Os Pontos de Força da Natureza

Existem locais cujas energias ou cujos magnetismos são mais puros e facilitam o contato com o outro lado da vida. Esses locais são chamados de pontos de força ou santuários naturais por que é neles que devemos realizar cerimônias abertas nas quais cultuamos, evocamos e entramos em contato mediúnico com nossos Guias espirituais e nossos amados Pais e Mães Orixás.

A beira-mar é um ponto de força natural e é tido como o altar aberto a todos pela nossa Mãe Iemanjá. As cachoeiras são pontos de força e santuários naturais de nossa Mãe Oxum. As matas são pontos de força e santuários naturais do nosso pai Oxóssi. As pedreiras são pontos de força e santuários naturais do nosso Pai Xangô e das nossas Mães Iansã e Egunitá.

Os cemitérios são pontos de força e santuários naturais dos nossos Pais Omolu e Obaluaê. O campo aberto é o santuário natural das divindades regidas pelo tempo entre as quais estão nosso Pai Oxalá, nossa Mãe Oiá e nosso Pai Oxumaré.

Os caminhos são os pontos de forças do nosso pai Ogum. Os lagos são os pontos de forças e santuários naturais de nossa Mãe Nanã Buruquê. As matas e bosques à beira dos lagos e rios são os pontos de força e os santuários naturais da nossa mãe Obá.

Os jardins a beira-mar e as cachoeiras são os pontos de força dos Erês ou encantados da natureza. As encruzilhadas são os pontos de força dos nossos irmãos Exus de Lei de Umbanda.

Enfim, muitos são os pontos de força naturais existentes à nossa disposição para cultuarmos, oferendarmos e evocarmos nossos Guias e nossos Pais e Mães Orixás.

Pai Rubens Saraceni

Os Santuários Naturais

O culto aos Orixás sempre que possível deve ser realizado nos seus pontos de força ou santuários naturais, porque nesses locais a energia ambiente é mais afim com a deles, e os magnetismos ali existentes diluem possíveis condensações energéticas existentes no campo vibratório das pessoas.

Em nosso dia a dia vamos acumulando em nosso espírito certas energias que são prejudiciais ao bom funcionamento do nosso corpo etérico ou energético, e às vezes nem nos damos conta disso e acabamos nos tomando pesados, apáticos, desinteressados ou sofremos distúrbios digestivos, metabólicos e hormonais, pois os nossos chacras têm a função de absorver energias refinadíssimas e positivas com as quais nosso corpo energético alimenta o nosso corpo físico ou carnal.

O corpo carnal em equilíbrio energético, magnético e vibratório, tem a função de alimentar nosso corpo energético mantendo saudável o nosso espírito. Há uma troca permanente entre nossos corpos carnal e espiritual, e se um estiver debilitado ou com disfunções acentuadas elas se refletem no outro adoecendo-o e debilitando-o.

Quando os Guias espirituais recomendam banhos de ervas estão limpando o espírito por intermédio do corpo carnal. Quando recomendam banhos de cachoeira é por que o magnetismo e a energia ali existentes desagregam energias negativas enfermiças acumuladas no espírito e já internalizadas nos órgãos etéricos do espírito. Quando recomendam banhos de mar é porque a energia salina ali existente cura enfermidades existentes no espírito das pessoas. Também a água do mar queima larvas astrais resistentes a outros tipos de banhos (ervas, sementes, raízes e etc.). Os santuários naturais não são uma invenção humana, mas sim, todos somos beneficiados pelas energias e pelo magnetismo existente neles. E se recomendamos a realização periódica de cultos religiosos neles é por que nesses momentos as energias e o magnetismo específico deles, ficam saturados com os das divindades ali evocadas e somos beneficiados de forma sensível, pois os absorvemos junto com as energias geradas naturalmente nesses locais altamente magnéticos.

As religiões naturais por serem muito antigas não dispunham dos nossos conhecimentos atuais. Mas as divindades que se manifestam nos seus santuários naturais sempre souberam tudo o que hoje já sabemos e do que nunca saberemos. Logo se um banho de mar, de cachoeira ou de ervas é bom, se envocarmos a divindade associada a estes locais ou aos seus elementos então ele será ótimo.

Um culto realizado ao redor de uma fogueira, queima miasmas ou larvas astrais e energiza positivamente o espírito das pessoas alcançadas por suas ondas quentes. Um culto realizado à beira da água (cachoeira, rio, lagoa ou mar) limpa e sutiliza o corpo energético das pessoas e as magnetiza positivamente. Um culto realizado nas matas fecha aberturas na aura, sutiliza o magnetismo mental e purifica os órgãos etéricos do corpo energético (espírito) das pessoas expandindo seu campo áurico. Um culto realizado no tempo em campo aberto, dilata os sete campos magnéticos das pessoas e as tomam muito leves. Um culto realizado na terra arenosa densifica o magnetismo mental e concentra as energias das pessoas fortalecendo-as vibratoriamente.

Cada local tem sua divindade que tanto deve ser oferendada e adorada, como deve incorporar os espíritos associados a ela, pois são membros de suas hierarquias espirituais, todos voltados para nós e imbuídos dos melhores sentimentos para conosco os seus irmãos encarnados.

As divindades sempre souberam disso e sempre intuíram as pessoas sobre onde devem cultuá-las, pois assim imantando com suas irradiações vivas e divinas tanto os seus santuários quanto seus freqüentadores, mais vivas se tomam em nosso íntimo e em nossa fé.

Pai Rubens Saraceni

Os Templos

A Umbanda com cerca de um século de existência, é sincrética e absorveu conceitos, posturas e preceitos cristãos, indígenas e africanos, pois estas três culturas religiosas estão na sua base teológica e são visíveis ao bom observador.

O marco inicial da Umbanda foi a manifestação do senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Morais ocorrida no ano de hum mil e novecentos e oito, diferenciando-a do espiritismo e dos cultos de nação Candomblé de então.

A Umbanda tem suas raízes nas religiões indígenas, africanas e cristã, mas incorporou conhecimentos religiosos universais pertencentes a muitas outras religiões, é o sinônimo de prática religiosa e magística caritativa e não tem a cobrança pecuniária como uma de suas práticas usuais, porém é lícito o chamamento dos médiuns e das pessoas que freqüentam seus templos no sentido de contribuírem para a manutenção deles, ou para a realização de eventos de cunho religioso ou assistencial aos mais necessitados.

A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamento de orixás, e não tem nessa prática legítima e tradicional do Candomblé um dos seus recursos ofertatórios às divindades, pois recorre às oferendas de flores, frutos, alimentos e velas quando as reverencia. A Umbanda não aceita a tese defendida por alguns adeptos dos cultos de nação que diz que só com a catulagem de cabeça, e só com o sacrifício de animais é possível as feituras de cabeça (coroação do médium) e o assentamento dos orixás, pois para a Umbanda a fé é o mecanismo íntimo que ativa Deus, suas divindades e os guias espirituais em benefício dos médiuns e dos freqüentadores dos seus templos.

A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda e suas práticas ofertatórias isentas de sacrifícios de animais são uma reverência aos orixás e aos guias espirituais, recomendando-as aos seus fiéis, pois são mecanismos estimuladores do respeito e da união religiosa com as divindades e os espíritos da natureza ou que se servem dela para auxiliarem os encarnados.

A Umbanda não é uma seita e sim uma religião, ainda meio difusa devido à aceitação maciça de médiuns cujas formações religiosas se processaram em outras religiões e cujos usos e costumes vão sendo diluídos muito lentamente para não melindrar os conceitos e as posturas religiosas dos seus novos adeptos, adquiridos fora da Umbanda mas respeitados por ela.

A Umbanda não apressa o desenvolvimento doutrinário dos seus fiéis, pois tem no tempo e na espiritualidade dois ótimos recursos para conquistar o coração e a mente dos seus fiéis. A Umbanda tem na mediunidade de incorporação a sua maior fonte de adeptos, pois a mediunidade independe da crença religiosa das pessoas, e como a maioria das religiões condena os médiuns ou segrega-os, taxando-os de pessoas possessas ou desequilibradas, então a Umbanda não tem que se preocupar pois sempre será procurada pelas pessoas possuidoras de faculdades mediúnicas, principalmente a de incorporação.

A Umbanda tem de preparar muito bem os seus sacerdotes para que estes acolham em seus templos todas as pessoas possuidoras de faculdades mediúnicas e as auxiliem no desenvolvimento delas, preparando-as para que futuramente se tornem, também elas os seus futuros sacerdotes.

A Umbanda tem na mediunidade de incorporação o seu principal mecanismo de práticas religiosa, pois com seus médiuns bem preparados assiste seus fiéis, auxilia na resolução de problemas graves ou corriqueiros, todos tratados com a mesma preocupação e dedicação espiritual e sacerdotal. A Umbanda é uma religião espírita e espiritualista. Espírita por que está em parte fundamentada na manifestação dos espíritos guias, e espiritualista por que incorporou conceitos e práticas espiritualistas, tais como magias espirituais e religiosas, cultos aos ancestrais divinos, culto religioso aos espíritos superiores da natureza, culto aos ancestrais divinos, culto aos espíritos elevados ou ascencionados e que retornam como Guias chefes, para auxiliar a evolução das pessoas que freqüentam os templos de Umbanda.

A Umbanda por ser sincrética não alimenta em seu seio o segregacionismo religioso de nenhuma espécie, tendo as outras religiões como legítimas representantes de Deus, e vê todas como ótimas vias evolutivas criadas por Ele para acelerarem a evolução da humanidade.

A Umbanda não adota práticas agressivas de conversão religiosa, pois acha estes procedimentos uma violência consciencial contra as pessoas, preferindo somente auxiliar quem adentrar em seus templos. O tempo e o auxílio espiritual desinteressado ou livre de segundas intenções têm sido os maiores atrativos dos fiéis umbandistas.

A Umbanda crê que sacerdotes que exigem a conversão ou batismo obrigatório de quem os procura, pois só assim poderão ser auxiliados por eles e por Deus, com certeza são movidos por segundas intenções, e mais dia menos dia as colocarão para quem se converteu para serem auxiliados por eles; veja famosos pastores mercantilistas eletrônicos ou alguns supostos sarcedotes de cultos que vivem dos boris e dos ebós que recomendam incisivamente aos seus fiéis, tornando-os totalmente dependentes dessas práticas caso queiram algum auxílio espiritual ou religioso.

A Umbanda prega que os espíritos elevados (os seus espíritos guias) são dotados de faculdades e poderes superiores ao senso comum dos encarnados e tem neles um dos seus recursos religiosos e magísticos, recorrendo a eles em suas sessões de trabalho e tendo neles um dos seus fundamentos religiosos.

A Umbanda prega que as divindades de Deus (os Orixás) são seres divinos dotados de faculdades e poderes superiores aos dos espíritos e tem nelas um dos seus fundamentos religiosos, recomendando o culto a elas e a prática de oferendas como uma das formas de reverenciá-las, já que são indissociadas da natureza terrestre ou divina de tudo o que Deus criou. A Umbanda prega a existência de um Deus único e tem nessa sua crença o seu maior fundamento religioso.

Pai Rubens Saraceni

Os Espaços Religiosos

Comentaremos acerca dos espaços religiosos existentes dentro dos templos e que dão sustentação a todas as ações ali iniciadas.

Todo o templo tem seu espaço físico dentro do qual se acomodam as pessoas que o freqüentam e, as que moram e trabalham nele. Mas também tem o espaço etérico ou espiritual cuja finalidade é encapsular todos os pensamentos e todas as ações religiosas realizadas dentro do espaço físico pelos seus sacerdotes e pelos seus freqüentadores.

Toda religião possui seu grau vibratório e magnetismo específico, dentro dos quais estão localizados todos os graus vibratórios e magnéticos individuais dos templos abertos pelos seus sacerdotes, cujo objetivo é impedir que as ações iniciadas em um templo ressonem nos outros da mesma religião, ou extrapolem e alcancem os templos de outras religiões criando um caos vibratório religioso.

Cada templo no seu lado etérico ou espiritual assemelha-se a uma célula viva que tanto se expande quanto se contrai, sempre em função de suas necessidades, pois assim conserva dentro de si tudo o que ali se iniciou. Esta expansão do espaço etérico acontece num grau vibratório e magnético específico do próprio templo e somente dentro do grau vibratório e magnético da religião à qual o templo pertence. Desse modo o espaço material fora dos templos não é influenciado pelas ações realizadas dentro deles por seus sacerdotes e, elas não influenciam a vida das pessoas que moram à volta ou nas proximidades, pois todos vivem dentro de um grau vibratório e magnético neutro e comum a todos nós.

Saibam que cada religião recebe de Deus um grau vibratório e magnético específico que se assemelha a uma tela vibratória, e dentro dele ressonarão todas as ações iniciadas dentro dos seus templos, pois esses etericamente estarão localizados justamente dentro desse grau vibratório e magnético específico.

Pai Rubens Saraceni

Os Altares

Toda religião tem seu altar, onde estão imagens, símbolos, ícones ou elementos indispensáveis à sua Liturgia. Por Liturgia entendam como o conjunto de recursos ou “artigos” indispensáveis às práticas religiosas. O fato é que os altares não existem só porque alguém inventou um e depois todos o copiaram, só modificando os elementos distribuídos neles. Porque nós bem sabemos que um altar tem como principal função a de criar todo um magnetismo de nível terra, através do qual as irradiações verticais das divindades descerão até ele, e a partir dele continuarão fluindo na horizontal, ocupando todo o espaço destinado às práticas religiosas que serão realizadas diante dele, e em nome das divindades cultuadas e nele assentadas.

Um altar é um ponto de forças religiosas e, se devidamente erigido e fundamentado, através dele as irradiações das divindades alcançarão todos os fiéis postados diante dele. Ao contemplarmos o altar de um templo de Umbanda Sagrada, vemos imagens de santos católicos, de divindades naturais, de anjos, arcanjos, caboclos, pretos velhos, crianças, sereias e etc.

Para um leigo no assunto, a miscelânea religiosa não tem uma explicação lógica, pois junta elementos de diferentes religiões num mesmo espaço religioso, quando o mais comum é as religiões banirem de seus templos todo e qualquer elemento estranho a ela ou pertencente a outras. Mas a Umbanda é uma síntese de todas as religiões, e todas reunidas num mesmo espaço religioso.Portanto nela estão presentes correntes de espíritos hindus, chineses, persas, árabes, judeus, budistas, dóricos, egípcios, maias, incas, astecas, tupi-guaranis, e cristãos.

Cada corrente espiritual se formou sob o manto luminoso da religião, à qual seus membros formaram sua crença no Deus único e nas suas divindades humanizadas, para melhor falarem dele aos seus filhos. Cada linha de trabalho do ritual de Umbanda Sagrada é regida por um Orixá intermediador, que também pode ser um espírito ascencionado e assentado nas hierarquias naturais pelos senhores Orixás intermediários, que os tem no grau de seus intermediadores para a dimensão humana da vida, que é onde os seres espiritualizados (nós) vivem e evoluem. Então os médiuns, todos com alguma formação cristã, colocam Jesus Cristo, um Oxalá intermediário humanizado, como o pontificador de seu altar, distribuindo mais abaixo as imagens dos santos sincretizados com os outros Orixás.

O sincretismo explica o uso de imagens cristãs, e o fato de que muitos espíritos que incorporam nos seus médiuns terem evoluído sob a irradiação do cristianismo as justifica. Assim como a imagem de “caboclos” índios ou soldados “romanos” (linha dórica) são explicadas como sinalizadoras de que ali baixam mentores espirituais cuja formação religiosa processou-se sob a irradiação de outras religiões. E o uso de cristais, minérios, flores, colares de pedras semipreciosas, armas simbólicas, símbolos mágicos e etc., explica que muitas linhas de forças intermediárias, intermediadoras ou espirituais ali estão representadas, ativadas e prontas para intervirem em benefício de quem for merecedor do auxílio dos espíritos ou dos Orixás.

Os fundamentos religiosos e mágicos de um altar, só mesmo quem o erigiu pode explicá-lo. Mas o fundamento divino que justifica a existência deles nos templos, é esta:

— “Todo altar é um local onde se nos postarmos reverentes diante dele, estaremos bem de frente e bem próximos de Deus e de suas divindades humanizadas”. Mas existem altares naturais que são locais altamente magnetizados ou são vórtices eletromagnéticos, cujo magnetismo e energia criam um santuário natural, que se o consagrarem às práticas religiosas, neles as pessoas entrarão em comunhão com as divindades naturais regentes da natureza.

Saibam que o culto junto a elementos da natureza, onde são tidos como potencializadores da fé das pessoas não é um privilégio do Candomblé ou da Umbanda, pois todas as religiões os tem. Vamos a alguns locais:

— Islamismo: culto à Caaba ou pedra fundamental da religião islâmica.
— Judaísmo: culto à Montanha Sagrada onde Moisés recebeu de Deus os Dez Mandamentos.
— Religião Grega: Monte Olimpo.
— Taoísmo: Montanhas Sagradas.
— Budismo: Montanhas Sagradas.
— Hinduísmo: Rio Ganges, e muitos outros pontos da natureza.
— Xintoísmo: Monte Fuji (Japão), montanha sagrada e símbolo religioso nacional do povo japonês.
— Naturalismo Inglês: Stonehenge, santuário natural construído por gigantescos monolitos, com datação de uns três mil anos antes de Cristo.
— Hunas: Havaí, Kilauea, o vulcão sagrado.
— Cristianismo: Monte das Oliveiras e a Colina do Gólgota.

Toda religião tem seus lugares sagrados ou santos. Umas vivem a criticar ou renegar as práticas das outras, mas algo superior conduz todas aos seus fundamentos “naturais” onde as pessoas associam locais com poderes supra-humanos e os tornam santuários ou altares a céu aberto, onde cultuam Deus e suas divindades. A Umbanda porque derivou dos cultos de Nação (Candomblé) e fundamenta-se nos sagrados Orixás, os quais (corretíssimo) regem os elementos e a própria natureza, com a qual são associados, não dispensa seus santuários naturais.

Assim, a montanha é o santuário natural de Xangô e uma pedra-mesa é um altar, onde o oferendam.

Os rios são o santuário de Oxum, e uma cachoeira é um seu altar, onde é oferendada.

O mar é o santuário de Yemanjá, e a praia é seu altar, onde é oferendada.

As matas são o santuário de Oxossi, e um bosque é o seu altar, onde é oferendado.

E com todos os outros Orixás o mesmo acontece, pois são os regentes naturais do nosso planeta e antes de surgir qualquer religião eles já o regiam, e sempre o regerão, assim como nos regerão pois somos seus filhos naturais.

Portanto antes de criarem os templos e seus altares, já reverenciavam as divindades e cultuavam o divino diante de seus altares naturais localizados em seus santuários, que é a própria natureza.

Pai Rubens Saraceni

As Imagens

As imagens sacras são tão antigas quanto as religiões, e têm o poder de impor um respeito único aos freqüentadores dos templos, onde são colocadas justamente com a finalidade de induzir as pessoas a uma postura respeitosa, silenciosa e reverente.

Saibam que na antigüidade mais remota as pessoas cultuavam os poderes do desconhecido mundo espiritual através da litolatria (culto das pedras tidas como sagradas), da fitolatria (culto à árvores tidas como sagradas), da hidrolatria (culto à rios ou lagos tidos como sagrados) e etc.

Uma divindade era identificada com um elemento da natureza, e através dele a cultuavam. Este hábito era comum a todos os povos espalhados pela terra, ainda na idade da pedra. E com o tempo também foi aparecendo o culto a algumas pessoas tidas como superiores. Só porque realizavam fenômenos mediúnicos ou prodígios magísticos, à volta delas criava-se toda uma mística que mais dia menos dia as divinizavam. Então eram “entronadas” como deuses. E seus seguidores, após sua morte abriam o culto a elas pois acreditavam que seriam amparados, dando início ao culto às figuras deles entalhadas em pedras ou troncos (totemismo).

Com o tempo as técnicas de entalhe foram sendo aperfeiçoadas e estátuas muito parecidas com os falecidos “incomuns”, começaram a ser feitas em série pelos artesãos de então, surgindo a antropolatria (culto a pessoas tidas como “deuses” ou divinizadas ainda em vida na carne). Vide Jesus Cristo, Buda, São Francisco e etc., que ainda encarnados já eram reverenciados pelos seus seguidores como pessoas portadoras de dons divinos e de mensagens religiosas poderosas. Saibam que isso é verdade no caso das pessoas em questão, pois Jesus Cristo fundou uma magnífica religião e a tem sustentado com sua mensagem divina e com o poder que manifesta de si mesmo, pois é um genuíno filho unigênito (nascido único) de Deus Pai. E o mesmo se aplica ao Buda, também um filho unigênito de Deus.

Com isso explicado, então que fiquem cientes que o culto ou a postura reverente diante de imagens sacras é um recurso humano muito positivo, pois elas despertam nas pessoas o respeito, a reverência, a fé e a religiosidade. E Deus não pune ninguém por orar ao seu santo e fazer promessas (desde que as cumpra), assim como não vira o rosto se alguém ajoelhar-se diante da imagem de um santo ou de uma divindade para clamar por auxílio, pois ambos respondem mesmo a quem tem fé em seus poderes, e ajudam segundo o merecimento de quem os evocou. E até realizam milagres caso o Altíssimo lhes ordene. Ou vocês acham que só Jesus Cristo é um Trono de Deus que humanizou-se e espiritualizou-se para melhor se fazer entender pelas pessoas? Saibam que Deus Pai fala aos homens através dos homens, e também costuma responder aos nossos clamores através de suas divindades, sejam elas naturais ou espiritualizadas.

Os que condenam a idolatria, não fogem à regra e praticam a “símbololatria” (reverência à símbolos sagrados) ou a “verbolatria” (respeito, obediência e sacralização de frases cuja mensagem é religiosa e despertadora da fé dos seus crentes). As aspas são nossas, pois acabamos de criar estas duas palavras, já que muitos cabalistas crêem, corretamente no poder dos símbolos sagrados, e muitos crêem no poder de certas frases, mantras, orações e etc.

Saibam que num determinado nível vibratório, tanto os símbolos sagrados quanto as palavras sacras têm realmente ressonância magnética e sonora, que ativam mistérios de Deus e poderes de suas divindades. Logo, caso alguém aprecie as imagens sacras, então não precisa temer a ira divina, pois Deus não mede nossa fé através da forma como a externamos, mas sim através da sua intensidade e do nosso respeito e reverência diante de símbolos sacros. Além do mais, que diferença há entre uma imagem de Jesus Cristo, que em seu silêncio nos está dizendo tudo o que precisamos ouvir e está nos mostrando em si mesmo tudo o que precisamos ver para segui-lo rumo ao Pai, e a oratória inflamada de um pregador, que brandindo seu livro santo, ameaça seus seguidores com o fogo do inferno caso não sigam à risca o que nele está escrito? Não sabem? Bem, então nós respondemos dizendo isso: uma imagem sacra de Jesus Cristo em seu silêncio “religioso” fala ao nosso íntimo, e nos faz vibrar amor e fé. Já o pregador inflamado, com seus berros e suas ameaças, apenas desequilibra o emocional de quem o ouve, e com seus gestos radicais apenas desperta o medo do inferno, mas não o verdadeiro amor a Deus ou ao seu filho unigênito, o nosso amado mestre Jesus.

Saibam que quem realmente ama Deus e tem fé no seu amparo divino não teme o diabo. Mas quem vive chamando Deus para combater os demônios que o apavoram e vivem “tentando-o”, este é só um ser emocionado e desequilibrado que ainda não vibra o verdadeiro amor e a pura fé N’Ele, o nosso Criador.

Rubens Saraceni

Assentamentos de Forças e Poderes

Uma das maiores dificuldades para os médiuns umbandistas encontra-se no campo dos assentamentos de forças e de poderes que lhes darão a sustentação, a defesa e o amparo em seus trabalhos ou em suas sessões espirituais.

O assunto é complexo e sua abordagem é delicada, porque tal como no campo das oferendas, algumas coisas mudam de pessoa para pessoa e o que é certo e necessário para uma não é para outra força (ou outro poder).

Comecemos por definir o que é força e poder:

• Utilizamos a palavra força para o que é espiritual ou provem do espírito.

• Utilizamos a palavra poder para o que é divino ou provem da divindade.

O que é espiritual não é divino e vice versa. Logo é necessário que usemos as palavras que diferenciem e classifiquem corretamente as entidades que formam o lado invisível da criação e que estão dando sustentação a Umbanda.

• Poder é algo permanente, estável e realiza-se por si só na vida de seus beneficiários, não dependendo de nada além de Deus para influir sobre tudo e todos em seu campo ou faixa de atuação.

• Força é algo transitório, instável e em permanente evolução, as vezes mostrando-se em seu estado potencial e outras mostrando-se em atividade, sempre dependendo da existência do poder para ser colocado em movimento e beneficiar-nos.

Há diferença entre poder e força e entre divindade e espírito. A divindade é o poder, o espírito é a força! A divindade realiza-se por si na vida dos seres porque é em si a ação, enquanto o espírito só pode e consegue agir sobre os seres se a divindade lhe conceder poderes para tanto. Tomemos como exemplo o Orixá Ogum e os Caboclos de Ogum, para que não fiquem dúvidas quanto as diferenças que existem entre poder e força.

• Ogum é Orixá ordenador da criação e modelador do caráter e da moral dos seres, visto que ele é o poder em si manifestado por Deus para atuar sobre tudo e todos ao mesmo tempo sem que nunca perca seu poder se atuação; nunca se enfraqueça, nunca deixe de ser onipotente, onisciente e oniquerente. Ogum é o poder de Deus em ação permanente, imutável e intransferível; o que Ogum faz só Ogum pode e consegue fazer. Ele independe de algo mais de Deus para ser o que é ou como é, e nada posterior ou inferior a ele influencia-o ou altera esse seu estado de ser e de poder. Ele modela o caráter e a moral dos seres.

Independentemente de sua vontade, sua influencia se faz sentir na própria consciência de todos os transgressores das leis divinas e humanas, não importando se conhecem ou não Ogum, pois “Ogum é um dos nomes humanos já dados a esse poder, que já recebeu outros nomes e no futuro receberá outros.

Tenha o nome que lhe for dado, ainda assim ele continuará a ser o que é: o poder modelador do caráter e da moral dos seres e o ordenador divino dos procedimentos. O poder de Ogum é inalterável, estável, permanente e independe de um nome para atuar sobre tudo e todos em sua faixa ou campo de atuação na criação. Isso para nós, é o poder e está bem definido!

Quanto a força tomamos como exemplo para defini-la os Caboclos de Ogum, para que fique bem claro o seu significado.

Um Caboclo de Ogum é um espírito em constante evolução consciencial, e a partir dessa sua evolução novos campos ou faixas de atuação vão lhe sendo abertas pelo Orixá ou poder Ogum. Quanto mais o Caboclo de Ogum evolui e se aperfeiçoa consciencialmente, maior é o seu campo de ação e maior é seu poder de atuação sobre outros seres espirituais aos quais ampara, direciona e modela no caráter e na moral. Enquanto atua de dentro para fora dos seres, o Caboclo de Ogum atua de fora para dentro.

• O poder realiza-se por si só.
• A força só se realiza por intermédio de algo ou de alguém.
• O poder tem atuação permanente e atua “por dentro” das coisas ou dos seres.
• A força tem atuação limitada no tempo e atua “por fora” das coisas ou dos seres.

O poder regula a natureza, seja a de um ser ou do meio em que ele vive, proporcionando-lhes estabilidade e equilíbrio interior. A força altera essas naturezas, proporcionando-lhes alterações e reequilíbrios ou adaptações exteriores. Em um meio cuja a natureza é fria, tal como as regiões próximas dos pólos, vivem seres (animais, aves, peixes, plantas e etc.) específicos dele. Já os seres humanos se quiserem viver nessas regiões, tem que construir moradias adequadas; cobrir o corpo com roupas especiais e trazer de longe alguns artigos indispensáveis à sobrevivência.

• A natureza terrestre é regulada pelo poder. Nós recorremos à força para alterarmos o meio natural de alguma forma, adaptando-o externamente às nossas necessidades porque “internamente”, as regiões polares sempre serão frias e não conseguiremos mudar esse seu “estado”. Recorrendo a esse exemplo, podemos diferenciar o poder e a força porque enquanto poder, ele faz os pólos serem como são e esta enquanto força, somente pode alterá-lo se criar adaptações para que os seres não pertencentes à sua natureza neles sobrevivam.

O poder de Ogum por modelar de dentro para fora, faz com que os meios sejam como são, cada um com sua natureza específica. E o mesmo faz os seres proporcionando uma natureza intima especifica para cada espécie. Os peixes são como são, as aves são como são, os bichos são como são. Vivendo em seus habitats naturais, são hoje como eram no passado pré-historico e esse “modo de ser” de cada espécie permaneceu inalterado ao longo dos tempos. Se ocorreram mudanças, elas foram externas para adaptá-los a algumas mudanças físicas e climáticas. Conosco também ocorreu isso, e internamente somos os mesmos que éramos quando Deus nos criou. Nossa natureza íntima permaneceu inalterada e, se ocorreram mudanças, foram externas.

• O poder modela as coisas (natureza, seres, espécies inferiores, etc) de dentro para fora, dando-lhes um estado específico que é permanente, diferenciando umas das outras e qualificando-as.

• A força entra em ação quando as alterações exteriores começam a descaracterizar as coisas, desqualificando-as ou desequilibrando-as.

Por isso Ogum (o poder) tem nos espíritos graduados como instrumentos da lei , suas forças, que são colocadas em ação sempre que as atuações de dentro para fora já não são suficientes para manter o equilíbrio. Nessa necessidade da atuação de fora para dentro que os espíritos (a força) adquirem importância, e tornam-se indispensáveis para a manutenção do equilíbrio entre o lado interior e o lado exterior dos seres, dos seres e da própria criação como um todo. Como o lado divino da criação atua de dentro para fora e os Orixás vivem no seu lado divino, foi preciso a criação de algo que permitisse a exteriorização desse poder e sua colocação em ação a partir do próprio meio em que os seres vivem. Dessa necessidade surgiram os santuários naturais, os templos, os altares, os assentamentos, as firmezas, as oferendas, as imagens, os instrumentos mágicos, etc. Não se trata de animismo, de paganismo, de idolatria, de fetichismo e etc., mas de formas de exteriorização do poder, para que melhor ele possa nos auxiliar e nos beneficiar “dentro” do próprio meio em que vivemos.

Como nosso assunto são assentamentos de poderes e de forças pelos médiuns e dirigentes espirituais umbandistas, cremos que está justificado o ato de assentarem os Orixás e Guias espirituais para que melhor possam ajudar as pessoas necessitadas desse auxilio adicional, que Deus nos franqueou e colocou à nossa disposição.

Um assentamento é um local especial porque nele há um portal “tridimensional” que interage de forma permanente entre as três dimensões ou lados da vida: o lado divino, o natural e o espiritual. Essas três dimensões ou lados da vida já interagem de forma permanente nos santuários naturais consagrados aos poderes e às forças, e neles podemos entrar e trabalhar em nosso benefício ou no dos nossos semelhantes. Mas em nossa casa ou em nosso Centro, se faz necessário o auxílio dos assentamentos para que os três lados possam interagir, e realizar ações corretas em benefício dos necessitados, sem que estes tenham de ir até a natureza continuamente. Assentam-se forças divinas, naturais e espirituais.

Esses assentamentos são importantes porque são em si portais multidimensionais, e interagem com realidades de vida ainda desconhecidas por nós, os espíritos encarnados. Mas como afirmamos no início dessa introdução, uma das maiores dificuldades dos médiuns e dirigentes umbandistas reside nesse campo porque há um grande desconhecimento sobre assentamentos e firmezas dos poderes e forças que sustentam, e se manifestam por intermédio da religião e da mediunidade dos seus praticantes.

• Um assentamento é algo abrangente e envolve todo um poder.

• Uma firmeza é algo mais limitado e concentra-se em uma entidade, seja ela divina, natural ou espiritual.

Firma-se um Orixá, um ser da natureza ou um espírito! Um assentamento é algo tão abrangente que ele por si só é realizador, e capaz de dar sustentação a todas as ações dentro do campo abrangido por ele: o Centro de Umbanda.

Oque é um assentamento?

Assentamento é o local onde são colocados alguns elementos com poderes magísticos, com a finalidade de criar um ponto de proteção, defesa, descarga e irradiação. Um assentamento pode ser destinado a uma só força ou poder ou a várias. Mas em geral faz-se um para cada força ou poder que se deseja assentar.

- Porque assentar uma força ou poder?

As forças vivem no plano espiritual e os poderes vivem no plano divino da criação, e a partir deles enviam-nos suas vibrações, auxiliando os trabalhos espirituais que são realizados nos Centros de Umbanda. Esse auxílio é natural porque se processa religiosamente. Mas como em um trabalho espiritual vem pessoas com poderosas cargas negativas, é preciso que exista no plano material pontos de descarga que possam absorvê-las e enviá-las de volta à faixas vibratórias negativas. Esta é um a das funções de um assentamento de força e de poderes.

A entidade assentada (Orixá ou Guia Espiritual) tem no assentamento elementos com poderes mágicos, os quais utiliza ativando-os segundo as necessidades do Centro, do trabalho espiritual e dos médiuns. Em regra, faz-se um assentamento central e daí em diante começa a firmeza de outras forças ou de outros poderes ao seu redor, aumentando seu campo de ação e de atuações. Se é o assentamento de um Orixá, outros não devem ser assentados ao redor ou ao lado dele, porque cada um é um poder realizador em si mesmo, e dois ou mais assentamentos dentro de um mesmo ambiente criam dois pontos distintos que farão a mesma coisa, e o recomendado é que caso alguém queira assentar dois ou mais Guias ou Orixás, então deve reservar um ambiente para cada um, separando-os e isolando-os para que suas vibrações, irradiações, ações e atuações não se misturem e não se confundam. Por isso existem os assentamentos e a firmezas.

Os assentamentos criam vórtices ou “pontos de força”, enquanto as firmezas de outros Guias e Orixás dotam-no de um maior poder de realização. Esse aumento de poder de realização deve-se ao fato de que os Guias e os Orixás firmados ao redor do assentamento central “emprestam-lhe suas forças e poderes, e abrem-lhe seus campos de ações e atuações aumentando o leque de opções ao Guia ou ao Orixá assentado, que lhe repassará atribuições às quais exercerão com desenvoltura, porque terão no assentamento um poderoso ponto de descarga, de proteção e de auxílio nas suas ações mais profundas. Normalmente se assentam o guia-chefe e o Orixá regente da coroa do dirigente espiritual, assim como ao seu Exu e/ou sua Pombagira guardiã.

• Os assentamentos do Guia-Chefe e do Orixá devem estar localizados dentro da cosntrução que abriga o terreiro.

• Os assentamentos do Exu e/ou da Pombagira guardiã devem ser feitos do lado de fora da construção principal que abriga o terreiro, ainda que também possa estar dentro de outra construção de menor porte.

O ideal (ainda que isso nem sempre seja possível) é que os assentamentos dos Orixás e dos Guias-Chefes da direita e da esquerda se localizem em cômodos isolados e com acesso restrito, inacessíveis ao público. Quando o Centro não tem espaço para tanto, o recomendado é que assentem o Orixá e o guia-chefe da direita sob o altar e o Exu e/ou a Pombagira guardião em uma casinhola na entrada do terreno que abriga o terreiro. Centros localizados em terrenos e construções amplas tem mais facilidade para fazê-los. Já nos menores é preciso um pouco de criatividade para fazer os assentamentos e as firmezas ao redor.

Oque é uma Firmeza?

A firmeza de uma força ou de um poder pode ser feita ao redor de um assentamento ou independente dele. Firmar um guia espiritual ou um Orixá significa proporcionar-lhe condições mínimas para que tenha um ponto fixo, onde receba os pedidos de auxilio, de oferendas e etc. Assemelha-se a um assentamento, mas tem menos recursos ou poderes de realização, pois é uma simplificação dele e destina-se a facilitar a atuação das entidades.

Um assentamento cria um vórtice e um campo eletro-magnético que interagem com outras dimensões da vida de forma permanente, sendo em si um “ponto de força” localizado nas dependências do terreiro.

Enquanto uma firmeza cria um ponto de sustentação para as ações da entidade firmada, dando-lhe um pouco mais de segurança para que possa resistir às reações das suas atuações em benefício das pessoas necessitadas do seu auxílio.

• Um assentamento assemelha-se a uma fortaleza que abriga um exército completo, com todas as suas divisões.

• Uma firmeza assemelha-se a instalação avançada de uma divisão.No assentamento estão todas as divisões, na firmeza está somente uma (a da entidade firmada).

• Um assentamento é algo definitivo, uma firmeza pode ser transitória.

• Um assentamento deve ser iluminado de forma permanente e deve ser alimentado periodicamente com elementos predeterminados.

Uma firmeza pode ser iluminada periodicamente e pode ser realimentada de vez em quando. Um assentamento deve ter um dia definido na semana para ser iluminado e realimentado; já uma firmeza, deve ser iluminada e realimentada sempre que o seu zelador fizer um novo pedido de auxílio à entidade firmada.

Assentamento e firmeza são similares e a segunda é uma simplificação do primeiro, mas tem as mesmas funções, que é protegerem, sustentarem e ampararem algo ou alguém.

Pai Rubens Saraceni

As Consagrações de Elementos Condensadores do Axé

As consagrações dos elementos utilizados durante os rituais religiosos de Umbanda Sagrada visam a sacralizar objetos que também têm uso profano no nosso cotidiano. Sim por que certos materiais tais como taças, colares de contas ou de pedras minerais, de cristais e etc., são usados por muitas pessoas como simples adornos ou enfeites despidos de qualquer função religiosa. Então a consagração dos objetos usados nos rituais tem de se revestir de toda uma ritualística assim como os objetos consagrados devem ser preservados unicamente para o uso ritualístico e devem ser cercados de toda uma religiosidade e cuidados.

Não é admitido o uso profano de objetos consagrados ou o uso religioso de objetos profanos. A religião é só um dos aspectos da vida das pessoas. Mas um sacerdote tem nos seus objetos ritualísticos a identidade religiosa de sua vida dedicada àqueles que o procuram por que crêem na sua superioridade nesse aspecto da vida dos seres.

Portanto um sacerdote tem de ter profundo apreço e cuidados excepcionais com os objetos que consagra para a realização de seus rituais sejam religiosos ou magísticos. Por que alguns objetos têm função religiosa, outros têm função magística e outros são de funções mistas prestando-se a rituais religiosos e magísticos.

Pai Rubens Saraceni

Por Que a Cor Branca?

A doutrina de Umbanda estimula os procedimentos corretos e incorporou aqueles mais afins com a própria natureza divina dos Orixás.

A um médium é solicitado que conheça o mínimo indispensável para que possa realizar as práticas de Umbanda e seus rituais. Também é exigido que se estude um pouco, porque só assim entenderá tudo o que acontece dentro de um templo de Umbanda durante a realização das giras de trabalho.

Cada religião tem seus paramentos ou suas vestes litúrgicas, e a Umbanda também tem os seus: vestes brancas.

O branco é a cor de Oxalá, o regente da Fé no Ritual de Umbanda Sagrada. Logo, como a fé é o mistério religioso por excelência, o astral tem estimulado o uso dos paramentos brancos. O simbolismo da veste branca é bem visível, além de permitir uma uniformidade na apresentação do corpo mediúnico.

Mas se alguém se veste de branco e assume o grau de médium, dele também se exige que purifique seu íntimo, reformule seus antigos conceitos com relação à religiosidade e se porte de acordo com o que dele esperam os Orixás sagrados, pois serão estes que o ampararão daí em diante.

A Doutrina de Umbanda tem por objetivo primeiro o auxílio espiritual, e estimula o despertar da consciência religiosa nos médiuns. Os doutrinadores sabem que tem que ser pacientes, pois precisam lidar com pessoas oriundas de outras religiões, nas quais já desenvolveram uma consciência mais ou menos de acordo com o que pregam suas doutrinas.

A Doutrina tem como um dos seus procedimentos basilares nunca obrigar alguém a renegar a religião que praticava, pois nenhuma religião deve ser renegada ou criticada.

O máximo tolerado pela Doutrina é a crítica aos mercadores da fé, aos fanatizantes líderes religiosos das doutrinas obscurantistas e, ainda assim, se eles forem os primeiros a agredir a religião umbandista, como sempre ocor­re, já que sentem uma ameaça invisível aos seus feudos religiosos nas religiões libertadoras do espírito, como o são a Umbanda e o Espiritismo.

As verdades semeadas pelos espíritos são superiores às que eles semeiam e tratam logo de combatê-las. Mas fora essas escaramuças em nível terreno, a Doutrina de Umbanda reprova toda tentativa de diminuir outras religiões, pois todas se fundamentam em Deus e em sua divindades. Logo, o universalismo adotado pela Doutrina de Umbanda não permite críticas às outras religiões, tampouco obriga alguém a renegar sua antiga crença.

Quem proceder de outra forma não é ainda, um verdadeiro médium de Umbanda Sagrada, a mais ecumênica das religiões. Em seus templos manifestam-se espíritos trazendo ainda vibrantes as suas antigas formações religiosas que lhes possibilitaram a ascensão espiritual aos níveis superiores da luz.

Manifestam-se espíritos vindos de todas as outras religiões e regiões do planeta. Uns são hindus, outros são árabes, outros são judeus, budistas, cristãos e até índios brasileiros e negros africanos, os seus fundadores espirituais.

Logo, dentro dos procedimentos recomendados está o de absterem-se de qualquer crítica a outras religiões ou de alimentarem preconceitos religiosos mesquinhos.

Outro procedimento recomendado é respeitar os templos de todas as religiões e seus espaços religiosos, pois aquele que não respeita a casa alheia, não respeita a própria.

Se não consegue ver em um templo alheio uma morada de Deus, então não é digno de dizer que, no seu templo, Ele habita. Em verdade, onde as pessoas se reúnem para louvar a Deus, Ele ali se estabelece e se manifesta, não importando que O invoquem com outros nomes que não o de “Olorum” ou “Zambi”. Deus é único e os nomes que Lhe dão são apropriações humanas de Suas qualidades divinas manifestadas a todos o tempo todo. Afinal, Ele é tudo em Si mesmo e temos de invocá-Lo por um nome que mais nos fale ao coração.

Outros procedimentos recomendados, e já bastante divulgados, são relativos às práticas rituais:

• Em dia de trabalhos mediúnicos, não se deve comer alimentos de difícil digestão ou ingerir bebidas alcoólicas, pois estas entorpecem a mente a anulam a percepção extra-sensorial, assim como abrem o campo mediúnico às vibrações negativas e estimulam o emocional dos médiuns;

• a mediunidade só deve ser desenvolvida com o recurso da concentração dos cantos rituais e dos atabaques, e nunca com o concurso de qualquer produto alucinógeno, o qual cria delírios emocionais e animismos;

• médium desequilibrado deve ser afastado do corpo mediúnico e encaminhado para tratamento médico-psicológico e espiritual;

• médium alcoolizado, ainda que minimamente, não deve realizar trabalhos práticos, ou deles participar;

• médium que não realizar a higiene espiritual e pessoal, tal como banho com ervas, firmar uma vela para o seu anjo da guarda, firmar sua esquerda e direita e etc., não está apto a realizar um bom trabalho mediúnico. Nessa higiene pessoal inclui-se a bucal, pois não há coisa mais desagradável que um consulente ter que suportar o mau hálito de um médium relapso;

• estar sempre vestido com roupas limpíssimas;

• portar-se com respeito e silêncio dentro das Tendas, espaços consagrados as divindades e aos rituais religiosos praticados dentro da Umbanda.

Pai Rubens Saraceni

As Velas

As velas em si são um mistério religioso disseminado por todas as religiões do mundo, e somente algumas não as adotam. Mas se soubessem que elas têm uma utilidade importantíssima, com certeza também adotariam o seu uso durante seus rituais.

Velas são um substituto muito prático às piras ardentes da antigüidade, nos remotíssimos cultos às divindades do fogo saudadas com tochas ardentes ou fogueiras. Ninguém pode afirmar ao certo quando começou o uso das velas, pois com certeza quem as inventou tinha outros objetivos em mente. O fato é que as velas são um mistério em si, e quando acesas magística ou religiosamente, são um poderoso elemento religioso mágico, energético e vibratório que atua no espírito de quem receber sua irradiação ígnea.

O uso religioso das velas justifica-se porque quando as acendemos, elas tanto consomem energias do "prana" quanto o energizam, e seus halos luminosos interpenetram as sete dimensões básicas da vida, enviando a elas suas irradiações ígneas. É essa capacidade das velas que as tornam elementos mágicos por excelência, pois por meio de suas irradiações e suas vibrações incandescentes, é possível todo um intercâmbio energético com os seres que vivem nas outras dimensões, e com os espíritos estacionados nas esferas ou níveis vibratórios positivos e negativos. Essa capacidade justifica seu uso até quando são acesas para o espírito de alguém que desencarnou, pois ele irá receber um fluxo luminoso curador de seu corpo energético, fortalecedor de seu mental e terá seu emocional reequilibrado, caso tenha sido atraído pelo magnetismo de uma esfera ou nível vibratório negativo. Mas caso esteja em alguma esfera positiva e luminosa, também receberá o fluxo da vela do mesmo jeito, incorporando-o ao seu corpo energético e fortalecendo seu magnetismo mental.

O fluxo irradiante de uma vela se for ativado por sentimentos virtuosos, é muito positivo e gratificante a quem o receber. Agora se os sentimentos de quem a ativar magicamente forem negativos, o fluxo será desenergizador, desmagnetizador, emotivo e poderá romper a aura da pessoa à qual for direcionado, assim como poderá "queimar" o corpo energético dos espíritos alvos de suas irradiações ígneas.

No caso de quem ativa negativamente uma vela contra alguma pessoa ou espírito, acontece uma reação imediata e fulminante da Lei Maior e da Justiça Divina, pois quem a ativou perdeu sua própria luz, e com o tempo a dor de quem foi atingido retornará e o atingirá com o rigor da lei. Portanto, uma vela só deve ser acesa por um bom motivo e por sentimentos virtuosos, pois na mesma proporção a Lei Maior retribuirá com luz Divina, quem deu luz a alguém necessitado ou merecedor de suas irradiações.

O ato de acender velas brancas ao Anjo da Guarda é muito positivo e funciona. Ele tanto a usará para atuar em favor da pessoa guardada por ele, quanto para energizar-se com uma irradiação ígnea poderosíssima, capaz de acelerar imediatamente suas vibrações e expandir suas irradiações mentais, pois como já comentamos, seu mental será fortalecido.

As velas usadas nos templos têm o poder de consumir as energias negativas e os miasmas que são descarregados pelos seus freqüentadores dentro do seu campo eletromagnético, assim como num intercâmbio energético, recebem da divindade à qual foram consagradas um fluxo de energia Divina que se espalha pelo altar e irradia-se pelo espaço interno, alcançando quem se encontrar dentro dele.

Magisticamente as velas criam passagens ou comunicações com outras dimensões da vida e tanto podem enviar-lhes suas energias, como podem retirar delas as que estão sendo necessárias a alguém. Por isso toda oferenda, ritual ou solicitação de auxílio às divindades e aos Guias e protetores espirituais deve ser precedida do ato de acender uma ou várias velas, pois suas ondas serão usadas no retorno e trarão a quem oferendou ou solicitou auxílio um fluxo energético natural (de elemento), ou Divino (de divindade), ou espiritual (do espírito guia).

Em magia o uso de velas é indispensável porque são elas que projetam ou captam as energias mais sutis, assim como abrem campos eletromagnéticos limitados ao campo ativo delas, mas que interpenetram outras dimensões, esferas ou níveis vibratórios. Quando um desses campos eletromagnéticos é aberto magisticamente, ele permanecerá ativo até que seja fechado ou redirecionado contra quem o ativou. Isso caso seja uma magia negativa, pois caso ela seja positiva, não há por que fechá-lo.

O fato é que a umbanda e outras religiões recorrem intensamente ao uso das velas e as usam:

• Para iluminar seus altares e suas casas das almas ou cruzeiros;
• Quando oferendam as divindades ou os guias protetores;
• Para magias positivas ativadas para cortar demandas, magias negras, feitiços, encantamentos etc.

Os resultados são ótimos e na maioria das vezes benéficos, pois só se beneficia realmente quem é merecedor, já que o uso das velas atende a necessidades religiosas regidas pela Lei Maior e pela Justiça Divina em seus recursos mágicos.

Magias negativas tais como acender vela preta em cima do nome ou da fotografia de alguém, escrever o nome de alguém em uma vela e depois acendê-la de ponta-cabeça, acender velas para "amarrar" marido, amante ou namorado, acender velas para fechar os caminhos ou as portas de alguém ou para "afundar-lhe" a vida, são entendidas como fraqueza ou negatividade de quem o faz e não demora muito para que a Lei Maior e a Justiça Divina providenciem os merecidos choques de retorno, ou punições exemplares a quem recorre a essas magias condenáveis. Tudo é uma questão de tempo, pois se podemos agir positivamente, então nada justifica o mau uso que dão às velas e aos mistérios mágicos negativos que são ativados quando são acesas com interesses mesquinhos ou desumanos.

É muito positivo acender uma vela branca de sete dias sobre a fotografia de uma pessoa que esteja doente ou desenergizada, pois enquanto durar a chama ela vela um halo luminoso (que não é a aura) permanecerá em torno da pessoa doente, retirando do seu corpo energético os acúmulos de energias enfermiças. E caso a pessoa esteja desenergizada, a sua aura absorverá do halo tantas energias quantas forem possíveis. A vela deverá ser colocada sobre a cabeça da pessoa doente ou desenergizada retratada na fotografia. Caso a pessoa esteja sofrendo por causa de uma magia negra, deve-se firmar sobre sua cabeça na fotografia, uma vela branca de sete dias, e firmar em cruz fora da fotografia outras quatro velas de sete dias, mas nas cores azul-escuro, amarelo, vermelho e laranja.

• A vela azul deve ficar diante da cabeça: norte.
• A vela laranja deve ficar diante dos pés: sul.
• A vela vermelha deve ficar à direita: leste.
• A vela amarela deve ficar à esquerda: oeste.

Tendo formado a cruz deve-se clamar por Deus, pela Sua Justiça Divina e pela ação de Sua Lei Maior, pedindo que aquela pessoa seja purificada e livrada de quaisquer magias negativas, de atuações de espíritos trevosos, de maldições, de mau-olhado, de pragas e que quem as projetou, que as receba de volta até que venha a ser purificado tanto pela Lei Maior quanto pela Justiça Divina.

Também se deve clamar à Lei Maior e à Justiça Divina se houver algum ponto mágico negativo firmado ou alguma magia negativa e seu respectivo campo eletromagnético ativados contra a pessoa na fotografia para que no poder da Lei Maior e da Justiça Divina sejam diluídos, purificados e fechados, deixando de existir tanto no plano material quanto espiritual, para que deixem de atuar negativamente contra a pessoa. Deve-se ainda clamar à Lei Maior e à Justiça Divina que caso algumas entidades negativas tenham sido ativadas magicamente contra a pessoa na fotografia, então que a Lei Maior e a Justiça Divina as redirecionem, segundo a lei de causas e efeitos, e que cada um receba segundo seu merecimento. Fim de uma magia negativa!

Pai Rubens Saraceni

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