Os Fatores dos Orixás

Os fatores dos Orixás qualificam os seres acolhidos por eles no primeiro instante de vida fora de Deus e, dão a cada um uma natureza e uma personalidade que individualizarão o ser e permitirão que dessa forma, individualizados iniciem suas evoluções e, a abertura de todo o código genético divino que ira dotar cada um com faculdades mentais específicas que, no decorrer dos tempos se transformarão em dons.

Esses dons desenvolvidos ao longo do tempo são regidos internamente pelo Orixá ancestral da pessoa e, são regidos no exterior pelos outros Orixás que participaram ativamente na abertura deles.

A abertura de faculdades mentais é um processo lento e que precisa ser amparado e regulado continuamente, se não a faculdade que está sendo aberta foge de controle e, sofre distorções que prejudicaram a evolução do ser.

A abertura das faculdades mentais são feitas por vibrações divinas emitidas pelos Orixás que denominamos aqui na terra como Orixá de frente e adjunto. Mais do que conduzir à religiosidade de uma pessoa, a função desse par de Orixás é regular a abertura de faculdades do ser.

Com isso entendido, é preciso que o médium compreenda a real função desse par de Orixás em sua vida e estudando-o e aprendendo sobre suas funções divinas na criação, perceba o rumo que foi dado na sua vida quando reencarnou, pois é muito comum as pessoas entenderem a ação desse par, unicamente à partir da interpretação desenvolvida aqui na terra e dentro da Umbanda. Ex.: alguém que tenha Ogum como seu Orixá de frente, pode pensar e até acreditar que sua função como médium, Ee a de trabalhar o tempo todo no campo das demandas cortando-as da vida de quem esta sendo demandada. Mas isso não é verdade pois Ogum, mais do que cortar demanda, atua reordenando os procedimentos dos seres, realinhando-os com a sua irradiação divina regida pelo seu ancestral e, também atua intensamente no desenvolvimento íntimo do caráter e do senso de moralidade das pessoas.

A atuação de Ogum dentro da Umbanda ficou limitada quase que unicamente a cortar demandas, fato esse aludido em quase todos os pontos cantados já feitos para ele, com a maioria dos médiuns desconhecendo suas milhares de outras funções tão importantes quanto essa, mas que são tão importantes para o equilíbrio e a evolução dos seres, que é preciso voltarmos nossa atenção para elas, uma vez que Ogum corta demandas mas também aperfeiçoa e depura o caráter e a moral dos seus filhos. Assim como, por ser o potencializador divino da potência ou força interna a todas as outras faculdades dos seres. Ex: a faculdade regida por Oxalá é que desperta no íntimo dos seres a religiosidade, quando esta enfraquecida mostra na pessoa uma falta de fé, de confiança, de perseverança e, Oxalá não tem como repotencialazar essa faculdade enfraquecida.

Então ele recorre a Ogum para que esse repotencialize essa faculdade regida por ele, pois assim que isso for feito a pessoa que está com seu sentido da fé enfraquecido, volte a crer, confiar e perseverar no seu aperfeiçoamento e aprimoramento através do senso de religiosidade.

Essa ação repotencializadora é atribuição de Ogum na criação e não esta ligada a cortar demandas, mas sim devolver a força interior de uma pessoa que enfraqueceu-se a partir de decepções íntimas acontecidas a partir de sua religiosidade.

Mas esta que é uma função importantíssima para os seres, não é a única que Ogum realiza, mas sim, é só mais uma entre outras milhares de funções realizadas simultaneamente por ele na vida de milhões de seres.

É importante para o médium conhecer um pouco mais sobre cada um dos Orixás e principalmente sobre os que formam o seu triangulo de força, pois à partir desse conhecimento sobre ele, perceberá que os rumos divinos para a sua encarnação passam por eles e, não tem como fugir deles porque o resultado será desfavorável ao médium.

Comecemos por conhecer os Orixás a partir de seus fatores originais:

Oxalá – fator magnetizador
Oyá – fator cristalizador

O fator magnetizador de Oxalá, tem por função qualificar tudo e todos apartir dos seus magnetismos íntimos.

O fator cristalizador de Oyá, tem a função de dar forma final a tudo e a todos dando-lhes estabilidade.

Oxum – fator conceptivo

Oxumaré – fator renovador

O fator conceptivo de Oxum, tem por função conceber na vida dos seres tudo que é necessário para suprir suas necessidades íntimas.

O fator renovador de Oxumaré, tem a função de renovar o que já envelheceu ou perdeu sua função original na vida do ser.

Oxossi – fator expansor

Oba – fator concentrador

O fator expansor de Oxossi, tem por função expandir tanto uma faculdade mental de um ser quando o campo dentro do qual ele está evoluindo.

O fator concentrador de Obá, tem por função tanto de concentrar uma faculdade mental que tornou-se dispersiva, quanto de afixar o ser em um único campo, para que ele se reequilibre e redirecione sua evolução.

Xangô – fator racionalizador

Egunitá – fator energizador

O fator racionalizador de Xangô, tem por função desenvolver no íntimo dos seres a razão ou senso que diferencia o que é certo e o que é errado.

O fator energizador de Egunitá, tem a função de alimentar energeticamente todas as faculdades mentais em equilíbrio.

Ogum – fator ordenador

Iansã – fator direcionador

O fator ordenador de Ogum, tem a função de ordenar ou por em ordem tudo e todos, colocando cada coisa no seu devido lugar.

O fator direcionador de Iansã, tem a função de direcionar a tudo e a todos na criação encaminhando cada um para o seu lugar.

Obaluayê – fator transmutador

Nanã – fator decantador

O fator transmutador de Obaluayê, tem a função de transmutar as coisas e os seres, à partir dos seus íntimos e dos magnetismos individuais sem alterá-las externamente.

O fator decantador de Nana, tem a função de decantar ou remover dos seres e das coisas criadas, tudo o que está prejudicando e paralisando suas evoluções.

Yemanjá – fator criacionista

Omulu – fator estabilizador

O fator criacionista de Yemanjá, tem a função dotar os seres de faculdades criadoras possibilitando-lhes a criação das condições ideais para melhor evoluírem.

O fator estabilizador de Omolu, tem a função de dar estabilidade ao que vai sendo criado a volta dos seres para que possam evoluir em paz, harmonia e equilíbrio.

Entre os muitos fatores de cada um dos Orixás acima citados, esses são os que mais facilmente os definem, porque se pegarmos os sinônimos de cada um desses quatorze fatores, teremos uma lista de funções realizadas por eles o tempo todo em nosso beneficio.

É preciso que no estudo dos Orixás tenhamos um ponto de partida para compreender melhor suas funções na criação e na vida dos seres, porque elas são as mesmas que temos que desenvolver em nosso mental e, torná-las dons do nosso espírito uma vez que o que esta em Deus está nos Orixás e, tem que estar em nós, pois só assim estaremos alinhados com eles e nos tornaremos extensões deles aqui na terra, para melhor auxiliarmos os nossos semelhantes.

A nossa ancestralidade não é só um referencial para nos compreendermos, mas sim, é também um indicador do rumo que devemos dar para a nossa evolução, reproduzindo cada vez mais as qualidades do nosso Ancestral em nós e, colocando-as em ação para sermos úteis aos nossos semelhantes, tornando-nos com o passar do tempo em manifestadores espirituais das funções divinas do nosso regente, pois é isso que distingui um sacerdote aqui na terra.

Ele tem na sua função sacerdotal o dever de transmitir para as pessoas que procuram uma mensagem direcionadora delas; estabilizadora de suas vidas; reordenadora dos seus procedimentos; transmutadora dos seus sentimentos; racionalizadora do seu emocional desequilibrado; renovadora da sua fé em Deus; concebedora de novas expectativas do ser e etc.

Fator e função são sinônimos e à partir de um chega-se ao outro, fornecendo-nos uma melhor compreensão dos Orixás, que no nível mais elevado da criação são mistérios manifestados pelo Divino Criador Olorum e, dele são indissociados.

A nível terreno a compreensão dos Orixás, passa pelo conhecimento sobre seus campos de trabalho religioso. Mas, no nível mais elevado da criação eles são divindades que em si mistérios, atuam sobre toda a criação, sobre tudo e todos, mesmo que quem não os cultue disso não tenha consciência.

Nosso egocentrismo humano tanto nos induz a crer que Deus é só nosso ou só exista para nós, particularizando e dando-lhe “feições” humanas. E o nós tendemos a fazer com os Orixás. Isso não é verdade e o mesmo Deus que criou esse nosso Planeta criou todo o Universo.

O mesmo Deus que nos criou, criou incontáveis outras classes de seres espirituais não encarnantes, assim como criou todas as outras espécies que também encarnam nesse nosso Planeta.

Assim como nós somos influenciados pelos fatores ou energias vivas dos Sagrados Orixás, tudo e todos são influenciados por eles.

É por isso que toda pessoa seguidora de outra religião, mesmo que ele não saiba ou não queira, ainda assim vive e evolui, sob a irradiação de um Orixá de frente e de um Orixá adjunto.

Esse triângulo de forças independe da vontade das pessoas ou dos espíritos e, não é invenção dos Guias, quando uma pessoa seguidora da outra religião se consulta com eles e, detectam que ela esta com desequilíbrio nas suas “forças”, sendo necessário que façam oferendas para seus Orixás e suas forças espirituais.

Orixás e Guias ou protetores espirituais, todas as pessoas os tem.

- Incorporá-los, só quem possui a mediunidade de incorporação os incorpora.

- Aceitá-los como algo natural na nossa vida, aí depende de cada um.

- Mas ser auxiliado por eles, todos somos, mesmo que disso não tenhamos conhecimento.

Pai Rubens Saraceni

O Mistério do Orixá Ancestral, de Frente e Adjunto

Uma dúvida, e a que mais incomoda os umbandistas é sobre seu Orixá. Nós sabemos que Orixá Ancestral não é o mesmo que Orixá de Frente ou Ajunto.

O Orixá Ancestral está ligado à nossa ancestralidade e, é aquele que nos recepcionou assim que gerados por Deus, fomos atraídos pelo seu magnetismo divino.

Todos somos gerados por Deus e somos fatorados por uma de suas divindades, que nos magnetiza em sua onda fatoradora e nos distingue com sua qualidade divina.

Uns são distinguidos com a qualidade congregadora e são fatorados pelo Trono da Fé. E, se forem machos é o Orixá Oxalá que assume a condição de seu Orixá Ancestral. Mas, se for fêmea, aí é a Orixá Oiá que assume sua ancestralidade.

Uns são distinguidos com a qualidade agregadora e são fatorados pelo Trono do Amor. E, se forem machos é o Orixá Oxumaré que assume a condição de seu Orixá Ancestral. Mas, se forem fêmeas, aí é a Orixá Oxum que assume suas ancestralidades.

Uns são distinguidos com a qualidade expansora e são fatorados pelo Trono do Conhecimento. E, se forem machos é o Orixá Oxossi que assume a condição de seu Orixá Ancestral. Mas, se forem fêmeas, aí é a Orixá Obá que assume suas ancestralidades.

Uns são distinguidos com a qualidade equilibradora e são fatorados pelo Trono da Razão. E, se forem machos é o Orixá Xangô que assume as suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a Orixá Egunitá que assume suas ancestralidades.

Uns são distinguidos com a qualidade ordenadora e são fatorados pelo Trono da Lei. E, se forem machos é o Orixá Ogum que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a Orixá Iansã que assume suas ancestralidades.

Uns são distinguidos com a qualidade evolutiva (transmutadora) e são fatorados pelo Trono da Evolução. E, se forem machos é o Orixá Obaluayê que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a Orixá Nanã que assume suas ancestralidades.

Uns são distinguidos com a qualidade geradora e são fatorados pelo Trono da Geração. E, se forem machos é o Orixá Omulu que assume suas ancestralidades. Mas, se forem fêmeas, aí é a Orixá Yemanjá que assume suas ancestralidades.

Observem que não estamos nos referindo ao espírito que “encarnou” no plano material, e sim, ao ser que acabou de ser gerado por Deus e foi atraído pelo magnetismo de uma de suas divindades, que por serem unigênitas (únicas geradas) transmitem naturalmente a qualidade que são em si mesma aos seus “herdeiros”, aos quais imantam com seus magnetismos divinos e dão aos seres uma ancestralidade, imutável pois é divina e jamais ela deixará de guiá-los, porque a natureza íntima de cada um será formada na qualidade que o distinguiu, fatorando-o.

Alguém pode reencarnar mil vezes e, sob as mais diversas irradiações, que nunca mudará sua natureza íntima. Agora, a cada encarnação ele será regido por um Orixá de Frente (o que o guiará enquanto viver na carne) e será equilibrado por outro Orixá que será o auxiliar (o Adjunto) desse Orixá de frente ou da “cabeça”. Usamos o termo “Orixá da Cabeça”, porque ele regerá a encarnação do ser e o influenciará o tempo todo, pois está de “frente” para ele. Sim, o Orixá da Cabeça está à nossa frente, nos atraindo mentalmente para seu campo de ação e para o seu mistério, ao qual absorveremos e desenvolveremos algumas faculdades regidas por ele. Já o Orixá Ajunto, este é um equilibrador do ser e atuará através do seu emocional, hora estimulando-o e hora apassivando-o, pois só assim o ser não se descaracterizará e se tornará irreconhecível dentro do seu grupo familiar ou tronco hereditário, regido pelo seu orixá ancestral.

A dúvida dos “médiuns” e dos umbandistas se explica pela precariedade dos métodos divinatórios usados para identificar o Orixá da Cabeça e seu Ajunto. Daí, vemos pessoas reclamarem que a cada Babalorixá ou Ialorixá que consultaram, cada um deu um Orixá diferente a cada consulta, criando uma confusão e levando ao descrédito. Esta queixa é muito comum e não são poucos os médiuns que estão confusos, porque uma consulta diz que é filho desse Orixá e, outra consulta diz que é filho de outro Orixá.

Nós dizemos isto: na ancestralidade, todo ser macho é filho de um Orixá masculino e todo ser fêmea é filha de um Orixá feminino.

Na ancestralidade, Orixá masculino só fatora seres machos e os magnetiza com sua qualidade, fatorando-os de forma tão marcante que o Orixá feminino que o secunda na fatoração só participa como apassivadora de sua natureza masculina. E o inverso acontece com os seres fêmeas, onde o Orixá masculino só participa como apassivador dessa sua natureza feminina.

Portanto, no universo da ancestralidade dos seres machos, têm sete Orixás masculinos e na dos seres fêmeas, têm sete Orixás femininos. Têm sete naturezas masculinas e sete naturezas femininas, tão marcantes que é impossível ao bom observador não vê-las nas pessoas.

Saibam que, mesmo que o Orixá da Cabeça ou de Frente seja, digamos, a Orixá Iansã, ainda assim, por tráz dessa regência poderemos identificar a ancestralidade se observarem bem o olhar, as feições, os traços, os gestos a postura e etc., pois estes sinais são oriundos da natureza íntima do ser, apassivada pela regência da encarnação, mas não anulada por ela.

E o mesmo se aplica ao Orixá Ajunto, pois podemos identificá-lo nos gestos e nas iniciativas das pessoas, já que é através do emocional que ele atua.

Outra forma de identificação é através do Guia de frente e do Exu Guardião dos Médiuns. Mas esta identificação exige um profundo conhecimento do simbolismo dos nomes usados por eles para se identificarem.

E também, nem sempre o Guia de frente ou o Exu guardião se mostram, pois preferem deixar isto para o Guia e o Exu de trabalho.

Saber interpretar corretamente o simbolismo é fundamental. Então, que todos entendam isto:

- Orixá Ancestral é aquele que magnetizou o ser assim que ele foi gerado por Deus, e o distinguiu com sua qualidade original e natureza íntima, imutáveis e eternas.

- Orixá de Frente é aquele que rege a atual encarnação do ser e, o conduz numa direção na qual o ser absorverá sua qualidade e a incorporará às suas faculdades, abrindo-lhes novos campos de atuação e crescimento interno.

- Orixá Ajunto é aquele que forma par com o Orixá de Frente, apassivando ou estimulando o ser, sempre visando seu equilíbrio íntimo e crescimento interno permanente.

Por isso também, é que muitos encontram em si qualidades de vários Orixás. A cada encarnação há a troca de regência da encarnação. E, nessa troca os seres vão evoluindo e desenvolvendo faculdades relativas a todos os Orixás.

Afinal, se somos “humanos”, absorvemos energias e irradiações, magnetismo e vibrações de todos eles.

Pai Rubens Saraceni

As Sete Linhas de Umbanda

As sete linhas de Umbanda não são sete Orixás, mas sim as sete Irradiações divinas, que são sete vibrações de Deus que dão sustentação a tudo o que existe em nosso planeta. São irradiações divinas e, cada uma flui num padrão próprio e influencia quem é alcançado por ela, alterando sentimentos mais íntimos e o nosso padrão vibratório tornando-nos afins com elas, que estimulam em nós a vibração de sentimentos nobres e virtuosos.

São sete irradiações, sete padrões vibratórios, sete sentidos da vida e sete sentimentos. As sete irradiações dão origem a sete essências, que dão origem a sete elementos, que dão origem a sete tipos de matérias ou energias. Essências: cristalina, mineral, vegetal, ígnea, eólica, telúrica, aquática.

Como essências são irradiações essenciais que penetram nosso mental e, espalham-se pelo nosso ser imortal estimulando-nos de dentro para fora, ativando nossos sentimentos virtuosos, mas quando são irradiações energéticas ou elementais elas estimulam nosso corpo energético, alterando nosso padrão vibratório, elevando-nos imediatamente. São essas irradiações que nos chegam por intermédio dos Orixás.

Existem Orixás que por sua própria natureza são polarizadores e irradiam essas vibrações de forma passiva ou ativa. Enquanto no nível da essência, elas são imperceptíveis pois nos chegam direto de Deus, mas quando as recebemos dos Orixás, elas são elementais e já foram bipolarizadas. As sete linhas assumem esta bipolarização, surgindo automaticamente dois pólos em cada uma delas e, assim temos sete linhas mas catorze Orixás, pois uns ocupam os pólos ativos e outros os pólos passivos. É nesta bipolarização que os arquétipos dos Orixás vão se formando e se individualizando, assumindo atribuições específicas mesmo atuando sob uma mesma irradiação.

Esses Orixás dão sustentação vibratória a todos os trabalhos nos templos de Umbanda Sagrada. Um Orixá pode manifestar todas as sete essências e sustentar toda uma religião por si só. Um só aparece mas todos os outros estão por perto ainda que não se mostrem. Um filho de fé pode ter como pai o Orixá Ogum e como mãe a Orixá Oxum e, no entanto seu Caboclo poderá ser de Oxóssi, seu Preto Velho de Xangô, seu Exu de Obaluayê e seu Erê de Iansã.

Pai Rubens Saraceni

As Quatro Correntes de Umbanda

Se a Umbanda é uma religião nova, seus valores religiosos fundamentais são ancestrais e foram herdados de culturas religiosas anteriores ao cristianismo.

A Umbanda tem na sua base de formação os cultos africanos, os cultos nativos, a doutrina espírita kardecista, a religião católica e um pouco da religião oriental (budismo e hinduísmo) e também da magia, pois é uma religião magística por excelência, o que a distingue e a honra, porque dentro dos seus templos a magia negativa é combatida e, anulada pelos espíritos que neles se manifestam incorporando nos seus médiuns.

Dos elementos formadores das bases da Umbanda, surgiram as suas principais correntes religiosas, as quais interpretamos como a formada pelos espíritos nativos que aqui viviam antes da chegada dos estrangeiros conquistadores. Esses espíritos já conheciam o fenômeno da mediunidade de incorporação, pois o xamanismo multimilenar já era praticado pelos seus pajés em suas cerimônias. Já acreditavam na imortalidade do espírito, na existência do mundo sobrenatural e, na capacidade de os mortos interferirem na vida dos encarnados.

Acreditavam na existência de divindades associadas a aspectos da natureza e da criação divina. Tinham um panteão ao qual temiam, respeitavam e recorriam sempre que se sentiam ameaçados pela natureza, pelos inimigos ou pelo mundo sobrenatural. Também acreditavam na existência de espíritos malignos e de demônios infernais, mas sem a elaboração da religião cristã que aqui se estabeleceu.

Os cultos de nação africana, sem contato com os nativos brasileiros, tinham essas mesmas crenças só que mais elaboradas, muito bem definidas e, seus sacerdotes praticavam rituais e magias para equilibrar as influências do mundo sobrenatural sobre o mundo terreno, e também para equilibrar as pessoas.

Acreditavam na imortalidade dos espíritos e no poder deles sobre os encarnados, chegando mesmo a criar um culto para eles (o culto de egungun dos povos nigerianos). Cultuavam os ancestrais por meio de ritos elaboradíssimos, que perduram até hoje sendo um dos pilares de suas crenças religiosas.

Sua cultura era transmitida oralmente de pai para filho na forma de lendas, preservando conhecimentos muito antigos como a criação do mundo, dos homens e até eventos análogos ao dilúvio bíblico.

A Umbanda herdou dos cultos de nação africana o seu vasto panteão divino e, tem no culto às divindades de Deus um dos seus fundamentos religiosos, tendo desenvolvido rituais próprios de religamento do encarnado com sua divindade regente.

O panteão divino dos cultos africanos era pontificado por um Ser Supremo e povoado por divindades que são os executores e manifestadores Dele junto aos seres humanos, assim como são seus auxiliares divinos que O ajudaram na concretização do mundo material, demonstrando-nos que de forma simples tinham uma noção exata, ainda que limitada por fatores culturais, da forma como se nos mostra Deus e Seu universo divino.

A formada pelos kardecistas de mesa que incorporavam espíritos de índios, de ex escravos negros, de orientais e etc. Criaram a corrente denominada Umbanda Branca nos moldes espíritas, mas na qual aceitavam a manifestação de caboclos, pretos velhos e crianças. Esta corrente pode ser descrita como um meio-termo entre o espiritismo, os cultos nativos e os africanos, pois se fundamenta na doutrina cristã, mas cultua valores religiosos herdados dos índios e negros. Não abre seus cultos com cantos e atabaques, mas sim com orações a Jesus Cristo, suas sessões são mais próximas das kardecistas que das umbandistas genuínas que usam cantos, palmas e atabaques, e seus membros se identificam como espíritas de Umbanda.

A magia é comum a toda a humanidade e, as pessoas recorrem a ela sempre que se sentem ameaçadas por fatores desconhecidos ou pelo mundo sobrenatural, principalmente pelas atuações de espíritos malignos e por processos de magia negra ou negativa. Dentro da Umbanda o uso da magia branca ou magia positiva, se disseminou de forma tão abrangente que se tornou parte da religião, sendo impossível separar os trabalhos religiosos espirituais puros, dos trabalhos espirituais mágicos. Muitas pessoas desconhecem a magia pura e recorrem à magia classificada como magia religiosa, mas esta nada mais é que a fusão da religião com a magia. Estas são as principais correntes religiosas e doutrinárias que formam as bases da Umbanda, e isso sem falarmos do sincretismo religioso pelo qual a religião católica nos forneceu as suas imagens, que colocadas em nossos altares, facilitaram o processo de transição de católicos para a Umbanda.

A estrutura religiosa espiritual da Umbanda já está pronta e só falta ser estruturada aqui no plano material, para dar-lhe uma feição uniforme quando seus valores religiosos e seus fundamentos divinos serão definitivos, deixando de mudar ao sabor das suas correntes mais expressivas. Os mensageiros espirituais nos alertam que essa estruturação deve ser feita de forma lenta e muito bem pensada. Nós temos certeza de que no futuro a Umbanda terá uma feição religiosa muito bem definida, pois suas correntes formadoras se unificarão e se uniformizarão, fortalecendo a Umbanda como religião.

Pai Rubens Saraceni

Uma Cosmogênese Umbandista

A Umbanda é uma renovação do tradicional culto às divindades africanas, englobadas na classificação “Cultos de Nação”, porque cada povo possuía sua religião própria com seus ritos específicos, mas que mantinham uma analogia muito grande, tanto na preparação sacerdotal quanto organizacional de seus panteões divinos.

Com o passar dos anos, o Panteão Nagô dos povos nigerianos ou de língua Yorubá acabou se destacando no Brasil, e se impondo sobre os demais, porque os Orixás popularizaram-se com a vinda de muitos escravos nigerianos, trazidos principalmente para a Bahia a partir do final do Século XVIII e início do Século XIX.

Sua classe sacerdotal era mais organizada e destacou-se muito rapidamente, e mais ainda no decorrer dos Séculos XIX e XX, espalhando o Culto aos Orixás para todo o Brasil, adaptando-os conforme foi possível e procurando conservar o máximo possível do conhecimento sobre eles.

Sendo a transmissão oral a forma que possuíam para preservarem o conhecimento, muito se perdeu sobre os Orixás, e somente uns poucos deles tornaram-se bem conhecidos, e tiveram seus Cultos tradicionais preservados desde 1780 até 1908, quando foi fundada a Umbanda por Pai Zélio de Moraes. Muitas das coisas que se sabia sobre eles dentro dos seus cultos tradicionais na Nigéria, não chegaram até nós ou haviam sido adaptadas segundo foi possível.

Para os primeiros umbandistas não havia muito sobre os Orixás à disposição, e se um Caboclo identificava-se como de Ogum ou de Xangô e etc., os seus médiuns ficavam sem muitas informações seguras sobre esses Orixás, e quase todos recorriam aos santos católicos sincretizados com eles como forma de conhecê-los. E os santos católicos tiveram suas histórias popularizadas pelos umbandistas, que as passavam de mão em mão para poderem ensinar os novos médiuns, sendo que os santos sincretizados com os Orixás tornaram-se muito populares e muito cultuados no Brasil, devido a compra de suas imagens para os altares umbandistas. Esse conhecimento sobre os Orixás predominou no 1º Século de existência da Umbanda, graças ao sincretismo e o que se sabia sobre os santos católicos.

Ao estudioso da Umbanda, basta consultar os livros de muitos autores umbandistas para confirmar o que até aqui afirmamos. Não havia um conhecimento profundo sobre os Orixás, e o que se sabia ou se escrevia sobre eles não saía desse nível do conhecimento. Antes da disseminação do culto pelo mundo todo, os Orixás só haviam sido cultuados pelos povos Nagôs ou Nigerianos, na língua Yorubá. Mas um conhecimento novo sobre estes começou a ser aberto por um espírito chamado “Pai Benedito de Aruanda”, criando uma base para o estudo doutrinário e teológico umbandista.

Toda religião tem sua Cosmogênese ou gênese divina, que descreve para os seus seguidores a forma com Deus criou o “mundo”. A Umbanda por ser a somatória de várias doutrinas e rituais religiosos, tanto pode escolher a Cosmogênese dos povos Nagôs, quanto aos Cultos Indígenas Brasileiros, assim como pode servir-se da Judaica, incorporada pelo Cristianismo pois essas três religiões estão presentes devido a manifestação dos Caboclos e Pretos-velhos, dentro de uma moral cristã. Também pode recorrer à Cosmogênese da última religião de Guias espirituais hindus, chineses e etc. Mas sempre será uma adaptação de Cosmogênese alheia, muitas delas já extintas no plano material.

Por ser a somatória do conhecimento de espíritos doutrinados em outras religiões, a Umbanda não pode e não deve optar por nenhuma delas, porque não seria aceita por todos os umbandistas, com cada um tendo seu mentor espiritual formado por alguma das outras religiões do passado ou da atualidade. Logo, a Umbanda deve ter sua própria cosmogênese, genuinamente umbandista.

Ainda que se sirva da base Yorubana na nomenclatura do seu Panteão Divino e das qualidades dos Orixás e tudo mais, no entanto deve preservar somente a “essência” desse conhecimento que nos chegou através da transmissão oral, que preservou o essencial para que o culto aos Orixás se perpetuasse no tempo e servisse de ponto de partida para o surgimento de novas religiões fundamentadas neles, tal como Judaísmo preservou sua Cosmogênese que posteriormente fundamentou o Cristianismo e o Islamismo, grandes religiões da atualidade, muito maiores em numero de seguidores.

Como qualquer uma das antigas Cosmogenêses agradaria somente a um número limitado de seguidores da Umbanda; e após observar a religião em seu lado material por muito tempo, os “espíritos superiores” que fundaram-na através de Pai Zelio de Morais, liberaram todo um conhecimento ainda não disponível até então no plano material, que fundamenta todas as suas práticas religiosas e magísticas, sem em momento algum contradizer ou negar a essência da Cosmogênese Yorubana ou Nagô. Até porque esse não é o propósito deles, mas sim, é fundamentar tudo o que foi preservado e o que não chegou ao Brasil e só existe na Nigéria.

A Cosmogênese disponibilizada pelos espíritos mentores da religião umbandista não se fundamenta em mitos ou lendas, mas sim, no estudo profundo e elevadíssimo desenvolvido nas escolas espirituais existentes nos planos mais elevados do nosso planeta, estudo esse desenvolvido por espíritos que já não encarnam mais porque ascencionaram à 7ª faixa vibratória positiva da dimensão humana da vida, e hoje atuam em benefício da humanidade através de suas hierarquias ou correntes espirituais, que chegam até o plano material através dos Guias Espirituais dos médiuns umbandistas, e dos protetores espirituais que todo ser encarnado possui.

Essa cosmogenêse é tão abrangente que explica a religião Umbanda, todos os Orixás cultuados nela, todas as linhas de trabalhos espirituais, todas as ancestralidades dos filhos dos Orixás, todas as práticas religiosas e magísticas realizadas na Umbanda e pelos umbandistas. Também explica as cores, o uso de colares, de fitas, de cordões, de toalhas, de flores, de pedras, de ervas, de velas, de águas, de pós, de pembas, de pontos riscados e cantados e etc. Enfim, ela explica a existência dos seres e das coisas criadas por Deus, assim como explica porque cada pessoa, seja umbandista ou não, possui ligação com os Sagrados Orixás e deles pode servir-se, mesmo que não tenha sido iniciada na Umbanda e nada saiba sobre eles, as divindades mistérios que governam a Criação Divina.

Abaixo, alguns dos livros que trazem esse conhecimento:
- Umbanda Sagrada
- Tratado Geral de Umbanda
- Orixás Ancestrais
- Orixá Exu
- Orixá Pombagira
- Orixá Exu Mirim
- Livro de Exu
- Doutrina e Teologia de Umbanda
- Teogonia de Umbanda
- Código de Umbanda
- Gênese de Umbanda
- Formulário de Consagrações Umbandistas
- Iniciação à Escrita Mágica Simbólica
- Código da Escrita Mágica Simbólica
- Tratado de Escrita Mágica

Pai Rubens Saraceni

O Mistério das Energias Básicas

Nosso planeta é formado por muitos tipos de compostos energéticos:
Aquáticos: água doce, salgada, mineral e etc.
Minerais: minérios, metais, silicatos e etc.
Ígneos: magma, carvões mineral e vegetal e etc.
Telúricos: areia, saibro, terra e etc.
Vegetais: madeira, folhagens, gramíneas e etc.
Eólicos: ar, gases e etc.
Cristalinos: pedras, gemas, cristais e etc.

Enfim, o nosso planeta é energia condensada em estado de repouso, mas que também energiza o meio ambiente, tornando-o próprio para a vida como a conhecemos.

Mas o nosso planeta não se resume só à sua dimensão material, porque temos uma contraparte espiritual, onde tudo o que existe obedece a outro padrão vibratório, ainda que tudo seja sustentado pelo mesmo tipo de magnetismo do plano material.

Se a dimensão humana tem sua base no plano material, cujo amálgama energético é gerador de uma energia classificada como sétupla, existem outras dimensões onde a base é formada de energias puras, energias estas que estão na origem do nosso “mundo” material.

Nós já comentamos sobre as sete dimensões básicas e não vamos nos repetir aqui. Apenas vamos mostrar onde as energias delas atuam na vida e evolução dos seres humanos, que estão espalhados nesse composto energético que os hindus chamam de “prana”, outros chamam de éter, energia vital e etc.

Sim, este nosso “prana” é um amálgama energético formado de muitos tipos de energias. E, ainda que na origem de tudo só exista uma energia viva que denominamos de divina, dependendo do padrão vibratório por onde Deus a emana, então vão surgindo energias puras, já passíveis de classificação como fatores, ou energias fatorais.

Nós temos sete energias básicas formando nosso composto sétuplo, as quais já comentamos diversas vezes. Vamos aqui, mostrar onde elas atuam em nossa vida:

1ª Energia Básica Cristalina: esta energia é fundamental às operações no campo religioso e, é a energia básica da Fé. Ela alimenta nossos sentimentos religiosos e sustenta nossa evolução nesse sentido da vida.

2ª Energia Básica Mineral: esta energia é fundamental às operações no campo do amor. Ela alimenta nossos sentimentos fraternais e sustenta nossas concepções, servindo-nos com seu magnetismo agregador.

3ª Energia Básica Vegetal: esta energia é fundamental às operações mentais no campo do raciocínio. Sua expansividade serve para alimentar nosso raciocínio e aguçar nossa percepção, dando leveza e agilidade à nossa mente. O intelecto absorve esta energia, pois é ela que o alimenta.

4ª Energia Básica Ígnea: esta energia é fundamental ao equilíbrio mental no campo da razão. A absorção dela é vital para que alcancemos um ponto de equilíbrio em todos os sentidos da Vida. Assim como cada substância tem seu ponto de equilíbrio, medido em graus Celsius ou Fahrenheit, nós também temos esse ponto. e dependendo da absorção dessa energia ígnea, tanto podemos acelerar quanto paralisar nosso racional, deixando de usar a razão e recorrer à emoção ou aos instintos.

5ª Energia Básica Eólica: esta energia é fundamental ao arejamento mental e ao equilíbrio emocional. Se absorvemos muito, tornamo-nos emotivos, mas se absorvemos pouco, tornamo-nos densos. Ela areja nossa mente, direciona nossa evolução e fortalece nossos sentimentos virtuosos.

6ª Energia Básica Telúrica: esta energia é fundamental para a estabilidade do ser. Se absorvemos muito, nos “petrificamos”, tornando-nos conservadores, ou dogmáticos; se absorvemos pouco, aí nos desestabilizamos e nos tornamos muito liberais ou libertinos.

7ª Energia Básica Aquática: esta energia é fundamental à criatividade do ser, se absorvida na quantidade certa. Se absorvemos pouco, deixamos de ser criativos; se absorvemos demais, nos tornaremos devaneadores.

Abaixo uma descrição sucinta das sete energias que formam o composto energético sétuplo que todas as pessoas absorvem aqui no plano material, energias estas que estão diluídas no “prana”, o qual é absorvido pelos nossos chacras e é internalizada e armazenada nos órgãos energéticos dos sentidos, os quais são usados em nossa operações mentais relativas aos sete sentidos da Vida, que são estes:
Sentido da Fé ou religiosidade
Sentido do Amor ou concepção
Sentido do Conhecimento ou raciocínio
Sentido da Justiça ou razão
Sentido da Lei ou ordenação
Sentido da Evolução ou saber
Sentido da Geração ou criatividade

Esses sentidos estão relacionados com os Tronos de Deus, que são manifestadores divinos dessa qualidade d’Ele.

Portanto, quando se sentirem fragilizados em algum desses sentidos, é recomendado que oferendem aos Sagrados Orixás relacionados a ele e, clamem pela sua atuação direta e ostensiva, pois assim logo será alcançado um reequilíbrio energético.

Este reequilíbrio é condição básica para a elevação do ser e para a aceleração da evolução espiritual.

Pai Rubens Saraceni

Entre o Sagrado e o Profano

Conta uma lenda, que o gesto de cruzar o solo ou a si mesmo, foi adotado pelos cristãos quando um padre romano atiçado pela curiosidade, perguntou a um serviçal de sua igreja, o porque dele cruzar o solo antes de entrar nela para limpá-la e, o mesmo fazia ao sair dela.

O serviçal, um negro já idoso que havia sido libertado pelo seu amo romano, quando já não podia carregar os seus pesados sacos de pedras ornamentais, e que andava arqueado por causa de sua coluna vertebral ter se curvado de tanto peso que ele havia carregado desde jovem, ajoelhou-se e cruzou o solo diante dos pés do padre romano, dizendo:

– Agora já posso contar-lhe o significado do sinal da cruz, amo padre!

– Porque somente após cruzar o solo diante dos meus pés, você pode revelar-me o significado do sinal da cruz, meu negro velho?

– É porque eu vou falar de um gesto sagrado, meu amo. Somente após cruzarmos o solo diante de alguém e pedirmos licença ao seu lado sagrado, esse lado se abre para ouvir o que temos a dizer-lhe.

– Se você não cruzar o solo diante dos meus pés, o seu lado sagrado não fala com o meu? É isso meu negro velho e cansado?

– É isso sim meu amo. Tudo o que falamos, ou falamos para o lado profano, ou para o lado sagrado dos outros com quem conversamos! Como o senhor quer saber o significado do sinal da cruz usado por nós, os negros trazidos desde a África para trabalharmos como escravos aqui em Roma, e porque ele é um sinal sagrado, seu significado só pode ser revelado ao lado oculto e sagrado de seu espírito. Por isso eu cruzei o solo diante dos seus pés, pedi ao meu pai Obaluayê que abrisse uma passagem entre os lados ocultos e sagrados dos nossos espíritos, senão o senhor não entenderá o significado e a importância dos cruzamentos e, das passagens.

O padre romano ouvindo as palavras sensatas daquele preto já velho e cansado, de tanto carregar os fardos de pedras ornamentais com as quais eles, os romanos, enfeitavam as fachadas e os jardins de suas mansões, sentiu que não estava diante de uma pessoa comum, mas sim diante de um sábio amadurecido no tempo e no trabalho árduo de carregar fardos alheios.

Então o padre romano convidou o preto velho e cansado, a acompanhá-lo até sua sala particular localizada atrás da sacristia.

Já dentro dela, o padre sentou-se na sua cadeira de encosto alto e confortável e indicou um banquinho de madeira para que aquele preto velho se sentasse e lhe contasse o significado do sinal da cruz.

O velho negro, antes de sentar-se cruzou o banquinho e isto também despertou a curiosidade de empertigado padre romano, sentado em sua cadeira mais parecida com um trono, de tão trabalhada que ela era.

– Por que você cruzou esse banquinho antes de se assentar nele, meu preto velho?

– Meu senhor, eu só tenho essa bengala para apoiar meu corpo arqueado. Então se vou sentar-me um pouco, eu cruzei esse banquinho e pedi licença ao meu pai Obaluayê para assentar-me no lado sagrado dele. Só assim o peso dos fardos que já carreguei não me incomodará e poderei falar mais à vontade, pois se nos assentamos no lado sagrado das coisas, deixamos de sentir os pesos do lado profano de nossa vida.

O padre romano de uma inteligência e raciocínio incomum, mais uma vez viu que não estava diante de uma pessoa comum, e sim, diante de um sábio que mesmo não falando bem o latim, (a língua falada pelos romanos daquele tempo) no entanto falava coisas que nem os mais sábios dos romanos conheciam.

O velho preto, após assentar-se apoiou a mão esquerda no cabo da sua bengala e com a direita estralou os dedos no ar por quatro vezes, em cruz e aquilo intrigou o padre romano que perguntou-lhe:

– Meu velho preto, por que você estralou os dedos quatro vezes cruzando o ar?

– Meu senhor, eu cruzei o ar pedindo ao meu pai Obaluayê que abrisse uma passagem nele, para que minhas palavras cheguem até os seus ouvidos através do lado sagrado dele, senão elas não chegarão ao lado sagrado de seu espírito, e não entenderás o real significado delas ao revelar-lhe um dos mistérios do meu Pai.

– Então tudo tem dois lados meu preto velho?

– Tem sim, meu senhor.

– Por que você, agora já sentado e bem acomodado, fala mais baixo que antes, quando estava apoiado sobre sua bengala?

– Meu senhor, quando nos assentamos no lado sagrado das coisas, aquietamos nosso espírito e só falamos em voz baixa para não incomodarmos o lado sagrado delas.

– Entendo meu velho. Murmurou o padre romano, curvando-se para melhor ouvir as palavras daquele preto velho.

Conte-me o significado do sinal da cruz!

E o preto velho começou a falar, falar e falar. E tanto falou sobre o mistério do cruzamento que aquele padre (que era o chefe da igreja de Roma naquele tempo quando os papas ainda não eram chamados de papa) começou a entender o significado sagrado do sinal da cruz, e começou a pensar em como adaptá-lo e aplicá-lo aos cristãos de então.

Como era um mistério do povo daquele preto, já velho e cansado de tanto carregar fardos de pedras ornamentais alheias, então pôs sua mente arguta e agilíssima para raciocinar. E o padre romano pensou muito. E tanto pensou que criou a lenda dos três reis magos, onde um era negro, em homenagem ao sábio preto velho, que falando-lhe desde seu lado sagrado e interior, havia lhe aberto a existência do lado sagrado das coisas; o da existência de passagens entre esses dois lados e etc.

Enquanto ouvia e sua mente pensava, a cada revelação do preto, já velho e cansado, seus olhos enchiam-se de lágrimas e mais e mais ele se achegava, chegando um momento em que ele se assentou no solo à frente do preto velho para melhor ouvi-lo, pois não queria perder nenhuma das palavras dele.

E aquele padre que era o chefe de todos os padres romanos, diariamente ouvia por horas e horas o preto velho, e depois que o dispensava, recolhia-se à sua biblioteca e começava a escrever os mistérios que lhe haviam sido revelados.

Aos poucos estava reescrevendo o cristianismo e dando-lhe fundamentos sagrados.

– Ele escreveu a lenda dos três reis magos, onde um dos magos era um negro muito sábio.

– Ele mudou o formato da cruz em X onde Cristo havia sido crucificado, e deu a ela a sua forma atual, que é uma coluna vertical e um travessão horizontal.

– Também determinou que em todos os túmulos cristãos deveria haver uma cruz, que é o sinal da passagem de um plano para o outro, segundo aquele preto velho.

– Ele criou a figura de Lázaro cheio de chagas, para adaptar o Orixá da varíola ao cristianismo. Na verdade ele criou o sincretismo cristão, e dali em diante muitos outros padres de todos os padres (os papas), começaram a adaptar os mistérios de muitos povos ao cristianismo, fundamentando a crença dos muitos seguidores de então, da doutrina humanista criada por Jesus. E criaram concílios para oficializá-los e torná-los dogmas.

Poderíamos falar de muitos dos mistérios alheios que os padres romanos adaptaram ao cristianismo. Mas agora falaremos somente dos significados do mistério da cruz e dos cruzamentos, ensinados àquele padre por um preto velho.

1º - O ato de fazer o sinal da cruz em si mesmo tem esses significados:

a - Abre o nosso lado sagrado ou interior para ao rezarmos, nos dirigirmos às divindades e a Deus através do lado sagrado ou interno da criação.

Essa forma é a da oração silenciosa ou feita em voz baixa. Afinal, quando estamos no lado sagrado e interno dela, não precisamos gritar ou falar alto para sermos ouvidos.

Somente fala alto ou grita para se fazer ouvir, quem se encontra do lado de fora ou profano da criação. Esses são os excluídos ou os que não conhecem os mistérios ocultos da criação, e só sabem se dirigir a Deus de forma profana, aos gritos e clamores altíssimos.

b - Ao fazermos o sinal da cruz diante das divindades, estamos abrindo o nosso lado sagrado para que não se percam as vibrações divinas que elas nos enviam quando nos aproximamos, e ficamos diante delas em postura de respeito e reverência.

c - Ao fazermos o sinal da cruz diante de uma situação perigosa ou de algo sobrenatural e terrível, estamos fechando as passagens de acesso ao nosso lado interior, evitando que eles entrem em nós e se instalem em nosso espírito e em nossa vida.

d - Ao cruzarmos o ar, ou estamos abrindo uma passagem nele para que através dela, o nosso lado sagrado envie suas vibrações ao lado sagrado da pessoa à nossa frente, ou ao local que estamos abençoando (cruzando).

e - Ao cruzarmos os solo diante dos pés de alguém, estamos abrindo uma passagem para o lado sagrado dela.

f - Ao cruzarmos uma pessoa estamos abrindo uma passagem nela, para que seu lado sagrado exteriorize-se diante dela e passe a protegê-la.

g - Ao cruzarmos um objeto, estamos abrindo uma passagem para o interior oculto e sagrado dele, para que através desse lado seja um portal sagrado que tanto absorverá vibrações negativas como irradiará vibrações positivas.

h - Ao cruzarmos o solo de um santuário, estamos abrindo uma passagem para entrarmos nele através do seu lado sagrado e oculto, pois se entrarmos sem cruzá-lo na entrada, estaremos entrando nele pelo seu lado profano e exterior.

i - Ao cruzarmos algo (uma pessoa, o solo, o ar e etc.) devemos dizer estas palavras: – Eu saúdo o seu alto, o seu embaixo, a sua direita e a sua esquerda e peço-lhe em nome do meu pai Obaluayê que abra o seu lado sagrado para mim.

Outras coisas aquele ex-escravo dos romanos ensinou àquele padre de todos os padres, que era altivo e empertigado, mas que gostava de sentar-se no solo diante daquele sábio preto, já velho e muito cansado. Era um tempo que os políticos romanos estavam de olho no numeroso grupo de seguidores do cristianismo, e se esmeravam em conceder aos seus bispos e padres, certas vantagens em troca dos votos que os elegeriam. Também era um tempo em que era moda aqueles bispos e padres colocarem nos púlpitos, pessoas que davam fortes testemunhos, ainda que falsos ou inventados na hora para enganar os incautos já existentes naquele tempo em Roma, tanto na plebe como nas classes mais abastadas. Mas os padres daquele tempo pensavam em tudo, e espalharam que quem fizesse grandes doações à igreja seria recompensado com uma ampla e luxuosa morada, um palacete no céu bem próximo quase vizinho de onde Jesus vivia.

A coisa estava indo bem, mas havia espaço para melhorar mais ainda a situação da igreja romana daquele tempos, e alguns padres versados no grego se apossaram do termo católico que significava “universal”, e universalizaram suas praticas de mercadores da fé. Como estavam se apossando de mistérios alheios um atrás do outro, e começaram a ser chamados de plagiadores, então fizeram um acordo com um imperador muito esperto, mas que estava com seus cofres desfalcados, à beira da bancarrota (digo, deposição), acordo esse que consistia em acabar com as outras religiões. No acordo, o imperador ficava com os bens delas (tesouros acumulados em séculos, propriedades agrárias e imóveis bem localizados) e os padres de então ficariam com todos os que se convertessem, e começassem a pagar um dízimo estipulado por eles.

O acordo era vantajoso para ambos os lados envolvidos, e aqueles padres de então, para provar ao imperador suas boas intenções, até o elegeram chefe geral da hierarquia criada recentemente por eles, desde que editasse um decreto sacramentando a questão dos dízimos cobrados. Outra exigência daqueles padres de então, foi a de estarem isentos na declaração dos bens das suas igrejas. Também exigiram primazia na concessão de arautos, pois sabiam que estariam com uma vantagem imensa em relação aos seus concorrentes religiosos de então.

O imperador começou a achar que o acordo não era tão vantajoso como havia parecido no começo, mas os padres daquela época, começaram a persuadir a esposa dele, que era uma dama da alta sociedade, e estava se dando muito bem na sua nova religião, pois aqueles padres haviam criado um tal de confessionário que caíra como uma luva para ela, e outras damas ilustres que pecavam a semana toda, mas no domingo logo cedo, iam se confessar com um padre que elas não viam o rosto, mas que era bem condescendente, pois as perdoavam em troca delas rezarem umas orações curtas, fáceis de serem decoradas.

No domingo ajeitavam a consciência, e na segunda já perdoadas, voltavam com a corda toda às suas estripulias intramuros palacianos.

O acordo foi selado e sacramentado, e a partir de então foi um salve-se quem puder no seio das outras religiões. E não foram poucos os que renunciaram à antiga forma de professar sua fé, pois viram como os valores corriam à solta para as mãos (digo, cofres) daqueles padres de então, pois eles eram muito criativos, e a cada dia tinham um culto específico para cada um dos males universais, comuns a todos os povos, épocas e pessoas.

Os valores que arrecadavam, parte reinvestiam criando novos pontos de arrecadação (digo, novas igrejas) e parte usavam em benefício próprio, comprando mansões e carruagens que exibiam com ares de triunfo, alegando que era a sua conversão ao cristianismo que havia tornando-os prósperos e bem sucedidos na vida. Criaram uma teologia da prosperidade para justificar seus enriquecimentos rápidos, e à custa da exploração da ingenuidade dos seus seguidores de então, que davam-lhes dízimos e mais dízimos e ainda sorriam felizes com sua nova fé.

Tudo isso aconteceu no curto espaço de uns vinte e poucos anos, e começou depois da segunda metade do século IV d.C. Por incrível que pareça, aquele preto velho muito cansado de tanto carregar sacos de pedras alheias, viveu tempo suficiente para ver tudo isso acontecer. E tudo o que aquele padre de todos os padres havia lhe dito que faria com tudo o que tinha aprendido com ele, aconteceu ao contrário.

O tal padre já auto eleito bispo, usou o que havia aprendido com o preto, mas segundo seus interesses de então (digo, daquela época). Foram tantas as coisas que aquele velho preto cansado e curvado havia ensinado àquele jovem e empertigado padre, e que ele não somente usou em benefício dos outros como os usou em benefício próprio, que o preto já velho, muito velho falou para si mesmo: “Me perdoa, meu pai Obaluayê, mas eu não revelei àquele padre o que acontece com quem inverte os seus mistérios ou os usa em benefício próprio: que eles ao desencarnarem, têm seus espíritos transformados em horrendas cobras negras!”

Obaluayê ao ouvir o último lamento daquele preto velho e curvado de tanto carregar sacos de pedras alheias, e cansado e desiludido por ensinar o bem e ver seus ouvintes inverterem tudo o que ouviam em benefício próprio, acolheu em seus braços o espírito curvado dele, endireitou-o, acariciou-lhe o rosto e falou-lhe bem baixinho no ouvido: “Meu filho, alegre-se pois ele só andará na terra o tempo necessário para tirar do culto dos Orixás, os que não aprenderam a curvar-se diante dos Senhores dos Mistérios, mas que acham-se no direito de se servirem deles. Mas assim que ele fizer isso deixará essa terra, e voltará a rastejar nas sombras das trevas mais profundas, que é de onde ele veio para recolher de volta para elas os espíritos que Jesus trouxe consigo após sua descida às trevas.

Bem que eu alertei o jovem e amoroso Jesus sobre o perigo de usar do meu Mistério da Cruz, para abrir passagens nas trevas humanas! Afinal quem abre passagens nas trevas com meu mistério da cruz, liberta o que nele existe, não é mesmo, meu velho e sábio preto?

É sim, meu divino pai Obaluayê! Disse o preto velho.

Pai Rubens Saraceni

As Vestimentas Energéticas dos Espíritos

No astral não existem fábricas têxteis que produzam tecidos exóticos para as vestimentas dos Guias espirituais, Orixás ou encantados da natureza. Tal como as formas plasmadas as vestimentas energéticas também são um mistério que agora vamos comentar.

Os espíritos já despertos para suas faculdades mentais são capazes de movimentar energias, dispersá-las ou condensá-las unicamente recorrendo ao pensamento que pode ser direcionado tal como uma mira telescópica. O fato é que muitos espíritos costumam plasmar mentalmente suas próprias vestes ou até cobrir o corpo espiritual de outros espíritos.

Conseguem isso porque sabem como retirar energias do invisível oceano energético que flui tanto na dimensão material quanto na espiritual. Os espíritos já aptos a plasmarem mentalmente suas vestes, as confeccionam com essa energia que condensam e amoldam-na ao próprio corpo cobrindo-o. Quando desejam cobrir outros espíritos plasmam mentalmente um fluxo energético e o moldam sobre o corpo espiritual de quem estão vestindo. Uns irradiam o fluxo com as mãos outros com a mente.

Cada um tem o seu modo de agir, mas os espíritos podem também retirar de uma roupa material sua cópia astral e usá-la. Uma veste material por ser energia materializada e condensada pode fornecer quantas cópias astrais se desejar sem que deixe de ser o que é uma energia material inesgotável.

Muitos espíritos recorrem a este recurso retirando cópias astrais, absorvendo-as e guardando-as para usar em ocasiões apropriadas. Mas estas vestimentas só se sustentam brancas ou coloridas se existir uma correspondência íntima em quem as ostenta pois se o íntimo do espírito for negativo com certeza a sua vestimenta se tomará cinza ou escura.

Outro ponto curioso é quanto aos lençóis, cobertores e etc., utilizados em hospitais astrais, e o fato é que nos hospitais astrais criados pelos mentais superiores (celestiais) existem matrizes energéticas que quando acionadas pelos responsáveis pelos almoxarifados produzem (plasmam) um número grande de lençóis ou cobertores, que distribuem aos quartos ocupados por espíritos enfermos. Esses lençóis e cobertores precisam ser trocados periodicamente pois têm por função absorver as emanações de energias enfermas irradiadas pelos doentes ali em tratamento.

Quando os lençóis começam a ficar cinzentos ou manchados de preto são retirados e levados a uma matriz energética que anula tudo, tanto os lençóis mata-borrões quanto as energias negativas neles acumuladas. Os medicamentos aplicados no corpo espiritual ou mesmo no corpo energético são plasmas específicos gerados por matrizes muito especiais existentes nos hospitais ou abrigos espirituais e quando aplicados nos corpos dos espíritos vão sendo absorvidos e vão curando os ferimentos. Também ocorrem casos em que os espíritos virtuosos ao desencarnarem conservam sobre seus corpos espirituais a cópia astral das roupas que cobriam seus corpos físicos.

Mas em muitos casos os espíritos ao serem desligados de seus corpos físicos simplesmente ficam nus, e nesses casos se o desencarnante está sendo amparado por servos da luz, imediatamente eles cobrem o corpo espiritual de seu protegido, mas quando a luz não espera pelos desencarnados, na maioria das vezes ficam nus após a dissolução da cópia astral das vestes que cobriam seus corpos físicos e, nus permanecem.

Pai Rubens Saraceni

As Vestimentas Simbólicas

As vestimentas simbólicas são um caso à parte, porque somente os espíritos incorporados a alguma ordem religiosa, iniciática ou de ação e trabalho as ostentam.

O fato é que quando um espírito afim com uma dessas ordens iniciáticas a ela se filia, recebe uma vestimenta simbólica que irá ostentar dali por diante renunciando aos seus hábitos e vestimentas mundanos. O mesmo acontece com as hierarquias de trabalhos do ritual de Umbanda Sagrada, que também têm sua vestimenta simbólica identificadora que as individualiza dentro da linha de ação.

Na hierarquia todos assumem a forma plasmada do hierarca e cobrem-se com vestimentas iguais, pois elas lhes chegam juntamente com as formas que o mistério lhes irradia. A única diferença entre os membros de uma hierarquia são as armas simbólicas pessoais e a luz própria que cada espírito irradia que é conquista (evolução) pessoal ou individual.

As vestes simbólicas só podem ser ostentadas pelos espíritos incorporados a linhas de ação e trabalho regidas pela lei dos mistérios. E quem ousar plasmar uma delas para si próprio sem ter sido incorporado a uma hierarquia, corre sérios riscos de ser punido pelo próprio mistério.

Pai Rubens Saraceni

O Mistério das Formas Plasmadas

Todo espírito traz a aparência que teve em sua última encarnação, porque o plasma que reveste seu corpo energético amoldou-se ao seu corpo carnal. Esse plasma tem a mesma função da pele do corpo carnal, já que o corpo energético não suporta as energias que permeiam tudo o que existe nos mais variados níveis das muitas dimensões da vida.

O corpo energético dos espíritos, também é formado por aparelhos e órgãos energéticos dos sentidos. Esses órgãos dão sustentação energética às funções mentais dos espíritos e, por isso mesmo tanto podem atrofiar-se como podem sobrecarregar-se. Tudo depende do bom ou mau uso que se dê às suas faculdades mentais e, também ao tipo de magnetismo mental que desenvolvem.

Se um espírito negativa seu magnetismo, automaticamente deixa de irradiar energias para o meio onde vive e começa a absorver energias nocivas aos órgãos dos seus sentidos, as quais vão atrofiando alguns órgãos e, sobrecarregando outros até que levem o ser a uma descarga emocional em que seu magnetismo negativo é esgotado e, ele se torna o que costumam chamar de espírito sofredor.

Existe outra função para o revestimento plasmático que se destina a tolher os espíritos cujo negativismo é tão grande que bloqueia suas faculdades e abre suas primitivas fontes instintivas. Mistérios negativos, análogos ao negativismo do ser e que são responsáveis pelo amparo a criaturas naturais, envolvem o mental do ser negativado pelo ódio, ambição, sensualismo e etc., e amoldam este plasma de revestimento em uma forma específica, afim com alguma criatura regida pelo mistério que o atraiu e o aprisionou.

Esses espíritos aprisionados em forma de criaturas, não conseguem libertar-se delas enquanto não forem movidos pelo desejo de se reajustarem. Esses espíritos que regridem são recolhidos nestas formas por duas razões: porque bloquearam suas faculdades racionais e despertaram seus instintos mais primários, dispensando os órgãos dos sentidos existentes em seus corpos energéticos, os quais atrofiaram quando deram uso negativo às suas faculdades. Porque assim recolhidos em formas primárias estão sendo amparados pela Lei, protegidos de ataques vingativos por parte dos seus desafetos e também porque assim preservam seus ovóides, dentro dos quais estão protegidas suas heranças genéticas divinas às quais desdobrarão novamente quando voltarem-se para Deus.

Há um terceiro tipo de formas plasmadas que atende aos interesses de espíritos astutos os quais se ocultam atrás delas para não se revelarem ou para não serem descobertos por seus inimigos que foram conquistados quando ainda viviam no corpo carnal e dos quais ocultam-se por medo ou vergonha.

Essas formas lembram animais conhecidos, ou aberrações imaginárias com as quais assustam seus desafetos visando a afastá-los ou desequilibrá-los emocionalmente. Também é comum clarividentes verem formas que guardam semelhanças com corpos humanos, mas só até certo ponto porque não são espíritos humanos.

Existem dimensões paralelas à dimensão humana que se destinam à evolução dos seres cujas formas até guardam semelhanças com o corpo humano mas na verdade são formas autênticas de seres naturais, muitos tão inteligentes quanto os espíritos e, outros nem tanto. Enfim são seres com formas próprias e imutáveis, mas que muitos videntes descrevem como sendo espíritos plasmados em formas angelicais ou infernais.

Rubens Saraceni

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