O Surgimento da Umbanda

Em meados do ano de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com dezessete anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, Estado do Rio de Janeiro, foi surpreendida pelo ocorrido.

Esses "ataques" do rapaz, eram caracterizados por posturas de um idoso, com diálogo aparentemente sem sentido e desconexo, tal qual uma pessoa que houvesse vivido em outra época. Muitas vezes assumia a postura lépida de alguém que com desembaraço, mostrava conhecer muitas coisas da natureza. Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava sim, que o menino estava endemoniado.

Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de Novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.

Tomado por uma força estranha e alheia à sua vontade e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após instantes com uma flor, que depositou ao centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.

O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o "seu atraso espiritual", convidando-os a se retirarem. Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: "Por que repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens? Será por causa de suas origens sociais e da cor?" Seguiu-se um diálogo acalorado e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.

Um médium vidente perguntou: "Por que o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram quando encarnados, são claramente atrasados? Por que fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão? "Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados." "O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro.

Anunciou a seguir, a missão que trazia do Astral: "Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de Novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e assim cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.” O vidente argumentou: "Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto"? Perguntou com ironia. E o espírito já identificado lhe disse: "Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei".

E o caboclo assim concluiu: "Deus em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte o grande nivelador universal. O rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte; mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Por que não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?"

No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar as 20:00 horas, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.

Às 20:00 horas, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social. A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.

O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 horas; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu também o nome do Movimento Religioso que se iniciava: Umbanda – Manifestação do Espírito para a Caridade.

A Casa de trabalhos espirituais que ora fundada, recebeu o nome de Tenda Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.

Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou à parte prática dos trabalhos.

O caboclo atendeu um paralítico, tornando este curado. Passou a atender outras pessoas que haviam neste local, praticando suas curas. Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras: "Nego num senta não meu sinhô, nego fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nego deve arrespeitá."

Após insistência dos presentes, este fala a todos: "Num carece preocupá não. Nego fica no toco que é lugá di nego." Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que havia deixado na terra e este responde: "Minha caximba. Nego qué o pito que deixou no toco. Manda mureque buscá."

Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje utilizada pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antonio".

No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos e etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.

A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo Orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.

Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete Tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitar ajuda monetária de ninguém era a ordem do seu guia chefe, apesar das inúmeras ocasiões em que esta foi oferecida a ele.

Ministros, industriais e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. "Não os aceite, devolva-os", ordenava sempre o Caboclo.

A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas Tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda. E quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda. O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.

O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser utilizados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje.

Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade, Zélio entregou a direção dos trabalhos à suas filhas Zélia e Zilméa, continuando ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.

Umbanda, Pronto Socorro Espiritual

A Umbanda é uma Religião fascinante se estudada com isenção e racionalismo, mostrando-nos a Grandeza Divina de Deus, e as infinitas possibilidades que Ele nos oferece para nos auxiliarmos, quando entramos em desequilíbrio com o Plano Espiritual e o Natural. Se soubermos interpretar o simbolismo umbandista , veremos que mais do que uma Religião, a Umbanda é um pronto socorro espiritual equipadissímo para acolher todos os necessitados de um rápido auxílio.

As pessoas seguidoras de outras religiões não vão à Umbanda para rezar, e sim vão em busca do socorro imediato para as mazelas, que em suas religiões não tem como ser tratadas adequadamente. Vemos entrar e sair dos Centros Umbandistas, pessoas seguidoras das mais diversas religiões, todas necessitadas de tratamento espiritual imediato, muitas delas à beira de um colapso nervoso, do suicídio, da loucura, da confusão que incutiram em suas mentes com mensagens religiosas contraditórias, que ao invés de orientá-las, as confundiram de tal forma que muitas perderam a fé no referencial divino que tinham.

Com os espíritos que se manifestam através de seus médiuns, muitos encontram palavras de consolo, de conforto, e de esclarecimento, que pouco a pouco fornecem-lhes novos referenciais, todos fundamentados na imortalidade do espírito e na necessidade de espiritualizarem-se, porque somente com uma pessoa se entendendo como espírito imortal encarnado para cumprir mais uma etapa da sua evolução, ela lidará de forma correta com suas dificuldades aqui na terra, e alcançará o equilíbrio intimo para supera-las ou transmuta-las.

Os referenciais divinos de quase todas as religiões são idênticos, e estão calcados na existência de um Deus Onipresente e Onipotente que tudo pode e tudo faz; que é justo e perfeito e que não desampara ninguém em momento algum, fornecendo a todos o seu amparo divino. Esse referencial divino é verdadeiro e não estamos negando-o ou questionando-o, porque também acreditamos nele, e o ensinamos a todos que acreditam na existência de Deus. O que questionamos acerca desse referencial divino, é que muitos limitaram a religiosidade das pessoas nessa afirmação (verdadeira), e negaram tudo mais que faz parte do aprendizado e da espiritualização delas, negando-lhes o beneficio da busca, e a satisfação de poderem por si solucionarem as dificuldades do dia a dia, e de sanarem as dúvidas existênciais que surgem naturalmente no decorrer de suas passagens terrenas.

Na mente do doente, do desempregado, do solitário, do desesperançado, do desiludido , do desequilibrado mental e emocionalmente etc., passam pensamentos terríveis sobre sua condição de sofredor em meio a tantas pessoas saudáveis, em meio a tantas pessoas empregadas e em ótima situação financeira, em meio a tantas pessoas felizes, em meio a tantas pessoas cheias de esperança, e felizes pelo sucesso já obtido em seus projetos de vida. A legião de sofredores encarnados é imensa, e em certos momentos nós (eu e você, amigo leitor) já fizemos parte dela (ou ainda somos). Aos membros temporários ou permanentes dessa imensa legião de sofredores encarnados, soma-se a dos espíritos já desencarnados, muito maior e em piores condições porque já não têm a estabilidade do plano material para se agarrarem, e não serem tragados pelo abismo do desespero , do tormento e da sensação de desamparo total nos momentos mais difíceis das suas existências.

Faltou a alguns interpretes de Deus revelarem aos seus seguidores que Deus é Onipotente, Onisciente e Onipresente, que tudo pode e tudo faz em nosso benefício, não desamparando ninguém em momento algum, mas que tem Sua forma de nos auxiliar na solução das nossas dificuldades, todas elas passando por nós mesmos, e contando com a nossa participação na solução dos nossos problemas.

Deus possui muitos modos de operar em nosso benefício, e um deles é através do auxílio dos espíritos mais evoluídos, que invariavelmente voltam-se para os menos evoluídos e passam a auxiliá-los para que lidem de forma correta com suas dificuldades, sejam elas transitórias ou permanentes. As dificuldades transitórias são solucionadas rapidamente. Já as permanentes, a solução destas é possível com uma transformação integral do ser, pois a mente que é a fonte dos pensamentos, não pode estar dissociada da razão e do bom senso, que são fontes de equilíbrio e racionalismo. Ou a mente e a razão estão associadas e centradas, ou a qualidade dos pensamentos deteriora-se, e elas se auto anulam pelas contradições, enfraquecendo a fé, e anulando a crença em um Deus Justo e Perfeito, que não desampara ninguém e a todos socorre o tempo todo, mesmo quando a solução das nossas dificuldades esta em nós.

Espiritualizar-se é mais do que crer em Deus! É o ser crer-se parte Dele, e que todas as suas ações refletem Nele e retornam para nós, os seus emissores. É crer-se uma célula do corpo de Deus, que se está saudável realiza suas funções sem chamar a atenção dos "anticorpos" espirituais, mas se ficar enferma atrairá a atenção deles e começará a ser atacada de todos os lados até ser devorada por eles, que tem justamente essa função: Destruir e remover do corpo todas as células que se tornarem enfermas e ameaçarem a saúde, o bem estar e o equilíbrio existente nele.

A "célula enferma" não entende porque só ela esta sendo atacada e todas as outras (suas irmãs) não são incomodadas pelos "anticorpos", ainda que estejam ao seu lado. Com certeza essa célula enferma tem muitos porquês sem respostas, não é mesmo? Tal como todas as pessoas, em certos momentos de nossa existência, quando estamos sofrendo porque fomos atacados violentamente por forças desconhecidas, fraquejamos e sentimos que fomos abandonados à nossa própria sorte (ou azar).

Quantas pessoas não vêem suas vidas desmoronarem de uma hora para outra, perdendo tudo o que acumularam durante anos por causa de um mau negócio; de um projeto que não deu certo; devido uma onda de doenças; por causa de uma separação conjugal; pela perda de um emprego bem remunerado, etc., e daí em diante tudo muda para pior e escapa-lhes do controle. São acontecimentos corriqueiros, porque acontecem o tempo todo com muitas pessoas independente da religião que sigam. Quantas dessas pessoas sofridas e desesperadas não atribuem a Deus a responsabilidade pelos seus infortúnios, pois sentem-se abandonadas, punidas ou desamparadas por Ele, que tudo pode mas nada faz para minorar seus sofrimentos. Quantas não abandonam suas religiões e começam a buscar nas outras o amparo e a proteção divina, já inexistentes na que seguem. Daí em diante passam de uma igreja para outra; de uma religião para outra; de um sacerdote miraculoso para outro, sempre buscando nelas ou neles o que perderam. E por fim, quando nada mais lhes resta nesse campo (o religioso), já acreditando que tudo lhes foi tirado, aí sim voltam-se para o pronto-socorro espiritual conhecido por Umbanda.

Na Umbanda, em seus Centros despidos de luxo, vergam-se ante a inexorável ação da Lei Maior em suas vidas, e curvam-se perante a espiritualidade enquanto ainda há tempo. Diante dos Espíritos-Guias as pessoas relatam seus sofrimentos, abrem seus corações e derramam suas lágrimas para que a esperança brote novamente em suas vidas. Finalmente a humildade se fez presente em seus íntimos, e o "Centro de Macumba e os Macumbeiros", tão ofendidos e vítimas de todo tipo de sarcasmos e ofensas, mostram-se aos seus olhos surpresos, que a Umbanda é uma religião humanista e socorrista e que os tão difamados "macumbeiros", são pessoas tão humanas quanto eles e que nada lhes pedem ou cobram-lhes para ajudá-los na reconquista do amparo divino. Não cobram nada, não pedem dízimo e não cobram caríssimos "trabalhos", porque dentro do verdadeiro Centro de Umbanda quem trabalha são os Guias Espirituais, que não precisam de nenhuma vantagem financeira para estender suas mãos luminosas aos necessitados.

Isto é Umbanda!

Pai Rubens Saraceni

Sobre a Umbanda

A Umbanda com cerca de um século de existência, é sincrética e absorveu conceitos, posturas e preceitos cristãos, indígenas e africanos, pois estas três culturas religiosas estão na sua base teológica e são visíveis ao bom observador.

O marco inicial da Umbanda foi a manifestação do senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas no médium Zélio Fernandino de Morais ocorrida no ano de hum mil e novecentos e oito, diferenciando-a do espiritismo e dos cultos de nação Candomblé de então.

A Umbanda tem suas raízes nas religiões indígenas, africanas e cristã, mas incorporou conhecimentos religiosos universais pertencentes a muitas outras religiões, é o sinônimo de prática religiosa e magística caritativa e não tem a cobrança pecuniária como uma de suas práticas usuais, porém é lícito o chamamento dos médiuns e das pessoas que freqüentam seus templos no sentido de contribuírem para a manutenção deles, ou para a realização de eventos de cunho religioso ou assistencial aos mais necessitados.

A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamento de orixás, e não tem nessa prática legítima e tradicional do Candomblé um dos seus recursos ofertatórios às divindades, pois recorre às oferendas de flores, frutos, alimentos e velas quando as reverencia. A Umbanda não aceita a tese defendida por alguns adeptos dos cultos de nação que diz que só com a catulagem de cabeça, e só com o sacrifício de animais é possível as feituras de cabeça (coroação do médium) e o assentamento dos orixás, pois para a Umbanda a fé é o mecanismo íntimo que ativa Deus, suas divindades e os guias espirituais em benefício dos médiuns e dos freqüentadores dos seus templos.

A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda e suas práticas ofertatórias isentas de sacrifícios de animais são uma reverência aos orixás e aos guias espirituais, recomendando-as aos seus fiéis, pois são mecanismos estimuladores do respeito e da união religiosa com as divindades e os espíritos da natureza ou que se servem dela para auxiliarem os encarnados.

A Umbanda não é uma seita e sim uma religião, ainda meio difusa devido à aceitação maciça de médiuns cujas formações religiosas se processaram em outras religiões e cujos usos e costumes vão sendo diluídos muito lentamente para não melindrar os conceitos e as posturas religiosas dos seus novos adeptos, adquiridos fora da Umbanda mas respeitados por ela.

A Umbanda não apressa o desenvolvimento doutrinário dos seus fiéis, pois tem no tempo e na espiritualidade dois ótimos recursos para conquistar o coração e a mente dos seus fiéis. A Umbanda tem na mediunidade de incorporação a sua maior fonte de adeptos, pois a mediunidade independe da crença religiosa das pessoas, e como a maioria das religiões condena os médiuns ou segrega-os, taxando-os de pessoas possessas ou desequilibradas, então a Umbanda não tem que se preocupar pois sempre será procurada pelas pessoas possuidoras de faculdades mediúnicas, principalmente a de incorporação.

A Umbanda tem de preparar muito bem os seus sacerdotes para que estes acolham em seus templos todas as pessoas possuidoras de faculdades mediúnicas e as auxiliem no desenvolvimento delas, preparando-as para que futuramente se tornem, também elas os seus futuros sacerdotes.

A Umbanda tem na mediunidade de incorporação o seu principal mecanismo de práticas religiosa, pois com seus médiuns bem preparados assiste seus fiéis, auxilia na resolução de problemas graves ou corriqueiros, todos tratados com a mesma preocupação e dedicação espiritual e sacerdotal. A Umbanda é uma religião espírita e espiritualista. Espírita por que está em parte fundamentada na manifestação dos espíritos guias, e espiritualista por que incorporou conceitos e práticas espiritualistas, tais como magias espirituais e religiosas, cultos aos ancestrais divinos, culto religioso aos espíritos superiores da natureza, culto aos ancestrais divinos, culto aos espíritos elevados ou ascencionados e que retornam como Guias chefes, para auxiliar a evolução das pessoas que freqüentam os templos de Umbanda.

A Umbanda por ser sincrética não alimenta em seu seio o segregacionismo religioso de nenhuma espécie, tendo as outras religiões como legítimas representantes de Deus, e vê todas como ótimas vias evolutivas criadas por Ele para acelerarem a evolução da humanidade.

A Umbanda não adota práticas agressivas de conversão religiosa, pois acha estes procedimentos uma violência consciencial contra as pessoas, preferindo somente auxiliar quem adentrar em seus templos. O tempo e o auxílio espiritual desinteressado ou livre de segundas intenções têm sido os maiores atrativos dos fiéis umbandistas.

A Umbanda crê que sacerdotes que exigem a conversão ou batismo obrigatório de quem os procura, pois só assim poderão ser auxiliados por eles e por Deus, com certeza são movidos por segundas intenções, e mais dia menos dia as colocarão para quem se converteu para serem auxiliados por eles; veja famosos pastores mercantilistas eletrônicos ou alguns supostos sarcedotes de cultos que vivem dos boris e dos ebós que recomendam incisivamente aos seus fiéis, tornando-os totalmente dependentes dessas práticas caso queiram algum auxílio espiritual ou religioso.

A Umbanda prega que os espíritos elevados (os seus espíritos guias) são dotados de faculdades e poderes superiores ao senso comum dos encarnados e tem neles um dos seus recursos religiosos e magísticos, recorrendo a eles em suas sessões de trabalho e tendo neles um dos seus fundamentos religiosos.

A Umbanda prega que as divindades de Deus (os Orixás) são seres divinos dotados de faculdades e poderes superiores aos dos espíritos e tem nelas um dos seus fundamentos religiosos, recomendando o culto a elas e a prática de oferendas como uma das formas de reverenciá-las, já que são indissociadas da natureza terrestre ou divina de tudo o que Deus criou. A Umbanda prega a existência de um Deus único e tem nessa sua crença o seu maior fundamento religioso.

Pai Rubens Saraceni

Próprios Fundamentos

Sabemos que Umbanda não é Candomblé nem Kardecismo. A confusão é grande pois Candomblé é religião de culto aos Orixás, e Kardecismo é religião de trabalho com os espíritos, ambos calcados no fenômeno mediunidade.

Encontramos na Umbanda aspectos das duas, assim como de tantas outras para um observador mais atento, mas o fato de ter algo em comum não quer dizer que podemos adotar por livre e espontânea vontade as práticas e filosofias religiosas delas trazendo-as para dentro de nosso terreiro, pois a Umbanda possui filosofia e práticas próprias que são observadas e trazidas à luz por intermédio dos espíritos guias. Sim nós também cultuamos os Orixás mas de forma diferente do ancestral culto africano, pois os vemos sob outro ponto de vista, e se fosse para ser igual não haveria de se fundar outra religião, mas simplesmente o adotaríamos.

Quando surgir a dúvida espere antes de recorrer ao que é tão funcional dentro do âmbito dos cultos de nação. Consulte e tenha fé que seus Guias terão as soluções, dentro e segundo nossas práticas. Quanto ao Kardecismo a maioria dos umbandistas tem recorrido à sua vasta literatura, para se esclarecer quanto ao mundo dos espíritos. O movimento kardecista esmiuçou e foi a fundo no estudo do fenômeno mediunidade, o que nos vale como ponto em comum. Já a maneira de trabalhar mediunicamente dentro da Umbanda é única, pois ela vai além do passe e doutrina. Os Guias de Umbanda têm extrema afinidade e conhecimento das manipulações de elementos da natureza e processos magísticos, motivo pelo qual possuem toda uma variedade de recursos como o uso do fumo, das velas, pontos riscados, ponteiros, otás, pedras e cristais, guias, banhos, defumações e etc.

O que muitas vezes é visto como um atraso religioso, na verdade esconde toda uma riqueza jamais imaginada pelo leigo crítico. Da África ao contrário do que muitos podem pensar, a religião na terra mãe dos escravos aqui aportados era e ainda é muito rica e bem diversificada, pois o enorme continente negro era todo dividido em nações e cada uma tinha seu culto voltado para uma ou mais divindades diferenciadas. Para mantê-los sob controle, os senhores de engenho costumavam misturar na mesma senzala negros de várias nações em sua maioria inimigas, tornando-os vulneráveis uma vez que não se entendiam e muito menos se uniam contra seus donos.

A rivalidade na África era tão grande que dispensava maior trabalho, uma vez que os povos africanos se escravizavam uns aos outros e vendiam seus prisioneiros de guerra a troco de armas e ferramentas. Depois eles eram revendidos a peso de ouro aqui nas Américas. Para minorar a condição destes foi-lhes concedida a licença para que pudessem fazer seus toques ou batuques. Logo os batuques se transformaram em culto religioso aos Orixás (que predominaram na Bahia) e voduns (aparecem no Maranhão com a Casa das Minas).

Este culto não podia ser como na África, onde cada povo cultuava um panteão, e então se tocava para todos eles quando se manifestavam e deixavam no corpo e na alma de seus filhos os seus axés de amor, coragem e esperança. Enquanto incorporados não falavam nada, apenas se faziam sentir, e suas mensagens vinham por intermédio do jogo de búzios do Ifá o mistério da revelação. Assim sintetizando todo um trabalho complexo surgiu o Candomblé, e os orixás foram trazidos à nossa terra. Mais simples é começarmos dizendo o que há em comum entre a Umbanda e o Candomblé que é a incorporação mediúnica e o culto aos orixás, estes já renovados pela Umbanda.

Quanto às práticas e rituais são diferentes, pois enquanto na Umbanda as consultas são feitas através dos espíritos de caboclos, pretos-velhos, baianos, exus, etc., no Candomblé as consultas são feitas através do jogo de búzios ou Ifá, não aceitando a comunicação de espíritos, sendo portanto vetada sua incorporação. Esta é a principal diferença, visto que as outras mais são pertinentes à atuação das entidades guias em seus trabalhos na Umbanda e aos rituais internos do Candomblé.

O Kardecismo é um trabalho iniciado na França com Allan Kardec, que codificou a doutrina espírita em cinco volumes a saber; O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno, e a gênese. No Brasil o Kardecismo adquiriu maior notoriedade por meio da obra de Chico Xavier, com mais de quatrocentos livros psicografados. No espiritismo kardecista, existe todo um trabalho social voltado para a comunidade, e dentro do aspecto religioso podemos afirmar que procuram seguir a mensagem de Cristo segundo a visão espírita. Boa parte de seus esforços concentra-se na doutrinação de encarnados e desencarnados, e em passes mediúnicos, crêem na reencarnação e buscam na lei do carma a causa em nossos atos passados, para a situação em que cada um de nós se encontra hoje segundo nosso merecimento.

A diferença entre a Umbanda e o kardecismo é que a primeira é um trabalho de resgate das religiões e tradições naturais, assentado na mediunidade de incorporação e com origem nos próprios Orixás, os quais aparecem de forma renovada, como divindades de Deus, presentes em tudo e em todos os lugares, e por isso vistos como forças de Deus na natureza, tendo nos seres encantados e nos espíritos sua manifestação mediúnica.

A Umbanda tem muitas faces e facetas englobando em si muitos aspectos, e um dos que mais chamam a atenção é sua atuação no campo da magia, visando a combater o mal que a muitos aflige por conta da magia negativa manipulada pelo baixo astral. A Umbanda assim como o kardecismo, tem em suas práticas um trabalho caritativo e isento de cobranças de ordem material.

Diferenças entre a Umbanda e...

A Diferença entre a Umbanda, o Candomblé e o Kardecismo

Sabemos que Umbanda não é Candomblé nem Kardecismo. A confusão é grande pois Candomblé é religião de culto aos Orixás, e Kardecismo é religião de trabalho com os espíritos, ambos calcados no fenômeno da Mediunidade.

Encontramos na Umbanda aspectos das duas, assim como de tantas outras para um observador mais atento, mas o fato de ter algo em comum não quer dizer que podemos adotar por livre e espontânea vontade as práticas e filosofias religiosas delas trazendo-as para dentro de nosso terreiro, pois a Umbanda possui filosofia e práticas próprias que são observadas e trazidas à luz por intermédio dos espíritos Guias. Sim nós também cultuamos os Orixás mas de forma diferente do ancestral culto africano, pois os vemos sob outro ponto de vista, e se fosse para ser igual não haveria de se fundar outra religião, mas simplesmente o adotaríamos.

Quando surgir a dúvida espere antes de recorrer ao que é tão funcional dentro do âmbito dos cultos de nação. Consulte e tenha fé que seus Guias terão as soluções, dentro e segundo nossas práticas. Quanto ao Kardecismo a maioria dos umbandistas tem recorrido à sua vasta literatura, para se esclarecer quanto ao mundo dos espíritos. O movimento kardecista esmiuçou e foi a fundo no estudo do fenômeno mediunidade, o que nos vale como ponto em comum.

A maneira de trabalhar mediunicamente dentro da Umbanda é única, pois ela vai além do passe e doutrina. Os Guias de Umbanda têm extrema afinidade e conhecimento das manipulações de elementos da natureza e processos magísticos, motivo pelo qual possuem toda uma variedade de recursos como o uso do fumo, das velas, pontos riscados, ponteiros, otás, pedras e cristais, guias, banhos, defumações, etc. O que muitas vezes é visto como um atraso religioso, na verdade esconde toda uma riqueza jamais imaginada pelo leigo crítico.

Da África ao contrário do que muitos podem pensar, a religião na terra mãe dos escravos aqui aportados era e ainda é muito rica e bem diversificada, pois o enorme continente negro era todo dividido em nações e cada uma tinha seu culto voltado para uma ou mais divindades diferenciadas. Para mantê-los sob controle, os senhores de engenho costumavam misturar na mesma senzala negros de várias nações em sua maioria inimigas, tornando-os vulneráveis uma vez que não se entendiam e muito menos se uniam contra seus donos.

A rivalidade na África era tão grande que dispensava maior trabalho, uma vez que os povos africanos se escravizavam uns aos outros e vendiam seus prisioneiros de guerra a troco de armas e ferramentas. Depois eles eram revendidos a peso de ouro aqui nas Américas. Para minorar a condição destes foi-lhes concedida a licença para que pudessem fazer seus toques ou batuques. Logo os batuques se transformaram em culto religioso aos Orixás (que predominaram na Bahia) e voduns (aparecem no Maranhão com a Casa das Minas). Este culto não podia ser como na África, onde cada povo cultuava um panteão, e então se tocava para todos eles quando se manifestavam e deixavam no corpo e na alma de seus filhos os seus axés de amor, coragem e esperança.

Enquanto incorporados não falavam nada, apenas se faziam sentir, e suas mensagens vinham por intermédio do jogo de búzios do Ifá o mistério da revelação. Assim sintetizando todo um trabalho complexo surgiu o Candomblé, e os Orixás foram trazidos à nossa terra. Mais simples é começarmos dizendo o que há em comum entre a Umbanda e o Candomblé que é a incorporação mediúnica e o culto aos Orixás, estes já renovados pela Umbanda. Quanto às práticas e rituais são diferentes, pois enquanto na Umbanda as consultas são feitas através dos espíritos de Caboclos, Pretos Velhos, Baianos, Exus e etc., no Candomblé as consultas são feitas através do jogo de búzios ou Ifá, não aceitando a comunicação de espíritos, sendo portanto vetada sua incorporação. Esta é a principal diferença, visto que as outras mais são pertinentes à atuação das entidades Guias em seus trabalhos na Umbanda e aos rituais internos do Candomblé.

O Kardecismo é um trabalho iniciado na França com Allan Kardec, que codificou a doutrina espírita em cinco volumes a saber; O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno, e a Gênese.

No Brasil o Kardecismo adquiriu maior notoriedade por meio da obra de Chico Xavier, com mais de quatrocentos livros psicografados. No Espiritismo kardecista, existe todo um trabalho social voltado para a comunidade, e dentro do aspecto religioso podemos afirmar que procuram seguir a mensagem de Cristo segundo a visão espírita. Boa parte de seus esforços concentra-se na doutrinação de encarnados e desencarnados, e em passes mediúnicos, crêem na reencarnação e buscam na lei do carma a causa em nossos atos passados, para a situação em que cada um de nós se encontra hoje segundo nosso merecimento.

A diferença entre a Umbanda e o kardecismo é que a primeira é um trabalho de resgate das religiões e tradições naturais, assentado na mediunidade de incorporação e com origem nos próprios Orixás, os quais aparecem de forma renovada, como divindades de Deus, presentes em tudo e em todos os lugares, e por isso vistos como forças de Deus na natureza, tendo nos seres encantados e nos espíritos sua manifestação mediúnica. A Umbanda tem muitas faces e facetas englobando em si muitos aspectos, e um dos que mais chamam a atenção é sua atuação no campo da magia, visando a combater o mal que a muitos aflige por conta da magia negativa manipulada pelo baixo astral. A Umbanda assim como o Kardecismo, tem em suas práticas um trabalho caritativo e isento de cobranças de ordem material.

Pai Rubens Saraceni

A Umbanda Sagrada

A Umbanda é uma religião nova, espiritualista e magista, baseada no culto às divindades e trabalhos espirituais sem deixar de cultuar a Deus, que para os umbandistas é o princípio de todas as coisas. Alguns crêem que a Umbanda é multimilenar e que houve uma renovação nas suas práticas. Outros acham que é uma religião nova, cultuando os Orixás em sua concepção africana, tendo incorporado o espiritismo, a magia, o sincretismo e a simbologia.

A ciência divina diz que a Umbanda é uma religião nova, fundamentada no culto aos Orixás africanos, agora renovados e com novas feições divinas e humanas, aberto a todos, pois esses Orixás eram cultuados de forma fechada e só os iniciados podiam cultuá-los e reverenciá-los. Os babalaôs que detinham o poder mágico, eram os donos da religião e quando morriam só um iniciado poderia substituí-los, mantendo os conhecimentos ocultos, e com a vinda para o Brasil, esse conhecimento secreto começou a se perder ou a se misturar com o de outros povos.

A mesma divindade sustenta a fé de diferentes povos e culturas, e por vontade superior o resultado foi o aparecimento gradativo de uma nova religião fundamentada no culto às divindades naturais de forma aberta a todos. O que antes era propriedade dos babalaôs foi transmitido para pessoas dotadas de forte mediunidade, que passaram a incorporar espíritos os quais impunham a seus médiuns condições que achavam ideais para realizar todo um trabalho espiritual em favor dos encarnados, e surgiram então práticas parecidas pertencentes a religiões diferentes.

As tradições religiosas dos diversos povos começaram a incorporar elementos pertencentes a outras tradições, e essa mistura de tradições e o enfraquecimento conseqüente de todas, visavam a criar as condições para uma unificação religiosa sob o manto da Umbanda; então os terreiros de uma determinada nação passaram a evocar divindades pertencentes a outras nações. Os pais de santo passaram a fazer seus filhos que abriam seu próprio terreiro, e dessa forma foi se multiplicando a nova religião que visava a alcançar o maior número de pessoas no menor espaço de tempo possível.

Esse crescimento espantoso assoberbou muitos líderes umbandistas, impedindo a irmanação dos terreiros e a unidade religiosa que desse sustentação doutrinária à Umbanda para que ela ocupasse seu espaço como religião brasileira, pois há a necessidade de uma consciência religiosa e não de terreiro, e por falta dessa consciência a Umbanda perdeu espaço para as seitas neocristãs.

A falta de uma Teologia, de uma Doutrina única e de um acompanhamento dos novos dirigentes de Tendas de Umbanda resultou em erros imensos e em condutas pessoais que não tinham nada de verdadeiro com o que era pregado pela espiritualidade, e isso abriu espaço para que adversários religiosos emitissem críticas e acusações contra a Umbanda. Muitas pessoas ainda despreparadas, mal instruídas e até incapazes de dirigir um templo, abriram suas tendas criando a sua própria Umbanda, e deram vazão a seus emocionais desequilibrados e seus vícios religiosos, pois não aceitavam a condição de liderados e almejavam ser líderes bajulados ou temidos. Então muitos abandonaram a Umbanda depurando-a.

É uma questão de tempo para que os atuais e remanescentes dirigentes da Umbanda realizem um trabalho de base, de doutrinação de seus liderados, instruindo-os e ensinando-os a preparar bons médiuns e bons dirigentes de tendas. E então a Umbanda conquistará seu verdadeiro espaço religioso, pois o tipo de trabalho desenvolvido por ela só os verdadeiros umbandistas podem fazer, por que são os herdeiros naturais dos sagrados orixás. Mas para que esse trabalho seja feito, todos os umbandistas devem falar uma só língua.

Pai Rubens Saraceni

A Umbanda é Monoteísta

Já vem de alguns milhares de anos uma discussão sem fim, utilizada pelos seguidores do filo religioso judaico cristão islamico para convencer a humanidade de que religiosamente são os únicos adoradores do Deus único e verdadeiro. E que os seguidores das outras religiões são adoradores de deuses “pagãos”, de “demônios”, de “falsos deuses” de “ídolos de pedra” e etc.

As assacadas pejorativas são tantas que não vamos perder tempo com elas, e sim comentaremos o monoteísmo umbandista.

O fato é que em se tratando de religião, a “disputa” pela primazia é acirrada e a “concorrência” é desleal e antiética porque cada uma se apresenta como a verdadeira religião e atribui às outras a condição de “falsas religiões”, enganadoras da boa fé e etc. Já demonstramos em outras ocasiões que as religiões não são fundadas por Deus e sim por homens. Portanto todas são discutíveis ou questionáveis pelos seguidores de umas contra as outras. Esse embate sempre existiu e tem servido para os mais diversos fins, entre eles o de dominar a mente e a consciência do maior número de pessoas possível, de expansão do poder político, de expansão econômica, territorial, militar e etc. Fato esse que tem levado pessoas tidas como religiosas ou “santas” a induzirem seus seguidores no sentido de cometerem terríveis atrocidades e genocídios. Isso é histórico. Essa realidade tem levado muitas pessoas observadoras desses acontecimentos a optarem pelo ateísmo ou pela abstinência religiosa.

Cientes de que os “interesses pessoais” muitas vezes sobrepõe-se sobre a religiosidade das pessoas, não devemos nos influenciar pelo que os seguidores de outras religiões dizem sobre a nossa e devemos relegar suas críticas, calúnias e difamações à vala comum dos desequilibrados no sentido da fé, pois o mesmo Deus que nos criou também criou os vermes, os fungos e as bactérias decompositoras que devoram o corpo dos que desencarnam, sejam eles seguidores de uma ou outra religião ou sejam ateístas.

Deus está acima das picuinhas entre seguidores das muitas religiões, e nós temos que discernir o Deus verdadeiro dos que dele se apossam e passam a usá-lo em beneficio próprio e com o propósito de enfraquecer as religiões e as religiosidades alheias. Esses procedimentos mesquinhos são típicos dos seres desequilibrados no sentido da fé e não devemos dar-lhes ouvido, e muito menos atenção. Devemos sim é demonstrar que estão errados, assim como que pouco sabem sobre Deus e não estão aptos a discuti-lo ou questionarem a fé a religiosidade alheias.

Quem em sã consciência, pode afirmar como é Deus?

Quem racionalmente consciente, poderia afirmar que viu Deus?

Cremos que ninguém pode afirmar com convicção como Ele é, e que já o viu; ou mesmo que já tenha falado diretamente com Ele. Mas se isso é impossível, é porque Ele não tem forma, é invisível aos nossos olhos carnais e é inefável. É a nossa Fé que nos coloca em comunhão com Ele e dele recebemos seus eflúvios divinos que nos alteram, nos extasiam, nos inspiram e nos impulsionam no nosso virtuosismo e evolução espiritual.

Deus, entre muitas formas de descrevê-lo, também pode ser descrito como o estado divino da vida e da criação, fato esse que O torna presente em nós através da nossa “vida” e torna-se sensível através dos nossos mais elevados sentimentos de fé. Isso pessoas bondosas seguidoras de todas as religiões conseguem, porque o sentem presente em suas vidas e com Ele interagem, através dos sentimentos virtuosos. Deus tanto está em todos através do dom da vida, como com todos interage através dos sentimentos nobres e virtuosos.

E como isso não é propriedade de nenhuma religião, e sim algo que pertence a todos os que Nele crêem e agem de acordo com suas leis reguladoras da vida, e seus princípios sustentadores do nosso caráter da moral, das virtudes, dos verdadeiros sentidos da vida. Cada um independente da religião que segue, sente e entende Deus ao seu modo e segundo sua percepção e seu estado de consciência.

Na Umbanda, todos os seus seguidores crêem na existência de Deus e não questionam a sua existência e nem o inferiorizam, colocando-o ao mesmo nível das divindades Orixás, e sim, o entendem e o situam como o divino criador Olorum, que tudo criou e que criou até os Sagrados Orixás.

O entendemos como a origem de tudo e como o sustentador de tudo o que criou e confiou a governabilidade dos Sagrados Orixás, os governadores dos muitos aspectos da Criação e estados da Criação.

Acreditamos na existência dos seres divinos e os entendemos como nossos superiores, mas em nenhum momento os situamos acima do divino Criador Olorum, ou como iguais ou superiores a Ele. Na Umbanda tudo é hierarquizado e muito bem definido, sendo que na origem e acima de tudo e de todos está Olorum, o supremo regente da criação, indescritível através de palavras e impossível de ser modelado em uma imagem porque não é um ser, e sim um poder supremo que rege sobre tudo e todos, inclusive rege os Orixás divinos, também entendidos como inefáveis. Porque são Ele, Olorum, já manifestado como suas qualidades divinas. A hierarquização é total e só não a vê quem não estuda a Umbanda com uma visão abrangente.

Senão, vejamos:

Olorum manifesta-se através das suas qualidades divinas. Em cada uma das suas qualidades Ele gera um Orixá, que por sua vez traz em si todas as qualidades de Olorum e geram-nas em suas hierarquias divinas, naturais e espirituais. Ou não é verdade que por exemplo Ogum é uma qualidade de Deus? Ogum é uma qualidade ordenadora de Olorum. Portanto Olorum que é o todo individualizou-se na sua qualidade ordenadora e gerou Ogum, que mesmo sendo em si só a qualidade ordenadora dele, traz em si as suas outras qualidades divinas, e ao manifestá-las gera uma infinidade de hierarquias divinas naturais e espirituais, todas classificadas pelas qualidades divinas contidas na qualidade ordenadora de Ogum, que só em Ogum é uma qualidade original.

Já nos “Oguns” qualificados pelas outras qualidades de Olorum, neles a qualidade ordenadora é uma herança divina herdada de Ogum, fato esse que os qualificam como “Oguns”. A hierarquização é tão rígida que há Olorum, há Ogum e há os “Oguns”, que estes sim são as outras qualidades de Olorum herdadas por Ogum. E esses “Oguns” são identificados, classificados e hierarquirizados pelas outras qualidades de Olorum fazendo surgir as hierarquias de Ogum, tais como:

• Ogum ordenador da Fé e da religiosidade dos seres;
• Ogum orde­nador do Amor e da concepção das novas vidas;
• Ogum ordenador da razão ou da Justiça divina e regulador dos “limites” de cada coisa criada;
• Ogum ordenador da Lei e do caráter de todas as coisas existentes;
• Ogum ordenador da Evolução e da estabilidade da criação;
• Ogum ordenador da Geração das coisas e da criatividade dos seres;
• Ogum ordenador do Tempo e regulador dos ciclos e dos ritmos de cada coisa criada.

De tão hierarquizada que é a criação chegamos ao nível terra e encontramos a hierarquização em tudo e em todos, e temos os pássaros de Ogum; temos as ervas (raízes, folhas, flores, frutas, sementes e madeiras) de Ogum.Temos os animais, os répteis, os insetos, os peixes, os anfíbios, etc., de Ogum.
• Temos os filhos de Ogum.
• Temos as cores de Ogum.
• Temos as armas de Ogum.
• Temos os procedimentos e as posturas de Ogum, o seu arquétipo divino.

E o mesmo se repete com todos os Orixás; onde cada um dos Orixás originais é em si uma qualidade original de Olorum, mas com cada um trazendo em si e nessa sua qualidade original que o classifica, o nomeia e o hierarquiza, todas as outras qualidades do divino criador Olorum, pois este também individualizou-se em cada um dos seus Orixás originais, sendo que estes também hierarquizam-se em cada uma das suas qualidades divinas que herdaram do divino criador Olorum, multiplicando-se ao infinito e fazendo surgir um novo Orixá para cada uma das qualidades herdadas Dele, o divino criador Olorum. Daí surgem as muitas “Oxuns”, os muitos “Xangôs”, as muitas “Iemanjás”, etc., todas hierarquizadas e responsáveis pela aplicação das qualidades divinas na vida dos seres espirituais, dos seres naturais, dos seres elementais, dos seres instintivos, dos seres elementares e de tudo o mais que existe e que é identificado e classificado pela qualidade divina do Orixá original que o rege, e em cada um individualizou-se e o qualificou com uma das muitas qualidades do divino criador Olorum.

Assim na Umbanda cultua-se e adora-se a um único Deus e ao Deus único. Mas também cultua-se e adora-se aos Orixás porque eles são manifestações e individualizações divinas do divino criador Olorum, origem de tudo e de todos.

A idealização de Deus pela Umbanda guarda a essência da matriz religiosa nagô e a elaborou à partir da hierarquização existente na criação, hierarquização esta só não visível aos desatentos ou desinformados, pois até nas linhas de trabalho formadas pelos espíritos humanos, ela está se mostrando o tempo todo através dos nomes simbólicos usados pelos guias espirituais. Ou não é verdade que existem muitas linhas de caboclos de Ogum; de Oxossi; de Xangô; de Oxalá; de Oxum; de Iemanjá; de Iansã e etc.?

A Umbanda é monoteísta, mas tal como acontece em todas as outras religiões, ela também crê na existência de um universo divino, povoado por seres divinos que zelam pelo equilíbrio da criação e pelo bem estar dos seres espirituais criados por Deus, o divino criador Olorum. Ou não é verdade que no monoteístico filo religioso judaico-cristão-islamita também se crê na existência de um único Deus e numa corte de seres divinos denominados como anjos, arcanjos, querubins, serafins e etc?

O modelo de organização e descrição de Deus e do universo divino é o mesmo, que é o mesmo utilizado pelo hinduísmo, pelos greco-romanos, persas, egípcios, e outros povos antigos que também acreditavam na existência de um Ser Supremo e numa corte divina a auxiliá-lo na sustentação da criação e na condução da evolução dos seres. Em se tratando de Deus e das religiões, todas seguem o mesmo modelo de organização, pois dois não há.

Religiões são como famílias e para existir uma nova família é preciso de um homem, uma mulher, uma casa e filhos. Não há outra forma de ter uma família organizada e auto sustentável fora desse modelo. E o mesmo acontece com as religiões: um único modelo organizacional para todas.

Uma vez que Deus é um só e a forma de “tê-lo” em nós e Dele nos aproximarmos é a mesma para todos, assim como é o destino dos corpos enterrados nos cemitérios. Então nesse caso não há nada de novo ou diferente desde que o mundo começou a existir. Apenas existem diferenças nas formas de apresentação das religiões, pois umas são rústicas, práticas e simples. Outras são elaboradíssimas, iniciáticas e complexas como é o caso da Umbanda, compreendida por uma minoria. Mas no fundo da alma das religiões criadas pelos homens, e dos seres criados por Deus, que só há um, que é o divino criador Olorum, que as habita.

Esperamos ter fundamentado e justificado o monoteísmo existente na Umbanda. Quanto ao que possam dizer os seguidores de alguma outra religião que sente-se “proprietária” de Deus e atribuam-nos o politeísmo, olvide-os porque, como bem disse o mestre Jesus, não vale a pena “dar pérolas aos porcos”.

Pai Rubens Saraceni

O Ritual de Umbanda Sagrada e os Antigos Cultos

O Ritual de Umbanda Sagrada e os Antigos Cultos na Natureza

Houve um tempo em que as religiões eram praticadas de uma forma muito simples. Os povos cultuavam Deus que se mostrava sob a forma de uma boa colheita, de um bom tempo, de prosperidade para todos. A seu modo agradeciam com oferendas, cantos, danças, enfim, com festividades. Para eles Deus era o sol que germinava as sementes lançadas à terra, era a própria terra que alimentava e dava vida às sementes, era a chuva bendita que vinha do céu para molhar a terra e fazer crescer as plantações, matar a sede e encher seus poços de água.

As árvores que davam bons frutos também eram respeitadas e algumas eram objeto de culto. Conseqüentemente a natureza era sagrada para aqueles povos simples. Eles encontravam Deus em todos os lugares, toda manifestação da natureza era uma manifestação divina. Chamavam essas manifestações de nomes que sobreviveram ao longo dos milênios até nossos dias. Em cada religião essas manifestações receberam nomes diferentes mas seus fundamentos são sempre os mesmos, por que Deus se manifesta a todos em todos os momentos e em todos os lugares. Eles eram simples e Deus era encontrado nas coisas simples.

Com o passar dos séculos a humanidade evoluiu em todos os sentidos, e no que diz respeito à religião foram criadas doutrinas e leis que regulavam o modo de se cultuar Deus. Quem não se adaptasse a elas era considerado um herege, pagão, infiel, bárbaro e outras coisas ainda piores. O sacerdote deixou de ser um igual aos seus, passou a ser um guardião das leis por ele mesmo criadas, passou a ditar normas de conduta ritual, deixou de auxiliar seus irmãos com o conhecimento das forças da natureza e deixou de responder às indagações mais simples sobre o seu dia-a-dia, seus problemas, suas angústias, suas aflições. Os sacerdotes eram a única ligação com Deus e assim ninguém mais conseguia encontrar Deus nas coisas simples, nos lugares comuns, mas apenas nos templos, a cada dia mais grandiosos, mais ornados, mais bonitos.

Deus passou a viver no céu num lugar que ninguém sabe onde fica. Deixaram de dizer que Deus está conosco no nosso dia-a-dia e que podemos encontrá-Lo em tudo e em todos os lugares pelas Suas manifestações mais diversas. Esqueceram-se de que na trindade divina, o Pai é o Criador, o Filho é a Sua Criação, e que o Espírito Santo é a sua Manifestação entre nós. Esqueceram-se de que Deus se manifesta nas mais diversas formas, a todos e em todos os lugares e que o Espírito Santo nada mais é que a manifestação de seus mensageiros que nos acompanham em nossa caminhada rumo a Ele, o Pai, o Criador.

A Umbanda nada mais é que um retomo à simplicidade em cultuar Deus em aceitá-Lo como algo do qual nós também fazemos parte, em vermos nas manifestações dos espíritos, a manifestação dos nossos mentores espirituais ou como nós os chamamos, os nossos Guias, e o templo de Umbanda é o local destinado a essas manifestações espirituais. Os mediadores de Umbanda nada mais são do que os antigos sacerdotes da natureza sempre dispostos a ouvir a quem quer que seja, sem lhe perguntar de onde vem, qual o seu credo religioso, qual a sua posição social, por que nada disso importa. O que interessa é que eles estão ali e que foram conduzidos por mãos divinas.

Na simplicidade do ritual umbandista é que reside a sua força pois não adianta um templo luxuoso cheio de pessoas ignorantes sobre a natureza do Ser Divino. Quantas vezes encontramos pessoas que nada sabem a respeito das forças divinas que habitam na natureza? Sobre isso um médium pode falar com um pouco de conhecimento já que os Orixás são os regentes dessas forças todas elas colocadas à nossa disposição desde o tempo da criação do mundo.

Quando vamos a um local, um ponto de força da natureza, muitos nos olham como tolos ou como pagãos, e isso não é verdade. Se somos pagãos no modo de cultuarmos o Criador através de suas mais diversas manifestações, bárbaros são eles que estão distorcendo a essência do próprio Deus que cultuam. A Umbanda é um movimento espiritual muito forte no astral e que sempre esteve ativo, muitas vezes com nomes diferentes mas sempre ativo. Cultuar os Orixás na natureza nada mais é que reconhecer o lugar onde a Árvore da Vida dá os seus melhores e mais saborosos frutos.

O crescimento de uma religião deve ser horizontal e nunca vertical. O crescimento vertical das religiões levou os homens a se antagonizarem usando o nome de Deus como desculpa. Entenda-se por crescimento vertical a hierarquização do culto colocando-se vários sacerdotes sob as ordens de uns poucos. No processo de crescimento horizontal, todos os sacerdotes são iguais e têm os mesmos poderes e obrigações perante o conselho invisível dos Orixás.

Todo crescimento vertical é perverso na sua execução por que poda os mais capazes em detrimento dos mais espertos, intrigantes ou astutos. Essa poda se dá no momento em que os mais capacitados em levar a mensagem ao povo são bloqueados. O dom natural em relação a qualquer religião não é algo que se adquire numa escola. O máximo que uma escola pode ensinar é o ordenamento das forças desse dom e o aprendizado de seu uso em benefício dos que praticam aquela religião.

Quando alguém tem um dom natural muito evidente os menos dotados logo começam a bloqueá-lo por simples inveja. Isso é comum em todos os rituais e religiões. Se aqueles que bloqueiam o dom natural de alguém dentro de uma crença religiosa soubessem o erro que cometem não iriam fazê-lo em hipótese alguma, pois o preço de tal atitude é muito alto. O que importa atualmente é manter o maior contato possível com as forças da natureza pois aí está o maior mistério do ritual de Umbanda, o ritual aberto a todos os povos sem distinção de cor, credo ou raça, já que as forças da natureza atuam em todos os pontos do globo terrestre quase sempre de forma oculta.

Antigamente a natureza regulava a vida dos seres e não o contrário. Eis por que havia um equilíbrio natural das populações e do meio de sustento das mesmas. O equilíbrio permaneceu por milênios incontáveis. Quando o expansionismo das religiões verticais se fez sentir nesses locais o culto das divindades naturais foi suprimido a ferro e fogo, a natureza foi desprezada e destruída e a lógica simples do seu ritual foi suprimida. Os espíritos guardiões olham para a natureza e vendo-a ser destruída tentam lutar contra isso.

O ritual de Umbanda é uma tentativa de os espíritos guardiões da natureza reverterem esse processo de destruição da fonte da vida no planeta. Porém muita resistência está sendo colocada por parte dos adeptos das grandes religiões estabelecidas de forma vertical que não querem perder o poder, em detrimento da livre manifestação dos cultos à natureza. Que Oxalá permita que possamos reverter esse processo de destruição porque se não conseguirmos isso, virá o dia em que a falta de pontos de força para a livre manifestação do divino trará como conseqüência a esterilização do nosso planeta. Que o ritual de Umbanda consiga na simplicidade do culto às forças da natureza em seus pontos de força, realizar a comunhão dos homens com o Criador por meio da sua melhor e mais saudável forma de culto, o culto na natureza.

Pai Rubens Saraceni

Deus e o Seu Espírito Vivo

Senhor Deus dê-nos licença para que nós teus filhos façamos alguns comentários acerca de Ti, e acerca do Teu santíssimo e santificado espírito vivo que anima toda a Tua criação. Com Tua licença.

Comentar algo sobre Deus é um exercício especulativo nos campos da fé, pois tudo o que dissermos poderá ser verdadeiro ou não, já que o micro (nós) não tem uma noção exata ou apurada do macro (Deus).

Deus é único e o que Ele gera o faz por meio de processos específicos e que só servem para cada uma das espécies que gera. Logo cada coisa gerada por Ele tem sua gênese específica que no entanto é reprodutora e multiplicadora. Esse fato explica a gênese divina à qual definimos que Deus está na origem de tudo, pois tudo tem seu início em Deus, e se Ele está na origem de tudo e tudo tem seu início Nele, então Ele está em tudo o que gera, pois tudo é gerado por Ele e Nele.

Nós entendemos que Deus está na origem de tudo e que cada espécie animada ou inanimada gerada por Ele, surge a partir de processos específicos, reprodutores e multiplicadores de suas gerações originais as quais após o impulso criador original, não cessam mais após terem sido iniciadas por Ele.

Nós entendemos que Deus é infinito em si mesmo e que tudo o que gera, gera infinitamente pois após o início de uma geração esta traz em si o meio de reproduzir-se e de multiplicar a sua espécie inicial e original que a distingue como mais uma geração dele.

Esses processos geradores após os seus inícios são eternos, pois são autogeradores e automultiplicadores e estão presentes nas próprias espécies que geram, tornando-as geradoras e multiplicadoras de si mesmas.

Entendemos que se tudo tem início em Deus então Ele está em tudo o que se iniciou Nele. Ele é os próprios processos geradores, reprodutores, multiplicadores, e dota tudo o que gera com a capacidade de se auto-reproduzir sempre que houver as condições ideais para que o processo gerador inicial se reproduza nos indivíduos de uma mesma espécie, multiplicando-a e expandindo-a infinitamente, eternizando-a.

Entendemos que os processos geradores são vivos e são plenos em si mesmos ainda que uns gerem pessoas, outros gerem árvores, outros gerem diamantes e outros gerem estrelas, pois basta surgirem as condições ideais e a espécie já gerada se reproduz e se multiplica, expandindo a classe a que pertence.

Deus ao estar onipresente e ser intrínseco a tudo o que gera é o próprio meio onde gera, e isso nos leva à conclusão de que Ele é em Si o início, o meio e o fim de tudo que gera. Com isso entendido então chegamos ao espírito vivo de Deus, pois nada se reproduz se não preexistir uma força geradora potencial, cujo desencadeamento acontece sempre que surgem as condições ideais para que todo um processo reprodutor e multiplicador seja desencadeado, pois se Ele está no início, no meio e no fim de tudo, então tudo está Nele que é em si a força que anima tudo o que gera. Este espírito vivo de Deus nós denominamos de vida, pois ela renova-se a todo instante ora em uma das coisas já amadurecidas, ora fazendo surgir novas coisas quando os meios pelos quais ela flui lhe fornecem as condições ideais.

O espírito vivo de Deus é a vida, mistério este que nos anima e nos fornece os meios ideais para que nos multipliquemos nos nossos filhos, que também trazem embutidos em suas existências a capacidade de se reproduzirem, pois são gerados num meio vivo que é Deus.

Pai Rubens Saraceni

As Divindades de Deus

A palavra divindade significa algo divino e é aplicada aos seres que são em si mistérios de Deus. Uma divindade é um ser divino e um mistério de Deus, e podem ser denominadas anjos, arcanjos, serafins, tronos e etc., tendo nomes bem humanos como Anjo do Amor, Arcanjo Miguel, Serafim Verde, Trono da Fé e etc.

Várias são as classes de divindades cada uma com um nome formado por palavras humanas. Os nomes foram dados a elas por pessoas que as identificaram à partir do que viram nelas ou delas sentiram.

Temos uma distribuição para cada classe e as denominamos segundo nosso entendimento humano das coisas divinas, e caso queiramos ter uma noção do que são as divindades de Deus, então temos que abordá-las da seguinte forma:

Uma divindade é um ser gerado em Deus, qualificado por Ele com uma de Suas qualidades, amadurecido em seu interior divinizado dentro Dele e exteriorizado por Ele, já como um ser gerador e irradiador natural da qualidade divina que o distingue e o torna o que é em si, uma divindade de Deus e um mistério em si mesmo.

Toda divindade já era o que é antes de ter se deslocado do interior de Deus e ter passado a viver no seu exterior, no qual por ter uma qualidade especificamente divina, também tem uma função específica onde quer que venha a estar. Não importa que ela se desloque ou seja deslocada por Ele pois sempre será o que é desde que foi gerada Nele, e sempre será uma divindade.

Dentro de uma mesma classe de divindades nós as encontramos em todos os níveis da criação, e se não podemos visualizá-las no macro por causa da nossa limitação visual, no entanto podemos ter uma idéia de como são por que nos é possível ver as divindades locais. Vendo uma divindade local (ou menor) podemos ter uma idéia de como são as divindades médias, maiores ou celestiais, por que em uma mesma classe todas são iguais.

Uma divindade não é onipotente, onipresente, oniquerente e onisciente em todos os sentidos, todos os aspectos e em todos os níveis da criação por que essa atribuição é exclusiva de Deus. Mas uma divindade seja ela menor, média, ou maior no sentido, no aspecto e no nível vibratório em que atua é sua autoridade máxima por que é em si a representante exclusiva de Deus. E em si é onipotente, onisciente, onipresente oniquerente por que ali ela é a potência divina Dele.

As divindades são exteriorizações de Deus e podemos vê-Lo nelas já que estas são em si seus aspectos exteriores e são as exteriorizadoras dos seus aspectos divinos e internos. Nós não devemos separar uma divindade menor da sua igual média ou maior, pois são uma mesma coisa, apenas individualizadas nos seus níveis vibratórios correspondentes. Com isso entendido saibam que Deus tem em cada uma de suas divindades uma de suas feições divinas e Ele que é infinito em tudo, também o é nas suas feições, pois o número de suas divindades é infinito e não se limita só às que são conhecidas no plano material da vida nesse nosso abençoado planeta Terra, e que são as representantes Divinas aqui, pois em outros planetas há outras específicas para cada um deles.

Tal como as divindades de Deus que são suas exteriorizadoras Divinas, nós somos seus exteriorizadores humanos e podemos nos divinizar caso sejamos humanos em todos os nossos sentidos capitais que são o sentido da fé, do amor, do conhecimento, da justiça, da lei, da evolução, e da geração. E se ousamos dizer isso é por que Deus nos gerou no seu íntimo e nos exteriorizou já como Seus filhos humanos dotados com sua herança genética humanística, a qual por ser uma de suas qualidades vivas nos tornou divinos assim que Ele nos gerou.

Divinizemo-nos através do nosso humanismo, pois só assim nós também nos tornaremos em nós mesmos as divindades humanas de Deus, o nosso divino Criador.

Pai Rubens Saraceni

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