizado apenas o elemento que o distingue.

É o tipo de magnetismo que classifica os Orixás, e magnetismo não é só qualidade mas também pólo e tipo de irradiação. Nunca devemos classificar o tipo de magnetismo de um Orixá como sendo de qualidades boas ou ruins. Nós os classificamos como passivos se seus magnetismos forem positivos (corrente contínua) e, de ativos se seus magnetismos forem negativos (corrente alternada). Atentem bem para este detalhe senão nunca entenderão por que classificamos Ogum como passivo e Iansã como ativa, ou Iemanjá como passiva e Omolu como ativo.

A classificação de passivo ou ativo só se aplica ao magnetismo do Orixá, nunca às energias que ele irradia ou à sua forma de atuação e mesmo ao campo em que atua. Ogum é passivo no magnetismo e ativo no tipo do seu elemento (ar). Já seu campo de ação é passivo, pois como aplicador da Lei Divina ele sempre procede da mesma forma, e sua irradiação é classificada como positiva e passiva pois é contínua.

O fato é que existem sete magnetismos, sete padrões vibratórios, sete essências, sete elementos, sete energias e sete símbolos sagrados que de desdobramento em desdobramento chegam-nos já fracionados até o nível terra, em que estas frações aparecem como símbolos ou signos religiosos, mas mesmo que seja somente uma fração de um símbolo sagrado, isso já é capaz de iluminar a vida de milhões de seres e de sustentar a evolução de todos os fiéis da religião que o adotou como seu símbolo maior e, identificador do tipo de religiosidade que seus adeptos praticam.

O magnetismo é a base fundamental de todos os símbolos sagrados, e só o conhecendo bem poderemos interpretá-los corretamente. Se a cruz é o símbolo sagrado do Cristianismo, decifrem-no a partir dos sete tipos de magnetismos que existem e, que aqui foram mostrados em telas planas uma vez que não temos como demonstrá-los na forma multidimensional.

Pai Rubens Saraceni

As Cores dos Orixás

Comentar sobre as cores dos Orixás é o mesmo que tentar equilibrar-se e, manter-se ereto na crista de uma onda ou parar todos os movimentos no meio de um ciclone, pois nenhum Orixá tem uma única cor. Isso tudo é apenas fruto da tentativa de individualizar o geral e generalizar o individual.

Como dar cor a uma energia?

Desde Oxalá no extremo positivo até Omolu no extremo negativo, todos trazem em si tantas cores, que por não serem visíveis aos olhos humanos e serem ainda desconhecidas torna-se impossível comentá-las. Afinal todo Orixá é um mistério em si mesmo e por ser um mistério por sua própria essência divina, assume a cor que lhe atribuem além de todas as outras, pois um mistério é a manifestação divina do divino Criador tornada visível aos olhos dos humanos, os quais por mais que estudem jamais serão capazes de penetrar no interior de um mistério para desvendá-lo.

Em verdade um Orixá irradia todas as cores, pois irradia em todas as sete faixas ou padrões vibratórios e, cada tipo de vibração ao graduar a velocidade do giro que pode ser para mais ou para menos, confere uma cor a cada um dos elementos irradiados na forma de energias. Por isso uns dizem que Ogum é azul e outros dizem que é vermelho, ou uns dizem que Xangô é vermelho e outros dizem que é marrom. Os Oguns individualizados assumem a cor vermelha na Umbanda por que o próprio astral aceitou essa classificação que fixaria a sua identificação e facilitaria seu entendimento. E o mesmo ocorreu com o marrom de Xangô, mas nós sabemos que as cores dos Oguns variam de acordo com a faixa vibratória em que atuam, e o mesmo acontece com todos os Orixás, pois temos Iansãs que irradiam a cor amarela, a cor vermelha, a cor azul, a cor cobre, a cor dourada e etc.

Discutir a cor dos Orixás, é discutir sobre um assunto ainda desconhecido no plano material. O comprimento de onda ou a velocidade da irradiação é que determina se uma energia irradiada é azul, verde ou vermelha, e o comprimento de onda ou velocidade, obedece ao tipo de elemento e ao padrão vibratório da faixa por onde ele está sendo irradiado. No padrão vibratório cristalino as cores das energias praticamente desaparecem. No padrão vibratório telúrico elas assumem tonalidades tão densas, que temos a impressão de poder pegá-las com as mãos.

Dentro de uma mesma faixa vibratória temos os subníveis vibratórios. E aí a coisa se complica ainda mais por que nos subníveis mais elevados as cores se sutilizam e nos mais baixos elas se densificam. Mas todos os Orixás são mistérios divinos e aceitam sem discussões as cores que já lhes atribuíram ou haverão de atribuir-lhes, pois como mistérios trazem em si todas as cores. Então que na mente das pessoas se afixe a cor que melhor irá permitir sua interação vibratória com seu querido Orixá pois através dessa via colorida seu Orixá atuará em seu todo mental, espiritual, emocional e físico, e o fará com tanto amor que no fim no imenso oceano da vida todos serão cintilantes e multicoloridos pingos de amor à criação e de fé, muita fé no nosso amoroso Criador.

Agora passaremos aos nossos amados filhos de santo e filhos de fé, as cores que temos permissão de revelar e que se estudarem um pouco, acabarão descobrindo fundamentos profundos no campo das irradiações energéticas que começam a acontecer após nossos pedidos e orações, invocações e firmezas, irradiações e cantos.

Oxalá - branco, cristalino, furta cor.
Oiá-Tempo - azul escuro, branco, preto.
Oxum - rosa - dourado, azul.
Oxumaré - azul, furta cor, lilás.
Ogum - azul escuro, prateado, vermelho.
Iansã - amarelo, dourado, vermelho coral.
Xangô - marrom claro, dourado, vermelho.
Egunitá - laranja, dourado, vermelho.
Oxóssi - verde, azul escuro, magenta.
Obá - magenta, dourado, vermelho.
Obaluayê - branco, prateado, violeta.
Nanã - lilás, azul claro, roxo.
Yemanjá - branco azulado, prateado cristalino, azul profundo(anil).
Omolu - vermelho, preto.
Exu - preto, vermelho.
Pombagira - vermelho, preto.

Portanto fiquem com as cores que já se tornaram padrão e, está tudo certo para os nossos amados Orixás, uma vez que eles querem vê-los à partir de sua fé que deve ser pura e imaculada.

Pai Rubens Saraceni

Orixá de Frente, Ancestral e Adjunto

Orixá ancestral é aquele que magnetizou o ser assim que este foi gerado por Deus e, o distinguiu com sua qualidade original e natureza íntima imutável e eterna. Poderemos reencarnar mil vezes e sob as mais diversas irradiações e, nunca mudará nossa natureza íntima.

Orixá de frente é aquele que rege a atual encarnação do ser e, o conduz numa direção na qual o ser absorverá sua qualidade e a incorporará às suas faculdades, abrindo-lhes novos campos de atuação e crescimento interno.

Orixá adjunto é aquele que forma par com o Orixá de frente, apassivando ou estimulando o ser, sempre visando ao seu equilíbrio íntimo e crescimento interno permanente.

A cada encarnação há a troca de regência de encarnação, e nessa troca os seres vão evoluindo e desenvolvendo faculdades relativas a todos os Orixás. Na ancestralidade todo ser macho é filho de um Orixá masculino e, todo ser fêmea é filha de um Orixá feminino. Existem sete naturezas masculinas e sete naturezas femininas tão marcantes, que é impossível ao bom observador não vê-las nas pessoas. Podemos identificar a ancestralidade de alguém observando o olhar, as feições, os traços, os gestos, a postura e etc., pois esses sinais são oriundos da natureza íntima do ser, apassivada pela regência de encarnação mas não anulada por ela.

Podemos identificar o Orixá adjunto nos gestos e nas iniciativas das pessoas já que é por intermédio do emocional que ele atua.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Oxalá

Oxalá é o trono natural da fé e é em si mesmo esse mistério divino, pois gera fé o tempo todo e a irradia de forma reta, alcançando a tudo e a todos. As hierarquias de Oxalá são formadas por seres naturais descontraídos profundamente religiosos, calorosos e amorosíssimos. Todo ser que prega a fé com um sentimento puro de amor a Deus e a vivencia com virtuosismo está sob a irradiação de Oxalá. Todo ser que faz da prática da caridade religiosa um ato de fé em Deus é também amparado por Oxalá, em sua irradiação abrasadora.

Oferenda:

Velas brancas, frutas, coco verde, mel e flores, depositados em bosques, campinas, praias limpas, jardins floridos.

Água para lavagem de cabeça (amaci):

Água de fonte com rosas brancas e folhas de manjerona, maceradas e curtidas por vinte e quatro horas.

A fé tem seus mecanismos os quais são ativados à partir do íntimo ou do exterior das pessoas. Esses mecanismos se bem ativados são capazes de alterar a vida de uma pessoa em alguns, vários ou muitos aspectos. Se os mecanismos da fé forem bem ativados as pessoas alterarão seus comportamentos sociais, religiosos, morais e emocionais, dotando-se em pouco tempo de uma nova consciência. Esse fato torna a fé a principal via evolutiva já que os outros sentidos da vida possuem mecanismos cujas ativações são lentas ou difíceis de serem conseguidas. Mas os mecanismos da fé se ativados corretamente conseguem retirar as pessoas de estados de espírito sombrios e alçá-las a estados excelsos num piscar de olhos.

Para um Teólogo de Umbanda, a religiosidade das pessoas deve ser tratada com respeito e cuidados especiais, pois uma ativação incorreta dos mecanismos da fé pode fragilizá-las ainda mais, já que após ativá-los surgirá uma nova consciência e um novo senso de religiosidade nas pessoas orientadas por ele. Os mecanismos corretos são os desmistificadores, são os racionais, são os congregadores, são os universalistas e são os espiritualizadores, pois se fundamentam no aperfeiçoamento contínuo e na evolução permanente das pessoas.

O senso religioso das pessoas pode ser trabalhado externamente quando elas estão passando por dificuldades sociais (problemas profissionais, matrimoniais, familiares e etc.), momento em que se tornam receptíveis às mensagens externas. Esse burilamento externo no sentido da fé das pessoas tem de ser acompanhado de uma mensagem socorrista e, de algum resultado concreto e satisfatório quanto às dificuldades vividas por elas, senão o seu senso religioso não é alcançado e logo se afastam procurando novamente outras alternativas religiosas.

O burilamento íntimo no sentido da fé, tem que ser realizado por meio de uma mensagem redentora, pois as pessoas alcançadas por ela deverão desenvolver um novo senso religioso, todo calcado na fé e na modificação de suas condutas pessoais, de suas posturas sociais e religiosas e de suas expectativas. Assim tornam-se beneficiárias mas também co-responsáveis pela ajuda a ser conseguida.

Ao bom sacerdote de Umbanda recomenda-se o uso dos dois recursos ao mesmo tempo, pois a espiritualidade está aí para ajudar as pessoas nas suas necessidades imediatas de natureza material ou espiritual, e os sacerdotes estão aí para acolher estas mesmas pessoas necessitadas e incutir nas suas mentes, a necessidade de uma mudança íntima quanto a Deus, e à religiosidade a ser seguida por elas. Tudo isso se bem realizado alterará totalmente suas vidas e as tornará mais resignadas, menos aflitas, mais confiantes em si e em Deus, e mais fraternas e respeitosas.

Portanto lidando-se corretamente com o senso religioso das pessoas, com certeza sua atuação no sentido da fé será muito abrangente e muito profunda, porque poderá burilar os mecanismos dos outros sensos e alterar as posturas, as expectativas e as necessidades delas em vários, ou muitos outros sentidos da vida.

Reflitam sobre isso porque talvez até alguns de vocês, futuros Teólogos de Umbanda, estejam necessitando de um burilamento íntimo no sentido da fé e, de uma modificação acentuada e profunda em seu senso religioso. Observem-se intimamente e procurem descobrir se alguns mecanismos de sua fé não estão avariados, já que para identificá-los basta observarem suas expectativas e suas posturas em relação ao universo divino.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Oiá-Tempo

Oiá-Tempo é uma divindade ativa da fé e é em si mesma esse mistério divino, pois gera religiosidade o tempo todo e a irradia ou absorve conforme as necessidades. Se o ser está apático ele a recebe, e se está emocionado a tem esgotada.

Oiá é a Orixá do Tempo e seu campo preferencial de atuação é o religioso, em que atua como ordenadora do caos religioso, ativando ou paralisando a qualidade religiosa dos seres movidos pelos sentimentos de fé. Suas irradiações espiraladas são alternadas e direcionadas só alcançando os seres apatizados ou emocionados, esgotando o emocional dos seres que estão vibrando sentimentos religiosos desequilibrados.

As hierarquias de Oiá são formadas por seres naturais circunspectos, glacialmente religiosos e muito respeitosos, não admitindo arroubos religiosos de espécie alguma à volta deles. Todos os seres que pregam sua fé com emotividade e a vivenciam com fanatismo, estão sob a irradiação de Oiá. Todo ser que faz de suas práticas religiosas um ato de exploração da boa fé de seus semelhantes será punido por Oiá e, será esgotado em seus enregelantes domínios cósmicos.

Oiá é muito temida pois é a própria frieza de Deus para com seus filhos desvirtuados que deturpam Sua qualidade divina (a fé) e, a partir de seus vícios e desequilíbrios, ludibriam a boa fé de seus semelhantes.

Oferenda:

Sete velas brancas, sete velas azul escuras e sete velas pretas, com cada uma das cores formando o vértice de seu triângulo de forças, que deve estar com o vértice branco voltado para nós enquanto a oferendamos. Após acender as velas e firmar seu triângulo de forças, deve-se partir um coco seco e colher sua água. Depois deposite a água dentro de uma das partes do coco e, acrescenta-se licor de anis que é sua bebida ritual. Também deve-se partir ao meio um maracujá maduro e colocá-lo ao lado do coco, pois esta é sua fruta ritual. Pode-se também usar um coco verde.

Após firmar esta oferenda e cobrir a cabeça com um pano branco, diz-se o seguinte: Amada e divina mãe do Tempo, aceite essa minha oferenda como prova de minha fé e, do despertar consciente de minha religiosidade e fé em nosso divino Criador Olorum. Solicito que me receba em seu amor e, me ampare em todos os sentidos, durante essa minha jornada evolucionista no plano material. E que me livre das tentações, cubra-me com seu véu cristalino da fé em Olorum e, conduza-me pelo caminho reto que leva todos os seus filhos na direção da luz e do nosso Pai Eterno.

Apresento-me como (seu nome) e, solicito seu amparo e sua guia luminosa para que eu me conduza, tanto nos campos luminosos quanto nos campos escuros, sempre iluminado pela sua luz cristalina e amparado por minha fé no nosso divino Criador.

Salve mãe divina da Fé. Salve minha mãe senhora do Tempo. Salve Oxalá, luz da minha fé e regente da eternidade dos que vivem na fé em Olorum.

Após proferir com amor e fé essa oração, levantar a cabeça (coberta) e estender as mãos para o alto, absorvendo as irradiações cristalinas de amor e fé que ela estará enviando.

Água de Oiá para lavagem de cabeça (amaci):

Água de chuva com folhas de eucalipto e pétalas de rosa amarela, maceradas e curtidas por sete dias.

Oiá é a regente do trono do Tempo que é também um mistério da lei. Tempo é um mistério que transcende espaço físico e interpenetra o campo da mente, das idéias, da criação e da religiosidade. Ele está na origem, no meio e no fim de tudo, pois tanto está no físico quanto no campo mental.

Tempo é o meio onde tudo se realiza; nada fica fora dele senão não se realiza. É a cronologia divina e toda obrigação ou oferenda tem de ser realizada em espaço aberto no tempo. No aspecto negativo, tempo é um meio caótico. Já em seu aspecto positivo, é ordem cronológica no qual tudo tem seu início ordenado e fica gravado na memória universal da criação divina, é a espiral sem fim que gira em duplo sentido, e no centro neutro está assentado o trono do Tempo.

A Lei do Karma é um dos atributos do trono do Tempo, que a aplica na vida dos seres por meio das atribuições de todos os outros Orixás. Assim sendo, Xangô aplica a justiça através do Tempo e, Ogum esgota um karma através do Tempo. Se o giro for à direita será uma ação positiva e ordenadora, se for à esquerda será caótico, esgotador, divisor, desmagnetizador e etc.

No passado todas as religiões naturais cultuavam uma divindade associada ao tempo; mas o culto a uma divindade do Tempo só é correto se ela estiver num contexto religioso, já que é fulminante em sua ação. O ritual de Umbanda Sagrada adotou o culto a Oiá, que atua religiosamente na vida dos umbandistas e, sempre gira para a direita cujo giro é ordenador da religiosidade dos seres. Oiá é um trono do Tempo. A Umbanda não abriu os seus aspectos negativos e os confiou aos exus e pombagiras do tempo, que são os guardiões dos mistérios cósmicos.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Oxum

Oxum é o trono natural irradiador do amor divino e, da concepção da vida em todos os sentidos. Como mãe da concepção, estimula a união matrimonial e como trono mineral, favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância material, e está em tudo o que Deus criou. Ela é tida como a Orixá do amor ou do coração, ou da concepção, porque é em si mesma o amor divino e o manifesta a partir de si mesmo dando origem às agregações.

A partir das agregações, Oxum dá origem à concepção das coisas, já que ela é a própria concepção divina como qualidade do divino Criador, que individualizou essa Sua qualidade nela, a sua divindade do amor que agrega e concebe.

Oxum desperta o amor nos seres, agrega-os e dá início à concepção da própria vida. Por isso é tida como a divindade que rege a sexualidade, pois é por seu intermédio que a vida é concebida na carne multiplicando-se. Tudo o que se liga no universo só se liga por causa do magnetismo agregador de Oxum. Ela está em todas as outras qualidades de Deus, em todos os sentimentos, em toda a criação, em todos os seres, em todas as criaturas e em todas as espécies.

Oferenda:

Velas brancas, azuis e amarelas; flores, frutos e essência de rosas; champanhe e licor de cereja, tudo depositado ao pé de uma cachoeira.

Água de Oxum para lavagem de cabeça (amaci):

Água de cachoeira com rosas brancas, maceradas e curtidas por três dias.

Pai Rubens Saraceni

Teogonia de Umbanda - Oxumaré

Oxumaré é o trono de Deus que se polariza com Oxum na coroa planetária. O divino trono da renovação da vida é a divindade unigênita de Deus, que é em si mesmo o Orixá que tanto dilui as causas dos desequilíbrios, quanto gera de si as condições ideais para que tudo seja renovado, já em equilíbrio e harmonia. Ele é o próprio mistério renovador e diluidor do Criador.

Oxumaré é um Orixá ativo, cósmico e temporal que só entra na vida dos seres caso as ligações (agregações) entrem em desequilíbrio ou desarmonia. Ele desfaz o que perdeu sua condição ideal de existência e, deve ser diluído para ser reagregado já em novas condições.

O magnetismo de Oxumaré é composto de duas ondas entrecruzadas que seguem numa mesma direção, criando uma irradiação ondulatória e diluidora de todas as agregações não estáveis. Uma dessas ondas dilui as agregações cujo magnetismo agregador é de natureza masculina; outra dilui as agregações de natureza feminina, dissolvendo compostos energéticos, alterando estruturas elementares e modificando sentimentos. Mas o mistério Oxumaré não se limita apenas a diluir as agregações instáveis, pois seu fator renovador traz em si a qualidade de renovar um meio ambiente, uma agregação, uma energia, um elemento e até os sentimentos íntimos dos seres.

Oxumaré tal como revela a lenda dos Orixás, é a renovação contínua em todos os aspectos e em todos os sentidos da vida de um ser. Sua identificação com Dá, a serpente do arco-íris não aconteceu por acaso, pois Oxumaré irradia as sete cores que caracterizam as sete irradiações divinas que dão origem às sete linhas de Umbanda. E ele atua nas sete irradiações como elemento renovador, e está na linha da fé como elemento renovador da religiosidade dos seres, está na linha da concepção como renovador do amor e da sexualidade da vida dos seres, na linha do conhecimento como renovador dos conceitos, teorias e fundamentos, na lista da justiça como renovador dos juízos, na linha da Lei como renovador das ordenações que acontecem de tempos em tempos, na linha da evolução como a renovação das doutrinas religiosas, que aperfeiçoam o saber e aceleram a evolução dos seres, na linha da geração como a renovação ou como o próprio reencarne que acontece quando um espírito troca a pele, tal como faz Dá a serpente encantada do arco-íris.

Ele é o orixá que forma um par natural com Oxum, Orixá da agregação. Onde ela agregou mas já foi superada ou entrou em desequilibrio com o resto da criação, aí entra Oxumaré diluindo tudo e gerando em si e de si as condições ideais para que tudo se renove, e mantendo suas qualidades originais e sua natureza individual, continue a fazer parte do todo que é Deus.

O mistério Sete Cobras é um dos aspectos negativos ou opostos do divino Oxumaré, que é em si mesmo o arco-íris ou as sete irradiações divinas. Observem que aqui serpente ou cobra não tem conotação de réptil, mas simboliza as qualidades afins com os campos vibratórios dos Orixás, e se no aspecto positivo assumem cores irradiantes, no aspecto negativo assumem cores absorventes, todas afins com as faixas nas quais são retidos os seres que emocionalizam suas vidas, até um grau afim com o pólo negativo dos Orixás cósmicos.

Oferenda:

Uma vela branca, uma vela azul, uma vela verde, uma vela dourada, uma vela vermelha, uma vela roxa, uma vela rosa, uma vela marrom terroso.

Colocar no centro um melão aberto numa das pontas e derramar dentro dele um pouco de champanhe rosé; o resto deve ser deixado na garrafa dentro do círculo de velas coloridas. Façam essa oferenda próximo de uma cachoeira.

Acender a vela branca e circulá-la com as sete velas coloridas, guardando uma distância de trinta centímetros entre o centro e o círculo colorido. Deve-se então circundar as velas com flores multicoloridas e invocar Oxumaré, solicitando a ele o que se deseja, mas que seja justo para que acelere suas evoluções, pois se pedirem coisas tortas, uma serpente começará a segui-los e mais dia ou menos dia, serão picados por ela de forma tão mortífera que os paralisará.

Água de Oxumaré para lavagem de cabeça (amaci):

Água de cachoeira com folhas de louro e pétalas de flores variadas, curtidas por três dias.

Pai Rubens Saraceni

Índice