O Que é Orixá?

Orixá é um poder divino em si mesmo e realiza-se na vida dos seus cultuadores como uma energia viva e divina capaz de realizar ações abrangentes, modificadoras da vida do ser.

Orixá é o poder de Deus manifestado de forma “personificada”, em que um ente de natureza divina irradia continuamente esse poder que concentra em si e doa graciosamente, a todos que movidos pela fé a ele recorrerem religiosamente por meio de cantos e orações. Já quem recorrer magisticamente a eles, aí é preciso outros procedimentos para ativação do seu poder realizador. Muitos são os poderes de Deus e muitos são os Orixás cultuados na Umbanda.

Diferente do Candomblé Nagô, onde o sobrenome é designador da qualidade do Orixá, na Umbanda cada sobrenome simbólico indica uma entidade em si com sua hierarquia espiritual a manifestá-lo e trabalhar incorporado durante as giras ou sessões de incorporação.

Ogum é o Orixá maior. Já Ogum Megê é o “Ogum dos Cemitérios”. Ogum para todos, Ogum Megê para os trabalhos espirituais no terreiro ou no cemitério.

Para um sacerdote dos Orixás na Nigéria, provavelmente é uma heresia oferendar Ogum em um cemitério. Mas nós só oferendamos Ogum Megê no cemitério, pois, para nós ele é o ordenador ético e moral dos procedimentos nos domínios de Obaluaiê e Omulu, os donos do “Campo Santo”. Logo, se é nesse campo que essa entidade atua, é nele que deve ser firmado, oferendado e invocado magisticamente. Esses procedimentos não fomos nós, os encarnados, que determinamos. Quem os ensinou e ordenou que assim procedêssemos foi a espiritualidade que, aos se manifestar em seus médiuns, indicava como deviam proceder.

Pouco a pouco, todo um novo conhecimento e uma nova forma de cultuar e ativar os poderes dos Orixás nos foram sendo transmitidos até que chegamos a um ponto em que precisamos limitar um pouco as muitas possibilidades colocadas à nossa disposição pelos Guias espirituais.

Isto é Orixá na Umbanda: uma força e um poder colocados à nossa disposição de uma forma diferente da já tradicional na Nigéria.

Como a Umbanda nasceu no Brasil e foi pensada no plano espiritual por mentes evoluidíssimas, um novo modo e uma nova forma foram tomando corpo e resultaram em uma nova religião.

Tal como o Cristianismo fez com o Velho Testamento: reescreveu-o no Novo Testamento e está aí, há dois mil anos acolhendo e sustentando religiosamente os seus seguidores.Orixá é poder divino e pode ser adaptado a vários modos e formas de culto e de magia.

Orixá gera religiões e magias porque é poder fundamentado em Olorum, o nosso Divino Criador. Não tenham dúvidas, se for preciso eles criam novas formas de culto e novos modos de ativá-los religiosa e magisticamente. Quando e onde for necessário, lá surgirão uma forma e um modo específicos onde seus fundamentos divinos, os naturais, os espirituais e os magísticos estarão preservados e intactos porque são divinos, são sagrados e são parte deles. Na verdade, os seus fundamentos são imutáveis porque são suas essências e suas qualidades religiosas e magísticas.

Concluindo, Orixá é poder divino colocado à nossa disposição e alcance para recorrermos quando criam-nos ou criamo-nos dificuldades que paralisam nossa evolução espiritual ou material. Ou ambas!

Texto extraído do livro “Os Arquétipos da Umbanda - As hierarquias espirituais dos Orixás”

Pai Rubens Saraceni.

A Fé e a Religiosidade

Fé é o ato de crermos em Deus e suas divindades.

Religiosidade é a forma como manifestamos a nossa fé, que envolve os nossos sentimentos íntimos e nossa postura diante de Deus e suas divindades, assim como, diante da vida e de nossos semelhantes.

De nada adianta crermos em Deus se nossa religiosidade é nula ou negativa.Quantos não têm fé na existência de Deus e de suas divindades, e crêem que atuam em nossa vida e em nosso favor nos momentos difíceis, mas somente buscam esse amparo divino quando chegam ao desespero. Estes tem fé mas não a cultivam com uma religiosidade em suas vidas e suas posturas no dia a dia.

Saibam que a fé é a crença no poder divino. Já a religiosidade é o ato de trazermos para nossa vida e nosso dia a dia o comportamento e a postura preconizados como qualidades superiores pela nossa religião e sua doutrina. Se nossa doutrina prega que somos filhos de um mesmo pai (Deus), então o nosso comportamento diante de nossos semelhantes deve pautar-se por este sentimento fraterno que congrega e irmana os seres. E nossa postura diante de nosso semelhante deve ser de respeito e de confiança.

A nossa religiosidade nos distingue perante nossos semelhantes e nos qualifica como seres regidos por Deus e suas divindades, e todos esperam de nós uma conduta e uma postura condizente com o que nossa religião prega: amor e fraternidade para e com nossos semelhantes.

Meditem e reflitam se vossa fé é forte e se vosso comportamento e postura a refletem ou se vossa religiosidade está precisando aperfeiçoar-se, e se vossa fé está necessitando de reforço extra, pois está fragilizada pelas vossas dificuldades do dia a dia.

Texto extraído do Livro “Doutrina e Teologia de Umbanda”

Pai Rubens Saraceni

A Mediunidade

As faculdades mediúnicas têm muitas formas de aflorar e costumam processar-se de diferentes formas, são sinônimo de sacerdócio espiritual, e temos nelas um elo de comunicação com um plano da vida que é invisível à maioria, e só uns poucos clarividentes podem vê-lo e descrevê-lo.

A mediunidade de inspiração e a de incorporação são as mais comuns, e suas práticas são tão antigas que sua origem se perde no tempo, e nos dias atuais já faz parte do dia a dia das pessoas e não é mais o tabu de alguns séculos atrás, quando médiuns eram torturados, presos ou queimados nas fogueiras da inquisição, que os julgava bruxos, feiticeiros ou seres possuídos pelo demônio.

Hoje é só uma forma de acelerar a evolução espiritual tanto dos médiuns quanto dos espíritos, é também a faculdade que uma pessoa possui e que se desenvolvida ordenadamente poderá servir de meio de comunicação entre os dois planos da vida, o espiritual e o material.

A mediunidade sempre existiu como canal de comunicação entre os dois planos da vida (profetas, pitonisas, oráculos). A mediunidade e a magia caminham juntas com a religiosidade, e então ou é aceita pelas religiões estabelecidas ou é combatida acirradamente (inquisição, conversão obrigatória), taxando qualquer tipo de mediunidade como manifestações demoníacas. Em grego, daimon significa espírito, e mais tarde esse significado foi alterado e daimon passou a ser demônio ou seres infernais.

Em outros diversos cultos, pessoas começaram a incorporar de forma desordenada espíritos que profetizavam, faziam previsões e comunicavam-se em línguas antigas e eram louvados como manifestações do Espírito Santo de Deus, manifestações estas que acontecem em todos os cantos do mundo e são bem ordenadas no Espiritismo, na Umbanda e no Candomblé.

Pai Rubens Saraceni

Os Mistérios da Mediunidade

Os mistérios de Deus são divinos e têm o poder único emanado por Ele para atuar por intermédio das pessoas, e todo o mistério é emanado por Deus, manifestando-se nas pessoas como dons do espírito.

Os médiuns além de manifestarem seus próprios dons, possuem a faculdade de manifestarem os dons dos espíritos que neles incorporam e por meio deles auxiliam muitas pessoas.

Médium é a pessoa que possui a faculdade que possibilita a um espírito vibrando num grau magnético ocupar o seu corpo físico, que vibra em outro grau magnético, pois só em graus magnéticos diferentes dois corpos podem compartilhar de um mesmo espaço, sem se desequilibrarem emocionalmente.

A mediunidade é um dom e deve ser lapidada até tornar-se pura e só refletir os dons dos espíritos superiores ou dos espíritos ordenados pela Lei, que rege esta faculdade paranormal.

As religiões são uma forma de ordenação das faculdades e dos dons das pessoas. Os profetas eram médiuns pois prediziam o futuro, davam alertas, por que eram intuídos por espíritos superiores e eles não são melhores do que os atuais médiuns, pois estes têm maior entendimento e não afirmam que falam com Deus, ou que Ele está falando através de suas bocas.

O médium consciente de suas faculdades mediúnicas deve ter bom senso para não se desvirtuar, julgando-se especial ou melhor que seu irmão. Os médiuns devem ser bem lapidados e preparados para lidar com forças poderosíssimas e poderes emanados por Deus, mas confiados às divindades.

Pai Rubens Saraceni

O Médium e a Mediunidade

O médium é o elo mais frágil de uma corrente espiritual por que muitas das suas dificuldades materiais ou desequilíbrios emocionais interferem no seu desenvolvimento mediúnico ou suas práticas espirituais. As dificuldades materiais como o desemprego, dívidas, insatisfação com o atual emprego, dificuldades nos negócios, doenças familiares e etc.

Os desequilíbrios emocionais como as discórdias familiares, rebeldia, imaturidade para entender sua mediunidade, incapacidade para lidar com os aspectos mediúnicos de sua religiosidade, temperamento agressivo, não atenção à sua mediunidade que afeta seu sistema nevoso, impetuosidade, desarmonia doméstica, não assimilação das orientações doutrinárias, fobias e etc.

As dificuldades materiais são temporárias e assim que o médium superá-las recuperará seu entusiasmo e desejo de ser útil aos seus semelhantes. Já os desequilíbrios emocionais são de difícil solução por que em certos aspectos as pessoas não se apercebem da existência deles, e até acham que é implicância de outros quando os alertam para que se trabalhem e se aperfeiçoem nos campos nos quais eles são mais visíveis.

Existem aqueles que caso insistamos nos alertas, se revoltam e começam a vibrar ódio ou antipatia por quem só os está alertando por que quer vê-los bem e em harmonia com a vibração da corrente sustentadora dos trabalhos espirituais.

Normalmente o médium novo vai sendo modelado pelo comportamento dos mais velhos, mas por possuir sua natureza íntima, também vai modelando-a segundo o novo em sua vida que lhe está sendo mostrado. A partir dessas duas modelagens aflorará um médium equilibrado e capaz de manter sua individualidade e integrá-la naturalmente à corrente a que pertence. Mas em muitos casos a formação religiosa anterior do médium trabalha contra ele, que não faz nada para assumir uma postura mais condizente com sua nova condição religiosa pouco contemplativa e bastante ativa, pois não está indo ao seu Centro só para rezar e sim para trabalhar.

O médium tem dificuldade em entender que todo o seu psiquismo precisa ser trabalhado lentamente e ir adaptando-se à sua nova condição, a de membro ativo de uma corrente espiritual. E mesmo os espíritos que irão atuar por meio do novo médium terão de se adaptar à corrente que os recebeu e os aceitou como seus novos membros. É comum surgirem insatisfações de todos os lados pois o novo tem dificuldade em submeter-se ao mais velho, tanto quanto este tem dificuldade em lidar com quem não se enquadra automaticamente numa postura e comportamento já sedimentado no tempo, e tido como norma de conduta dentro do espaço religioso construído a duras penas e sustentado com muito esforço pela corrente espiritual e pelos médiuns mais antigos, os quais há anos estão sustentando com amor e dedicação integral todo um trabalho em benefício da coletividade.

Alguns médiuns novos se intimidam e bloqueiam seu próprio desenvolvimento mediúnico e sua efetiva integração ao corpo mediúnico da casa, ou tentam impor dentro delas distúrbios comportamentais e seus vícios emocionais, também se desarmonizando e bloqueando o aflorar natural de suas faculdades mediúnicas.

Temos o caso de médiuns experientes mas que não adquiriram maturidade, e que por isso mesmo tentam impor aos mais novos sua vasta experiência, esquecendo-se de que ela é só sua e não pode ser passada integralmente ao médium novo pois este só conseguirá internalizar e incorporar as experiências espirituais que vier a vivenciar em si ou por meio de si mesmo.

Temos o caso dos médiuns que já realizaram outras práticas místicas, iniciáticas ou espiritualistas e em vez de guardá-las para si até incorporarem novas práticas, já aprovadas e comprovadamente eficazes pelo espiritismo de Umbanda, tentam remodelá-las, ou seja, tentam adaptar as práticas de Umbanda às suas práticas espiritualistas anteriores. Com isso criam uma miscelânea que só na cabeça deles está ordenada, mas para os que os acolhem tudo parece confuso.

Então o médium já desenvolvido que por alguma razão trocou de Centro tem de entender que mudou o campo onde aplicava seus valores e entrou em outro no qual eles não têm a mesma prioridade nas aplicações que lhes deu quem os desenvolveu. O correto nesse caso é o médium incorporar os novos valores e suas aplicações e enriquecer ainda mais suas práticas espirituais, pois sempre terá em si mesmo os seus antigos valores espirituais.

O errado não é só não absorver os novos valores da casa que o acolheu, adaptando-se às suas normas comportamentais, mas também tentar impor os seus a quem já está com seus valores assentados. Recomendamos a quem está entrando em uma casa que primeiro a conheça e às suas práticas espirituais, assim como absorva-as e integre-as às suas e só depois de aceito e integrado plenamente às correntes mediúnica e espiritual, e a partir disso ofereça seus valores para apreciação. E se forem aceitos como positivos e fortalecedores das práticas já realizadas antes de sua chegada, então serão absorvidos e integrados naturalmente às práticas da casa que o acolheu.

Uma outra recomendação aos médiuns, tanto aos novos quanto aos mais antigos é que vigiem seus pensamentos em relação a tudo e a todos, pois a espiritualidade os ouve e seu próprio mentor aplicará corretivos religiosos caso o médium vibre antipatia por seus irmãos de fé; caso fique caluniando alguém que não simpatiza, entregue-se a vaidade, ou a soberba e etc. Se um mentor que é um espírito de alta evolução se digna incorporar num corpo físico às vezes cheio de toxinas nocivas ao seu sutilíssimo corpo energético, com certeza não aceitará incorporar em um médium cujo mental é um depósito de pensamentos negativos. A solução é o mentor lançar mão de um recurso extremo e confiar seu médium a um espírito pouco evoluído para que este cuide dele, pois ainda suporta a vibração de pensamentos negativos. Mas em último caso o mentor recolhe-se à sua faixa vibratória na luz e confia o seu médium à Lei Maior e à Justiça Divina, que o assumirá efetivamente e daí em diante o médium só irá incorporar espíritos afins com seu padrão vibratório e moral. E quase sempre são eguns fora da lei que atuam nesses médiuns ou são quiumbas, obsessores, zombeteiros, perseguidores, vingativos e etc., que levarão o médium a um tormento ou ao descrédito. E não raro após esse recolhimento do mentor, o médium que foi reprovado entra numa fase de descrença e desencanto com sua mediunidade, afastando-se dos centros. Então vai procurar auxílio em alguma outra religião em que qualquer contato com o mundo espiritual é condenado.

Portanto recomendamos aos médiuns que vigiem-se e procurem conhecer-se, descubram se estão integrados à corrente mediúnica que os acolheu e se foram aceitos pela corrente espiritual do centro que freqüentam.

Seja um médium consciente de seus deveres, pois mediunidade é sinônimo de sacerdócio e trabalho espiritual, de atuação dos espíritos santificados no respeito e fé em Deus e no amor à humanidade, pela qual continuam a trabalhar mesmo vivendo no mundo dos espíritos.

O médium inconscientemente pode ser o elemento de desagregação de correntes de trabalhos espirituais, caso não domine seus instintos, sua intolerância com a deficiência alheia, sua incapacidade de entender como um sacerdócio a sua mediunidade, e insista num comportamento desrespeitoso e numa postura anti-religiosa.

Mediunidade é sacerdócio e caso não se consiga ser um grande médium ao menos deve-se tentar ser um ótimo exemplo de religioso, pois Deus recompensa com Seu divino e amoroso amparo religioso.

Pai Rubens Saraceni

A Importância da Educação Mediúnica

Os mitos e Preconceitos

A educação mediúnica é muito importante, pois só se reeducando internamente, um médium alcança níveis vibratórios mentais e conscienciais que lhe facultam os níveis espirituais superiores, a sintonização mental com seu mestre individual, a neutralização de possíveis vícios antagônicos com as práticas religiosas e a compreensão ou percepção do que está acontecendo à sua volta, mas que não está visível. Assim como do que está acontecendo dentro de seu campo mediúnico. Quando bem educado mediunicamente, sua sensitividade é capaz de identificar presenças positivas, ou negativas que adentrem seus campos vibratórios mentais e espirituais.

Os mitos sempre têm um pouco de verdade e um pouco de fantasia. É comum dizer que quem desenvolve sua mediunidade torna-se mais capaz do que quem não a desenvolve. Isso é uma verdade se quem a desenvolveu também compreendeu os compromissos que assumiu. Mas é pura fantasia se ele nada entendeu e logo começou a enfiar os pés pelas mãos, uma vez que ele adquiriu um poder relativo; no entanto começa a se chocar com um poder absoluto, que é a lei de ação e reação. Assim sua suposta superioridade logo o lança em um sensível abismo consciencial.

Portanto em se tratando de mediunidade todo cuidado é pouco e toda precaução não é suficiente, se não estiver presente uma forte dose de humildade e compreensão de que a sua mediunidade não é um fim em si mesmo, mas sim e tão somente um meio de evoluir espiritualmente.

Muitos são os preconceitos quanto à educação mediúnica, e muitas pessoas temem certas inverdades divulgadas por desconhecedores das religiões espiritualistas.

Algumas colocações freqüentes que circulam no meio religioso são de que a Mediunidade é uma provação, e esta não é uma provação, mas somente a exteriorização de um dom que aflorou no ser e que se bem desenvolvida, irá acelerar sua evolução espiritual.

A Mediunidade é uma punição cármica?

Não é uma punição cármica, mas sim um ótimo recurso que a Lei nos facilitou para nos harmonizarmos com nossas ligações ancestrais.

A Mediunidade escraviza os médiuns?

Não escraviza o médium, apenas exige dele uma conduta de acordo com o que esperam os espíritos que por meio dele atuam no plano material, pois de nada adianta alguém ser médium e não assumir conscientemente sua Mediunidade e suas responsabilidades.

Para concluir, podemos dizer que a Mediunidade por ser um dom, tem de ser praticada com fé, amor e caridade. Só assim nos mostramos dignos do Senhor de todos os dons, o nosso Divino Criador.

Pai Rubens Saraceni

O Médium na Umbanda Sagrada

O médium de Umbanda é o ponto chave do ritual de Umbanda no plano material. Por isso o médium iniciante deve merecer dos filhos de fé mais antigos toda a atenção, carinho, paciência e respeito quando adentram o espaço interno das Tendas, pois é mais um filho da Umbanda que é dado à sua luz.

Do lado espiritual todo o apoio lhe é dado, pois os espíritos guias sabem que esse é o período em que mais frágil se sente um ser que traz a mediunidade. Para o médium iniciante esse é o período de transição em que todos os seus valores religiosos anteriores pouco valem, pois outros lhe estão sendo apresentados, sendo portanto um período extremamente delicado.

Alguns milhões de pessoas com um potencial mediúnico magnífico já foram perdidos para outras religiões porque os dirigentes de Tendas não deram a devida atenção ao fator médium do ritual da Umbanda, assim como não atentaram para o fato de que aqueles filhos que lhes são enviados pelo plano espiritual, no lado material dependem fundamentalmente deles.

É chegado o momento de todos os dirigentes espirituais imprimirem aos seus trabalhos mais uma vertente da Umbanda Sagrada; a doutrinação em massa das pessoas que afluem às Tendas nos dias de trabalho, pois muitas ainda não possuem a menor noção do que seja a própria religião.

Muitos umbandistas movidos de nobres e dignificantes intenções buscam em línguas estrangeiras a explicação do termo Umbanda, chegando a mergulhar no passado ancestral em busca do real significado desta palavra. Nada a opor de nossa parte, mas melhor fariam e mais louvável aos olhos dos Orixás seriam seus esforços, caso já tivessem atinado com o verdadeiro sentido do termo Umbanda. Umbanda significa o sacerdócio em si mesmo no médium que sabe lidar tanto com os espíritos, quanto com a natureza humana. É o portador das qualidades, atributos e atribuições que lhe são conferidos pelos senhores da natureza, os Orixás. É o veículo de comunicação entre os espíritos e os encarnados. E só um "Umbanda" está apto a incorporar tanto os do alto quanto os do embaixo, assim como os do meio, pois ele é em si mesmo um templo.

Umbanda é sinônimo de poder ativo, de curador, de conselheiro, de intermediador, de filho de fé, de sacerdote. É a religiosidade do religioso, é o sacerdote atuante que traz em si todos os recursos dos templos de tijolos, pedras ou concreto armado, é o mais belo dos templos onde Deus mais aprecia estar: no íntimo do ser humano.

Umbanda provém de m'banda, o sacerdote, o curador, é o sacerdócio na mais completa acepção da palavra pois coloca o médium na posição de doador das qualidades de seus Orixás que impossibilitados de falarem diretamente ao povo, falam a partir de seus templos humanos, os seus filhos de fé. Por isso os pais e mães espirituais devem olhar para todos os que lhes chegam não como seres perturbados, mas como médiuns necessitando de auxílio para ordenarem as manifestações dos espíritos que fazem parte de sua linha de forças espirituais.

Mostrem-lhes que Orixá é a natureza divina manifestando-se de forma humana para os espíritos humanos.

Esclareçam aos filhos recém-chegados que se sentem incomodados, que isso não é nada de ruim, pois há todo um santuário aprisionado em seus íntimos que está tentando explodir por meio de sua mediunidade magnífica. Conversem demoradamente com eles e procurem mostrar-lhes que Umbanda não é a panacéia para todos os males do corpo e da matéria, mas sim o aflorar da espiritualização sufocada por milênios e milênios de ignorância e descaso com as coisas do espírito. Expliquem-lhes que devem preservar sua coroa (cabeça), pois é nela que a luz dos Orixás lhes chega e os liberta dos vícios da carne e do materialismo brutal. E que como templos vivos devem manter limpo seu íntimo, pois nesse íntimo há uma centelha divina animada pelo fogo divino que a tudo purifica, e que o purificará sempre que entregar sua coroa ao seu Orixá.

Ensinem que eles trazem em si mesmos um templo já santificado, que nele se assentam os Orixás.

Pai Rubens Saraceni

O Campo Mediúnico - 1ª Parte

Todos sabemos que um ser humano, uma planta, um mineral e muitos animais não racionais possuem uma aura que os envolve, protegendo-os do meio exterior. Assim como sabemos que esta aura também é refletora da energia interior dos corpos inanimados. Nos seres vivos é a refletora dos sentimentos e dos padrões energo-magnéticos, e está intimamente relacionada com o campo emocional.

O campo mediúnico inicia-se no corpo elementar básico e expande-se uniformemente ao redor dele por aproximadamente uns trinta centímetros, e até uns setenta no máximo. Este campo mediúnico ou eletromagnético é comum a todos os seres humanos, independente de sua formação cultural ou religiosa. E aqui nos limitaremos somente aos seres humanos.

O fato é que este campo eletromagnético tem sua sede no mental, que é a “coroa” ou chacra coronário, iniciando-se ao seu redor e derramando-se em torno do corpo elemental básico. “Elemental” porque é elemento puro, e básico porque é o primeiro “corpo” que o ser humano teve formado num estágio virginal onde evoluiu.

O campo mediúnico abre-se para o plano espiritual e é através dele que são estabelecidas ligações magnéticas com o mundo espiritual. Este campo interpenetra outras dimensões, mas não as sente ou é sentido por quem vive nelas. O mesmo acontece com os espíritos em relação ao plano material: atravessam paredes, corpos, etc., sem alterar suas estruturas espirituais ou as estruturas físicas dos objetos tocados por eles. “No universo, tudo vibra e tudo é vibração.” Logo se tudo o que existe no plano material obedece ao padrão vibratório “atômico”, no plano espiritual o padrão vibratório é o “etérico”. “Etérico”, de éter ou energia sutilizada a níveis suprafísicos.

Em cada padrão vibratório específico tudo se nos mostra regido pelas mesmas leis que sustentam as formas no plano material: agregados energéticos que por magnetismos específicos, dão formação às massas ou corpos físicos. Na dimensão onde vivem os espíritos, um magnetismo semelhante ao existente no plano material também existe, e sustenta tudo o que nela possa existir. A única diferença está no relacionamento energético e na mudança do padrão vibratório tanto dos seres quanto das formas, que são plasmadas a partir do éter. Assim explicado, então saibam que todos nós temos um campo mediúnico que se abre para muitas dimensões da vida e que as interpenetram, ainda que disto não nos apercebamos pois nosso percepcional espiritual está graduado no mínimo para captar as vibrações exclusivas da dimensão humana, e no máximo para captar vibrações espirituais. Mas este campo mediúnico interpenetra as dimensões ígneas, aquáticas, terrosas, eólicas, mistas, cristalinas, minerais, vegetais, etc. se desenvolvermos conscientemente nosso rústico percepcional, então podemos captar as energias circulantes que existem nelas e nos chegam de forma sutil. Este campo mediúnico que à falta de palavras de melhor definição preferimos nominar de “campo eletromagnético”, é justamente a nossa tela refletora onde as ligações invisíveis costumam acontecer. É neste campo pessoal dos seres humanos que alojam-se focos vibratórios ou acúmulos energéticos que refletem na aura e a rompem, alcançando o corpo energético ou mesmo o físico, afetando a saúde. Se em um primeiro momento os padrões vibratórios são diferentes, no entanto, tudo o que nele se alojou vai pouco a pouco sendo induzido pelo nosso magnetismo a adequar-se ao nosso padrão pessoal. Aí começa a ser internalizado por magnetismo. Isto é comum nos casos de obsessão espiritual, quando um ser não afim conosco aloja-se em nosso campo eletromagnético.

O padrão vibratório do intruso é outro, e passamos a ser incomodados quando ele adequa seu padrão ao nosso. Então suas vibrações mentais, conscientes ou não, interferem no nosso mental através de nosso emocional conduzindo-nos a desequilíbrios energéticos profundos. Estas interferências, se muito duradouras ou intensas, costumam nos desequilibrar de tal forma que passamos a ter duas personalidades antagônicas num mesmo ser e um mesmo espaço mediúnico. E porque nosso corpo físico reage a estes estímulos vibrados pelo intruso alojado em nosso campo eletromagnético, então começamos a sentir desequilíbrios (dores) no próprio corpo físico. São as doenças não diagnosticadas pelos médicos.

Os “passes” ministrados por médiuns magnetizadores e doadores de energias têm como função descarregar este campo dos acúmulos de energias negativas nele formados no decorrer do tempo. É por isso que os passes magnéticos são fundamentais num tratamento espiritual, pois os mentores curadores precisam ter em seus pacientes este campo totalmente limpo, quando então começam a operar no corpo energético, onde realizam cirurgias corretivas ou desobstrutoras, chegando mesmo a retirarem “tumores” formados unicamente por energias negativas internalizadas pelo corpo energético.

Somente após equilibrarem o campo eletromagnético e o corpo energético dos seres, é que os mentores curadores atuam no corpo físico de seus pacientes encarnados que a eles recorrem, pois realizam curas maravilhosas onde a limitada medicina falha. É fundamental que saibam disso pois somente assim entenderão o porque dos passes realizados em todos os centros espíritas ou de Umbanda: é para realizar a limpeza dos campos mediúnicos de seus freqüentadores. Enquanto nos centros espíritas usa-se o passe magnético, nos centros de Umbanda também se recorre aos passes energéticos, quando são usados diversos materiais (fumo, água, ervas, pedras ou colares, etc.) que descarregam os acúmulos negativos alojados nesses campos eletromagnéticos.

O uso de guias ou colares pelos médiuns têm esta função durante os trabalhos práticos: as energias que vão sendo captadas, vão se condensando (agregando) às guias e não são absorvidas pelos seus corpos energéticos, não os sobrecarregando e não os desarmonizando durante os trabalhos espirituais. Ervas e fumo, quando potencializadas com energias etéricas pelos mentores, também se tornam poderosos limpadores de campos eletromagnéticos. Enfim, existe toda uma ciência por trás de tais procedimentos dos espíritos que atuam no Ritual de Umbanda Sagrada.

Pai Rubens Saraceni

O Campo Mediúnico - 2ª Parte

Há também um outro aspecto que todos devem conhecer: quando alguém realiza uma magia contra ou em favor de alguém, ela primeiro reflete neste campo eletromagnético, para só depois afixar-se nele e ser internalizada. Se a magia é positiva ela é imediatamente absorvida e alcança tanto o emocional quanto o corpo físico, melhorando o estado geral do ser. Se a magia é negativa então surge uma reação física, energética, magnética, emocional e mental por parte do ser alvo, visando repeli-la. Mas nem sempre isso é conseguido. Então as defesas do ser enfraquecem-se e ele começa a internalizar os fluxos negativos direcionados que estão inundando seu campo eletromagnético com energias, que pouco a pouco ou rapidamente o atingirão, o enfraquecerão, o adoecerão, ou o desequilibrarão emocionalmente, abrindo todo um amplo campo onde atuações diretas começarão a acontecer. Essa é a mecânica de funcionamento das magias negras.

Nas magias positivas o campo eletromagnético absorve de imediato as energias que lhe chegam através de sua tela coletora de vibrações positivas e as internalizam, anulando parcialmente os efeitos das doenças físicas, psíquicas ou espirituais. Enquanto durar a vibração direcionada via orações e irradiações acionadas a partir da ativação de materiais potencializados e etc., durará a captação das energias que chegarão.

O campo mediúnico ou eletromagnético não é a aura. Esta é tão somente composta por irradiações do corpo energético, que é um gerador energético por excelência. A aura é um espelho etérico do estado geral do ser e mostra, através de suas cores, os tipos de sentimentos vibrados e o padrão vibratório estabelecido no mental, que é o centro magnético do espírito. Nos processos de desenvolvimento mediúnico, todo este campo eletromagnético tem seu padrão reajustado para que as incorporações se realizem da forma mais natural possível.

No principio quando os espíritos adentram neste campo, por estarem vibrando num outro padrão, o médium sente-se zonzo, dormente, desequilibrado e etc., pois seu equilíbrio gravitacional mental sofre uma interferência poderosa. Mas à medida que os mentores vão reajustando o padrão vibratório de seus médiuns, os choques vibratórios vão desaparecendo e as incorporações acontecem de modo quase imperceptível a quem está assistindo o processo. Neste ponto do desenvolvimento mediúnico, o campo eletromagnético do médium já foi totalmente reajustado e foi afinizado com o padrão vibratório espiritual, pois antes quem o graduava era o padrão vibratório atômico (físico).

Na Umbanda recorre-se às giras de desenvolvimento quando vários recursos são usados ao mesmo tempo: defumações, palmas, cantos, danças, atabaques e outros instrumentos.

Comentaremos estes recursos:

-Defumações: descarregam o campo mediúnico e sutilizam suas vibrações, tornando-o receptivo às energias de ordem positiva.

-Palmas: se cadenciadas e ritmadas, criam um amplo campo sonoro cujas vibrações agudas alcançam o centro da percepção localizado no mental dos médiuns. Com isso os predispõem a vibrarem ordenadamente, facilitando o trabalho de reajustamento de seus padrões magnéticos.

-Cantos: a Umbanda recorre aos cantos ritmados que atuam sobre alguns plexos, que reagem aumentando a velocidade de seus giros. Com isso captam muito mais energias etéricas que sutilizam rapidamente todo o campo mediúnico, facilitando a incorporação.

-Atabaques e outros instrumentos:

As vibrações sonoras têm o poder de adormecer o emocional, estimular o percepcional, alterar as irradiações energéticas e atuar sobre o padrão vibratório do médium. Ao desestabilizar o padrão vibratório, o mentor aproveita esta facilidade e adentra no campo eletromagnético, adequando-o ao seu próprio padrão e fixando-o no mental de seu médium através de vibrações mentais direcionadas. Em pouco tempo o médium adequa-se e torna-se magneticamente tão etérico em seu padrão vibratório, que já não precisa do concurso de instrumentos para incorporar. Basta se colocar em sintonia mental com quem irá incorporá-lo para que o fenômeno ocorra.

-Danças: a Umbanda e o Candomblé recorrem às “danças rituais” pois durante seu transcorrer, os médiuns se desligam de tudo e concentram-se intensamente numa ação onde o movimento cadenciado facilita seu envolvimento mediúnico. Nas “giras”(danças rituais), as vibrações médium-mentor se interpenetram de tal forma, que o espírito do médium fica adormecido, já que é paralisado momentaneamente. Os médiuns em principio sentem tonturas ou enjôos. Mas estas reações cessam se a entrega for total e não houver tentativa de comandar os movimentos, já que será seu mentor quem o comandará. Um médium plenamente desenvolvido pode “dançar”durante horas seguidas que não se sentirá cansado após a desincorporação. E se assim é, isso se deve ao fato de não ter gasto suas energias espirituais. Não raro sente-se leve, enlevado e etc., pois seu corpo energético, influenciado pelo corpo etérico do mentor, sobrecarregou-se de energias sutis e benéficas.

Não entendemos algumas críticas infundadas ou conceitos errôneos a respeito do desenvolvimento da mediunidade com recursos sonoros como os que acabamos de descrever. São ótimos e foram aperfeiçoados por mentores que ordenaram todo o Ritual de Umbanda sagrada a partir do astral. Se tais recursos fossem nocivos ou não proporcionassem facilidades ao ato de incorporação, com certeza já teriam sido banidos das Tendas de Umbanda.

Nada é por acaso. Se o Ritual de Umbanda optou pelo uso de atabaques, cantos e danças rituais, não tenham dúvidas: as incorporações acontecem ou não, mas ninguém fica na dúvida se incorporou ou se o Guia só encostou.

Pai Rubens Saraceni

Escolas Umbandistas de Desenvolvimento Mediúnico

Há muitos anos atrás, Pai Benedito de Aruanda em um dos livros psicografados por mim, revelou-nos isso: “De cada cem crianças que nascem, trinta delas já trazem alguma faculdade mediúnica (ou várias) já madura, e que precisarão ser orientadas corretamente para colocá-la a serviço dos seus semelhantes e auxiliá-los.

As faculdades mediúnicas mais ostensivas são as de incorporação, de clarividência, de intuição e de sensitividade, que também são as mais difíceis de dominar, porque se não forem devidamente colocadas sob controle consciente dos seus possuidores acabarão prejudicando-os e atrapalhando-os em vários aspectos de suas vidas, e até mesmo segregando-os do seio de suas famílias, sendo que muitos se tornam freqüentadores de consultórios médicos (Psicólogos, Psiquiatras, Neurologistas, entre outros.) ou dependentes de drogas e bebidas ainda na juventude, porque se sentem diferentes das outras crianças ou dos outros jovens.

Faculdade mediúnica fora de controle em uma criança, em um jovem ou adulto torna-o infeliz, perturbado espiritualmente e o desequilibrando psicologicamente, atrapalhando seu desempenho no estudo e no trabalho, podendo em muitos casos levar a pessoa à perda da razão, e da capacidade de separar o lado espiritual de sua vida do lado material. Não são poucos os relatos na literatura espírita, de pessoas que foram internadas como “loucas” ou “desajustadas”. Não que existam casos como esse devido a desequilíbrios bioquímicos e psicológicos, esses últimos devido a má formação e má orientação quando na mais tenra idade (de um a sete anos de idade). Sobre isso há farta literatura, tanto espírita quanto médica e somente me servi do muito que já li sobre o assunto.

Baseado no que eu já sabia, e na informação de Pai Benedito de que trinta por cento da população possui alguma faculdade mediúnica já amadurecida em vidas passadas, e no período em que o espírito viveu no astral, acerca de quinze anos comecei a estimular os dirigentes de Umbanda a abrirem seus centros em um dia específico, somente para acolherem essas pessoas com faculdades mediúnicas ostensivas, para orientá-las e auxiliá-las no domínio consciente delas, e também ajudá-las a incorporar a mediunidade religiosamente às suas vidas, como um dom do espírito que deve ser colocado a serviço do próximo de forma correta, para a partir de então essas pessoas tornarem-se úteis com algo que possuem, ou que demorou muito tempo para adquirirem: o dom mediúnico.

Ensinei isso, ensino, sempre ensinarei e sempre lembrarei aos dirigentes dos centros de Umbanda que uma semana tem sete dias, e que podem usar um dia para o estudo da Umbanda e do desenvolvimento mediúnico das pessoas, principalmente dos que tem a faculdade de incorporar os espíritos. Eu me baseei no que é feito regularmente no espiritismo e em muitos centros de Umbanda, onde o desenvolvimento da faculdade de incorporar espíritos é feito em dias específicos, quando o centro não recebe consulentes e suas cargas espirituais, que de alguma forma perturbam os médiuns iniciantes, ainda vulneráveis à presença de espíritos trevosos ou sofredores que interferem e bloqueiam suas incorporações, deixando-os mal, com tonturas, dores de cabeça ou no corpo, náuseas e etc.

Não inventei escolas de desenvolvimento mediúnico, apenas tenho estimulado os dirigentes umbandistas a darem à Mediunidade o mesmo valor que sempre deram a ela os nossos irmãos espíritas, com suas escolas de desenvolvimento mediúnico criadas há cento e cinquenta anos anos pelos semeadores do espiritismo, e tendo à frente deles Allan Kardec, que para mim é um dos maiores luminares da humanidade.

O desenvolvimento mediúnico organizado e bem conduzido tem o apoio da espiritualidade superior, e tanto nos centros espíritas quanto nos de Umbanda, as aulas e práticas mediúnicas são assistidas e orientadas por espíritos mentores, muitos deles ligados aos médiuns que estão começando a desenvolver um método consciente de dominar suas faculdades e colocá-las em ordem, para que posteriormente possam participar com firmeza e segurança das sessões de atendimento espiritual aos consulentes do centro que freqüentam. Como eu já escrevi linhas atrás, não inventei as escolas de desenvolvimento mediúnico, pois quem fez isso foi Allan Kardec.

Eu não inventei o desenvolvimento na Umbanda, porque foi nosso querido e saudoso Pai Zelio de Morais que fundou a Umbanda e alicerçou-a na faculdade de incorporação, ao incorporar o espírito mensageiro de Deus, que incorporado nele abriu o primeiro trabalho espiritual de Umbanda, oficializando no plano material mais uma religião. Eu fui beneficiário do legado deles, e os reverencio sempre pelo bem que criaram e beneficiou-me quando precisei desenvolver-me na Umbanda, e fui acolhido por dirigentes que tinham um dia à parte somente para o desenvolvimento mediúnico.

Mas como já vi e já passei por Centros que desenvolvem os médiuns nos dias de atendimento público, e o Guia Chefe tem pouco tempo para eles, e muitos saem das giras piores do que quando chegaram, tenho recomendado a todos os sacerdotes umbandistas que estudaram comigo que adotem nos seus Centros um dia exclusivo para o desenvolvimento mediúnico. Não tenho feito essa recomendação somente aos que estudaram comigo e que abriram seus Centros. Também tenho divulgado essa iniciativa para que no futuro, a Umbanda tenha muitos médiuns, todos conscientes dos seus deveres com Deus e com a espiritualidade superior, mas também equilibrados intimamente, e felizes por possuírem dons espirituais e poderem colocá-los caritativamente a serviço dos seus semelhantes.

Nos nossos centros, os médiuns iniciantes têm um dia de estudos e práticas mediúnicas somente para eles, e quando já dominam conscientemente suas faculdades, aí são conduzidos ao trabalho de atendimento ao público cambonando os guias de trabalho, fazendo transportes, descarrego e desobsessões, aprendendo também de forma consciente e racional toda a dinâmica de trabalho da Umbanda. Com o passar do tempo e após terem auxiliado os guias e aprendido o mínimo indispensável para o exercício de sua mediunidade de incorporação, ficam auxiliando até que seus próprios guias espirituais, incorporados neles comecem a pedir seus colares, confirmarem seus nomes e a solicitarem ao Guia chefe que querem trabalhar no atendimento às pessoas necessitadas.

Em alguns casos é o Guia chefe, que acompanhou todo o desenvolvimento do médium que o avisa de que ele já está pronto, e que seus Guias querem trabalhar no atendimento incorporados nele. Alguns mais tímidos ou inseguros relutam. Mas quando seus Guias incorporam e passam atender as pessoas ajudando-as, todos se soltam, se descontraem e tornam-se ótimos médiuns umbandistas.

Em todo o período de tempo que passou desenvolvendo-se, o médium submeteu-se a uma disciplina íntima, a uma doutrinação religiosa e espiritualizadora da sua mediunidade, inte­grando-se à Umbanda, e sentindo-se de fato e de direito um umbandista orgulhoso de ser médium.

Isso fizeram por mim, isso tenho feito desde que abri meu centro em 1983, e o Guia Chefe devido ao grande número de pessoas na assistência com problemas devido à mediunidade, ordenou que abríssemos uma vez por semana somente para que ele pudesse assistí-las e desenvolvê-las, pois não adiantava aplicar-lhes um passe, uma vez que eram médiuns e viviam em desequilíbrio por causa de suas mediunidades. Somente se desenvolvendo essas pessoas recuperariam seus equilíbrios. Desde então já desenvolvi milhares de médiuns e muitos hoje dirigem seus centros, também desenvolvendo muitos médiuns novos para a Umbanda, expan­dindo a nossa religião e beneficiando outras pessoas, que como eles chegam desequilibradas diante dos seus Guias, e estes vão logo alertando-as com estas palavras: “filho(a) o seu problema é de mediunidade e só desenvolvendo-a você melhorará!”

Quantos Guias espirituais incorporados em seus médiuns já disseram isso a algum consulente?

Todos os Guias de Umbanda já disseram, dizem e sempre dirão isso quando se depararem com pessoas possuidoras do dom da mediunidade de incorporação, e todos tem recomendado a elas que somente desenvolvendo-se poderão recuperar o seu equilíbrio. Isso não sou eu que estou afirmando aqui, e sim todos os Guias espirituais que fazem essas recomendações às pessoas com mediunidade.

Quem dá essa orientação às pessoas?

São os Guias espirituais respondo eu, e todos os médiuns umbandistas.

Qual é a base sustentadora da religião?

É a mediunidade de incorporação, respondem os Guias e todos nós, pois sem Guia incorporado e auxiliando as pessoas necessitadas, não há trabalho de Umbanda, tal como fez e nos legou o Senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, que fundou a Umbanda incorporado no querido e saudoso Pai Zelio de Moraes.

Tirem a incorporação da Umbanda e acabam as giras, os cantos, as danças, os toques, a dinâmica, o rito, o ritmo e as sessões de caridade espiritual umbandistas.

Para nós, cada médium é um templo vivo e é através dele que a religião flui, cresce e expande-se, pouco importando para os Guias se o templo físico é grande ou pequeno, se é luxuoso ou humilde, se está superlotado ou se tem só um pequeno número de consulentes.

Os médiuns são os verdadeiros templos dos Guias de Umbanda; os Guias são os grandes obreiros caritativos e a mediunidade de incorporação, é a grande base humana e espiritual sustentadora da nossa religião.

Retirem das sessões de atendimento a incorporação e o que teremos?

O fim da Umbanda.

A Umbanda não precisa de salvadores, mas sim de médiuns dedicados, respeitosos e fraternos, e de nada mais.

Pai Rubens Saraceni

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