As Guias ou Colares - 1ª Parte

O uso de colares, pulseiras e talismãs é tão antigo quanto a própria humanidade. Todos os povos antigos pesquisados adotavam o uso de colares confeccionados com pedras roladas, seixos, dentes de animais, pérolas, penas, sementes, pedaços de ossos ou de madeiras esculpidas, conchas, unhas de certos animais, cabelos humanos ou crinas de animais trançados e etc. São tantas as coisas usadas na confecção de colares que não nos é possível listar todas.

O uso com respeito de colares confeccionados de forma rudimentar se perde no tempo, tendo começado em eras remotas, quando ainda vivíamos em cavernas ou éramos nômades, mas precisávamos de protetores contra o mundo sobrenatural inferior ou contra o perigo de animais, e insetos venenosos ou os malefícios feitos por outras pessoas e etc. Então que fique claro aos umbandistas que o uso de colares ou "guias de proteção" não é uma coisa só da Umbanda ou dos cultos afro aqui estabelecidos. Inclusive os índios americanos também usavam e ainda usam colares, braceletes, pulseiras e talismãs, tal como fazia e faz o resto da humanidade.

Os padres da Igreja Católica usam rosários, crucifixos pendurados no pescoço, escapulários e etc., assim como todos os sacerdotes da maioria das religiões atuais o fazem com seus colares consagrados. Enfim, não há nada de excepcional, incomum ou fetichista no fato de os médiuns umbandistas usarem colares de proteção ou de trabalhos espirituais quando incorporados pelos seus Guias.

O uso de colares era tão comum na Antiguidade que originou a ourivesaria e a joalheria como indústrias manufatureiras de colares, pulseiras, braceletes, talismãs, tiaras e etc., para atender aos sacerdotes e aos fiéis mais abastados que preferiam ter objetos de proteção confeccionados com pedras e metais preciosos, e de difícil aquisição pelo resto dos membros dos clãs ou tribos do passado. Reis, rainhas, príncipes, imperadores, ministros, etc., que formavam a elite dos povos antigos, não usavam colares comuns ou de fácil confecção, mas recorriam a artesãos especializados para confeccioná-los, tomando a precaução de terem colares únicos e de mais ninguém.

Cadáveres eram enterrados com colares, talismãs e etc., pois precisavam proteger seus espíritos no mundo dos "mortos", assim como haviam precisado deles aqui no mundo dos "vivos", e isso acontece até os dias de hoje na cultura ocidental cristã, na qual o uso antigo de colares mágicos e protetores perdeu seus fundamentos, sendo substituídos por gravatas, lenços, cachecóis, fitas, etc. que envolvem o pescoço dos vivos e dos cadáveres.

Portanto, irmãos(ãs) umbandistas não se sintam constrangidos(as) por usar em público colares ou "guias", pois não é em nada diferente do que todo mundo faz. Comentamos somente o que é história e fato comprovável observando os sacerdotes e fiéis de todas as religiões, que sem se aperceberem disso, usam esse recurso mágico para se proteger do mundo sobrenatural. Logo o uso de guias ou colares, braceletes, pulseiras, tiaras (proteção à cabeça ou coroa) e etc. tem fundamento mágico e deve ser entendido e aceito por todos os umbandistas como um dos fundamentos mágicos da nossa religião. Desde o seu início fomos instruídos a usá-los pelos nossos Guias espirituais, que os consagram e os usam durante os passes mágicos-energéticos dados nos consulentes em dias de trabalho.

Muitos umbandistas adquirem colares, braceletes, pulseiras, talismãs e etc. sem saber ao certo quais são seus poderes ou usos mágicos. E vemos muitos médiuns com muitos colares belíssimos no pescoço, mas que se perguntados sobre o porquê de usarem tantos de uma só vez, responderão que seus Guias espirituais lhes pediram. E se perguntados sobre os fundamentos de cada um deles, infelizmente não saberão dizer quais são, porque isso não é ensinado regularmente na Umbanda e o pouco que sabem foi ensinado por seus Guias espirituais.

Na Umbanda não existem muitas pessoas preocupadas com os seus fundamentos divinos, espirituais, mágicos, litúrgicos e etc., e todos querem "resultados" e ponto final. Essa falta de preocupação com os fundamentos está deixando de lado importantes conhecimentos, e fazendo com que objetos mágicos sagrados sejam utilizados de forma profana e objetos profanos sejam usados como se fossem sagrados, pois já não há informações correntes e de fácil acesso aos médiuns umbandistas, ensinando-os corretamente e esclarecendo sobre quando e como usar colares, braceletes, pulseiras, talismãs e etc. E não adianta os mais "antigos" ficarem contrariados por essa nossa afirmação, pois ou não sabiam quais eram esses fundamentos, e por isso não ensinaram aos seus filhos de fé, ou então se sabiam e não ensinaram, são os responsáveis pelo que está acontecendo com os novos umbandistas, que não têm quem ensine nada a respeito.

Vamos aos fundamentos ocultos dos mistérios dos colares, dos braceletes, das pulseiras, dos anéis, das tiaras e dos talismãs e como consagrá-los corretamente, beneficiando-se do poder de realização que adquirem quando isso é feito por eles.

Um colar, anel, bracelete, pulseira e tiara ou "coroa" é em si um "círculo". Por círculo estável entendam aquele que tem forma imutável (anéis e coroas).

Por círculo maleável entendam aquele que é flexível e movimenta-se, abre-se ou fecha-se segundo os movimentos do seu possuidor, (colares, braceletes e pulseiras).

O círculo é um espaço mágico, e pode ser consagrado e usado para uma ou mais funções pelo seu possuidor, porque torna-se em si um espaço mágico ativo e funcional muito prático e fácil de ser usado. É certo que esse fundamento só era conhecido dos grandes magos da era cristalina e perdeu-se quando ela entrou em colapso, restando o conhecimento aberto ou popular de que eram poderosos protetores contra inveja, mau-olhado, fluidos e vibrações negativos, encostos espirituais e magias negativas.

O conhecimento popular perdurou e acompanhou a evolução da humanidade, e várias fórmulas consagratórias foram desenvolvidas no decorrer dos tempos por magos, inspirados pelos seus mentores espirituais. Essas fórmulas consagratórias "exteriores" ou exotéricas puderam ser ensinadas e perpetuadas, auxiliando a humanidade no decorrer dos tempos. Lembrem-se disso: são todas elas apenas fórmulas consagratórias exteriores ou exotéricas, e cujos fundamentos ocultos não foram revelados. Assim porque os fundamentos ocultos não foram revelados, o poder dos colares, braceletes, pulseiras, anéis, tiaras e coroas só tem sido usado como protetores e nada mais.

A Umbanda derivada dos cultos religiosos indígenas, africanos e europeus, adotou o uso de colares, braceletes, pulseiras, anéis, tiaras, coroas e etc. ainda que seus adeptos nada soubessem sobre os fundamentos mágicos secretos existentes por trás de cada um desses objetos. Índios brasileiros, negros africanos, brancos europeus ou mesmo hindus cheios de colares no pescoço, pouco ou nada ensinaram sobre a consagração interna ou esotérica que dariam a esses objetos (e outros, às imagens inclusive) um poder de realização tão grande que não seriam vistos apenas como adereços ou fetichismo, e sim com respeito e admiração por quem olhasse para eles.

Que alguém umbandista ou não, diga-nos se algum dia leu ou ouviu de outrem algo sobre os fundamentos ocultos e esotéricos dos colares, braceletes, pulseiras, anéis, tiaras, coroas, imagens, símbolos e demais objetos mágicos. Com certeza só ouviu dizer que são fortes protetores contra isso ou aquilo e nada mais. Já os sábios hindus ou os velhos babalaôs sempre disseram e ensinaram seus seguidores que esses adereços consagrados por eles ou segundo suas fórmulas consagratórias (todas externas e exotéricas) tornam-se poderosos talismãs ou patuás, que dão proteção contra isso ou aquilo.

Nós (e você) sabemos que nunca lhe ensinaram que aqueles colares, braceletes, pulseiras, anéis, tiaras, coroas e demais objetos mágicos usados nos seus trabalhos espirituais ou assentados no seu terreiro têm outras finalidades além das de protegê-los ou aos seus trabalhos. Até os seus Guias espirituais (Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, Boiadeiros, Marinheiros, Baianos, Encantados, Exus, Pombagiras, Exus-Mirins, Ciganos e etc.) pouco lhes disseram sobre os mistérios de seus objetos mágicos consagrados por eles externamente ("cruzados" por eles é o termo mais adequado), não é mesmo?

Você usa os colares, pulseiras, braceletes, anéis, tiaras, coroas e etc.) que eles cruzam e, sente-se protegido contra inveja, mau-olhado, maus fluidos e etc. e não dá maior valor que o de simples protetores, pois eles foram cruzados e ativados segundo rituais ou processos externos, praticados por Guias espirituais impossibilitados de os fazer segundo o ritual ou processo interno, que só pode ser feito a partir do lado material da vida, por uma pessoa conhecedora desse mistério.

Se isso tudo está sendo revelado agora, um século após a fundação da Umbanda, é para que os umbandistas deixem de procurar em outras religiões ou nos cultos afro aqui estabelecidos, os fundamentos sagrados, ocultos e esotéricos (iniciatórios) de sua religião, pois eles (todos, sem exceção) só revelam os fundamentos externos e exotéricos abertos por eles e desconhecem os fundamentos sagrados da Umbanda, que não sejam os deles. Então como um umbandista irá obter com eles o que desconhecem da Umbanda e só conhecem de suas próprias religiões, e de suas práticas mágico-religiosas que fazem porque funcionam? Está na hora pois ela chegou, de os umbandistas e suas práticas começarem a ser copiados pelos adeptos das outras religiões. Também chegou a hora de eles (os praticantes das outras religiões afro) respeitarem o poder mágico da Umbanda e pararem de dizer com a "boca cheia" de orgulho, que a Umbanda não tem fundamentos e que a religião deles é que os têm.

Está na hora de os umbandistas descartarem as fórmulas "secretas", antiquadas e com fundamentos internos alheios e só recorrerem a fórmulas consagratórias suas, muito bem fundamentadas no lado divino de seus cultos, fórmulas estas muito mais poderosas que as deles, pois as nossas são internas, iniciatórias, consagratórias e sagradas.

A Umbanda é uma religião mágica que tem seus próprios fundamentos e não precisa recorrer aos outros, que podem servir para os seus adeptos, mas não servem para os umbandistas. Chega de buscar fora e com quem não tem nada a ver com a Umbanda, o que não têm para dar aos umbandistas mas que não perdem a oportunidade de se mostrar "poderosos", e de explorar a boa-fé de pessoas mal orientadas dentro de nosso culto.

Chega de umbandistas entregarem suas "coroas" a meros "fazedores de cabeça" que só querem sua escravidão e subserviência, pois após "fazerem a cabeça" do mal informado umbandista, acham-se donos dele e de suas forças espirituais.

Está na hora pois ela chegou, dos umbandistas sentirem mais orgulho de ter mais confiança em suas práticas mágico-religiosas e de olharem com indiferença ou como estranhas as práticas mágico-religiosas alheias, que tanto não lhes pertencem como lhes são dispensáveis!

Pai Rubens Saraceni

As Guias ou Colares - 2ª Parte

Consagrar uma guia como são chamados os colares dentro da Umbanda, é um procedimento correto pois somente ele estando consagrado poderá ser usado como protetor, ou instrumento mágico nas mãos dos Guias espirituais. O procedimento regular tem sido o de lavá-los (purificação), de iluminá-los com velas (energização) e de entregá-los nas mãos dos Guias espirituais para que sejam cruzados (consagração). Eventualmente são deixados nos altares por determinado número de dias para receber uma imantação divina, que aumenta o poder energético deles.

Os Guias espirituais sabem como consagrá-los espiritualmente, imantando-os de tal forma que após cruzá-los, estão prontos para ser usados pelos médiuns como filtros protetores ou pelos seus Guias como instrumentos mágicos, ainda que só uma minoria dos Guias os utilize efetivamente com essa finalidade, e a maioria os prefira como pára-raios protetores ou descarregadores das cargas energéticas negativas, trazidas para dentro dos locais de trabalhos espirituais pelos seus consulentes.

Os procedimentos consagratórios dos colares usados pelos umbandistas têm sido estes e poucos têm mais alguns outros. Eles têm ajudado os médiuns durante seus trabalhos, e auxiliado os consulentes a se proteger das pesadas projeções fluídicas que recebem de pessoas ou espíritos no dia a dia. Mas esses cruzamentos ou consagrações com finalidades específicas e com imantação espiritual, são apenas o lado aberto ou exotérico, e só obtêm uma fração do poder, diferentemente dos mesmos objetos que se forem consagrados internamente ou receberem uma consagração completa, terão total poder.

Normalmente consagram-se ou cruzam-se colares a pedido dos Guias espirituais e cada linha tem suas cores específicas, iguais às dos seus Orixás regentes.

Como algumas cores mudam conforme a região, então eventuais alterações de cores impedem a uniformização da identificação dos Orixás simbolizados nos colares usados pelos médiuns.

Na confecção dos colares, algumas regras devem ser seguidas:

1ª — Os colares dos orixás costumam ser de uma só cor.
2ª — Há algumas exceções (Obaluaiê - preto e branco), (Omolu - preto, branco e vermelho), (Nanã - branco, lilás, azul-claro), (Exu - preto e vermelho), (Pombagira - vermelho; preto e vermelho; dourado).

Enfim, há certa flexibilidade no uso das cores dos colares consagrados aos Orixás na Umbanda. E isso se deve ao fato de que eles na verdade irradiam-se em padrões vibracionais diferentes, e em cada um mudam as cores das energias irradiadas. Então não podemos dizer que estão erradas as cores usadas na Umbanda. Apenas cremos que deveríamos padronizá-las e não recorrer ao uso individual delas. Também não deveríamos adotar as cores usadas em outros cultos afro. O uso de "quelê" também não deve ser adotado pelos umbandistas pois é privativo do Candomblé. "Quelê" é um colar curto, feito de pedras trabalhadas; é mais grosso que o normal e usado ao redor do pescoço, indicando que a pessoa é uma iniciada no seu Orixá em ritual tradicional e só dele. Portanto o seu uso não deve ser copiado, pois não é um colar umbandista.

Para a Umbanda, vamos dar as cores mais usadas ou aceitas pela maioria:

• Oxalá - branca
• Nanã - lilás
• Iemanjá - azul leitoso
• Omolu - branco, preto e vermelho
• Ogum - vermelho
• Obaluaiê - branco e preto
• Xangô - marrom
• Exu - preto e vermelho
• Iansã - amarelo
• Pombagira - vermelho
• Oxum - azul vivo
• Oxóssi - verde

Como na Umbanda não são cultuados regularmente, alguns Orixás foram incorporados por nós, pois ocupam pólos energo-magnéticos nas Sete Linhas de Umbanda. Então vamos às cores:
• Egunitá - laranja
• Oiá-Tempo - fumê
• Obá - magenta
• Oxumaré - azul turquesa

Há um problema porque não são fabricadas regulamente contas de cristal ou de porcelana nessas cores. Por isso recomendamos que os umbandistas passem a usar colares de pedras naturais sempre que possível, porque somente eles (e todos os elementos naturais) conseguem absorver e reter as imantações divinas condensadas nas suas consagrações "internas". Contas e outros objetos artificiais ou sintéticos produzidos industrialmente, não são capazes de reter as imantações poderosas dessas consagrações internas.

Aqui há uma relação das pedras dos Orixás:
• Oxalá - quartzo transparente
• Oiá-Tempo - quartzo fumê
• Oxum - ametista
• Oxumaré - quartzo azul
• Oxóssi - quartzo verde
• Obá - madeira petrificada
• Xangô - jaspe marrom
• Egunitá - ágata de fogo
• Ogum - granada
• Iansã - citrino
• Obaluaiê - quartzo branco e turmalina negra
• Nanã - ametrino
• Iemanjá - água marinha
• Omolu - ônix preto, ônix verde
• Exu - ônix preto, hematita, turmalina negra
• Pombagira - ônix, ágata

Outras pedras podem ser usadas, pois a variedade de espécies é grande, assim como é a de cores em cada espécie. Com as linhas de trabalhos formadas por Guias espirituais, a coisa complica porque tudo depende das energias manipuladas por eles, e pelos mistérios nos quais foram "iniciados" e que ativam durante seus atendimentos aos consulentes.

Para a linha dos Bahianos, recomendamos o uso de colares feitos de coquinhos.

Para a linha das Sereias, recomendamos os colares feitos de conchinhas recolhidas à beira-mar.

Para a linha dos Boiadeiros, recomendamos colares feitos de "jaspe leopardo".

Para a linha das Crianças, recomendamos colares de quartzo rosa, de ametista, de água marinha e quartzo branco.

Quanto aos colares para descarga, recomendamos que tenham grande variedade de espécies de pedras naturais, de porcelana de cristais industriais, de sementes e etc.

Um colar é em si um círculo e é um espaço mágico poderoso se consagrado corretamente. Supondo que os seus colares tenham sido consagrados corretamente, vamos aos comentários necessários para que comece a usá-los com mais respeito, e trate-os como objetos sacros de sua religião: a Umbanda.

Sabemos que não existem comentários sobre os muitos tipos de espaços mágicos usados pelos praticantes de magia. Sabemos que usam o triângulo; o duplo triângulo entrelaçado, o pentagrama e etc, mas também que seus fundamentos ocultos ou esotéricos não foram revelados ou comentados por nenhum autor umbandista até a publicação do nosso livro A Magia Divina das Velas, no qual comentamos superficialmente os espaços mágicos formados por velas.

O fato é que o círculo é um espaço mágico, e um colar é um círculo ainda que maleável, pois se movimenta ao redor do pescoço da pessoa que o está usando. Por isso chamamos os colares de círculos maleáveis. E por ser um espaço mágico fechado, se devidamente consagrado, é um espaço mágico permanente e que "trabalha" o tempo todo recolhendo e enviando para outras dimensões ou faixas vibratórias as cargas energéticas projetadas contra o seu usuário. Como ele é um círculo, então o espaço mágico formado dentro dele é multidimensional e interage com todas as dimensões, planos e faixas vibratórias, enviando para eles as cargas energéticas projetadas contra o seu usuário. Ele interage com as dimensões elementais, com as dimensões puras, com as dimensões bielementais, com as dimensões trielementais, com as dimensões tetraelementais, com as dimensões pentaelementais, com as dimensões hexaelementais, e com as dimensões heptaelementais.

Quando o seu usuário o coloca no pescoço, começa a puxar para dentro do espaço mágico (que é em si) as irradiações projetadas desde outras faixas vibratórias negativas, dimensões ou planos da vida, recolhendo-as e enviando-as de volta às suas origens.

Os Guias espirituais quando consagram colares para os seus médiuns, ou para os consulentes para serem usados como protetores, imantam esses colares com uma vibração específica que os tornam repulsores ou anuladores de projeções energéticas negativas, mas não os tornam espaços mágicos em si, porque para fazerem isso teriam de ir a locais específicos da natureza e ali abrir campos consagratórios também específicos, e imantá-los com as vibrações divinas dos seus Orixás correspondentes, dotando-os de poderes mágicos multidimensionais. Mas como os fundamentos consagratórios internos estavam fechados ao plano material até agora, então eles faziam isso de forma velada quando seus médiuns iam oferendá-los, ou aos Orixás, nos campos vibratórios na natureza.

Os Guias espirituais sempre respeitaram o silêncio sobre a consagração interna, e sempre fizeram o que tinham de fazer de forma que os seus médiuns não percebiam que ao tirarem os colares do pescoço, na verdade estavam imantando-os com as vibrações elementais e divinas existentes nos pontos de forças da natureza. Agora você já sabe que o seu colar de cristais, porcelana, sementes, dentes e etc. não é só um adereço de enfeite ou identificador dos seus Orixás ou de seus Guias espirituais, mas que se corretamente consagrado é um espaço mágico circular. E que se for confeccionado com elementos colhidos na natureza, é mais poderoso que os feitos com elementos artificiais ou industrializados.

Pai Rubens Saraceni

Ação Mágica e Ação Religiosa

Temos observado uma certa dificuldade tanto em médiuns, quanto em magos sobre a diferença existente entre ação mágica e ação religiosa. Para esclarecer de uma vez por todas essas dúvidas serei bem didático, porque a partir deste, creio que muitas outras dúvidas serão sanadas. Comecemos por esses pontos:

Ação ou ato religioso, é aquele onde o poder divino flui, e manifesta-se de dentro para fora das pessoas necessitadas de auxilio e amparo.

Ação ou ato mágico, é aquele onde o poder divino flui de fora para dentro das pessoas necessitadas de auxílio e amparo.

Existe uma terceira ação que é mista ou de dupla ação, e tanto age de dentro para fora quanto de fora para dentro da pessoa necessitada de auxílio e amparo, e é denominada ação mágica-religiosa.

Outro ponto que deve ser esclarecido, e que se refere ao duplo aspecto de que tudo o que existe, e que são os seus lados interno e externo. Esse duplo aspecto começa em Deus e alcança até a matéria. Então vejamos:

Deus possui em Si um lado ou aspecto interno inerente à Sua própria natureza divina que é impenetrável e incognoscível para nós os espíritos, uma vez que somos criação Dele, que é o nosso Divino Criador.

Sabemos que somos espíritos criados por Ele, mas não sabemos como essa geração acontece "dentro" dele, pois isso e tudo mais que existe é gerado dentro desse Seu lado interno, impenetrável, indevassável e sequer imaginável por nós de como tudo acontece. Mas Deus possui Seu lado ou aspecto externo, lado esse que pode ser pesquisado, identificado, estudado e apreendido por nós, os espíritos criados por Ele.

Observando e estudando o lado externo de Deus, descobrimos Suas ações ou atos criadores na origem de tudo. Foi essa possibilidade de observar e estudar os aspectos ou o lado externo de Deus, que levou a humanidade a descobrir a existência das Divindades, e de um plano ou dimensão divina da Criação, habitado só por seres divinos, plano esse que nos é inacessível porque somos espíritos e vivemos no plano espiritual da Criação.

À partir da constatação da existência dos dois "lados" da Criação, um interno e outro externo, e da existência desse duplo aspecto em tudo o que Deus criou, podemos comentar as diferenças entre ações mágicas e religiosas.

O fato é que toda a ação religiosa se realiza de "dentro para fora". Explicando melhor, toda ação religiosa realiza-se através do lado interno da Criação, e de tudo e de todos criados por Deus. E toda ação mágica realiza-se através do lado externo da Criação e de tudo e todos criados por Deus. Com isso entendido falta diferenciar as ações propriamente ditas, para reconhecer qual é uma e qual é outra. Vamos a alguns exemplos de ações mágicas e religiosas:

Uma pessoa vai a um Centro de Umbanda e ao consultar-se com um Guia espiritual; este, após ouvir com atenção os problemas ou pedidos de ajuda dela, recomenda-lhe que vá até um dos pontos de força da natureza e faça uma oferenda para determinado Orixá, pois só assim será auxiliado. Essa é uma ação mágica, porque a ajuda virá através da oferenda feita na natureza, à qual o Orixá invocado ativará e desencadeará uma ou varias ações "de fora para dentro" da pessoa.

Uma pessoa vai a um Centro de Umbanda, e o Guia consultado recomenda-lhe que comece a acender velas de determinada cor para um Orixá, e depois se colocar em concentração por determinado tempo. Essa ação é religiosa, porque durante a concentração o Orixá firmado atuará por "dentro" da criação, e por "dentro" da pessoa, trabalhando o lado interno dela, desequilibrado devido alguma ação mágica negativa que a desarmonizou internamente, ou devido seus próprios sentimentos que negativaram-na, em um ou em alguns sentidos. Temos aí as duas ações onde a pessoa fez duas coisas parecidas, mas ao ir à natureza e fazer uma oferenda para determinado Orixá, a pessoa ativou no ponto de forças dele um "campo" mágico a partir do qual será ajudada por ele. Essa ação vem de fora (da natureza) para dentro da pessoa (sua vida), auxiliando-a através do seu lado externo.

No exemplo da vela acesa consagrada para o mesmo Orixá dentro de sua casa e mantendo-se em concentração, recolhimento e isolamento, essa é uma ação religiosa porque o Orixá invocado tanto atuará pelo lado de dentro da criação em beneficio da pessoa, quanto atuará a partir de seu íntimo (o seu lado de dentro), pois só assim reequilibrará seus sentidos desequilibrados e somente a partir do seu recolhimento, concentração e isolamento momentâneo, poderá rearmonizar suas faculdades mentais e seu magnetismo, recalibrando seu campo magnético, reenergizando e fortalecendo seus campos vibratórios, facilmente trabalhados de dentro para fora, mas de difícil recalibragem quando a ação é de fora para dentro, já que a maioria desses desequilíbrios é interna.

Existe uma grande dificuldade em diferenciar uma ação mágica de uma religiosa, mas sempre é possível perceber as diferenças. Vamos a mais dois exemplos:

Uma pessoa vai a um Centro, e o Guia espiritual recomenda-lhe que tome um banho de descarrego feito com folhas de ervas ou com flores e etc. Essa é uma ação mágica, porque o "banho" irá remover suas sobrecargas energéticas com uma ação de fora (o banho) para dentro (o espírito da pessoa).

Uma pessoa vai a um Centro, e o Guia recomenda-lhe que faça um "amaci" na força de determinado Orixá. No dia acertado, e após certo resguardo alimentar e comportamental a pessoa volta ao Centro, e o dirigente dele, ou um médium graduado aplica-lhe o amaci e manda que se recolha em sua casa e só retire-o da "coroa" no dia seguinte. Essa ação é religiosa porque o amaci aplicado em seu chacra coronal ou no seu ori, irá inundar seu lado interno com uma energia elemental consagrada, imantada e vibracionada pelo Orixá invocado, que a manipulará através do lado de dentro da pessoa necessitada desse tipo de auxilio interno ou religioso. Um banho de ervas é um ato mágico. Um amaci de ervas é um ato religioso. Um atua de fora para dentro e outro atua de dentro para fora.

Vamos a mais um exemplo:

Uma pessoa vai a um Centro para receber um passe, ou seja, uma ação do Guia Espiritual para ela. O Guia vê o problema da pessoa e manda anotar o nome desta em um pedaço papel, ou sua fotografia, e "cruza-a" colocando-a em seu ponto riscado, ou sob os pés de uma imagem "entronizada" no altar do Centro, desencadeando na vida da pessoa uma ação de dentro para fora, pois tanto o seu ponto riscado está ativado dentro do campo religioso do Orixá sustentador do Centro, quanto todo o altar é um portal para o lado divino da Criação. Nos dois casos (o ponto riscado do Guia e o altar) toda a ação ainda que pareça mágica, no entanto é religiosa, porque o auxilio virá diretamente do "lado de dentro" da Criação, e através do Orixá sustentador do Centro. No primeiro exemplo a pessoa recebe com o passe uma ação mágica (será descarregada e trabalhada) por fora. No segundo exemplo a pessoa será auxiliada por dentro e será trabalhada internamente, pois o passe ou o descarrego não alcança o seu lado de dentro, mas sim, realiza-se em seu espírito e em seus campos vibratórios. Somente pelos exemplos que demos já se tem uma idéia de como é complexo o campo religioso e o magístico.

Saibam que a Umbanda serve-se dos dois tipos de ação para auxiliar as pessoas que freqüentam, assim como aos seus médiuns, que também são auxiliados se seguirem à risca as orientações dos seus Guias espirituais, que ora manda-os acender em casa ou uma vela para um determinado Orixá ou Anjo da Guarda, e ora manda acende-la na natureza; ou que tome um banho de ervas e etc.

Por isso muitos a classificam como uma religião mágica, pois nela estão bem ostensivos os dois lados da Criação, e os dois lados de uma mesma coisa, sendo que um lado é o religioso ou interno e o outro lado é o magistico ou externo.

Esperamos ter fundamentado essas práticas de Umbanda, tanto as internas quanto as externas.

Pai Rubens Saraceni.

As Oferendas

A ordenação religiosa da Umbanda Sagrada segue sua ritualística própria toda ela fundamentada em rituais estabelecidos no decorrer do tempo pelos seus sacerdotes e pelos Orixás. Pelos Orixás porque existe uma forma correta de dirigirmo-nos a eles, e ela tem de ser obedecida já que somos seus beneficiários. Ao contrário de muitos que crêem que eles é que serão beneficiados por nós.

Se oferendamos uma divindade, nada mais estamos fazendo que prestar-lhe um sacrifício, uma oblação ou uma reverência sem a qual ela continua intacta imaculada e sendo o que nunca deixará de ser, uma divindade. Quanto a nós, com ou sem a realização de oferendas continuamos a ser o que somos e sempre seremos; beneficiários das divindades de Deus, individualizadas nos seus mistérios vivos; os sagrados Orixás. Ao oferendá-Ios só estamos cumprindo com nossos deveres religiosos e estamos dando demonstração do nosso apreço, amor, respeito e fé nas divindades que se oferendaram e se sacrificaram por nós ao assumirem o compromisso divino de zelarem por nós seus filhos amados.

As oferendas devem revestir-se de um caráter sóbrio e, o ofertador deve portar-se de modo condizente com o ato que realiza ou seja deve revestir-se com sua fé e uma postura religiosa diante de sua divindade. Toda oferenda tem de ser realizada com sobriedade, respeito, reverência, fé e religiosidade senão não passará de um ato profano e profanador do santuário natural da divindade ofertada que é seu ponto de forças localizado na natureza terrestre. Posturas inconseqüentes e pensamentos dispersivos, conversas profanas, desleixo e falta de sobriedade não são aceitos como procedimentos religiosos diante dos sagrados Orixás, e quem assim se mostrar a eles está mostrando-se indigno do amor que emanam por nós e para nós seus filhos amados.

A riqueza de uma oferenda não está na quantidade de elementos ofertados mas na intensidade com que vibrarmos nosso amor, respeito e fé pela divindade oferendada em seu santuário natural, já que os elementos materiais são o que são; recursos materiais usados num ritual religioso e que variam conforme os objetivos das oferendas, ou conforme as divindades oferendadas. Portanto para a realização de uma oferenda devemos ser objetivos, compenetrados e reverentes.

Pai Rubens Saraceni

O Sentido das Oferendas

As oferendas rituais são assunto controverso e no entanto todos só as fazem quando as suas dificuldades os assoberbam, enquanto que o mais correto seria fazê-las regularmente.

As oferendas, muito utilizadas nos cultos naturais (Umbanda e Candomblé) têm um sentido religioso e outro magístico. O sentido religioso é quando oferendamos nossas divindades reverenciando-as com amor, fé e respeito. O seu sentido magístico é quando oferendamos nossas divindades e clamamos para que nos auxiliem em nossas dificuldades profissionais, amorosas, familiares ou espirituais. É certo que quando oferendamos nossas divindades e Guias espirituais apenas como ato de reverência ainda assim costumamos pedir proteção. Mas não são ativados pelas nossas mentes os seus poderes magísticos que só o são, caso aí sim façamo-nas com esses objetivos.

Isso é assim porque a oferenda religiosa consiste em nos colocar em sintonia vibratória, mental e religiosa com nossas divindades. Já a oferenda magística consiste em ativar os poderes de determinadas divindades e colocá-los em ação visando a beneficiar-nos rapidamente, seja anulando atuações espirituais negativas, seja cortando demandas ou propiciando acontecimentos fortuitos. Também temos as oferendas de assentamentos de divindades, de Guias espirituais da direita e da esquerda. Essas oferendas têm outro sentido, pois consistem na obtenção permanente de poderes que não possuímos, mas que estarão à nossa disposição o tempo todo bastando-nos ir até o assentamento e direcionarmos seu poder segundo nossa necessidade.

A oferenda ritual de assentamento é a concessão de poderes e, quem os concede (as divindades ou Guias espirituais) espera que nos portemos com dignidade, discrição e responsabilidade, tanto com os poderes quanto para com quem os concedeu. O sentido da troca (obediência, discrição e responsabilidade com os doadores do poder) está implícito na própria oferenda e na necessidade de renová-la periodicamente no ponto de forças das divindades, assim como na de alimentar o assentamento e de limpá-lo, depurá-lo e mantê-lo iluminado e isolado dos curiosos, ou profanadores do seu axé ou poder magístico ativável mentalmente por quem o recebeu, e tem o dever de cuidar bem dele.

Oferendar ritualmente propicia um auxílio efetivo. Realizar oferendas de assentamentos implica deveres a serem cumpridos religiosamente.

Pai Rubens Saraceni

O Sacerdote de Umbanda

O Sacerdote de Umbanda e o Sacerdócio Umbandista

Observando a forma como surgem os Centros de Umbanda e conversando com muitas pessoas que dirigem seus Centros, cheguei a algumas conclusões aqui expostas e, espero que não despertem reações negativas, mas sim, levem todos à reflexão. Só isto é o que desejo, e nada mais.

Todos os dirigentes com os quais conversei foram unânimes em vários pontos:

a) foram solicitados pelos seus Guias espirituais para que abrissem suas casas.
b) todos relutaram em assumir responsabilidade tão grande.
c) todos, de início se sentiam inseguros e não se achavam preparados para tanto.
d) todos só assumiram missão tão espinhosa após seus Guias afiançarem-lhes que tinham essa missão e que teriam todo o apoio do astral para levá-la adiante e ajudarem muitas pessoas.
e) todos sentiam então que lhes faltava uma preparação adequada para poderem fazer um bom trabalho como dirigente espiritual.
f) todos confiavam nos seus Guias espirituais e no magnífico trabalho que eles realizavam em benefício das pessoas.
g) todos, sem exceção, só levaram adiante tal missão porque acreditaram nos seus Guias.
h) todos se sentem gratos aos seus Guias por tê-los instruído quando pouco ou quase nada sabiam sobre tantas coisas que compõem o exercício da mediunidade e sobre sua missão de dirigir uma Tenda de Umbanda.
i) mas todos ainda acham que há algo a ser aprendido e acrescentado ao seu trabalho, mesmo já tendo muitos anos de atividade como dirigente e de já haver formado médiuns que hoje também já montaram e dirigem suas próprias casas.
j) e todos acreditam que sempre é tempo de aprenderem um pouco mais e não têm vergonha de ouvir o que outros dirigentes têm a dizer.

Com essas observações acima, já temos um retrato fiel dos dirigentes umbandistas, e posso afirmar com convicção algumas conclusões a que cheguei:
a) na Umbanda o sacerdócio é uma missão.
b) o sacerdote de Umbanda (a pessoa que deve dirigir um Centro e comandar os trabalhos espirituais) não é feito por ninguém; ele já traz desde seu nascimento essa missão.
c) o sacerdote de Umbanda invariavelmente é escolhido pela espiritualidade.
d) só consegue dirigir uma tenda quem traz essa missão, pois esta também é dos Guias espirituais.
e) mesmo não se sentindo preparado para tão digno trabalho, no entanto, a maioria crê nos seus Guias e leva adiante sua incumbência.
f) mesmo não sabendo muito sobre como dirigir uma tenda, os Guias suprem essa nossa deficiência e vão nos ensinando coisas muito práticas que, com o passar dos anos, se tornam um riquíssimo aprendizado.
g) todos gostariam de se preparar melhor para o exercício sacerdotal, ainda que já sejam ótimos dirigentes espirituais.
h) todos lêem muito sobre a Umbanda e procuram nas leituras informações que os auxiliem no seu sacerdócio.
i) muitos fazem vários cursos holísticos para expandirem seus horizontes e a compreensão do que lhe foi reservado pela espiritualidade.
j) todos gostariam de ter alguém (uma escola, uma federação, uma pessoa) que pudesse responder certas dúvidas que vão surgindo no decorrer do exercício da sua missão.

O que deduzi é que ninguém faz um dirigente espiritual porque só o é ou só o será, quem receber essa missão dos seus guias espirituais. Mas se assim é na Umbanda, no entanto o exercício do sacerdócio pode ser organizado, graduado e direcionado por uma “escola”, e isto facilita muito porque traz confiança e orientações fundamentais ao dirigente espiritual.

Deveríamos ter na Umbanda mais escolas preparatórias tradicionais que auxiliassem as pessoas que trazem essa missão, tornando mais fácil as coisas para elas. E lamentavelmente, além de só termos alguns cursos voltados para esse campo, ainda assim quem ousou ministrá-los é injustamente acusado de charlatão, embusteiro, aproveitador e outros termos pejorativos.

Eu mesmo, porque fundei um “Colégio” sob orientação espiritual, e porque psicografei algumas dezenas de livros de Umbanda (muitos ainda não publicados), já sofri todo tipo de discriminação, de calúnia, de ofensas e de acusações que espero que cessem, pois os umbandistas acabarão por entender que todas as religiões têm escolas preparatórias dos seus sacerdotes.

Somente assim, com todos aprendendo as mesmas diretrizes e doutrina umbandista, a nossa religião conseguirá organizar-se e expurgar do seu meio os espertalhões que têm feito coisas condenáveis, e cujos atos têm refletido negativamente sobre o trabalho sério de todos os verdadeiros umbandistas.

Pai Rubens Saraceni.

Sacerdócio Umbandista

Observando de forma neutra e isenta um dos mais polêmicos assuntos internos da nossa religião, senti-me no dever de escrever sobre exercício do sacerdócio umbandista e dúvidas que surgem e desaparecem periodicamente nas discussões em “fóruns” de Umbanda.

Coloco aqui o que considero como verdades, mentiras e confusões.

Vamos às verdades:
1º É verdadeiro o fato de que acontece na vida de médiuns umbandistas, alguns já com muitos anos de prática e, outros ainda com poucos anos de prática, um chamamento dos seus Guias espirituais para que se afastem do Centro de Umbanda que freqüentam e que comecem, onde lhes for possível, um trabalho individual e só seu, abrindo o seu próprio Centro.
2º É verdadeiro o fato de que uma boa parte dos médiuns que recebem esse chamamento já foram bem preparados; estão com suas obrigações em dia para iniciarem suas missões como sacerdotes.
3º É verdadeiro o fato de que muitos dos que recebem o chamamento não só não estão com suas obrigações em dia, como não se sentem seguros para assumirem tão grande responsabilidade e, adiam o quanto podem este chamamento.
4º É verdadeiro o fato de que todos os médiuns que recebem o chamamento começam a buscar informações de várias fontes, sobre como colocar em prática um pedido legítimo dos seus Guias, pois mesmo que o médium não se sinta preparado para o exercício do sacerdócio umbandista, no entanto eles tem o preparo e o poder de “abrirem” um Centro e os trabalhos que nele se realizarão.
5º É verdadeiro o fato de que só consegue abrir e sustentar aberto um Centro de Umbanda, o médium cujos Guias têm essa missão junto com ele e que ele, o médium prepare-se, ou seja preparado para exercer seu sacerdócio.
6º É verdadeiro o fato de que só prosperam com o tempo, os Centros cujos médiuns dirigentes tanto receberam quanto buscaram orientações com os “mais velhos” ou com quem “não tão velho” na religião, mas com um bom preparo, dignou-se a orientá-lo no seu inicio de tão nobre função religiosa.
7º É verdadeiro o fato de que existem várias interpretações sobre o “universo religioso” umbandista e existem várias formas de se fazer obrigações, firmezas, assentamentos, oferen­das, iniciações, batizados, casamentos, funerais e etc.
8º É verdadeiro o fato de que existem várias Federações, Asso­ciações, Ordens e Entidades umbandistas que, paralelamente ao serviço organizacional que prestam, também ministram cursos específicos sobre assuntos de interesse dos médiuns e dirigentes umbandistas, sendo que alguns desses cursos realizam-se em um só dia; outros duram algumas semanas; outros duram alguns meses e outros duram alguns anos.
9º É verdadeiro o fato de que cada Entidade (federações, associações, colégios, escolas, ordens iniciáticas e etc), têm sua própria nomenclatura para nomear o sacerdote umbandista, sendo que uma o nomeia como “Cacique”; outra como “Comandante”, outra como “Babalorixá’ ou” Ialorixá “; outra como” Dirigente Espiritual “; outra como” Zelador ou Zeladora de Santo “; outra como” Mestre “; outra como” Pai ou Mãe no Santo “; outra como” Padrinho ou Madrinha “ e etc”.
10º É verdadeiro o fato de que uma boa parte dos novos dirigentes umbandistas começa sua missão sob a orientação de um “mais velho” ou uma “entidade umbandista” e mais adiante troca-a por outro(a) “mais velho(a)” ou outra entidade umbandista que lhe pareça mais em acordo com suas necessidades.
Até aqui citei dez fatos verdadeiros que tenho observado sobre o sacerdócio umbandista.

Comentários acerca das dez verdades relatadas:
1ª - De fato, quando o chamamento chega a um médium, ou ele começa a sua missão, ou sua vida começa a sofrer complicações inexplicáveis que, mais ou menos dia acabam afastando-o do Centro que freqüenta ou obrigam-no a se afastar dele.
- Além do mais, só uma minoria recebe de fato, todo o apoio do seu Pai ou de sua Mãe espiritual na realização de sua missão sacerdotal.
2ª - Cada centro de Umbanda tem sua forma de preparar seus médiuns através de amacis, obrigações, firmezas de Orixás e de Guias espirituais.
- Todos procedem dentro de um modelo preparatório geral, sendo que as particularidades provêm da própria linha de forças espirituais de cada dirigente.
- Essa preparação é feita lentamente e em alguns casos o médium afasta-se e ainda não fez todas as suas obrigações e iniciações e não se sente apto ou habilitado a faze-las pelos novos médiuns, que dele se aproximam e solicitam-lhe que os auxilie.
3ª - Há inúmeros casos de médiuns com a missão sacerdotal que (não importa o porquê) não se adaptam a nenhum Centro e, passam por vários antes de ouvir o chamamento. E quando este chega, sentem-se inseguros, confusos e temerosos de assumirem uma missão para a qual não tiveram tempo de se prepararem ou não se prepararam, ou não foram preparados adequadamente do início ao fim na linha de procedimentos de um Centro, à qual reproduziria no geral e lhes enxertariam as particularidades da suas linhas de força espirituais e, daí em diante as retransmitiriam aos seus filhos espirituais.
4ª - É um fato, que o médium tenha ele muitos ou poucos anos de prática mediúnica, quando lhe chega o chamamento, sente-se inseguro e sente a necessidade de que alguém mais experiente o oriente sobre o que fazer e como fazer o que terá de fazer, ainda que seus Guias sejam “fontes” e muito bem preparados para darem sustentação ao novo Centro de Umbanda.
5ª - Só se abre e sustenta um Centro de Umbanda quem tem a missão de abrir um e, quem está preparado para realiza-la, pois se não estiver não adianta ter “Guias fortes” porque só será um “médium forte” e não será um sacerdote bem preparado e apto a preparar corretamente seus filhos espirituais.
6ª - É uma verdade inquestionável que só pode dar algo, quem recebeu. Que só pode dar algo quem recebeu esse algo de alguém, pois quem nada recebeu nada tem para dar, ou dará o que achar que deve ser dado, e não o que é preciso. No caso, refiro-me ao preparo e às orientações.
7ª - A Umbanda é uma religião, mas sua interpretação muda em um amplo espectro formador dela, que vai desde uma origem espírita-cristã até uma origem africana miscigenada à pajelança indígena.
Mas essa pluralidade interpretativa não deve confundir ninguém porque, lamentavelmente confundem a religião Umbanda com as linhas de força espirituais dos seus intérpretes. Fato esse que levam muitos a crerem que existem várias Umbandas.
8ª - As federações e entidades representativas da Umbanda realizam há várias Décadas um indispensável trabalho organizador dos muitos templos umbandistas, sendo que cada uma delas foi criada por grupos de dirigentes umbandistas, todos eles(as) com vastíssimo trabalho já realizado em prol da Umbanda.
- Lendo o histórico dos seus fundadores vemos a historia da Umbanda, sendo que cada um deles foi ou ainda é uma pessoa carismática e grande arregimentador de seguidores, aos quais dão orientações sobre como organizar e fazer funcionar seus Centros.
- E todas as que conheço respondem às necessidades dos seus associados e dos umbandistas em geral, promovendo “workshops”, palestras, cursos de curta duração sobre batismo, casamento, funeral, oferendas e etc., que são assistidos e colocados em prática pelos seus freqüentadores.
- Algumas entidades umbandistas promovem cursos de longa duração sobre a Teologia, a Doutrina, os rituais, a preparação sacerdotal, as iniciações e etc, que duram de um a três anos (em média), para seus associados e quem mais quiser faze-los, desde que sejam umbandistas, trabalho esse que considero imprescindível para a vitalidade e fluidez do conhecimento umbandista.
9ª - Cada federação e entidade umbandista, devido à linha de forças espirituais dos seus dirigentes têm sua nomenclatura para as várias etapas da vida dos médiuns, sendo que existem vários nomes para as mesmas etapas ou graus adquiridos.
Isso é comum à Umbanda e não deve surpreender ninguém, pois, mesmo que a nomenclatura seja muita bem elaborada for algumas, todas estão dizendo a mesma coisa que, resumidamente é essa:
- Médium iniciante ou em desenvolvimento.
- Médium auxiliar dos Guias e médiuns de trabalho.
- Médium de trabalhos espirituais ou já desenvolvidos.
- Médium dirigente auxiliar (Pai ou Mãe pequeno).
- Médium dirigente de Centro de Umbanda.
10ª - A “mudança” dentro da Umbanda é muito grande devido à própria natureza da religião, formada à partir de “correntes espirituais”.
Se por um lado parece ruim, por outro lado tem servido para uma renovação da vida espiritual e do trabalho mediúnico desenvolvido pelos umbandistas.

Pai Rubens Saraceni

O Sacerdócio de Umbanda Sagrada

Toda religião tem os seus rituais os quais somente seus sacerdotes podem oficializá-los. E com a Umbanda não é diferente, pois ela tem nos seus Babalorixás e lalorixás seus sacerdotes oficiais, aceitos pela espiritualidade e tidos como indispensáveis à sua manutenção e expansão doutrinária e religiosa.

A Umbanda forma seus sacerdotes no dia a dia e nas suas próprias práticas religiosas e magísticas, distinguindo-se nesse aspecto das outras religiões que antes de mais nada, exigem um certo tempo para só então oficializarem cultos.

Os quadros de sacerdotes de Umbanda Sagrada são formados exclusivamente por pessoas que são médiuns de incorporação, e que passaram por um aprendizado ritualístico, religioso e magístico bastante prático, pois desde o primeiro passo que é aceitar-se como médium até alcançar o grau de Babalorixá ou Ialorixá, vivenciou todos os aspectos de sua religião.

O Sacerdote atua na incorporação, no desenvolvimento de novos médiuns, em desobsessões, nas magias, realiza oferendas, atende consulentes e os auxilia na medida de suas faculdades mediúnicas e no merecimento de cada um, intervém juntos aos Orixás, junto à direita e junto à esquerda, sempre em favor dos que o procuram, assume parte dos carmas alheios até diluí-los, acolhe espíritos sofredores, aos quais doutrina e encaminha às moradas espirituais das faixas vibratórias luminosas, está em permanente choque com as hordas de espíritos rebelados contra a Lei Maior, realiza curas espirituais onde a medicina tradicional tem dificuldades, descarrega e cruza (benze) lares, casas comerciais e etc, recebe fraternalmente todos os que o procuram mesmo sabendo que muitos assim que ficarem bem, nunca mais o procurarão.

O sacerdócio de Umbanda Sagrada é riquíssimo em experiências religiosas, magísticas, ritualísticas e humanas. E porque é assim, todo o sacerdote de Umbanda se forma na prática e no dia a dia. Mas nem por isso é inferior aos sacerdotes de outras religiões, pois se esses têm toda uma dialética e teoria de como é sua religião, o sacerdote de Umbanda acumula um vasto conhecimento prático objetivo e funcional, que dispensa a conversão religiosa daqueles que o procuram e aos quais ajuda. Seu conhecimento prático é fundamentado no seu dom mediúnico e nas suas faculdades religiosas e magísticas, dispensando a filosofia, a dialética e a teoria religiosa, pois para ele tudo se resume nisso: se sou médium e sou assistido por meus Guias espirituais, então posso ajudar meus semelhantes na solução de seus problemas de ordem material ou espiritual, e isso me basta. Tem sido assim neste primeiro século de existência da Umbanda e, essa formação prática tem sido fundamental para sua manutenção e expansão.

Vemos babalorixás e ialorixás que ao par dessa formação prática também se dedicam ao estudo teológico e procuram instruir teoricamente seus médiuns auxiliares, formando um corpo mediúnico bem instruído sobre sua religião, seus rituais e suas práticas. Isso é positivo e deve ser estimulado pois uma religião só se perpetua, ao criar um quadro de sacerdotes muito bem instruídos que possam disseminá-la mediante o ensino teológico e doutrinário. Afinal a religiosidade dos fiéis da Umbanda não deve fundamentar-se só nas suas práticas magísticas ou espirituais. Portanto é dever de todo babalorixá e ialorixá ter um contínuo aprendizado e um contínuo aperfeiçoamento em suas práticas e rituais, adaptando-os ao tempo em que vivemos ao qual devemos estar integrados, pois só assim acompanharemos a evolução da humanidade.

O sacerdote de Umbanda tem seus preceitos aos quais segue religiosamente, e tem toda liberdade quanto à sua vida civil dissociada de seu grau religioso, mas não de sua religiosidade, pois onde estiver lá estará um templo vivo pronto para deixar fluir seu dom e suas faculdades mediúnicas.

Ao sacerdote de Umbanda não é permitida uma conduta contrária aos seus valores religiosos ou às leis vigentes que regulam a sociedade civil, pois ele não é um privilegiado nesse aspecto.

Pai Rubens Saraceni

A Formação Teológica do Sacerdote

Todo o sacerdote precisa receber uma preparação muito boa, para que possa exercer com sabedoria todas as múltiplas funções que este cargo religioso exige. É certo que todas as religiões em seu início, não tenham toda uma Teologia à disposição daqueles que aderem a elas e assumem posições de destaque, comando ou liderança sacerdotal.

Com a religião umbandista não seria diferente, pois além de nova, ainda está na sua fase de implantação. Fase esta que ainda é experimental, mas que permitirá que uma linha de pensamento se delineie naturalmente, e torne-se predominantemente em sua Doutrina religiosa. Mas esse experimentalismo não desobriga o sacerdote umbandista de uma boa formação, com a qual poderá exercer suas funções e discutir sua religião com sabedoria e com conhecimentos fundamentais acerca do seu universo religioso.

Sabemos que a Umbanda é uma religião espírita na qual a voz de comando e a última palavra é dada pelos mentores espirituais, e pelos Guias chefes dos médiuns. Fato este que tem sido de grande valia para a manutenção dos seus templos, e para que as sessões ocorram de forma ordenada. Mas, é imperioso que todo o sacerdote umbandista desenvolva uma consciência voltada para aprendizado permanente. Fato este que beneficiará a religião como um todo, pois permitirá um aprimoramento ritualístico e uma renovação dos conceitos subtraídos de fontes religiosas não Umbandistas, mas incorporadas para suprir as lacunas conceituais, filosóficas e teológicas ainda existentes. Com algumas até gritantes, porque o descaso com a formação teológica dos seus sacerdotes tem vulnerabilizado até práticas comezinhas, tais como: batismo, matrimônio, e funerais, durante os quais uma boa parte dos umbandistas ainda recorrem a sacerdotes de outras religiões.

Sabemos que toda religião em seu início, ainda é difusa e padece de ritos unânimes entre seus adeptos. Fato este que faz com que em certos casos ou situações, seus seguidores recorram aos sacerdotes de suas antigas religiões, ou com alguma outra a qual tenha identificação e tenha parentes ou amigos dentro dela. Por isso é imperioso que envidemos todos os esforços necessários, para num curto espaço de tempo suprirmos as lacunas ainda existentes dentro da nossa religião.

Conceitos filosóficos, teológicos e doutrinários mais profundos, somente surgirão com o amadurecimento da própria religião. Mas isso não significa que devamos ficar de braços cruzados, e a espera de que alguém venha com tudo pronto, porque isso não acontecerá.

Somente quando todos os Umbandistas desenvolverem uma consciência religiosa verdadeiramente de Umbanda, e totalmente calcada em conceitos próprios, é que um pensamento filosófico, teológico e doutrinário muito bem delineado surgirá, e se imporá em todas as correntes mediúnicas que formam essa maravilhosa religião espírita fundamentada na existência de um Deus único, e na sua manifestação através de suas divindades (os Sagrados Orixás ou Tronos de Deus).

Devemos incorporar conceitos cujos valores sejam universais, e estejam presentes na vida e no dia a dia dos Umbandistas. Assim como, devemos refutar conceitos parcialistas ou dogmáticos que tolham o aperfeiçoamento de nossas práticas e sobrecarreguem a vida, e o dia a dia dos umbandistas, afastando-os dos templos ou impedindo-os de manifestarem livremente sua religiosidade e suas preferências conceituais.

Saibam que os conceitos universais sempre foram incorporados pelas religiões nascentes, que recorrem a ele até que elas mesmas desenvolvam seus conceitos religiosos universalizadores de suas doutrinas, ritos e práticas.

Pai Rubens Saraceni

Aos Umbandistas Anônimos

Irmãs e irmãos umbandistas somente conhecidos pelos que os procuraram, ou os procuram nos momentos de aflição; seu anonimato é relativo, porque para o nosso Divino Criador Olorum e para os Sagrados Orixás , vocês são tão importantes quanto os mais famosos dos umbandistas.

Quantas dificuldades você não passou e teve que conviver, enquanto deixava de lado seus problemas, sua família, o seu descanso, somente para minorar o sofrimento daqueles que o procuravam aflitos, mas esperançosos de que em você e em seus Guias Espirituais encontrariam o lenitivo para seus sofrimentos?

Quantas vezes você não deixou seus afazeres pessoais e profissionais somente para ir até o lar de alguém para auxiliá-lo, confortá-lo, e ajudá-lo a levantar-se e prosseguir com sua vida, já melhor e mais confiante porque confiava em você e em seus Guias Espirituais?

Saiba que você nunca foi um anônimo, pois tanto Deus quanto Sagrados Orixás o conheciam, e o conhecem muito bem, e por isso recorreram a você, para que com sua dedicação, amor e fé Neles, pudesse ajudar seus irmãos e irmãs encarnados necessitados do auxílio que os fortaleceria, e os ajudaria a prosseguir em suas jornadas evolutivas.

Irmãos e irmãs, se o seu nome, sua obra e missão não aparecem em livros de homenagens ou em jornais e revistas umbandistas, não se sinta melindrado ou esquecido, porque no luminoso Livro da Vida que está sendo escrito pela Umbanda, nele o seu nome está inscrito com letras luminosas, e na grande biblioteca divina há um só seu, que conta não só esta sua encarnação, mas sim traz toda a sua história e biografia, relatando o seu nascimento em Deus, livro esse que só deixará de receber novas informações sobre você, quando te reintegrares ao teu Divino Criador Olorum.

Homenagem dos Guias Espirituais a todos os umbandistas, que silenciosamente vem construindo a cada dia, as páginas luminosas do maior dos livros da Umbanda: O dos umbandistas!

Pai Rubens Saraceni

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