A Saída dos Orixás

Então chegou o momento em que Olorun determinou que os seus filhos e filhas Orixás, iniciassem a saída de sua morada interior e começassem a ocupar sua morada exterior.

A Oxalá coube a primazia, porque ao sair ele que é o espaço em si mesmo, criaria o meio ou o espaço indispensável para que os outros Orixás pudessem se deslocar, e dar início à concretização de sua morada exterior com a criação dos mundos que seriam ocupados pelos seres espirituais.

Não foi fácil para nenhum dos Orixás deixar de viver na morada interior, no íntimo do Divino Criador Olorun. Para Oxalá foi mais difícil ainda, porque ele em sendo o primogênito iniciaria a saída. Quando se viu diante do portal de saída, virou-se e contemplou mais uma vez o rosto de Olorun que o contemplava com os olhos fixos e sérios, como a dizer-lhe: “Vá em frente meu filho! Eu sou você por inteiro e você é parte de mim.”

Oxalá olhou cada um dos seus irmãos e irmãs divinos, e dos olhos deles corriam lágrimas. Curvou-se e cruzou o solo divino que ainda pisava tocando-o com a testa beijando-o, e dos seus olhos verteram lágrimas que cintilaram ao tocá-lo. E ali suas lágrimas ficaram incrustadas no solo, como uma marca de sua partida. E sobre este solo divino, muitas outras lágrimas haveriam de ser derramadas pelos outros Orixás a medida que fossem partindo.

Oxalá se levantou virando-se novamente ao portal, mas já resoluto avançou a passos firmes, e a medida que foi saindo seu corpo explodiu em um clarão ofuscante que se projetou ao infinito, iluminando ao redor da morada exterior do nosso Divino Criador Olorun. Curvou-se após ter dado o primeiro passo e cruzou o espaço à sua frente, levantando-se já não tão ereto como quando saíra; deu um segundo passo e curvou-se cruzando o espaço à sua frente pela segunda vez e, quando Oxalá se curvou pela sétima vez e cruzou o espaço a sua frente, já não conseguiu se levantar senão só um pouco, e ainda sim porque apoiava-se em seu cajado, que é o eixo sustentador do mundo manifestado, denominado paxorô.

Voltou-se na direção em que ficava a sua morada interior e já não a viu, pois o que viu foi o espaço vazio infinito a sua volta. O peso de sua responsabilidade foi tanto, que caiu de joelhos e com a voz embargada emitiu essas frases:

- Pai, por que fez isso comigo se o amo tanto?
- Pai, por que separou-me de você, se me sinto parte do senhor?
- Pai, sem o senhor eu sou o que vejo a minha volta, nada; meu pai amado!
- Porque, meu pai amado?

E Oxalá de joelhos apoiado em seu cajado, verteu o mais dolorido pranto já ouvido desde então na morada exterior. E todos os outros Orixás, que estavam na morada interior e o viam a apenas sete passos do portal de saída, emocionaram-se tanto, que também se ajoelharam e verteram o mais sentido dos prantos, pois tanto choraram a angústia dele quanto a que sentiam, porque também teriam que deixar a morada interior.

Olorun vendo todos os Orixás ajoelhados e chorando, ordenou:

- Meu filho Ogum, o espaço já existe em minha morada exterior. Agora é sua vez de levar para ela o seu mistério e, abrir os caminhos para que seus irmãos e irmãs possam segui-los em segurança e, vivenciarem os destinos que reservei a cada um. Siga sempre em frente, pois já existe um caminho feito por mim e trilhado por Oxalá. E ainda, após você dar o sétimo passo veja somente o espaço infinito a sua volta e nada mais, no entanto, onde seu pé direito pousar no seu sétimo passo, ali se iniciará o caminho que o conduzirá até onde ele se encontra agora.

- Meu amado pai Olorun eu vejo meu amado irmão bem ali, ajoelhado diante do portal de saída dessa sua morada, meu pai!

- Ogum, assim que der o primeiro passo depois da soleira desse portal, você só verá o vasto e infinito espaço vazio à sua volta. Não titubeie pois só encontrará o caminho que o levará até Oxalá, caso dê sete passos resolutos meu filho.

- Assim diz o meu Pai e meu Divino Criador Olorun, assim farei meu Pai amado!

E Ogum despediu-se e cruzou o portal de saída. Quando deu o primeiro passo e olhou à sua direita e à sua esquerda e, nada viu além do espaço ainda vazio e infinito em todas as direções, um tremor percorreu-lhe o corpo de alto a baixo. Mas ele continuou a caminhar. E ao dar o sétimo passo com o seu pé direito, Ogum ajoelhou-se e cruzou o espaço vazio diante dos seus pés, cruzou o espaço acima da sua cabeça, cruzou o espaço a sua frente, cruzou o espaço a suas costas, cruzou o espaço a sua direita, e cruzou o espaço a sua esquerda, quando viu seu irmão Exu, que deu uma gargalhada, e à guisa de saudação falou-lhe:

- Ogum meu irmão! Que bom vê-lo aqui do lado de fora da morada do nosso Pai e nosso Divino Criador Olorun! Porque você demorou tanto para sair?

- Exu, é bom revê-lo meu irmão! O que você faz por aqui?
- Oque eu faço por aqui?
- Foi o que lhe perguntei Exu.
- Eu já ando por aqui há tanto tempo, que eu nem sei a quanto tempo eu ando por aqui, sabe?
- Não sei não. Explique-se Exu!
- Ogum, lá vem você com seus pedidos de explicação de novo!
- Explique-se, está bem?
- Já que você insiste, digo-lhe que é por causa do fator adiantador que gero, sabe?
- Não sei não, Que fator é esse?
- Bem, até onde eu já sei ele faz com que eu chegue sempre adiantado aos acontecimentos, e este é um acontecimento e tanto, não?
- Que é um acontecimento e tanto, disso não tenho dúvidas. Mas como você chegou aqui, se só Oxalá havia saído?
- Ah, Oxalá passou por aqui, mas como ele estava muito triste e derramando lágrimas, eu achei melhor ir até ele quando ele deixar de derramar lágrimas. Afinal eu gero o fator hilariador, e não o entristecedor, sabe?
- Já estou sabendo... porque Exu ri até sem motivos.
- Ogum, a falta de motivos para se rir é algo hilário, ainda que muitos pensem o contrário. Mas se buscarmos os motivos da falta de risos, vemos algo tão tolo que se torna hilário.
- É se Exu está adiantado e diz isso, então você já sabe de algo que logo descobrirei, certo?
- Foi o que eu disse Ogum.
- Então Oxalá não tinha nenhuma razão para sentir-se tão triste e angustiado. É isso, Exu?
- Não mesmo Ogum! Logo isso aqui estará fervilhando de tantos seres que estão à espera da concretização dos mundos, e todos os que ficarem na morada interior desejarão vir para cá. E isso aqui estará tão cheio que muitos desejarão retornar à ela, sabe?
- Ainda não sei, mas se você que chegou aqui antes do espaço existir, e não sei como está dizendo, então logo saberei.
- E então, para onde você está indo Ogum meu irmão à minha direita?
- Vou até onde está Oxalá, Exu.
- Posso acompanhá-lo?
- Pode sim, com você ao meu lado esquerdo creio que não me sentirei tão só, não é mesmo?
- Se é Ogum! Comigo no seu lado esquerdo ninguém nunca se sentirá só.
- Então vamos, Exu. Já vejo o caminho que conduz até Oxalá.
- Você vai seguir os passos dele?
- Vou Exu.
- Você não quer seguir por uma caminho alternativo que é mais curto?
- Caminho alternativo? Que caminho é esse?
- É um atalho, um desviozinho! Mas leva até ele do mesmo jeito, certo?
- Errado Exu! Atalhos ou desviozinhos podem levar a muitos lugares, mas nunca levarão alguém até Oxalá ou qualquer outro lugar, pois todos eles levam aos seus domínios, que estão localizados no vazio. Isso sim, é certo!
- Tudo bem que isso é certo. Mas uma passadinha nos meus domínios não faz mal a ninguém, sabe?
- Não sei e não quero saber. Quem quiser que siga seus convites. Vamos?
- Vamos para onde?
- Ao encontro de Oxalá, oras!
- Não, não!
- Por que não?
- Esse caminho que leva a Oxalá é muito reto, é retíssimo mesmo! E Exu só trilha caminhos tortos ou tortuosos, sei lá!
- Até a vista, Exu!

Ogum seguiu o caminho que conduzia até Oxalá, logo chegando aonde ele estava. Após saudá-lo cruzando o solo e o espaço à frente dele, levantou-se e os dois se abraçaram. Então ficaram no aguardo da chegada dos outros Orixás que não demoraram a chegar. E quando passou muito tempo sem mais nenhum outro aparecer, iniciaram suas funções de poderes criadores na morada exterior do nosso Divino Criador, gerando essas e muitas outras lendas sobre eles.

Pai Rubens Saraceni

A Gênese do Planeta Terra - 1ª Parte

Sabemos que o “universo” dos Orixás é vastíssimo, e isso tem intrigado uns e confundido outros estudiosos deste mistério do Criador. Sim, porque muitos julgam que a história da humanidade começou a alguns milhares de anos após o dilúvio, tal como está escrito na Bíblia. Mas temos informações seguras, recebidas dos planos espirituais superiores, que o “dilúvio bíblico” não se refere a uma chuva torrencial durante quarenta dias, e sim a toda uma transformação da crosta terrestre que aconteceu há muito tempo, fato este que encerrou um ciclo evolutivo e deu início a outro.

Havia toda uma civilização avançadíssima, mas que tinha esgotado sua capacidade de evoluir, já que a “produção” daquela época não era mecânica e capaz de se reproduzir como a de hoje: em larga escala. Aconteceu um dilúvio? Sim. Mas não exatamente como está na Bíblia ou nas lendas de outros povos tão antigos quanto o semita. Em várias culturas religiosas encontramos vestígios deste acontecimento incomum, já como narrativas míticas ou lendárias. Encontramos vestígios diluvianos em diversas regiões do globo terrestre, sem que umas tivessem contato com as outras, em regiões habitadas por povos totalmente diferentes nas suas expectativas religiosas, e na forma de expressarem seus anseios quanto ao incognocível (Deus).

O fato é que aconteceu toda uma transformação geográfica, cultural e religiosa que durou vários milênios e, resultou na atual configuração da crosta terrestre, assim como na distribuição das antigas populações, quase extintas enquanto durou o processo.

A Gênese Divina nos revela que este ponto do universo onde hoje vivemos já foi um caos energético, que pouco a pouco foi sendo ordenado pelo poderoso magnetismo planetário, e que por bilhões de anos a Terra era inabitável, pois nenhum tipo de vida resistiria às explosões energéticas, que aconteciam porque elementos contrários se chocavam e se repeliam com violência. Mas de explosão em explosão todo um esgotamento energético foi acontecendo, e os elementos mais “reativos” foram sendo consumidos e começaram a rarear, tornando possível a acomodação dos elementos estáveis.

Pouco a pouco a crosta terrestre foi se resfriando, ou melhor, foi perdendo calor para o espaço vazio existente além do seu campo eletromagnético. Este campo tem seu limite nas camadas mais altas da estratosfera, justamente onde “vapores” ou gases ficavam concentrados, porque não conseguiam ultrapassar o cinturão eletromagnético que se formou com o giro do planeta sobre si mesmo, ou sobre seu eixo magnético.

Quando o “espaço” interno do planeta ficou saturado destes gases, a Terra era semelhante ao planeta Júpiter que vimos quando foi atingido por um cometa, que penetrou numa camada gasosa antes de atingir a massa sólida. Saibam que a bilhões de anos atrás, a Terra se encontrava toda envolta por uma densa camada gasosa composta por muitos elementos, que, pouco a pouco foram se combinando e dando origem a moléculas mais pesadas, que começaram a baixar ou se precipitar sobre a massa incandescente que era a Terra então.

A ciência divina nos diz que desde o assentamento do divino Trono das Sete Encruzilhadas neste ponto do universo, pelo Divino Criador, já se passaram cerca de uns treze bilhões de anos, sendo que nos primeiros quatro bilhões, o nosso planeta se parecia com uma estrela azul, mas que cintilava outras cores.

Pai Rubens Saraceni

A Gênese do Planeta Terra - 2ª parte

Esse período foi o tempo em que o divino Trono das Sete Encruzilhadas passou “absorvendo” energias, através do seu poderoso magnetismo cósmico. Fato este que deu inicio aos choques “nucleares” geradores de explosões gigantescas e, geradoras de novas ondas eletromagnéticas hiper-carregadas de energia, visíveis desde outras constelações.

Com o tempo o núcleo magnético do planeta foi alcançando um ponto de equilíbrio, as ondas eletromagnéticas foram perdendo força e as energias foram se condensando em torno do eixo magnético planetário.

O planeta que era uma massa incandescente com pequena “reatividade”, começou a perder calor para o geladíssimo espaço cósmico, que é o absorvente natural do excesso de calor dos corpos celestes. Tanto isso é verdade, que o brilho que vemos nas estrelas é energia que flui com as ondas eletromagnéticas, mas que vai sendo diluída no espaço cósmico. Mas as ondas eletromagnéticas geradas no interior delas e que nos chegam, são absorvidas pelo magnetismo planetário e o recarregam mantendo-o em equilíbrio vibratório. Já o excesso é lançado fora pelos pólos magnéticos (norte-sul), mantendo constante o campo em torno do planeta.

Nada é gerado do nada. Se a Terra tem seu magnetismo constante, algo tem que estar alimentando-o continuamente para que ele se mantenha estável. “Esta absorção das ondas eletromagnéticas irradiadas por outros planetas é o fundamento da Astrologia”.

O poderoso magnetismo de Vênus, que é um planeta regido por um trono planetário de natureza feminina, explica a influência deste planeta nas questões do amor, do coração e da sexualidade. Saibam que o planeta Vênus não é igual ao nosso, porque o magnetismo do trono que o rege não é igual, não é da mesma natureza e sua dimensão física ou material tem uma finalidade inversa à do planeta terra. Lá a dimensão física é doadora de energias para as outras dimensões paralelas a ela. Aqui a dimensão física tanto é doadora quanto receptora, das energias das nossas dimensões paralelas. Em Vênus, nas suas dimensões paralelas à dimensão material, vivem somente seres femininos; sejam de que espécies forem.

Cada planeta possui seu trono planetário cujo magnetismo divino desencadeou seu processo formador, e o tem sustentado desde que foi assentado ali pelo Divino Criador. Estes Tronos são individualizações do Divino Criador, e têm em si mesmos tantas qualidades de Deus quanto forem necessárias à manutenção da vida que têm que amparar, e têm de fornecer as condições ideais para que os seres subsistam e evoluam.

Aqui na terra só conseguimos raciocinar a partir do que conhecemos e nos é tangível. Mas a obra divina não se limitou à dimensão física, e só a partir da dimensão espiritual nos é possível raciocinar a partir de novas realidades. Mas o fato é que a Terra é um pólo eletromagnético e capta as vibrações ou ondas eletromagnéticas dos planetas do nosso sistema solar, porque todos estão acomodados dentro do “espaço” solar. Já o mesmo não acontece com as ondas de outros planetas, pois o magnetismo deles não sai de dentro do campo do “sol” que os sustenta.

As ondas eletromagnéticas oriundas de algumas estrelas são mais sutis que as ondas do Sol, penetram em seu campo eletromagnético e são absorvidas pelos planetas que formam o sistema solar, sobrecarregando-os magneticamente e alimentando os magnetismos planetários, distinguindo-os do magnetismo solar que se não fosse por isso, anularia os campos eletromagnéticos dos planetas em sua órbita. Este magnetismo estelar mais sutil, sobrecarrega os planetas e dá a eles as condições de resistirem à atração magnética (ou gravitacional) do Sol.

Saibam que o mesmo acontece com os elétrons que giram em torno do núcleo de um átomo, ou com o magnetismo mental dos espíritos, pois estes absorvem o magnetismo sutil das Divindades Irradiantes (luminosas), vão se afastando da faixa neutra (ponto zero) e vão ascendendo às faixas vibratórias mais elevadas.

Tudo o que acontece no macro se repete no micro, e tudo o que acontece na criação acontece nas criaturas e nos seres. Deus se repete e se multiplica em tudo o que gerou a partir de Si mesmo, quer esse tudo seja animado ou inanimado. Quer seja instintivo ou racional. “E se assim é, é porque tudo acontece em Deus”.

Somos influenciados pelas ondas eletromagnéticas das estrelas (outros sóis) e dos planetas dentro do campo magnético do Sol, que forma o nosso sistema solar, que nada mais é que um macro átomo. Então perceberam que assim como um enunciado químico nos diz que na natureza nada se perde e tudo se transforma, também no campo das energias e dos magnetismos o mesmo se aplica.

Citamos que por uns quatro bilhões de anos o nosso planeta foi uma massa energética reativa, mas assim que o divino Trono das Sete Encruzilhadas alcançou seu limite máximo em sua capacidade de absorver energias, as reações foram diminuindo e só restou uma esfera incandescente cercada de vapores (gases) cujos elementos (átomos) foram se combinando e dando origem a moléculas mais pesadas que se precipitavam sobre a superfície incandescida.

Pouco a pouco, com a perda de calor para o gelado espaço cósmico, a crosta foi se resfriando e se solidificando, até que se tornou densa o suficiente para reter em sua superfície as moléculas que iam se formando nas camadas gasosas mais elevadas. Mas o interior incandescido que era energia pura, criava e ainda cria pressão, elevando para a superfície os átomos hiper-aquecidos. É o mesmo processo da fervura da água: o fogo aquece o fundo da chaleira, as moléculas de água se energizam e sobem, criando lugar para que as menos energizadas se precipitem para o fundo. Com isso cria-se uma corrente dupla, onde moléculas mais energizadas (quentes) sobem, e as menos energizadas (menos quentes) descem para o fundo da chaleira. Quando as que haviam subido se desenergizam (perdem calor), então se tornam mais “pesadas” e descem, enquanto as que antes haviam descido se energizaram(aqueceram) e sobem. Nesta ebulição algumas moléculas hiper-aquecidas saem pelo bico da chaleira e se perdem no espaço. O mesmo aconteceu com o planeta Terra.

Nesta dupla corrente, estabelecida no magma energético, o planeta foi perdendo calor e moléculas hiper-aquecidas. Mas outras se precipitavam já resfriadas absorvendo calor, e voltando a subir até as camadas magnéticas mais frias, onde perdiam o calor e se desenergizavam.

O fato é que o processo de resfriamento de nosso planeta Terra durou mais de três bilhões de anos, e as ligações atômicas comandadas pela imanência do divino Trono das Sete Encruzilhadas deram origem a muitos tipos de moléculas, que deram origem a muitas substâncias. Umas sólidas, outras líquidas e outras gasosas. Se tudo aconteceu assim, é porque assim foi estabelecido pelo Divino Criador quando se individualizou no divino Trono das Sete Encruzilhadas, Seu herdeiro “natural”. Tal como acontece durante a fecundação do óvulo pelo sêmen e toda uma cadeia genética geradora é formada e ativada, o mesmo ocorreu quando um ser divino (o divino Trono das Sete Encruzilhadas) magnetizou-se e se polarizou dentro do ventre da Mãe Geradora ( a natureza cósmica de Deus).

Pai Rubens Saraceni

A Gênese do Planeta Terra - 3ª parte

Então se criou um magnetismo novo, que tal como um feto começou a absorver os nutrientes da Mãe Geradora (o Cosmo). O feto alimenta-se de sua mãe e, o mesmo fez o divino Trono das Sete Encruzilhadas e sua parte geradora, que é uma individualização da parte feminina do Divino Criador (a Natureza). Enquanto (o divino Trono das Sete Encruzilhadas) crescia magneticamente, o planeta se energizava (materializava). Com isso dito, saibam que o divino Trono das Sete Encruzilhadas é o magnetismo que sustenta a existência do planeta em suas muitas dimensões. Já a sua contra parte natural é a individualização e repetição “localizada” da natureza cósmica de Deus ou de Sua parte feminina, que é um ventre gerador de vida.

Na criação divina ( a gênese das coisas) tudo se repete e se multiplica. Tudo que está acontecendo aqui e agora, em um outro nível dentro de um grau da escala magnética divina já aconteceu antes, ou seja: o que antes aconteceu numa macro escala, hoje aconteceu num grau dessa mesma escala, amanhã acontecerá num nível, e depois de amanhã acontecerá num sub-nível. E assim sucessivamente, bastando guardar as proporções das repetições e multiplicações, a célula-mãe se repete e se multiplicam nas suas células filhas.

Saibam que na gênese de um corpo humano, a par da herança genética dos pais, o sêmen do homem tem um magnetismo análogo ao do divino Trono das Sete Encruzilhadas que atrai as energias (nutrientes), enquanto o magnetismo do óvulo da mulher é análogo ao da mãe geradora (cosmos) que vai agregando e distribuindo os nutrientes, segundo um código preestabelecido. Esta é a razão de todos os planetas serem “redondos”. Eles são formados dentro de um tipo de magnetismo ovular (de óvulo). Nesse magnetismo planetário, os eixos são do divino Trono das Sete Encruzilhadas. Já o magnetismo que os reveste e retém em cada camada os elementos, este são o da Divina Mãe Geradora, ou sua natureza divina. Somente quando estes dois magnetismos se fundem surge algo, tal como somente quando o macho se une com a fêmea (copula) uma nova vida é gerada.

Tudo se repete e tudo se multiplica, bastando sabermos que é assim que tudo acontece dentro de Deus, porque Ele é o eixo da geração e a própria geração em Si mesmo. Ele tanto é o macho quanto à fêmea. Mas quando se individualiza aí assume a Sua dualidade e biparte-Se em ativo e passivo, positivo e negativo, irradiante e absorvente, macho e fêmea. E foi o que aconteceu aqui na Terra, porque da união magnética do divino Trono das Sete Encruzilhadas com a “mãe natureza” surgiu um planeta magnífico e único no nosso sistema solar. Como já dissemos, Vênus é um planeta tipicamente feminino e Marte é masculino. Já a Terra é um planeta misto ou bipolar.

Voltando à gênese do nosso planeta, o fato é que durou sete bilhões de anos desde que se iniciou, até que uma atmosfera ainda saturada de gases tivesse sido formada. O planeta de então era instável e a todo o momento sacudido por gigantescas erupções vulcânicas. A partir daí as “substâncias” já não retornavam ao interior incandescido, porque a crosta sólida retinha em sua superfície as lavas, que iam “engrossando-a” e expandindo-a cada vez mais. Este processo de resfriamento interno via erupções vulcânicas durou um bilhão e meio de anos e, iniciou-se a partir das calotas polares ou pólos magnéticos. Até este ponto já havia passado uns oito bilhões de anos, e tempo suficiente para que todas as setenta e sete dimensões paralelas se completassem. Mas ainda não estavam alinhadas magneticamente em função das atividades magmáticas no interior do planeta.

Esse alinhamento durou uns dois bilhões de anos e somente quando se completou, a vida propriamente dita teve inicio com o surgimento em formas ainda rudimentares e unicelulares. As algas foram a primeira forma de vida unicelular que aqui surgiram. Mas isso só foi possível porque a formação de moléculas de água acelerou-se e, alagou a crosta terrestre com a precipitação de toda uma formação gasosa acumulada nos pólos magnéticos. Plânctons começaram a surgir nas águas paradas e logo (uns quinhentos milhões de anos), toda a crosta terrestre estava recoberta de uma vegetação unicelular ou de esporos, fato este que começou a gerar as condições ideais para o surgimento de uma vida superior formada por seres instintivos.

Nas dimensões paralelas, as básicas ou elementais já estavam formadas e começaram a receber seres ainda inconscientes e em estado puro. Uns eram elementais ígneos, outros eram aquáticos, eólicos, minerais, vegetais, cristalinos, etc. Estes seres provinham da dimensão essencial ou útero divino gerador de vida.

Pai Rubens Saraceni

A Gênese do Planeta Terra - 4ª parte

Enquanto seres virginais viviam na dimensão divina que nomeamos de “dimensão Mãe da Vida”, e nela eles iam sendo fatorados e adquirindo uma ancestralidade, pois adquiriam um magnetismo que os individualizava e os distinguia uns dos outros.

Saibam que depois de cerca de dez bilhões de anos, aconteceu o alinhamento natural das dimensões paralelas e a vida começou a fluir com intensidade em todas elas, porque todas as sete hierarquias planetárias se completaram e criaram as condições ideais para que o útero gerador da Mãe da Vida se abrisse e lançasse nas sete dimensões básicas elementares, tantos seres quanto elas comportam. Isso aconteceu entre dois e três bilhões de anos atrás, e a face da terra já estava toda coberta de vegetais, oceanos, rios, lagos, campos e etc, ainda que rudimentares, e habitada somente por criaturas que se adaptavam às condições climáticas de então.

Não nos perguntem como surgiram tais criaturas, porque este é um mistério de Deus e, quem sabe algo sobre ele nada revela e, quem fala algo é porque nada sabe. Nas dimensões paralelas, os seres “essenciais”continuavam vindo do útero divino da mãe geradora e sendo lançados nas sete dimensões elementais puras, onde estagiavam e desenvolviam o corpo elemental básico, afim com a sua essência e natureza (fator divino). Isso continua acontecendo até hoje, uns dois ou três bilhões de anos depois do inicio da evolução em nosso abençoado planeta.

Nas dimensões paralelas, em número de setenta e sete, a vida superior se expandia e ia ocupando seus espaços, enquanto a dimensão humana resumia-se à sua parte física habitada só por criaturas, tendo sua parte espiritual ou etérica totalmente deserta.

Houve uma época em que as águas cobriam quase toda a crosta terrestre, mas pouco a pouco, com o resfriamento e congelamento das calotas polares, devido ao magnetismo dos pólos, o nível começou a baixar e muitas partes ficaram emersas, cobrindo-se de vegetação e de espécies rudimentares. Até que vieram as espécies inferiores, tais como os répteis e anfíbios. Acerca de meio bilhão de anos atrás surgiram as grandes criaturas e os sáurios rapinantes, que dominaram a face da Terra durante milhões de anos. Depois começaram a desaparecer lentamente. Esse período foi encerrado com o desencadeamento de um ciclo de erupções vulcânicas devastadoras, que aqueceu muito os mares de então e partiu a crosta em vários pontos, isolando as porções de terra antes contíguas.

Aconteceu toda uma nova configuração geográfica, vegetal, aquática e eólica. E somente acerca de cinqüenta milhões de anos atrás a vida voltou a vicejar no plano físico, porque nas dimensões paralelas elas já estavam ocupadas de alto a baixo. A evolução natural nunca sofreu interrupção nas dimensões naturais. Nelas os seres superiores haviam evoluído tanto, que os divinos tronos planetários haviam completado suas hierarquias horizontais e verticais, em todos os níveis vibratórios e em todas as faixas magnéticas.

No plano físico teve inicio a geração de criaturas simiescas, de feras e de aves. A Terra foi coberta por uma fauna e flora exuberante, nunca vista nestas bandas do nosso universo. O mesmo aconteceu com os mares, rios e lagos, muitos dos quais formados por águas quentes e destinados a algumas espécies intermediárias.

Acerca de dez milhões de anos atrás surgiram raças intermediarias entre os símios e os futuros humanos. Eram semelhantes aos lendários “ogres” e se destinavam a abrigar num corpo denso (físico) seres que ascenderam de um universo inferior ao nosso, pois se localiza um grau abaixo do nosso na escala divina. Esse período de ascensão de “espíritos” vindos de “baixo” durou seis milhões de anos e exauriu a crosta terrestre, levando a um esgotamento da fauna e flora. Também havia se encerrado a “subida” dos “espíritos” desse universo contíguo ao nosso, mas localizado um grau magnético abaixo na escala divina, e por isso inferior.

Após um período de descanso do plano físico, tudo foi restaurado e se restabeleceram as condições ideais para a vida retornar plena e vigorosa. Surgiram os ancestrais do atual ser humano ainda rudimentares, portando-se como os animais selvagens. Esse período durou até um milhão e meio de anos atrás, quando aconteceu uma “catástrofe” celeste: uma nuvem de cometas atravessou o sistema solar e muitos colidiram com os planetas, assim como três muito grandes chocaram-se contra o sol, atraídos pela sua poderosa gravidade ou magnetismo. A nossa Terra não foi poupada e a vida quase foi extinta. Recuperou-se e acerca de um milhão de anos atrás surgiu à civilização que muitos chamam de adâmica, atlante, lemuriana e etc.

Pai Rubens Saraceni

Os Três Estados da Criação

Em um livro de nossa autoria (O Livro das Velas), começamos a mostrar as irradiações das chamas das velas e as denominamos de ondas vibratórias.

Em outros dos nossos livros, abrimos um pouco mais o Mistério das Vibrações Divinas e tudo foi assumindo forma.

Chegamos a comparar as ondas vibratórias aos genes, pois tal como eles, elas têm funções e realizam ações específicas na criação, porque cada modelo de onda transporta uma energia específica que é capaz de realizar um trabalho só seu.

Sempre de forma didática e prática, desenvolvemos comentários sobre as ondas vibratórias e a energia transportada por cada uma delas denominandoas de “Fatores de Deus”.

Em vários livros de nossa autoria os fatores são nomeados com o nome de verbos, assim como são classificadas as ondas vibratórias, tornando fácil o entendimento de tão complexo mistério de Deus.

Os mistérios das ondas vibratórias e dos fatores de Deus, guardadas as diferenças, são tão complexos quanto a física e a química, estudadas no plano material.
Física:
Para as “ondas vibratórias”.
Química:
Para os “fatores de Deus”.

Observem que os físicos e os químicos vêm desenvolvendo o conhecimento humano de forma maravilhosa e, de tempo em tempo, surpreendem a humanidade com a descoberta de leis e princípios que tanto respondem a muitas indagações, como imediatamente são aplicadas na vida criando novos conhecimentos e novos compostos.

Assim, o sobrenatural vai cedendo seu lugar ao natural porque se tornou compreensível e foi colocado sob determinado controle (o da ciência).

Mas, se assim tem acontecido com todas as ciências acadêmicas terrenas, o mesmo não se aplicava com as coisas religiosas e magísticas, sempre relegadas ao sobrenatural.

No nosso modelo de abordagem e de comentários sobre o universo divino, o natural, o espiritual e o magístico é racional e aos poucos vem delineando-os sob uma nova visão ou ângulo de observação.

Quando alguém dizia que tal folha ou erva é de um Orixá e, se perguntado porque ela é desse Orixá e não de outro, e ouvimos como resposta que ela é dele porque é, pois foram os “mais velhos” que ensinaram isso. Ficava uma fresta para a dúvida, porque faltava toda uma explicação que se justifica tal afirmativa.

Pacientemente, e de livro em livro, toda uma ciência e um modelo explicativo foi tomando forma e criando um modelo racional fundamentador das afirmações corretas, dos nossos “mais velhos” que, se eram verdadeiras, no entanto, sofriam pela falta de um “modelo explicativo e fundamentador”.

Quando, após a publicação de vários livros teóricos e didáticos, toda uma ciência divina delineou-se tudo foi sendo explicado e fundamentado.

Então, chegamos a um modelo padrão que responde à maioria das perguntas e fundamenta quase tudo o que está na Umban­da, e o que se usa nos trabalhos espirituais e magísticos dentro e fora dos seus centros.

O modelo é este:

- Olorum (Deus) é o princípio de tudo e está em tudo o que criou e gerou de si. Como Deus criou e gerou tudo, Ele é o princípio de tudo e tudo se inicia Nele.

Porque tudo se inicia em Deus então tudo tem seu princípio e está fundamentado Nele. Logo, tudo tem seu princípio criador e gerador.

Esse princípio criador-gerador que cada uma das coisas criadas por Deus traz em si, distingue-a e diferencia-a de todas as outras e dá-lhe uma individualização que facilita sua identificação, sua classificação e sua denominação.

– Nós, os seres racionais, em nosso planeta e em seu lado material, nos identificamos como humanos, nos classificamos como mamíferos e nos denominamos como seres humanos, separando-nos de outras espécies criadas por Deus em outros dos seus princípios criadores-geradores.

O que justifica essa afirmação é o fato de seres humanos só gerarem seres humanos, só bovinos gerarem bovinos, só eqüinos gerarem eqüinos e etc., entre os mamíferos, mas de espécies diferentes.

– Já entre os vegetais, que também têm seus princípios criadores-geradores específicos e fundamentados em Deus (pois todos concordamos que ele criou e gerou tudo), eles também têm suas identidades próprias e, uns são classificados como pertencentes a uma espécie e outras a outras.

Observação: “Aqui não usaremos os nomes científicos e sim os populares para nomearmos tudo e todos”.

Porque cada espécie vegetal tem seu princípio criador-gerador em Deus, elas também têm suas identidades e individualidades que as distinguem entre si.

– Também, se observarmos os minérios e as rochas veremos que cada espécie tem seu princípio criador-gerador específico que a individualiza e a identifica separando-a das outras espécies.

– O mesmo ocorre com as aves, com os peixes, com os répteis e etc.

E cada coisa criada e gerada por Deus traz em si seu princípio criador-gerador que tanto a identifica, a classifica e a denomina, individualizando-a, assim como a impede de, a partir de si, criar e gerar outras coisas ou outras espécies.

Com isso a criação e o geracionismo original e fundamentado em Deus está garantido, não se desvirtuando e não degenerando nada e ninguém.

– O conservacionismo é um dos princípios existentes em Deus.

O nosso modelo contempla três estados para tudo o que Deus criou e gerou:
• Estado divino
• Estado espiritual
• Estado natural

No estado divino tudo é divino. No estado espiritual tudo é espiritual. No estado natural tudo é natural.

O que é divino mostra-se como divino. O que é espiritual mostra-se como espiritual. O que é natural mostra-se como natural.

– Tudo o que existe em um dos estados das coisas criadas e geradas por Deus também existe nos outros dois estados, mas já se mostrando no estado em que se encontra.

A partir daí, então, só há um mesmo princípio que cria, gera e dá sustentação a uma coisa (uma espécie) no seu estado divino, no espiritual e no natural, pois a razão e a lógica nos faz crer que não poderia haver três princípios (um para cada estado) para uma mesma espécie, porque aí não manteriam a correspondência identificatória, classificatória e denominativa.

E, finalmente chegamos a essa afirmativa: – Deus é único e é em si o princípio de tudo.

– Tudo, por ter origem em Deus e por ter sido criado e gerado em um princípio específico, o traz em si e tanto tem sua individualização sustentada por Ele, como pode ser identificado, classificado e denominado por Ele.

– E, porque tudo se mostra nos três estados, mas cada coisa gerada e criada por Deus o é em um princípio único, então um único e específico princípio sustenta, identifica, classifica e nomeia cada coisa (espécie) nos seus três estados (o divino, o espiritual e o natural).

– Logo, o que encontramos, identificamos, individualizamos, classificamos e nomeamos em um dos três estados da criação também existe nos seus dois outros estados, ainda que, por nos encontrarmos em um deles, os outros dois não nos sejam visuali­záveis ou acessíveis.

E, como tudo tem sua origem e seu princípio sustentador em Deus a unidade é mantida, pois é uma espécie não gera outra, mas só a sua, mantendo-se única na Criação.

Daí, com essa forma de identificação, classificação e denominação entendida, basta recorrermos a um modelo cientifico para agruparmos e nomearmos as coisas criadas e geradas por Deus, para chegarmos aos princípios gerais ou universais e aos princípios específicos e limitados a uma espécie.

– Como cada espécie de vegetal tem seu princípio criador-gerador específico, mas todos são classificados como vegetais, então temos um princípio geral e universal, sustentador de todos os princípios específicos vegetais que os individualizam, os classificam e os nomeiam.

– E o mesmo acontece com os minérios, rochas, aves, peixes e etc.

Logo, ao invés de estudarmos Deus através de muitos princípios específicos, o nosso modelo recomenda fazê-lo a partir dos princípios gerais e universais.

E, como a Umbanda é regida pelo Setenário Sagrado, nos afi­xamos em sete princípios gerais e universais sustentadores do que se mostra aos nos­sos olhos na natureza terrestre (o estado natural) em seu lado material.

– Temos um princípio vegetal sustentando os vegetais.

– Temos um princípio mineral sustentado os minerais e etc.

Daí englobamos tudo em sete princípios gerais e universais, que são estes:
• Princípio cristalino
• Princípio mineral
• Princípio vegetal
• Princípio ígneo
• Princípio eólico
• Princípio telúrico
• Princípio aquático

Esses sete princípios englobam tudo o que se mostra em seu estado natural e conseguimos identificar, classificar e nomear cada coisa (ou espécie) criada e gerada por Deus nesse estado.
• Os cristais, individualizados, formam a natureza em sua parte cristalina.
• Os minérios formam a parte mineral da natureza.
• Os vegetais formam a parte vegetal da natureza.
• As temperaturas das coisas formam a parte ígnea da natureza.
• Os gases formam a parte eólica da natureza.
• Os solos formam a parte terrena da natureza.
• Os líquidos formam a parte aquosa da natureza.

Esses sete princípios gerais e universais são os sete princípios criadores-geradores existentes em Deus para o estado natural, que estão no Setenário Sagrado.

E, como tudo que se encontra em um estado (aqui, o natural) encontra-se nos outros dois, mas mostra-se em acordo com eles, e mantêm-se sustentados pelos mesmos princípios gerais e específicos, então basta transpormos esse Setenário Sagrado para o estado espiritual que encontraremos pessoas, animais, aves, répteis e etc (que são seres espirituais) sustentados por esses sete princípios gerais e universais. Nós os denominamos dessa forma:
• Seres ou espécies espirituais cristalinos
• Seres ou espécies espirituais minerais.
• Seres ou espécies espirituais vegetais.
• Seres ou espécies espirituais ígneos.
• Seres ou espécies espirituais eólicos
• Seres ou espécies espirituais terrenos
• Seres ou espécies espirituais aquáticos

Mas, como para cada estado, cada coisa tem sua forma de mostrar-se, ainda que o seu princípio geral e único seja o mesmo, então transformamos gradativamente o modelo natural, para os sentidos da vida, também englobados pelo Setenário Sagrado, e que são estes:
• Sentido da Fé à princípio criador, gerador e sustentador dos cristais ou das rochas.
• Sentido do Amor à princípio criador, gerador e sustentador dos minerais.
• Sentido do Conhecimento à princípio criador, gerador e susten­tador dos vegetais.
• Sentido da Razão ou da Justiça à princípio criador, gerador e sustentador das temperaturas.
• Sentido do Caráter ou da Lei à princípio criador, gerador e sustentador da ordem.
• Sentido da Sabedoria ou da Evolução à princípio criador, gerador e sustentador da evolução das espécies e das passagens de um estado para outro.
• Sentido da Criação e da Geração à princípio criador, gerador e sustentador da multiplicação das espécies.

Nos seres humanos, essa transposição do que existe e se mostra no estado natural, gerou arquétipos físicos e psicológicos, sendo que aqui daremos só o segundo, pois o primeiro já é de conhecimento geral.
• Sentido da Fé à seres religiosos;
• Sentido do Amor à seres agregadores;
• Sentido do Conhecimento à seres expansores;
• Sentido da Justiça à seres equilibradores;
• Sentido da Lei à seres ordenadores;
• Sentido da Evolução à seres transmutadores;
• Sentido da geração à seres geracionistas.

A partir do estabelecimento de um modelo analógico, passamos a recorrer à analogia para identificarmos as coisas e seus princípios criadores, geradores, sustentadores, identificadores, classificadores e nomeadores. Até aqui temos isto:
Fé – Religiosidade – Cristais
Amor – União – Minerais
Conhecimento - Expansão - Vegetais
Justiça – Equilíbrio – Temperaturas
Lei – Ordem – Gases
Evolução – Transmutação – Terras
Geração – Geracionismo – Águas

Essa correspondência analógica nos mostra sete sentidos, sete aspectos dos seres e sete elementos da natureza terrestre.

Como tudo o que se mostra no estado natural também se mostra nos outros dois ainda que em acordo com o estado onde está se mostrando, então podemos transpor esses sete sentidos para o estado divino da criação, que encontraremos seres divinos que também se adaptam a ele e nos permitem identificá-los, classificá-los e no­meá-los.
• No estado natural temos os elementos formadores da natureza terrestre: cristal, mineral, vegetal, fogo, ar, terra e água.
• No estado espiritual temos os espíritos associados aos elementos através dos sentidos: da fé, do amor, do conhecimento, da justiça, da lei, da evolução e da geração.
• No estado divino temos os sete mistérios maiores sustentadores da vida, que nos permitem associá-los aos poderes emanados por Deus e nos permitem identificar, classificar e nomear suas divindades regentes:
• Mistério da Fé - Divindade da Fé
• Mistério do Amor - Divindade do Amor
• Mistério do Conhecimento - Divindade do Conhecimento
• Mistério da Justiça - Divindade da Justiça
• Mistério da Lei - Divindade da Lei
• Mistério da Evolução - Divindade da Evolução
• Mistério da Geração - Divindade da Geração

Estas divindades-mistérios podem ser identificadas, classificadas e nomeadas, mas só através do estado natural, porque nele suas vibrações divinas estão dando sustentação à formação e manutenção dos elementos, e que também são os captadores, os absorvedores, os concentradores, os condensadores e os irradiadores dela para os seres e para os meios.

– Como as vibrações de uma divindade-mistério, que é em si uma manifestação de Deus e rege um dos sete sentidos da vida, quando entram no estado natural da criação fazem surgir um dos sete elementos, que as captam e as irradiam para os seres e para os meios, então, por analogia, temos como identificar, classificar e nomear cada uma delas, que são estas:
• Irradiação da Fé
• Irradiação do Amor
• Irradiação do Conhecimento
• Irradiação da Justiça
• Irradiação da Lei
• Irradiação da Evolução
• Irradiação da Geração

Daí, como os meios naturais se mostram energeticamente de várias formas, gerando meios diferentes, foi preciso estudar aqueles onde cada uma dessas irradiações mais se destacavam e mais facilmente podiam ser estudadas.

Isso, essa necessidade nos levou às dimensões elementais, onde o elemento resultante da vibração divina predominam e identificam, classificam e nomeiam cada uma delas, ao que nelas existe, aos seres que nelas vivem e às suas divindades naturais regentes.

• O estado divino da criação nos é invisível e, por ser um estado puramente mental, nos é inacessível.

• O estado natural da criação, por ser energético, magnético, vibratório e elemental tanto nos é visível quanto acessível.

Daí, foi só um passo adentrarmos nas dimensões elementais básicas e identificarmos, classificarmos e nomearmos tudo e todos, a partir do nosso entendimento espiritual.

Com um modelo analógico pronto, tudo ficou fácil e resultou numa tabela comprovável.

Com esta tabela, uma correspondência pode ser estabelecida, bastou substituir os nomes das divindades mistérios por Orixás, para surgir um panteão divino que nos é compreendido e que, no estado natural pode ser visualizado e descrito:
• Divindade-mistério da Fé - à Orixás da Fé
• Divindade-mistério do Amor - à Orixás do Amor
• Divindade-mistério do Conhecimento - à Orixás do Conhecimento
• Divindade-mistério da Justiça - à Orixás da Justiça
• Divindade-mistério da Lei - à Orixás da Lei
• Divindade-mistério da Evolução - à Orixás da Evolução
• Divindade-mistério da Geração - à Orixás da Geração
Por correspondência temos isto:

• A Divindade-mistério da Fé é um mistério de Deus que, manifestado, é um mental divino universal onipotente, onisciente e oniquerente, que rege o sentido da fé, irradia suas vibrações para o estado natural e faz surgir a dimensão elemental cristalina, onde predomina uma energia específica condensada nos cristais (nas rochas) e que, quando absorvida pelos seres espirituais desperta no íntimo delas sentimentos de fé, de fraternidade e de confiança. Essa Divindade-mistério identificada, classificada e nomeada Orixá da Fé, rege integralmente o sentido da fé e pontifica a irradiação da fé, pois a é em si.

• Como toda irradiação divina tanto é ativa como passiva, ela tem dois pólos que a projetam para tudo e para todos.

• Como esses pólos só podem ser visualizados e estudados no estado natural da criação, nesse podem ser identificados, classificados e nomeados os Orixás naturais responsáveis por eles e pela manutenção do equilíbrio em suas irradiações (ativa e passiva).

• Como esses Orixás naturais podem ser visualizados nós os identificamos, classificamos e nomeamos como Orixás da Fé.

• Como uma irradiação tem dois pólos, no pólo ativo da fé identificamos um Orixá feminino que classificamos como Orixá feminino da fé e o nomeamos Oiá-Logunan.

No pólo passivo identificamos um Orixá masculino que classificamos como Orixá masculino da fé e o nomeamos Oxalá.

A visualização desses Orixás não pode ser direta, porque eles são em si um estado natural da criação: o cristalino.

Nós os visualizamos, estudamos, identificamos, classificamos e nomeamos através dos seres naturais, que são membros de suas hierarquias. E isto foi possível, porque o que se mostra em um estado está nos outros, e vice-versa.

Os membros das hierarquias naturais são nomeados seres naturais de natureza divina ou Orixás naturais. Já os seres da natureza regidos e amparados por eles são nomeados seres de natureza espiritual.

Também encontramos uma correspondência direta entre os seres de natureza divina e os de natureza espiritual, confirmando mais uma vez que o que está em um estado mostra-se nos outros dois, ou seja:

• O que está nos seres de natureza divina mostra-se nas divindades e no espíritos.

Simplificando, temos isto:

• Divindade-mistério regente do sentido da Fé à Orixás regentes da fé, à seres de natureza divina sustentadores da Fé, à seres naturais cristalinos, à espíritos regidos e sustentados pelo sentido da Fé.

Em sentido contrário (do micro para o macro) já que podemos visualizar, identificar, classificar e nomear os seres espirituais, os naturais, os de natureza divina, as divindades naturais em ativos e passivos e em masculinos e femininos, também podemos fazer o mesmo com a Divindade-mistério da Fé. E o fazemos desta forma:

• A Divindade-mistério da Fé, denominado Orixá da Fé é em si um mistério maior de Deus, porque traz em si o duplo aspecto dele e de sua criação. Tanto é ativo quanto passivo; tanto é masculino como feminino e, em si, essa dualidade o caracteriza como criador e gerador, predicado este só encontrado em Deus.

Logo, o Orixá-mistério da Fé é Deus manifestado em um dos sete sentidos da vida, criando, gerando e sustentando tudo e todos criados e gerados por Ele nesse sentido.

A correspondência direta entre o Orixá da Fé, as divindades naturais cristalinas, os seres divinos cristalinos, a dimensão elemental cristalina, os seres naturais cristalinos, os espíritos regidos pelo sentido da fé, os elementos da natureza condensadores das vibrações divinas e seus irradiadores naturais, podem ser comprovadas até um certo nível ou estado da criação (o natural), porque dali em diante só o processo analógico nos permite identificar, classificar, nomear e estudar, pois dali em diante tudo torna-se invisível aos nossos olhos e impenetrável à nossa mente.

Mas a regra de ouro que nos ensina que o que está em Deus, está na sua criação e nas suas criaturas (os três estados), justifica a nossa certeza na divindade dos Sagrados Orixás, nos seus poderes, nos seus domínios, nas suas regências e nas suas ascendências sobre nós, os espíritos humanos.

Também justifica o culto religioso e o auxílio magístico dirigido a eles, pois de verdade, neles tudo encontra fundamentação elemental, natural, espiritual e divina.

Até nossas filiações por Orixás, está fundamentada nesse modelo desenvolvido por nós, pois se temos na regência dos sete sentidos, das sete vibrações, das sete irradiações e dos sete elementos e das sete dimensões elementais básicas suas regências e suas presenças divinas, não há como não estar ligado e estar sendo amparado por um deles.

Tudo é uma questão de deixar as emoções humanas de lado e usar a razão, pois até nossa personalidade íntima, nossos gostos, humor e predileções, encaixam-se dentro desse modelo identificatório, classificatório e nomeador.

Só não vê e não o aceita, quem não quer ou ainda é extremamente ignorante sobre Deus e seus mistérios.

Umbanda é religião; tem seus mistérios; tem seus fundamentos; está fundamentada em Deus e os três estados da criação estão tão visíveis dentro de um terreiro de Umbanda que só não os vê quem não quer.

• O estado divino mostra-se nos poderes sustentadores da Umbanda e nos trabalhos realizados dentro do seus templos.

• O estado natural mostra-se no espaço material e nos elementos usados pelos Guias espirituais e pelos seus médiuns.

• O estado espiritual mostra-se nos Guias e nos médiuns, todos espíritos e todos em correspondência direta com os dois outros estados, pois se não houvesse essa correspondência um orixá não poderia incorporar em um médium e, através deste, atuar no “lado de fora” da criação, uma vez que ele vive no estado natural e manifesta de si os poderes existentes no lado divino.

Umbanda tem fundamentos.

Só é preciso conhecê-los!

Pai Rubens Saraceni

O Nascimento de Exu

Olorun, que cria e gera o tempo todo havia individualizado as faculdades geradoras de suas criações. E feito isso continuou a gerar nelas, mas daí em diante o que cada matriz gerava, ficava dentro da realidade que ela era em si mesma. E ainda que todas estivessem em Olorun, as suas gerações já não se integravam ao todo indiferenciado que Ele é em si, mas sim, passaram a ser as partes do todo, que é Ele em si mesmo.

O que cada uma de suas matrizes gerava permanecia nelas, sendo que o que estava sendo gerado em uma, não sabia do que estava ou havia sido gerado em outra. Cada uma expandia-se cada vez mais no interior de Olorun, mas sem se tocarem, porque cada uma das matrizes geradoras era uma realidade dentro dEle, o senhor de todas as realidades.

Olorun, que tanto vê por fora quanto por dentro quando contempla algo, contemplou-se e viu-se pleno internamente, mas não se viu por fora. Então gerou uma matriz, que imediatamente começou a gerar o seu exterior. Mas como tudo estava no Seu interior, no exterior de Olorun formou-se o vazio, gerado pela matriz pensada por Ele. E ela recebeu o nome de Matriz Geradora do Vazio. Mais tarde passou a ser chamada de Mãe Geradora do Vazio e de senhora do vazio existente no exterior de Olorun. Como ela só gerava o vazio, ainda que fosse a matriz que o gerava, ela começou a sentir-se vazia. E não adiantou Olorun comunicar-lhe que havia pensado em ocupar o vazio gerado por Ele com o que estava gerando nas outras matrizes, pois ela insistia que o vazio era seu e que Ele deveria criar algo que o preenchesse.

Olorun pensou, pensou e pensou! E deu solução não somente para a sua matriz geradora do vazio à sua volta, como para todas as outras, sobrecarregadas em suas realidades, que não paravam de se expandir no interior dele. Então, Olorun pensou para a sua matriz geradora do vazio uma geração única, mas que a preencheria totalmente.

Olorun depositou em sua matriz modeladora o seu pensamento, que logo gerou um ser único na criação, ser esse que a preencheu parcialmente, e que aqui na Terra é chamado de Orixá Exu!

O Orixá Exu é fruto do desejo de sua matriz geradora do vazio tornar-se plena em si mesma, e da vontade de Olorun de torná-la geradora de algo mais que o vazio. Exu tem em sua ascendência divina Olorun, que é a plenitude em si, e a matriz geradora do vazio, que é a ausência Dele no seu lado de fora. E assim daí em diante, sempre que Olorun contemplava a Si mesmo, via no seu interior tudo o que todas as suas matrizes haviam gerado, e via no seu exterior o vazio infinito, ocupado por Exu, que por ter sido gerado na matriz modeladora da matriz geradora do vazio, ora se sentia pleno e ora se sentia vazio.

Quando Exu se sentia pleno, gargalhava alegre e alegrava Olorun. Mas quando se sentia vazio, recolhia-se ao âmago de sua matriz geradora e lamentava a solidão em que vivia, incomodando Olorun com seus lamentos, pois era unigênito e não tinha ninguém com quem compartilhar suas alegrias e suas tristezas.

Olorun pensou uma solução para o problema de Exu, e no âmago da sua matriz geradora do vazio, gerou uma forma oposta em tudo a ele mas que o completaria em tudo e o tornaria pleno em si mesmo quando se recolhesse ao âmago da matriz que o havia gerado. E assim foi gerada uma companheira para alegrar Exu quando ele se recolhesse ao âmago da matriz que o gerara. Essa sua companheira tornou-se a moradora do interior da matriz geradora do vazio. Mas quando Exu se deslocava feliz no vazio infinito, ela ficava triste com a ausência dele e chorava de tristeza lamentando ter como companheiro alguém que ficava alegre e feliz quando saía e que se sentia solitário quando retornava.

Ela se entristecia e chorava quando ele saía, pois alegrava-se e transbordava de felicidade quando ele retornava para o interior da matriz que o havia gerado. E ela, nesse seu transbordar de alegria e felicidade, não deixava Exu sentir-se solitário pois não o largava um só instante, falando e sorrindo feliz o tempo todo.Exu somente se alegrava e gargalhava quando saía do interior da matriz que o gerava, criando o primeiro paradoxo na criação do Divino Criador Olorun. Não que Exu não gostasse da companhia dela, que com sua alegria e felicidade anulava a sua solidão.

Olorun a havia pensado para que ela preenchesse a solidão dele. Mas quando ele começava a dar sinais de que estava com saudade da imensidão infinita do vazio, ela começava a entristecer-se e a soluçar. E não adiantava Exu dizer que só ia dar uma voltinha pelo vazio e que logo estaria de volta, pois nada a alegrava novamente. Ele virava-lhe as costas e mergulhava no vazio, esquecendo-a e voltando a gargalhar feliz. Olorun, se de um lado ficava feliz ao ouvir as gargalhadas alegres de seu filho Exu, por outro ficava triste por causa da tristeza da sua filha que habitava no âmago da sua matriz geradora do vazio. Que problema!

Olorun pensou, pensou e pensou. E no seu pensar criou uma solução que iria influenciar a tudo dali em diante. Era algo drástico e que colocaria um fim à tristeza daquela sua filha unigênita, pois ela era a única que ele gerara no âmago da sua matriz geradora do vazio no seu lado de fora.O fato é que quando Exu retornou e a viu alegre e feliz, desejou multiplicar-se nela e ela desejou multiplicá-lo em sua matriz modeladora e geradora. E o que Olorun havia pensado realizou-se! E antes dele voltar a sentir saudades da liberdade do vazio, ela gerara, ainda pequenino uma réplica dele, que o chamou de papai assim que balbuciou as primeiras sílabas. E também a chamou de mamãe.

Estava formada a primeira família no imenso vazio do lado de fora de Olorun. Então ela dividia sua alegria e felicidade com Exu e com seu filho, que ao contrário dele, vivia grudado nela não lhe deixando muito tempo para vivenciar sua alegria e felicidade com seu companheiro. Quando ela deixou de lado o filho para repetir o que havia sido tão agradável, aí foi a vez do pequenino chorar e berrar que queria o colo da sua mamãe. E somente se aquietou quando ela voltou até onde o havia deixado, e o alegrou tornando-o feliz com seus carinhos maternos.

Exu vendo aquela criança chamar para si toda a atenção da sua companheira, começou a sentir saudades da imensidão do vazio. Então, viu que ela já não se entristecera tanto com sua partida, que ao invés de chorar, somente soluçou de tristeza. Mas o pequenino vendo o seu pai partir e sumir no vazio, começou a chorar e a chamá-lo de volta, fazendo sua mamãe desdobrar-se para alegrá-lo, enquanto dizia-lhe que Exu logo voltaria para o âmago da matriz geradora do vazio, que é onde vive a família dele.

Exu voltou para o vazio infinito, e longe da sua família sentiu-se livre e gargalhou feliz. Mas, chegou um momento em que começou a sentir saudades da sua companheira e do pequenino que deixara nos braços dela. Então voltou para o âmago da matriz do vazio, feliz e alegre porque sentia saudades dela e do filho. Ao chegar, ao invés de encontrar sua companheira sorridente, alegre e rindo de felicidade com a sua volta, a encontrou com um novo filho nos braços, enquanto o outro já mais crescido, procurava chamar sua atenção pois estava enciumado, porque sua mãe voltara parte da atenção ao seu irmão mais novo. Ela, ao invés de abraçá-lo toda feliz e contente, começou a reclamar de sua ausência, e de que tinha de cuidar sozinha de dois filhos que não a largavam um só instante, não dando-lhe descanso.

Foram tantas as reclamações, que Exu nem teve como sentir-se triste e solitário, pois somente para deixar de ouvir as reclamações dela, tomou o filho mais novo em um braço, e o mais velho em outro e foi dar uma volta com eles, só voltando depois de um bom tempo e com os dois já adormecidos. Ela, ao ficar sozinha voltou a ficar triste e a chorar, tanto porque sentia saudade de Exu quanto dos dois filhinhos. Mas ao vê-lo, e aos filhos, alegrou-se por completo e sorriu feliz. Como os pequeninos se cansaram de tanto que brincaram com Exu no vazio infinito, continuaram a dormir, e ela pode tê-lo só para si por algum tempo.

E dali em diante, ainda que vivesse feliz no vazio infinito, no âmago da sua matriz geradora, ele nunca mais sentiu-se solitário e triste, pois sua família cada vez mais numerosa, não o deixou um só instante solitário... ou em paz!

Olorun sorriu feliz e pensou: “Eis aí o modelo de família que ocupará o meu lado de fora, que alegrará meus olhos sempre que eu me contemplar!”

Pai Rubens Saraceni

A Geração de Oxalá

Já revelamos como se deu a geração de Exu, mas como Olorun ao gerar algo em uma de suas matrizes, gera esse mesmo algo em todas as outras, e se na sua matriz geradora do vazio Exu havia sido gerado, nas outras outros Orixás também haviam sido. E Olorun gerou na sua matriz geradora das matrizes geradoras, um Orixá que aqui na Terra quando surgiu o seu culto, recebeu o nome de Oxalá.

Exu havia sido gerado na matriz geradora do vazio, e Oxalá havia sido gerado no âmago da matriz geradora de matrizes. Dois Orixás opostos em muitos aspectos, pois se Exu reinava feliz no vazio à volta de Olorun; Oxalá ao ser gerado no âmago da matriz geradora de matrizes, havia sido gerado no âmago da plenitude, pois de certa forma sua matriz geradora gerava tudo. E por ter tudo à sua volta, pois vivia no centro gerador da plenitude existente no interior de Olorun, Oxalá sentia-se pleno em todos os sentidos vivendo feliz e contente no âmago da matriz que o havia gerado.

Oxalá de onde se encontrava contemplava a plenitude existente em Olorun, sorrindo feliz e contente, e esse seu sorriso alegrava Olorun que não se cansava de contemplá-lo. Mas como os outros Orixás começavam a sair do âmago de suas matrizes geradoras, e deslocarem-se pelo todo existente em Olorun, este ordenou a Oxalá que também saísse para conhecer seus irmãos e irmãs, todos gerados no seu pensar quando ele quis animar o vazio existente no seu lado de fora.

Oxalá sempre respondia que estava contente e feliz ali mesmo, e que gostaria de permanecer dentro de sua matriz geradora por toda a eternidade.
– Mas você tem muitos irmãos e irmãs, cada um deles unigênito, pois cada um foi o único gerado por mim nas suas matrizes geradoras, Oxalá. Saia de sua matriz geradora e venha conhecê-los meu filho.
– Pai diga a eles para virem até aqui, assim todos eles me conhecerão e a todos conhecerei.
– Meu filho você precisa sair de dentro do âmago dessa sua matriz geradora.– Meu Pai aqui me sinto pleno, contente e feliz.
– Eu sei que você se sente assim, pois eu o gerei na matriz que pensei para que ela gerasse em meu âmago a plenitude. Mas há um problema meu filho.
– Que problema é esse meu Pai?
– Filho amado, tudo o que as matrizes geradoras geram deve sair para fora delas, e deve passar a viver e existir nos seus exteriores. Esse é o princípio da existência delas em meu lado lado interior.
– Oque acontecerá se eu não sair?
– Você amadurecerá e tornar-se-á prisioneiro do âmago da matriz que o gerou; envelhecerá e ficará paralisado, perdendo toda a sua capacidade de mover-se.– Eu me tornarei paralisado meu Pai?
– Sim meu filho amado. Agora saia e venha se juntar aos seus irmãos e irmãs, todos já fora de suas matrizes geradoras.
– Está bem meu Pai.

E Oxalá contemplou mais uma vez o interior ou âmago da matriz que o gerara, a matriz geradora da plenitude em Olorun. Então deparou-se com a sua primeira dificuldade: como sair do interior da sua matriz geradora, se todas as outras matrizes também haviam saído dela, e interpunham-se até o espaço onde muito distante ele via os outros Orixás, já fora de suas matrizes geradoras, e cada um vivendo na realidade que ela era em si mesma?

Então Oxalá perguntou a Olorun:
– Pai como faço para sair, se todas as outras matrizes estão em volta e interligadas ao âmago dessa que me gerou?
– Pense meu filho. Pense, que você saberá como sair do âmago dela para alcançar o seu exterior que é uma realidade em si mesma.
– Farei isso meu Pai.

Oxalá pôs-se a pensar, e fechou-se em si mesmo. E tanto Oxalá pensou, que tornou-se um pensar em si mesmo; e seu pensar tornou-se pensamento puro e sua mente alcançou o âmago de Olorun, que é pensamento puro e puro pensar.

Oxalá transcendeu a si mesmo, à matriz geradora de matrizes que o gerara e alcançou o âmago de Olorun, o seu Pai e seu Criador que o criara no seu pensar e o gerara em sua matriz geradora da plenitude, que era ele em si mesmo. No âmago do pensamento de Olorun pensou muito. E tanto pensou que tornou-se o pensamento de Olorun, e ambos passaram a pensar juntos e tornaram-se um só pensamento. E Olorun pensava por meio de Oxalá e este pensava em Olorun.

O filho unigênito retornava ao âmago de seu Pai por meio do ato de pensar. E ali Oxalá permaneceu por um longo tempo, até que pensou isso: “Eu sou fruto do pensamento, e o próprio ato de pensar! Eu sou o pensamento puro que em si mesmo gera tantas alternativas, que não há uma que não possa ser pensada. No âmago do meu Pai, eu sou o meu pai, e o meu Pai realiza-se em mim, pois todo filho é fruto do seu pai. Pai e filho são a mesma coisa, ainda que o filho tenha sido criado no pensar do seu pai este está por inteiro nele, pois traz em si o pensamento que o criou. O meu Pai está por inteiro em mim e eu sou parte indissociada do meu pai. Em mim o meu pai é Oxalá, mas no meu pai eu sou Olorun!”

Então Olorun com Oxalá de volta ao pensar que o gerara, falou:
– Meu filho esta é a verdade suprema, fruto do meu pensamento! Quando todos atinarem com ela, ninguém se sentirá fora de mim porque eu estou em cada uma das coisas que eu pensei e gerei. Elas estão em mim e eu estou em todas elas, amado filho pensador!
Oxalá que era só pensamento falou ao seu pai Olorun:
– Pai cada um de nós os seus filhos Orixás, somos uma de suas partes?
– São sim meu filho.
– Todos nós o trazemos por inteiro e o exteriorizamos por meio de um dos seus aspectos?
– Vocês me exteriorizam meu filho.
– O Senhor está em nós, e nós somos parte de Ti?
– É isso mesmo meu filho.
– Eu sou o Seu pensamento meu Pai?
– Não meu filho. Você é fruto do meu pensamento. Mas por ser fruto do meu pensamento, sempre que você pensar estará pensando por meu intermédio, estarei me manifestando no seu pensamento e exteriorizando-me por meio do seu ato de pensar.
– Eu o entendo e entendo-o por mim, meu Pai e meu Criador!
– Eu sei que sim meu filho amado. Você também é fruto do meu entendimento.
– Oque mais eu sou meu pai?
– Você é parte de mim e Eu sou você por inteiro, porque você é o fruto do meu pensar.
– Pai é bom estar de volta. Aqui sinto em meu âmago a plenitude que antes, na matriz que me gerou eu sentia à minha volta.
– Eu sei que está se sentindo assim meu filho.
– Por que isso meu Pai?
– Pense meu filho.

E Oxalá no âmago do pensamento de Olorun, pensou muito na razão de sentir em seu âmago a plenitude que antes sentia à sua volta.

E chegou o momento em que Oxalá que era pensamento puro, pensou:
– Meu Pai, somente sentimos a plenitude interior quando estamos por inteiro no Senhor, e deixamos de ser uma de suas partes e tornamo-nos o Senhor por inteiro. É isso meu Pai?
– Sim meu filho amado. A plenitude exterior, todos a alcançarão como fruto do próprio esforço em construí-la à sua volta. Mas a plenitude interior, somente em mim será alcançada.
– Porque isso é assim meu Pai?
– Pense Oxalá!
E mais uma vez Oxalá pensou muito. E tanto Oxalá pensou, que chegou ao momento em que falou:

– Meu amado Pai o senhor me criou no seu pensamento. E então, no seu pensamento eu sou pleno, pois o senhor me pensou na sua plenitude. Mas o Senhor me gerou na matriz geradora que gera a plenitude no seu interior, e para ser gerado eu me desloquei do seu pensamento e fui me alojar no âmago dessa sua matriz, que ainda que não esteja fora do senhor, é um meio onde os seus pensamentos frutificam. É isso meu Pai?
– É isso sim Oxalá. Tudo é fruto do meu pensamento. E eu como pensamento, somente me realizo se o que eu pensar vier a se frutificar na matriz correspondente a cada coisa que eu penso.
– Eu entendo meu Pai.
– Eu sei que entende meu filho. Afinal, eu o gerei no meu entendimento de que somente eu me frutificando em você, como um fruto meu, me frutificaria gerando à sua volta a plenitude que somente em meu âmago existe como um estado permanente.
E Oxalá como pensamento puro e indissociado do pensamento de Olorun, pensou muito. E tanto pensou e falou com Olorun, que chegou ao momento em que amadureceu na plenitude existente no âmago dele, que sentiu profundamente aquela plenitude.

Então sentindo-se plenitude pura e pura plenitude, Oxalá falou a Olorun:
– Meu Pai sairei do âmago da matriz onde o Senhor me gerou, e vou passar a viver na realidade ao redor dela, que é ela em si mesma, meu Pai!
– Porque você quer fazer isso meu filho?
– Eu entendi que mesmo tendo-o por inteiro em mim e eu sendo parte do senhor, só me realizarei como plenitude se exteriorizar de mim mesmo essa plenitude existente aqui no seu âmago.
– Porque você quer exteriorizá-la de si mesmo meu filho?
– Meu Pai, se cada pensamento seu é gerado em uma matriz geradora diferente, então só há uma que gera a plenitude, não é mesmo?
– É isso mesmo Oxalá.
– Então os meus irmãos e irmãs Orixás, ainda que tenham sido pensados pelo Senhor e gerados em matrizes que ao gerarem são plenas em si mesmas, não geram a plenitude, que somente é gerada na matriz que me gerou...
– E Oxalá calou-se.
– Conclua seu pensamento meu filho!

– Eu deduzi que os meus irmãos e irmãs são plenos no aspecto em que são o senhor em si mesmos. Mas não o serão em todos eles, se eu não manifestar essa sua plenitude a partir da realidade que existe no exterior da matriz onde fui gerado, realidade esta que contém todas as outras, pois todas as outras matrizes-realidades foram geradas por ela.

Na verdade, todas as outras realidades estão dentro da realidade que a matriz geradora da plenitude é em si mesma. E se eu não ocupar com minha presença essa realidade à volta dela, as outras que estão dentro dela sentirão falta da plenitude que manifesto, pois essa plenitude é o Senhor em mim, e se realizando através de mim.

– É isso meu filho amado. Agora retorne à matriz que o gerou, e a partir dela ocupe a sua realidade que contém em si, mas como suas partes de si, todas as outras realidades que a tornam plena em si mesma.
– Assim farei meu Pai. Peço sua licença para recolher-me à realidade que o senhor gerou para mim.
– Você tem a minha licença, meu filho primogênito e unigênito.
– Porque sou seu primogênito-unigênito meu Pai?
– Porque antes de eu gerar todos os seus irmãos e irmãs, eu o gerei na matriz geradora de matrizes. Como eu poderia gerar os seus irmãos e irmãs, se antes eu não o tivesse gerado? Você é o modelo original de todos eles meu filho!
– Meu pai...

– Eu sei meu filho. Em você eu estou por inteiro em todos os meus aspectos. Mas neles, eu estou por inteiro nos aspectos que eles manifestam. Em um eu estou por inteiro nos aspectos que ele me realiza. Em outro eu estou nos aspectos que esse outro me realiza. Mas só em você, por ter sido gerado na matriz geradora de matrizes, eu estou por inteiro e em todos os meus aspectos. Em você eu me realizo por inteiro e em todos os meus aspectos o tempo todo, Oxalá! Você é o modelo da plenitude existente em mim, plenitude esta que deverá ser conquistada por todos, se quiserem me sentir por inteiro em seus âmagos! Você terá ascendência sobre todos eles, pois, além de ser o meu primogênito-unigênito, é o modelo para todos eles... e será o modelador deles.
– Assim disse o meu Pai, assim eu sou!
– Agora volte para o âmago da matriz onde o gerei, e seja o que pensei que fosse.

E Oxalá retornou ao âmago da matriz geradora das outras matrizes e contemplou seu interior pela última vez, deixando-a em seguida. E somente conseguiu sair para a realidade à volta dela, após passar pelo interior de todas as outras matrizes, e assim que ele adentrava ao âmago delas, começavam a se sentir plenas em si mesmas e tudo faziam para retê-lo em seus interiores... e somente o liberavam após ele consolá-las, e prometer-lhes que tudo faria para tornar plenas em si mesmas todas as suas gerações.

E cada uma delas imantou Oxalá com a sua qualidade original.

Da matriz geradora da piedade, Oxalá recebeu a sua qualidade e tornou-se gerador do perdão e irradiador da piedade.

Da matriz geradora da misericórdia, Oxalá recebeu a sua qualidade e tornou-se gerador e irradiador da misericórdia.

Da matriz geradora da compaixão, Oxalá recebeu a sua qualidade e tornou-se gerador e irradiador da compaixão.

E foram tantas as qualidades originais absorvidas por Oxalá, que quando finalmente ele chegou à sua realidade original, já era o mais piedoso, fraterno, amoroso, compreensivo, tolerante, paciente, perseverante, resignado, humilde, quieto, pensativo, reflexivo, animador e etc., de todos os Orixás.

Como todas as realidades eram as matrizes em si mesmas, da sua realidade Oxalá contemplou todas as existentes no interior de Olorun, e admirado com a sua grandeza e grandiosidade interior, caiu de joelhos e começou a soluçar. E os soluços de Oxalá que eram da admiração, alegria e contentamento, atraíram a atenção de todos os outros Orixás, cada um vivendo dentro da sua realidade.Um a um todos se voltaram na direção dos soluços, e viram que havia mais alguém além deles. E todos se dirigiram para onde estava Oxalá, e ao vê-lo de joelhos e soluçando de tanta admiração, alegria e contentamento, foram se ajoelhando à volta dele, também soluçando admirados, alegres e contentes por descobrirem que não estavam sozinhos no interior de Olorun.

Oxum, a mais arguta das filhas de Olorun atinou entre soluços de admiração, alegria e contentamento, que Oxalá era Olorun manifestado como Orixá, e já aos prantos atirou-se de bruços aos pés dele e saudou-o:
– Epa Babá! Dê-me a sua benção, meu pai!

Oxalá vendo-a estirada na sua frente e com a cabeça encostada nos seus joelhos, e repetindo sua saudação sem parar, cruzou as costas dela, e após tocar com as mãos em seu ombros ordenou-lhe:
– Levante-se e dê-me o seu abraço filha do nosso Pai, e minha irmã mais nova Oxum!

Oxum levantou-se respeitosamente, e de joelhos e aos prantos pediu-lhe:

– Babá abrace-me o senhor primeiro, para que eu sinta como é bom ser abraçada pelo primogênito-unigênito do nosso pai e nosso Divino Criador Olorun! Eu quero eternizar em meu ser imortal o seu abraço, meu irmão mais velho e meu pai exteriorizado, que se exteriorizou para tirar do meu íntimo a sensação de vazio que vibrava nele.

Oxalá abraçou Oxum com tanto amor, mas com tanto amor que outro amor igual ao que ele vibrava por ela, jamais Oxum encontrou. E quando ele a apertou contra seu peito largo e forte, ela sentiu-se tão confortada, mas tão confortada, que do seu peito jorrou uma poderosa luz rosada que encantou a todos os Orixás ali reunidos à volta de Oxalá.

E a luz rosa de Oxun envolveu a todos, que admirados com a beleza da sua luz interior, emitiram essa saudação:

– Or, aiê, ieô, Oxum! Vinde a mim o seu amor, minha mãezinha!

Quando Oxum abraçou Oxalá e fundiu o seu amor ao dele, houve uma explosão luminosa que a todos alcançou, e a todos imantou com sua vibração de amor.

Oxum mergulhada em um êxtase indescritível, pois por meio de Oxalá abraçava Olorun, fez ele soluçar alto de tão contente e feliz que se sentia. E até hoje, quando uma filha de Oxum o abraça, ele sacode o tórax. Em silêncio, está soluçando de alegria e contentamento, pois ao abraçar suas filhas é como se ele tornasse a abraçá-la.

Quanto tempo durou aquele abraço do Orixá primogênito de Olorun, com a sua filha gerada na sua matriz geradora do amor incondicional, ninguém sabe dizer, porque o fator tempo inexiste no interior dele. Mas segundo Exu, o mais bem informado dos Orixás, e o mais indiscreto de todos, Oxum amadureceu todo o seu amor nos braços de Oxalá, que a tem na conta de sua filha-irmã ou irmã-filha, e ele sente um certo ciúme por ela.

Foi Exu que o disse. Se bem que sempre que Oxum fica contrariada com algo ou alguém, somente Oxalá consegue descontraí-la e alegrá-la.

O fato é que foi na realidade da matriz geradora da plenitude, que todos os Orixás se encontraram, souberam da existência de outros, conheceram-se e às realidades em que viviam.

A realidade de Oxalá é a única que permite a todos os Orixás se encontrarem e conversarem entre si, sem saírem de fato de dentro das suas realidades, pois entre as deles não há contato, já que são isoladas entre si.

E até hoje quando um Orixá quer transmitir algo a outro ou a todos os outros, ele vai à realidade de Oxalá, que desde aquele primeiro encontro tornou-se o local que todos se reúnem.

Após todos os Orixás se abraçarem, se conhecerem e se reconhecerem como unigênitos, criou-se entre eles um sentimento único de irmandade, pois se haviam sido gerados em matrizes diferentes, cada um era em si mesmo um dos aspectos ou qualidades de Olorun, o Divino Criador de tudo e de todos. Também é por tudo o que relata a lenda do nascimento de Oxalá, que nos templos de Umbanda, ele é colocado no ápice deles.

Oxalá é o único Orixá por meio do qual o Divino Criador Olorun manifesta-se integralmente, e em todos os seus aspectos, pois nos outros Orixás ele manifesta-se no seu aspecto que eles são em si.

Pai Rubens Saraceni

A Geração de Yemanjá

Olorun tem uma matriz geradora onde gera a vida em seu sentido mais amplo, pois nela são geradas todas as formas de vida. Dentro dessa matriz existem tantos “compartimentos” geradores de formas de vida quanto possamos imaginar, e ainda assim não chegamos à milionésima parte da sua capacidade de gerar formas de vida. Nossas mais bem informadas fontes revelam, que até o plasma divino que deu origem aos Orixás foi gerado nela, fato esse que confunde um pouco intérpretes dos Orixás, pois como Yemanjá foi gerada por Olorun nessa matriz, então é atribuída a ela a maternidade dos Orixás. Mas o assunto é mais complexo do que parece ser, e preferimos não elocubrar sobre algo que escapa à nossa imaginação e entendimento sobre o nosso Divino Criador Olorun.

A verdade segundo todas as fontes, é que Yemanjá foi gerada na matriz geradora da vida e ponto final. De posse dessa informação confiabilíssima, Yemanjá é um Orixá que traz em si tantos mistérios que é melhor nem tentar quantificá-los, porque a vida tem tantos mistérios em si que seu número é infinito.

Importa é que todos saibam que se a vida é gerada nessa matriz geradora, e Yemanjá é a mãe Orixá gerada nela, então em certo sentido a lenda que lhe atribui a maternidade de diversos Orixás não está errada, pois eles, mesmo sendo seres divinos, são uma das muitas formas que a vida tem para fluir. Só que neles ela flui de forma divina.

Ela é de direito a mãe de todos, ainda que não o seja de fato, pois na realidade quem é a mãe de todos eles que são vidas, é a matriz geradora de “vidas”. Mas como todas as matrizes são suas realidades em si mesmas e a que a gerou é em si a realidade da vida, então Yemanjá que a rege, é de fato a mãe da vida. Ou não? Como o assunto é muito complexo e envolve elaboradíssimos conceitos teogônicos e metafísicos, então o melhor é simplificarmos as coisas para que possamos entender a importância de Yemanjá na criação ou na morada exterior de Olorun. Inclusive o homônimo nigeriano de Édipo que é Orungã, não resistiu ao desejo de possuir Yemanjá, fato esse que na lenda nigeriana levou-a a fugir dele, e durante a fuga acabou sofrendo um acidente que abriu seus fartos seios.

Exu, o mais bem informado dos Orixás, ainda que seja o mais indiscreto revelou-nos que as coisas têm outra versão, tão intrigante quanto essa.

Pai Rubens Saraceni

A Geração de Oxossi

Oxóssi foi gerado por Olorun na sua matriz geradora da fartura e, como ele não ficou muito tempo dentro dela, sua aparência é a de um jovem ágil e expedito, tanto no raciocínio quanto nos movimentos. Ele, por gerar os fatores supridor e fornecedor entre muitos outros, ainda na morada interior de Olorun, sempre supria as realidades dos demais Orixás com o que nelas faltava. É ágil e expedito, pois vagareza e acomodação não o agradam nem um pouco.

Oxalá sabendo como ele era, nomeou-o Orixá responsável pela identificação e exploração das novas realidades que eram geradas por Olorun, que não para de gera-las.

Oxóssi é um genuíno “batedor”, aquele que vai à frente fazendo o levantamento de todo campo a ser atravessado e apontando o melhor caminho, os perigos possíveis e etc. Por ser ágil conquistou rapidamente a simpatia de todos os outros Orixás, especialmente a de Yemanjá, que vivia (e ainda vive) recorrendo a ele para quase tudo o que precisa em sua realidade. Tanto isso é verdade, que ele é o único Orixá que pode entrar a hora que quiser na realidade regida por ela e nunca sai molhado, pois aprendeu com ela como entrar nas águas sem se molhar e, como caminhar dentro delas sem afundar.

Dentro das águas todos nadam, enquanto Oxóssi anda! Inclusive segundo o mais bem informado dos Orixás, Exu; Oxóssi leva para Yemanjá uma planta aquática toda vez que entra em sua realidade, deixando-a cada vez mais verdejante. Mas isso ele faz sempre que entra em alguma realidade, e segundo Exu, o hábito dos humanos de presentearem a quem visitam foi herdado de Oxóssi, que jamais chegou diante de uma mãe Orixá sem uma flor, um fruto ou uma planta ornamental. Também revelou esse informadíssimo Orixá que existem algumas realidades vegetais que de tão densas, somente Oxóssi não se perde dentro delas, pois é dotado de um sentido de direção ímpar, e jamais se perde tanto em vegetações ralas quanto em matas fechadíssimas. Inclusive e aí creia quem quiser, ele revelou-nos que Oxóssi recolhe-se no centro das matas virgens porque, no âmago gerador delas vivem as Ninfas dos vegetais, que são mais belas que as mais belas flores, e que se abrem, ou melhor, abrem os braços esfuziantes quando ele as visita, envolvem-no com seus encantos e só o soltam quando ele conta para elas como tudo está indo e o que há de novo na morada exterior de Olorun.

Não sabemos se essa informação procede ou não, pois ninguém consegue acompanhar ou seguir os rastros de Oxóssi, de tão ágil que ele é em seus deslocamentos. Mas, que há alguma coisa que o agrada no meio das “matas virgens” disso ninguém duvida.

Pai Rubens Saraceni

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